Tinha Que Acontecer
8 Capítulo 8
A mesa tinha um boa localização e uma luz suave que criava um clima gostoso.
_O que quer beber, querida ….
Ela arregalou os olhos encantada, ser tratada com tanto carinho estava lhe fazendo um bem enorme.
_Este coquetel de frutas parece bom, vou querer um. — Ela disse se virando para o garçom.
_Senhor ?
_Apenas água, por favor.
Ele se afastou e ela quis saber.
_Se pudesse beber … o que escolheria ?
_Vinho ! Gosto deles e seria uma ocasião perfeita.
Ela sorriu de lado.
_Me fale sobre você !
_Não sou muito interessante.
_Deixe que eu decida isso, Grissom ! — Ela disse zangada.
_Devo me preocupar com esse jeito tão … direto ?
Ela foi às gargalhadas.
_Explosivo, você quis dizer. E sim … deve se preocupar, me zango com facilidade quando ouço certas coisas. Sou bastante direta mesmo !
_Desculpe … não tive a intenção. O que quer saber exatamente ?
_Você é de Vegas, mesmo ?
_Não … de Santa Mônica, na Califórnia, mas cresci em em Marina Del Rey.
_E a sua família ?
_Meu pai era botânico, morreu quando eu tinha nove anos e minha mãe tem uma galeria de arte.
_Me descreva você !
“Uau ! Direta mesmo !”
_Sou muito dedicado à ciência, não gosto de política, meu trabalho é minha vida, escolhi o turno da noite para supervisionar, tenho poucos amigos, sou uma pessoa difícil, e não gosto de me abrir com facilidade.
_Você é assim ?
_E se eu te disser que, até antes de vir para cá, as coisas eram bem … diferentes.
_Diferentes como ?
_Hum … eu era um solitário e gostava disso, agora … as coisas estão … um pouco fora do meu controle.
_Não entendi.
Ela havia entendido sim, e estava querendo vê — lo embaraçado, ficava ainda mais encantador.
“Você é má, Sara Sidle.”
_Digamos que … vir atrás de você, apenas para saber se estava bem, jamais seria uma atitude que tomaria.
_Você é presunçoso, sabia ?
_Não … Sara, não me entenda mal, isso é … falta de coragem, comodidade … ah … também não admitiria isso, com tanta facilidade. Este não sou eu !
_Ah … entendi … você … a grosso modo, não daria o braço à torcer.
_Não me entregaria assim … com tanta facilidade. — Ele corrigiu. — Ficaria … travado !
_Quer dizer que … essa conversa … em seu “outro mundo”, jamais existiria.
_Isso !
_O que há de diferente agora ?
_Você !
Ela arregalou os olhos pela sinceridade dele.
_Vamos racionalizar … posso ?
_Á vontade.
Como uma perita do FBI, ela analisou em segundos a situação, em se tratando de outra pessoas, ela era uma expert.
_Você teve uma segunda chance, ao meu ver … então, estamos propensos a fazer coisas … digamos diferentes do habitual, não está em seu habitat natural, e isso nos torna mais suscetíveis à mudanças também, existe a comodidade de “o que se faz aqui, fica por aqui”, como Las Vegas ...”o que se faz em Vegas ...”, enfim essa coisa. E outro pronto ..bastante interessante. Eu sou uma estranha !
Ele estava boquiaberto e resolveu revidar.
_Está me dizendo tudo isso para justificar … que você não é o motivo ?
_Sim ! E acho que tenho razão !
_Isso me parece meio frio !
“Se ele queria falar sobre ser quente, então as coisas iam pegar fogo !”
_Acho racional.
_E frio. — Ele voltou a repetir. _Agora é a sua vez !
_Bem … — ela bebericou a bebida, que o garçom acabara de trazer, depois passou a línguas pelos seus lábios, deixando Grissom em alerta. _Sou de São Francisco, não tenho família, meus pais morreram em um acidente quando ainda era criança, sou filha única, fui criada em orfanatos, e tive algumas famílias emprestadas pelo meio do caminho. Estudei em Harvard, me formei e logo depois, o FBI. E agora estou aqui, sentada diante de um homem que insiste em dizer que sou a razão de suas mudanças.
_E é verdade, acredite !
_E se essa conversa é apenas para me conquistar ?
_Se surtir efeito, então mereço louros. — Ele aceitou a provocação !
_Grissom !
Ele riu. Beber apenas água em um encontro era horrível. Mas não havia outra maneira.
Eles escolheram seus pratos e continuaram se cutucando, a conversa estava bastante agradável e ele não se lembrava há quanto tempo não se sentia tão bem.
_Por que não se casou ?
_Nunca pensei em me casar !
_Por que ?
_Não havia espaço na minha vida para “outro casamento”. O trabalho é uma esposa exigente.
Ela olhou para ele com uma certeza. Ele não tinha consciência de seu poder de sedução ...
E como era sedutor, meu Deus !
Talvez fosse seu problema, ou talvez ele apenas se sentisse inferior, ou por alguma razão desconhecida, ele levasse mesmo uma vida solitária. Teria sido uma decepção ?
_Gosto do meu trabalho, ele é muito importante para mim, lutei muito para chegar onde cheguei, mas não me casaria com ele, afinal ….
Ela o olhou com um a certa malícia, estava adorando o meio fio, em um momento tinha medo, em outro sentia vontade de rolar com ele em uma cama bem confortável e saber que segredo ele tinha, para ser um solitário. Talvez tivesse problemas na intimidade. Aquilo a deixou curiosíssima com nuca !
_Afinal … ? — ele queria saber !
_O trabalho é um péssimo amante !
Seu queixo caiu, ele não soube o que dizer. Ela era diferente de tudo que já havia conhecido, bastante ousada, e era sim culpa dela, ele estar tão diferente.
Ela viu quando ele passou a mão em sua testa. Estava sem jeito.
Ele também era uma confusão de sentimentos. Direto, porém tímido, corajoso, porém cauteloso …
Sara pensou mais uma vez, talvez ele tivesse mesmo problemas com seu desempenho na cama ! Seria a idade ? Mas não era sabido que homens daquela faixa etária eram os melhores amantes ?
Ela aceitou seu silêncio, estava brincando com fogo, se insinuando por aqueles caminhos tão cedo. Resolveu mudar de assunto.
_Depois podemos dar umas voltas por aqui ? Seria interessante !
_Claro, o que você quiser ! Não tenho hora para voltar para casa ! — Ele riu.
_Acho que não ouço isso desde a minha adolescência !
_Como foi a Sara adolescente ?
_Esquisita, muito brava, com a cara enfiada em livros … eu usava óculos sabia ?
_É ? Ainda usa ?
_Não … fiz uma cirurgia corretiva.
_Namorados ?
_Muito poucos, alguns nerds pelo caminho e um que nem vale a pena lembrar.
_Por que ?
_Parecia acreditar que o fim do mundo estava próximo e precisava experimentar o que aparecia pela frente.
_Ele a fez sofrer ?
_Não … acordei a tempo.
_E depois, as coisas mudaram ?
_Um pouco … onde quer chegar ?
Ele sorriu para ela, os pratos chegaram.
_Bem … — ele estava curioso, queria mesmo saber tudo dela._Só estou curioso sobre seus últimos relacionamentos, como foram ?
_Isso muda alguma coisa ?
_Mudaria se fosse uma “viúva negra” !
_A aranha ? — Ela perguntou incrédula.
_Yeah !
_Ai meu Deus, você é maluco ou o que ?
_Um entomologista !
_Não me diga que você também não tinha esse humor todo !
_Exatamente ! Era mal humorado também !
_Estou com medo de você ! O que eu ainda não sei ? Até onde vai essa sua … metamorfose.
Ele deu uma gargalhada gostosa.
“Estou disposto a deixar você descobrir !”
_Não crescem pelos pelo meu corpo, em noites de lua cheia, eu te garanto ! E não se preocupe com a meia-noite !
_Um vampiro ?
_Também não …
“Se bem que esse seu pescoço é tentador !”
_Passagem pela polícia ?
Ele riu de novo !
_Não ! Sempre fui um bom rapaz !
_Grissom … sabe que tenho direito de saber as mesmas coisas, não é ?
_Tem ?
_Huhum ….
_Bem … não sei se me sinto confortável com esse assunto.
_Mas ficou confortável o bastante para saber dos meus assuntos.
_Tem resposta para tudo ?
_Quase tudo ! E então ?
_Fui um fantasma na escola, tive algumas … garotas … interessantes.
_O que é interessante para você ?
_Naquela época … ou agora ?
_Escolha você !
_Naquela época, bastante disputadas !
_E agora ?
_Tenho quarenta e dois anos, muita coisa mudou, Sara !
_Não respondeu a minha pergunta.
_VOCÊ é interessante !
Pronto, ele confessou com todas as letras !
Ela se calou, merecia quela resposta.
“Bem feito, Sara Sidle !”
Ele arqueou suas sobrancelhas e, desta vez ela quase largou sua cadeira, sua comida, seus modos e o beijou com toda vontade que pudesse conseguir.
_Ainda não estou satisfeita com sua resposta. — Ela rebatou bastante sem graça.
_Não sou um Dom Juan, nem tampouco um Casanova ! Satisfeita, agora ?
Ele tinha algum problema, definitivamente.
_Grissom … — ela tentou ser a mais sincera possível, e por que não dizer direta ! Estavam tendo uma conversa bastante reveladora e o momento pedia um esclarecimento honesto _Você é um homem bonito, interessante, inteligente … eu juro que estou tentando entender mas, como pode estar sozinho ? Foi uma decepção ou … não ? Existe um motivo real ?
_Não Sara … — ele ficou sério. _Quando disse que este não sou eu, estava dizendo a verdade. Pense em um casulo, que … não deu certo. Até um tempo recente, estava lá, trancafiado. Eu não sou tão interessante quanto imagina, não sou sociável, meus relacionamentos recentes, foram todos muito discretos e curtos, ninguém consegue competir com o meu trabalho, e o mais importante … não estava aberto a possibilidades … até agora !
Aquilo foi o ponto final de todas as suas dúvidas.
_Olha eu sei que fui inconveniente, mas obrigada pela sinceridade.
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