Tinha Que Acontecer
4 Capítulo 4
_Eu … pareço alguém em quem não confiar ?
Se ela não gostava de rodeios, ele não gosta de pré julgamentos, mas também não soube dizer como teve coragem de enfrentá — la. Em outras ocasiões, apenas se calaria.
_Desculpe … Grissom … eu sinto muito, foram apenas palavras erradas, na hora errada.
Ela parecia mesmo chateada e ele resolveu finalizar o impasse, por hora ! Ainda queria saber a resposta.
_E então aceita ?
_Tudo bem.- Ela deu um sorriso magro e se rendeu.
Ele estava começando a conhecer seus sorrisos, aquele parecia ser “vou aceitar, como pedido de desculpas !”
Grissom fez um gesto de cavalheiro para que ela passasse à frente e caminhou atrás dela, com seus olhos passeando por algumas partes bem interessantes.
“Fire !”
Ele abriu a porta, que não estava trancada.
_Entre, por favor !
_Em nossas cidades não podemos ter essa liberdade.
_E nós dois sabemos como ninguém !
Sara olhou ao redor e sentiu o perfume dele no ambiente, era arrasador.
Com um toque delicado em suas costas, ele a conduziu ao sofá.
_Tem alguma preferência ?
“No momento minhas preferências se limitam à cor azul !”
_Bem … não como bacon … e não se preocupe com requinte, gosto de qualquer coisa.
Ele esfregou as mãos uma na outra e sorriu, sem que mostrasse seus dentes, mas mesmo assim ela teve que admitir.
“Preciso de socorro !”
Sara se levantou rapidamente, em um salto.
_Eu vou te ajudar !
_Você é minha visita !
_Um visita que quer ajudar, oras !
Desta vez seu sorriso se transformou em uma carreira de dentes muito brancos e adoráveis.
Ela tirou seu casaco e ele viu a malha agarrada, delineando seus seios que pareciam perfeitos, curvas suaves surgiram diante de seus olhos, o quadril parecia delicado, e as pernas estavam também marcadas nas coxas, que antes estavam escondidas sob o moletom azul claro.
“Deusa !”
Ela esfregou as mãos nas coxas e ele teve uma visão que quase o empurrou para cima dela.
“Grissom ! Grissom ! Grissom ! Você está dando motivos a ela, para parecer um pervertido, sem caráter !”
Que ela não tenha a habilidade de ler mentes, como era mais comum do que se imaginava em sua profissão, senão … estaria perdido … muito perdido.
Sara se arrependeu de ter tirado seu agasalho, as peças eram justas e pela maneira como ele a olhava, estavam chamando a atenção.
Ele se virou para a cozinha tão depressa quanto seus pensamentos.
_Panquecas ! Você gosta ?
_Adoro panquecas. Me dê os ingredientes, isso eu posso fazer … sem que me mate.
Ele deu uma gargalhada alta.
_Por que ?
_Vamos dizer que … tenho mais habilidades com assassinos perigosos que em uma cozinha … bem equipada. Gosto de fazer alguns pratos, mas isso não significa que domino muito esta arte.
_E ainda quer me ajudar ?
_Gosto … de compartilhar !
Aquilo soou com duplo sentido e suas bochechas coraram. Ela agradeceu quando ele continuou voltado para a geladeira.
_Ovos, manteiga, leite ….
Ele tinha que falar alguma coisa, para dissipar algumas visões que o visitava.
Eles “trabalharam” bem no mesmo espaço, não se tocaram em momento algum, e conversaram sobre a cidade.
_O armazém da Mindy parece abastecido, mas é uma confusão de coisas que acabamos nos esquecendo do que fomos fazer lá.
_Você também tem essa sensação ? Achei que fosse apenas impressão minha.
_Acho que a maioria, nunca vou até lá sabendo o que quero.
Ele riu, parecia justo e prático.
_A Marthy e ela são irmãs.
_Marthy ?
_Da loja de confecções, do outro lado da rua, ela é mais organizada, pelo menos, você procura camisas e encontra camisas.
Outro risada.
Em seus pensamentos mirabolantes, ele imaginou que ela poderia fazer parte dos tratamentos pós cirurgias como a dele. Estava lhe fazendo um bem enorme !
_Dick é um homenzarrão assustador, mas tem um coração enorme. Ele é casado com Madelleine, que tem uma loja de doces, bem ao lado. Ela costuma fazer uma feiras aos domingos, depois da missa.
_Por isso o nome do prato ?
_Isso … costumo dizer que são a Bela e a Fera !
_Meu Deus ! Isso soa como assustador.
_Não pela natureza dos instintos, mas pela disparidade de tamanhos, ela é toda delicada e pequena.
_Você conhece todo mundo, em tão pouco tempo ?
_Bem … apenas esta parte da cidade, quase não atravesso a ponte, dizem que é bem movimentado do outro lado da margem. Além do mais … desde quando está aqui ?
_Há dois dias.
_Então ... se prepare para ouvir batidas na porta, alguém vai sempre lhe dar as boas vindas com guloseimas caseiras.
_Como essa aqui ?
Ele puxou um prato de papelão, celofane e um lindo laço vermelho bastante conhecido e ela quase se engasgou de rir.
_Ah … Marthy danadinha … ela foi rápida com você !
_Então ela é a Marthy ?
_Sim … olha tenho que dar os parabéns a ela !
De novo indiretas, ela estava se traindo a cada meia hora que falava com ele. Isso era perigoso.
Ela apertou os olhos, esperando um por que mas ele não veio.
“Ufa !”
Ele não ia perguntar o porque, tinha a impressão de não ter a resposta, de novo !
_Parece bom.
_E é ! Você … gosta de cães ?
_Sim … mas não tenho muito tempo para ter um.
Ela pensou na ninhada que ela mantinha em sua propriedade e sorriu, ainda restavam três.
_Hum … o que acha de ter um ?
_Aqui ? Não pensei sobre isso, e o que faço com ele depois ?
Eles caíram na risada juntos desta vez e se sentaram.
_O que acha de abrirmos um restaurante ?
_Gosto de cozinhar, mas em espaços restritos.
_Apenas cafés da manhã.
_Podemos contratar a Marthy.
O clima estava gostoso e acolhedor, como se fossem bastante íntimos e isso o agradou em demasia.
Sara parecia ser animada e ele estava mais aberto a possibilidades.
Mas nem sempre foi assim, aliás nunca havia sido assim.
Ele era um homem solitário que vivia para o trabalho. Poucos amigos, um ou outro fora do laboratório, e seus dias, em sua maioria, passava na companhia de seus livros e de sua palavras cruzadas de nível difícil e gênio.
Tinha um mundo bastante limitado, trabalho, casa, trabalho.
Seus relacionamentos eram sempre superficiais, e sua vida íntima, bastante tranquila.
_Onde mora … em Boston ?
_Suíte 600, Center Plaza !
_Mas … não é a base do FBI ?
_Pois é … costumo dormir lá frequentemente, tem um sofá muito confortável.
Ela tinha bom humor e ele gostava daquilo, era agradável.
_Estou brincando … em Back Bay.
_Sabe que aquela cidade me intriga … — Ele levantava o garfo e olhava além dela quando falava. Era engraçado. _ Ruas curvas, calçadas com paralelepípedos, um ar de revolução americana, mas também é repleta de centros de convenções pela cidade, universidades avançadas. Um cidade progressista com um olho no passado. — Ele concluiu.
_É fato. Boston combina o charme da uma cidade portuária da Nova Inglaterra com a mentalidade de uma metrópole moderna e agitada.
_Exatamente isso.
_Eu conheço Las Vegas, parece um grande parque de diversões para adultos.
_E para o crime !
_Com seus altos índices !
_Fama internacional.
_Com toda certeza.
_Como é ser um CSI ?
_Tenho vivido por quase vinte anos envolvido nesta vida, é desgastante, mas compensador … é preciso muito mais que paixão para viver à margem do crime, literalmente.
_Enfim …
_Eu gosto !
Ela olhou para ele, quantos anos sera que tinha ? Como primeira impressão, continuava concordando que ele havia passado dos quarenta.
Foi então que viu ele empalidecer, se levantar rapidamente e pedir licença a ela, sumindo para dentro de uma porta fechada.
Droga ! Que hora para se sentir mal, os espaços entre o mal-estares estavam mais distantes, mas mesmo assim ainda aconteciam, ele engoliu seus comprimidos e se sentou na cama apenas por alguns segundos. Ele ouviu a voz dela à porta.
_Grissom … você está bem ?
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