O vaqueiro apurou seus ouvidos e pôde perceber que eram cavalos.

Ele agarrou a mão de Hannah e se esconderam no porão recém-construído, dissimulado pelo arranjo de lascas jogados ao chão.

Muitos passos batendo contra o piso de toras da cabana, algumas palavras em uma língua estranha que fez o corpo dela tremer convulsivamente dentro do abraço de Pendleton.

Foi um longo tempo até que ele resolveu sair cuidadosamente do esconderijo e se instigar pelos vãos das paredes até alcançar uma melhor visão da porta.

Alguém parecia de campana e outro um pouco mais além, observava a grande cruz “arranjada” que ele havia construído, há uma distância considerável.

Ainda se esgueirando pelas paredes, ele voltou e pediu a ele em sussurros que ficasse ale e não saísse de maneira nenhuma, mesmo que ela percebesse que algo errado.

Hannah agarrou seu corpo e pediu com olhos desesperados para que ele não fosse, que não saísse dali.

_Confie em mim … se eu não aparecer, não sabemos até quando eles ficarão … meu amor !

Ela tocou o rosto coberto de pelos claros e arriscou um pequeno beijo, com os olhos marejados.

_Vai dar tudo certo.

Ela se ajoelhou no chão e escondeu o rosto nas mãos, segurando um soluço, mas seu corpo sacudia em espasmos. Ele fez um esforço enorme para sair de perto dela, agora ele podia perceber o que era amar alguém com tanta intensidade.

Ele conseguiu sair pela janela, do lado oposto à porta, já estava escurecendo e com cuidado atravessou o campo de trigo, agradecendo aos céus por já estarem em um tamanho razoável para pelo menos, disfarçar um homem do tamanho dele.

Com toda a coragem que conseguiu reunir, pensando unicamente em protegê – la, ele alcançou a cerca há alguns metros da cabana e montou em seu cavalo, torcendo para que não percebessem que era o mesmo animal. Tinha que arriscar de alguma forma, ou as coisas poderiam ficar ainda piores.

Todas os objetos que pudessem indicar que havia a presença de uma mulher ali foram escondidos junto com ela.

Como se estivesse chegando em seu lar, ele trotou seu cavalo até próximo a eles.

_O que há ?

Ele bateu em seu chapéu e desceu, limpando o pó de seus jeans surrados, velho companheiro de montaria.

O mais velho e também bem mais alto, com um capim seco entre os dentes, conversou alguma coisa em sua língua nativa com o mais jovem.

Ele se aproximou e Pendleton reparou que eram bem parecidos.

Talvez fossem pai e filho.

_Procuramos nativa … uma fugitiva … cabelos negros …

_Nativa ?

_A cruz … quem é ?

Eles falavam com hostilidade e suas expressões eram ameaçadoras.

_Eu não sei … apenas enterrei, encontrei o corpo na colina … há um bom tempo …

Pendleton se lembrou, em sua leitura sobre a tribo, que eles mantinham seus cemitérios escondidos de suas vistas. Eles acreditavam que muito perto, os espíritos ameaçariam a força dos guerreiros e a caça sempre fracassaria.

Ele se aproximou da cruz e a tocou com se tentasse se lembrar como havia sido.

Ele viu pelo canto do olho, quando eles se afastaram instantaneamente, como se estivessem com receio.

O vaqueiro sentiu que eles tinham um ponto fraco e tentou se aproximar deles, desta vez.

O mais velho levantou um braço e proferiu um grito que parecia bastante assustador.

_Nenhum passo … espírito ruim … muito perto.

Ele estacou como se estivesse confuso.

_Era uma mulher ?

_Sim … já estava bastante …

_Não !

Eles conversaram mais algumas palavras e subiram em seus cavalos, sumindo completamente de vista.

Sara havia lido uma porção de páginas, ela viu a descrição de como construíram o abrigo, a cumplicidade deles em trabalharem juntos.

A sensação do homem em arranjar um novo propósito para sua vida.

Seus planos para voltar à sua vila, parte da pequena cidade, ele falou com ela sobre uma mudança em sua aparência e a promessa de viverem em paz.

Tudo detalhado em muitas e muitas páginas.

Mais algumas e estaria no final daquela saga esquisita.

Ela olhou para o homem grisalho, concentrado no que fazia, de costas para ela.

Ele redigiu alguns artigos, fez algumas pesquisas, anotou coisas e por fim, esticou os braços que pareciam doloridos.

_Honey ?

Ela sorriu guardando o livro em uma caixa, sob outros mais interessantes.

Ela se levantou e depositou as duas mãos em seus ombros tensos, e beijou o alto de sua cabeça.

_Cansado ?

_Um pouco, estou escrevendo há horas.

Ela reparou em sua concentração e imaginou que era sua maneira de trabalhar, assim como ela.

_Vamos sair para comer ? Ou talvez … podemos … apenas atravessar a rua.
Ele olhou além da janela.

_Acho que o Dick resolveu se dar uma folga !

_O que será que aconteceu ? Nunca vi este lugar fechado !

Grissom agarrou seus dedos, puxando o corpo magro para seu colo, embrenhando uma das mãos em sua cintura macia, sob o tecido da camiseta.

_Vamos fazer uma refeição aqui mesmo, depois podemos … assisti à um filme, o que você acha ?

Sem responder, ela aproximou os lábios dos dele, deslizando bem suavemente, apenas um toque quase sutil, o ar quente se encontrando.

_Posso dar a resposta mais tarde ?

_O que você tem em mente ?

Ela agarrou seu pescoço e sorriu.

_Acho que gastar um pouco de energia vai me deixar faminta … então … depois disso, posso pensar em alguma coisa.

Ele olhou para as mãos dela nos botões de sua camisa e abriu levemente a boca, como sempre costumava fazer.

Entre estar sentados naquela sala e deitados sobre o colchão macio foram segundos.

Eles foram parar ali aos trancos, as pernas dela em torno de seu quadril, os braços entrelaçados em seu pescoço.

Eles fizeram amor duas vezes.

A primeira havia uma urgência de liberação que gritava em seus sexos se tocando, como se conhecessem há anos.

Roupas jogadas por cima de suas cabeças, os lençóis amontoados sob seus corpos quentes, os fluídos sendo liberados em explosões bombásticas.

A segunda, com ele ainda dentro dela, foi pacífica, longa e quase transcendental.

Seus gemidos, agora muito mais baixos e suaves, as mãos desmanchando seus semi cachos, os polegares brincando em sua testa, enquanto o movimentos de seus quadris tinham o ritmo lento do amor, não da paixão, como havia sido a primeira, com sua fúria incandescente, mas o deslizar suave do atrito úmido.

_Eu te amo … Sara … não posso pensar em … ficar longe de você !

Em meio às batidas de seus corações, houve uma dolorida, quase aguda.

O que seria de suas vidas, distantes um do outro ?

Aquele conto de fadas, vivido há anos luz de suas adolescências estava terminando. A relação que fluía sem intercâmbios, estava findada, em um curto espaço de tempo, a ser transformada.

O clima gostoso e apaixonado, as noites de frente à lareira, o cheiro daquela casa, a convivência, tudo sendo substituído por assassinatos, corpos inertes, mentes trabalhando em soluções.

Com o clímax se aproximando mais uma vez, ela se concentrou em apenas ter prazer. Apenas sentir o entrar e sair daquela parte tão poderosa de seu corpo ainda firme.

_Eu amo você também …

E a explosão chegou, mais uma vez.

….......

Eles estavam na casa dela, abrindo as portas e janelas para que os raios daquela manhã, revigorasse o ambiente.

Grissom ajudou com a água, em todos os cantos daquela casa, enquanto ela ajeitava algumas coisas em caixas enormes.

Ela estaria fechada sabe-se lá por quanto tempo.

Talvez pudesse alugá -la para a temporada de férias para alguns de seus contatos.

O departamento tinha uma multidão de casais, com filhos em idade escolar, enquanto eles voltariam para suas rotinas, outros sairiam para seus descansos.

Na semana seguinte, ela o deixaria naquele lugar, carregando seu amigo atrapalhados e uma quantidade razoável de malas.

Algumas que trouxera e outras que acabara adquirindo.

O que ela mais queria, estaria ali, olhando para ela com seus incríveis olhos azuis.

Ela sabia que o médico dele havia lhe dado mais algum tempo, duas semanas além dela.

Não haviam conversado sobre o que ele faria com seu tempo, mas ela estava acreditando que ele partiria, assim que não estivesse mais ali.

Notas finais
E o tempo deles está acabando.
Mais um cap, neste clima, depois suas vidas seguem.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.