O sol se derramava sobre o piso duro e rústico da casa, Pendleton esfregou os olhos. Ainda era muito cedo. E a casa estava no silêncio absoluto.

Ele visitou todos os cômodos largos e parou em frente à porta do quarto dela. Um som abafado veio de dentro e ele exitou.

Aquilo era … choro.

Ele empurrou a porta tentando usar uma delicadeza que não tinha, então, viu a mulher, ajoelhada, com boa parte de seu tronco sobre a cama, o rosto escondido na colcha indiana.

O homem se aproximou dela e tocou seu ombro, a assustando de uma maneira exagerada.

(_Oh … sorry !)

Os olhos dela escurecidos de tristeza e os dedos dele inconscientemente foram parar em seus cabelos negros desalinhados.

Os braços fortes a ergueram com facilidade e ele tentou entender a fração de segundos que o empurrou para ela.

Sua boca tinha gosto de maçã, os lábios quentes queimavam, exigia e ele se deixou entregar.

(...Homem ... ela é alguém sem memória, alguém que chegou mas tão logo não vai mais estar aqui … pense homem, pense !...)

Mas ele não queria pensar, o gosto selvagem, o calor espalhando pelo seu corpo sedento de carnes femininas.

Mas ele, por um milésimo de sanidade, parou ... e ... ela protestou, ainda com os olhos úmidos, suas mãos procurando a pele afogueada, lutando para pedir, lutando para que ele não a abandonasse. Precisava dele, ansiava por ele.

Então … ele cedeu.

A sequência de carinhos urgentes, a busca frenética pelo desfecho carnal, o cheiro que talvez somente ele sentisse.

Quando por fim, ele a visitou … um gemido alongado preencheu o silêncio e ele se sentiu desfalecer. Fazia muito tempo que seus instintos estiveram à espreita da delicadeza de uma mulher feito ela.

Foi naquele momento que ela entoou a primeira palavra …

(Hannah !)

As orbes coloridas se arregalaram.

Ela dissera seu nome !

.”


Sara levou uma mão à boca, surpresa.

Eles ficaram juntos e ela se lembrou de seu nome !

Para quem queria uma leitura morna, despretensiosa até que sua ansiedade culminou em surpresa.

_Bom !

Ela se levantou para uma pausa, já estava lendo há horas.

As páginas corridas mostravam um Pendleton dedicado. Eles limparam a cabana, ajeitaram o pequeno jardim em volta e ele alimentou seus animais.

O velho jipe o levou até a cidade para novos mantimentos e ele se permitiu uma boa rodada de cerveja.

Algumas mulheres ofereceram seus serviços, mas ele não conseguiu se interessar nem mesmo em quem pudesse fazer seu tipo.

_Brat !

O cão veio em sua direção abanando o rabo e descoordenando seus passos.

_Senta !

Ele não obedeceu, foi então que ela, além de usar sua voz com mais firmeza, incluiu o mesmo gesto que Grissom fizera.

Desta vez ele se abandonou ao comando, olhando para ela como se perguntasse qual seria seu prêmio pela façanha.

Ela se abaixou e tocou suas orelhas macias.

_Muito bem garoto. Quer dar uma volta ? O que você acha ?

O cão continuou com a pergunta em sua testa enrugada e ela sorriu.

Na rua, ela estava tentando fazê – lo andar como se fosse um cão obediente, o que se tornou uma tarefa horrível, ele puxava a coleira como se tivesse logo à frente um suculento bife. Ele queria cheirar tudo, enfiando seu focinho em todo lugar.

Sara suspirou e olhou em direção à casa dele.

Sentia sua falta, não tinha notícias há dois dias. Estava começando a ficar impaciente.

…........

Eles plantaram uma informação falsa sobre o possível sequestrador, porém a isca parecia não ter surtido efeito. A reunião contava com a equipe e mais cinco policiais, que com certeza, o traidor não estava entre eles, pois a informação não vazou.

O silêncio estava começando a castigar a equipe toda. Cath vivia aos cantos tentando arranjar uma brecha naquilo tudo e tendo a frustração como companheira.

Grissom tentou ligar para Sara no dia anterior e não havia conseguido, estava nervoso ao extremo, com a possibilidade de algo ter acontecido com Nick.

Uma espécie de confusão tomou conta de sua cabeça. Era como se andasse à beira de um lugar muito alto, olhando para baixo, causando vertigem.

Ele teve que se sentar.

Vieram as náuseas, muito mais fortes, uma dor aguda em seu braço direito, falta de ar e visão turva.

_Oh meu Deus … acho que não me sinto bem.

Ele tentou se levantar para procurar ajuda, mas acabou desabando no meio de sua sala.

Segundos depois, Warrick o encontrou inconsciente !

_Gil !

Ele foi atendido na emergência e, quase uma hora depois acordava confuso.

A primeira pessoa que viu foi o dr. Robert !

Os exames preliminares não constataram nenhuma anomalia.

Ele estava sob forte estresse e não estava se alimentado direito, com toda certeza. As horas de sono, obrigatoriamente impostas a ele, não estavam sendo cumpridas, nem mesmo um terço.

_Doutor ? O que aconteceu ?

_Do que você se lembra ?

_De estar em minha sala e sentir um mal estar … incontrolável.

_Gil … acho que você não deveria ter se envolvido nessa maratona estressante.

_Foi necessário … Robert !

_Em suas condições normais … mas assim ? Não podemos arriscar. Fiz uma batelada de exames, não constatei nada grave, mas poderia ter sido ! Sua equipe está toda aí !

Não era verdade. Estava faltando Nick. Onde ele estaria ?

Dr Robert o liberou para receber visitas.

_Gil … eu e os meninos, assim como o Jim … não vamos mais permitir que faça parte do caso !

_Mas Cath … eu … preciso …

_Não discuta … estamos preocupados com você !

_Não vou fazer isso !

_Jim … é sua vez !

_É isso … homem — ciência ! Sei que isso vai soar como uma afronta, mas você está fora ! Vamos encontrar o Nick … e você … vai continuar … vivo !

_Nada do que disserem vai me convencer ...

_Tenho um papel, com uma letra horrível e ilegível, que diz o contrário.

Grissom queria argumentar, brigar, gritar, mas não estava em condições de lutar em igualdade. Eles tinham razão, seus sintomas eram a prova !

Ele realizou mais alguns exames, e um em particular, apontou uma pequena alteração.

_Bem … a ressonância … me deu um resultado mais concreto.

_O que tenho ?

_Teimosia !

Ele queria sorrir do humor negro de seu médico, mas não conseguia.

_Tem que continuar de repouso, Gil. Sua alteração pode ser considerada em virtude de nervosismo excessivo.

O bom médico puxou uma cadeira e olhou profundamente para ele.

_Me descreva … com detalhes … o que tem ocorrido com você !

_Estava me sentindo bem, tenho feito meu tratamento corretamente, os medicamentos, hora certa, boas horas de sono !

“Algumas outras muito bem acordado !”

_Isso tudo antes de voltar, não é ?

_Sim … — Ele se rendeu a verdade.

_Gil … você tem percebido alguma diferença em suas funções sexuais, ereções matinais, falta de desejo ?

_Não ! Estou perfeitamente normal.

_Tem mantido relações ?

Era uma pergunta muito desajeitada para responder mas aquele era seu médico e ele era um adulto de quarenta e dois anos.

_Sim.

_Alguma diferença ?

_Absolutamente nenhuma.

_Isso é bom, me mostra uma versão fora das estatísticas.

_E isso é bom por que ?

_O laboratório em questão é obrigado a informar os pacientes que fazem uso deste medicamento. Por se tratar de largo espectro, necessita de informações adicionais.

_Entendi.

_Bem amigo … você está liberado … para voltar à sua licença !

_Mas Robert …

_Isto não é um conselho … é uma prescrição médica, Gilbert !