Notas iniciais
QUERIDAS LEITORAS ...
Queria fazer uma surpresa e declarar que é uma fic totalemnte diferente do que costumo escrever.
Algumas mudanças, maneiras e pensamnetos que podem surpreender.
Eles são Grissom e Sara, porem ...
Leiam e descubram.
Espero imensamente que possam se surpreender.

Sara olhou para cima e sentiu os primeiros pingos de chuva cair.

Ela suspirou.

Abaixo da ponte, um pequeno barco solitário em meio às águas calmas.

Outro suspiro.

Sem se importar com a chuva que agora aumentava, andou devagar até atingir o outro lado da margem.

Aquele lugar estava tentando fazê -la melancólica. E estava conseguindo.

Era mágico, tranquilo e tudo o que ela precisava.

A pequena cidade logo à frente, com suas simpáticas casas de alvenaria. Uma aqui, outra ali, exibiam pequenas decorações pintadas à mão em madeira. “Doce Lar”.

Ela sorriu.

Sua vida estava à beira da loucura quando decidiu “apagar”.

Ela largou o emprego, uma licença prolongada sem data fixa para terminar.

Mas, Sara … o que vamos fazer sem você, aqui ?”

Vocês sobrevivem, Stan !”

Ela precisava deixar o cérebro de lado e dar um alento ao seu coração.

Sua divisão como perita do FBI ficaria à sua espera, o tempo que fosse necessário.

….......

Ela abriu a porta devagar e um pequeno serzinho latiu muito fino.

O filhote lambeu suas botas úmidas e ela sorriu, puxando o bem tricotado gorro de sua cabeça.

_E aí … cãozinho, está com fome ?

Ela o segurou no colo, olhando bem de perto para aqueles bigodes esticados, e sua boca minúscula.

O próximo passo encharcou a sua sola, desta vez.

_Ai …

Ela olhou para baixo apenas para ter certeza.

_Sua torneirinha funciona mesmo ! De novo ?

Precisava pesquisar quando é que eles aprendem a não fazer xixi dentro de casa. Se é que eles aprendem ,algum dia em suas breves vidas.

Ela o levou até a varanda dos fundos e foi enxugar “a goteira”, depois de deixar os sapatos dentro de um pequeno tanque.

De volta, ela o alimentou e entrou para dentro, puxando a porta barulhenta.

Qualquer dia desses tinha que arranjar “tempo” para sanar aquele barulho infernal.

Às vezes, parecia uma casa mal assombrada.

Em seu subconsciente talvez quisera mesmo deixar as coisas sem conserto, um barulho aqui, um portão que mal trancava, uma ripa a se soltar na varanda e uma cerca que precisava de pintura.

Tinha muitas coisas a fazer, mas agora não !

Ela queria apenas fazer nada.

Sua cabeça precisava de um descanso, e não ia passar os dias planejando o próximo passo.

Comia quando sentia fome, dormia quando sentia sono. E lia … muito.

Pilhas e pilhas de livro de gêneros variados. Até mesmo os que não faziam sua cabeça.

No momento, seu gosto eclético, temporário ou não, ganhava sua estante, boa parte ou quase toda ela.

Um livro virado de cabeça para baixo, ganhava sua atenção no momento, não era um décimo de quinhão que sua mente estava acostumada a ler, não necessitava de muito raciocínio, um romance de quinta categoria aliviava sua mente torpe.

Ela sorriu.

Nas primeiras páginas, típico de um romance vagabundo, tinha a descrição das personagens que ela fez questão de não ler. Não queria imagens formadas, somente a paz de uma mente sem lembranças associadas. Eram simplesmente um homem e uma mulher, se bem que por vezes, o autor o descrevia, em partes picotadas, “braços fortes”, “barba rústica”, e talvez “olhos azuis”, resultado da associação do autor com mares bravios ! Oh … que épico !

Ela fechava os olhos e não aceitava, nenhuma imagem incutida, nada ...depois balançava a cabeça e jogava displicentemente um confeito de amendoim com chocolate goela abaixo.

Ela olhou a capa mais uma vez, uma fazenda no meio do nada e duas sombras ao fundo.

O que diria seu professor de exercícios mentais se a visse com aquele lixo de capa mal conservada e com folhas amarelas e dobradas nas pontas cheirado a mofo.

Surtaria.

Mas tudo bem.

Por hora seu herói de nome Pendleton, que ela achou de muito mau gosto, lhe tomava as noites e um pouco de seu humor ácido.

Ela estava rindo novamente como há muito não fazia.

O homem parecia um vaqueiro errante que vivia no meio do nada, apenas com um touro premiado e duas vacas magricelas que ele cuidava como se fossem da família.

No meio daquele nada surgiu não se sabe de onde uma mulher misteriosa.

Ela bateu à sua porta na madrugada e ele a acolheu.

De poucas palavras mas muita “sabedoria”, sem contar alguns dotes físicos avantajados, que lhe tirava o sono e o fazia andar no fio tênue do desejo selvagem e os bons modos adquiridos de um pai autoritário e uma mãe subjugada e depressiva.

Até aquele momento ela não fazia ideia de como um homem tão culto e bem nascido fazia no meio daquelas planícies esquecidas.

Ela não queria pensar, apenas se abandonar aos acontecimentos pobres e murchos daquele livro sem categoria.

E daí ?

Ela deu de ombros e seguiu com sua leitura desclassificada.


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_Olá Sara !

_Oi Mindy … como estão suas costas hoje ?

_Melhores, depois do unguento que Phil trouxe de Rancho Valley !

Ela foi ao fundo da pequena “loja de horrores”, como costumava chamar, e pegou alguns pacotes de queijo fundido, salgadinhos e mais confeitos.

Era tudo muito limpo mas sem uma ordem definida, nunca sabia onde encontrar as coisas, mesmo estando ali há exatos setenta e dois dias.

A cada semana, as coisas mudavam de lugar, e ela nunca sabia que direção tomar, até que veio uma decisão sábia. Entrar ali sem ter nada em mente, sem ter uma lista pré programada, apenas pegar ao acaso !

E funcionava. Às vezes !

Um barulho de sino na porta chamou sua atenção e ela olhou entre as latas de sopa e fumo para cigarros da antiga prateleira.

Um forasteiro !

O homem vestia uma camisa xadrez de vermelho e preto, calças jeans e botas de couro com cadarços.

Não era um Pendleton !

Vaqueiros não usavam botas da cidade como aquelas e embora não entendesse muito de moda, aquelas camisas eram caras o bastante para serem vendidas na loja de Marthy !

Sara deu alguns passos a frente e mediu o desconhecido de longe.

Ela não soube explicar por que seu coração disparou de repente, apenas o fez ! A pegando de surpresa.

O estranho mediu a velha senhora com um aceno de cabeça e ela se viu o fantasiando com um chapéu, um leve toque na ponta como cumprimento e dois dedos de suas mãos grandes dentro do cós de sua calça rancheira.

Ele não parecia muito jovem, passava dos quarenta e “dedos livres”.

Esse era o termo que usavam no governo para homens sem alianças.

Mais uma vez sentiu um arrepio ao se dar conta que sua voz era agradável.

Ele tinha um tom melodioso e arrastava um sotaque gostoso de ouvir.

Mais alguém entrou naquele momento e a porta liberou um clarão em seu rosto.

Sara viu uma barba por fazer, cabelos ganhando alguns fios grisalhos, não … talvez alguns muitos fios grisalhos e olhos incrivelmente azuis.

Ele era um Pendleton !

Ela tinha encontrado seu herói misterioso de seu livro esquisito naquele fim de mundo.

Na verdade, sentiu um alívio imediato quando sua mente lhe explicou que o livro estava influenciando suas emoções.

Para quem achava que não tinha mais emoções, até que um aglomerado de folhas mal escritas estava fazendo um bom resultado.

O visitante entregou uma lista a ela, que sorria feito uma garotinha encantada e enfiou as mãos nos bolsos.

A camisa se esticou em suas costas e ela viu alguns músculos saltarem no tecido.

Não muitos. Apenas o suficiente para erguer uma mulher nos braços sem muito esforço.

Ela viu ele caminhar em sua direção, olhando as prateleiras abarrotadas, sem tomar conhecimento que estava sendo observado.

Ele tinha uma maneira imperfeita de andar, talvez pelas pernas levemente arqueadas. Pela terceira vez naqueles poucos minutos, seu sangue gelou.

E não era por conta do livro, desta vez ! Lá nada descrevia sua forma de andar, apenas que era um andar. Como outro qualquer.

Mas aquele era diferente, ele parecia ainda mais homem quando caminhava.

Uma vontade estranha de se esbofetear tomou conta dela.

Em seus vinte e oito anos de vida jamais sentira nada parecido.

Era agradável, mas ela não havia aprovado.

Mais um passo e ele a viu. Suas pernas não conseguiam sair do lugar.

Ele levantou a cabeça e fez um gesto com suas sobrancelhas que ela poderia descrever como “incrível” !

Aquela sensação palpitante que ela detestou, pregava seus pés no chão e fazia suas mãos tremerem doentes.

Ele a encarava como se a conhecesse, mas ela sabia ele nunca a tinha visto antes.

Se tivesse o visto, jamais esqueceria ! E ela sem mesmo se atreveu a questionar o por que !

_Senhorita ! Algum problema ?

Como ele sabia que ela era uma senhorita ?

E se ela fosse casada com um delegado ciumento, que não gostava que olhassem para sua mulher daquela maneira tão profunda !

Ela abriu a boca e nenhum som escapou dela, piscou diversas vezes, na esperança de que o próximo abrir e fechar desaparecesse com aquela imagem à sua frente.

_Senhor ? — Mindy o chamou.

Ele nem se mexeu.

_Senhor ? — Outra vez.

Sara esticou um dedo em direção ao seu peito firme e o cutucou.

Seus olhos pousaram no toque inusitado e ele acordou de seu transe, se virando para a mulher atrás do balcão.

_Oh … desculpe senhora, eu … eu …

Sara se encostou na prateleira como se ela fosse ampará — la se suas pernas nunca mais obedecessem e o mediu, enquanto ele puxava uma carteira do bolso traseiro.

Seus olhos estacaram ali, lhe chamando a atenção.

Ele virou de repente ela quase perdeu literalmente o chão, agradecendo aquela peça de pura madeira que a segurava.

Ele havia percebia o destino de seus olhos.

Ela corou instantaneamente.

“Maldição, Sara ! Agora ele vai pensar que você é uma … leviana !”

Com outro gesto de cabeça ele deixou o estabelecimento.

Neste momento, ela soube seu próximo passo quando voltasse para casa.

Jogaria aquele maldito livro fora !

….......

Grissom depositou os pacotes em cima da pia e descansou seus braços, se apoiando no mármore frio.

De onde estava podia ver os picos mais altos das montanhas de Cape Finley !

Um longo e denso suspiro.

E uma imagem que não esqueceria tão cedo.

Brilhantes cabelos castanhos, olhos chocolate e a certeza que ela já havia passado por ele. Não sabia em que momento, mas tinha aquela sensação de que a conhecia.

Sua boca surpresa desenhada com perfeição.

Ele acariciou sua barba com os dedos grossos, depois pegou a chaleira do antigo armário.

Ele estava intrigado.

Aos longo de seus quase quarenta e três anos nunca tinha visto um olhar tão espetacular !

Ele havia se perdido neles, tanto que por um momento achou que ela tivesse com alguma problema.

Eu deu um tapa generoso em sua própria cabeça e se abandonou ao devaneio.

“Algum problema, senhorita ?”

Que pergunta mais desprovida de sanidade. Claro que ela não ia responder !

De que outro modo seria, se ela não o olhasse como se tivesse apavorada ?

E se ela não fosse apenas uma senhorita ?

Santo Deus, homem ! Enlouqueceu ?

Ele abriu a pequena caixa que descansava em cima da mesa e engoliu de uma vez dois comprimidos.

Próximo passo ?

Talvez fizesse uma sopa. Ou talvez fosse até o … o … ele olhou pela janela logo à sua frente e viu o enorme letreiro recém restaurado.

“Dick's — O melhor chilli da cidade !”

Ele sorriu da piada.

Não havia muita coisa ali para que pudesse comparar !

De repente ele viu ela entrar, balançando os cabelos, de uma maneira que o fez piscar devagar feito um filme em slow motion.

Seu coração disparou, e ele se apavorou.

O que era tudo aquilo ?

Ele andou pela cozinha, depois se sentou, olhou para o fogão, se levantou e desligou a água que borbulhava na pequena chaleira.

Se apoiou na mesa e pensou por alguns segundos.

Sim!

Não ...

Sim !

Oras, sim !

Ele atravessou a rua e entrou no restaurante.

Uma rápida olhada e ele percebeu que ela estava sentada em frente a um balcão de cumprimento enorme, como a maioria.

O cheiro de comida temperada invadiu seu olfato e ele descobriu que estava com fome.

Um homem grande, talvez passasse de um metro e noventa estava atendendo “ela”.

_Pimenta ? O que deu em você, belezinha ?

_Hoje quero … uma coisa diferente !

E ele também.

Grissom correu os olhos pelas costas magras dela e imaginou que talvez pudessem ser macias.

Ele balançou a cabeça imediatamente.

Ninguém se sentou ao lado dela.

Dois bancos vazios de cada lado, até que alguém saiu do fundo e se encostou nela.

Então ela tinha alguém. Que idiota era ele, claro que sim.

Mas para sua surpresa, ela se esquivou e bateu em seu ombro como se não gostasse de sua presença.

_Sem gracinhas, grandalhão !

O homem sorriu para ela e foi se sentar em uma das mesas com um bando de marmanjos, todos babando por ela !

Ele podia ver.

Ela virou a cabeça e paralisou.

Pendleton estava em pé, bem atrás dela, a encarando.

Talvez ele fosse um fantasma ! Mas fantasmas não costumavam carregar pacotes e muito menos, tirar dinheiro de caras carteiras de couro !

Ela piscou de novo, daquele jeito que ele sabia que ela fazia quando estava surpresa.

Sabia ?

Como ?

De onde ?

_O que vai ser olhos azuis ?

Grissom olhou para ele e depois para ela novamente e não respondeu.

_Amigo ?

Ela não esperou ele responder e jogou o cardápio bem à sua frente, para surpresa agradável dele.

Ele se acomodou e abriu o pequeno cardápio plastificado e arriscou, sem olhar para ela e entortando um pouco sua cabeça grisalha.

_Alguma sugestão ?

Ela o olhou com o canto do olho.

Estava falando com ela ?

_Como ?

_Alguma sugestão ? — Ele repetiu.

Ela chegou perto dele e sussurrou quase fazendo com que caísse de seu assento.

_Não se preocupe com isso, tudo aqui tem o mesmo gosto !

Claro que não era verdade, ela adorava comer ali, só queria impressioná – lo.

Ele sorriu para ela e seus dentes muito brancos a chocou.

Ele não parecia alguém que sorria com facilidade.

_Mas se quer mesmo saber, a comida é boa.

Sara tomou um grande gole de cerveja.

_Peça Madelleine.

_E o que vem a ser isso ?

_Uma omelete bem recheada e suculenta.

Parecia justo.

_Ok !

Ele fez seu pedido, depois espalmou as mãos em cima do balcão, quase se assustando quando Dick jogou um copo de cerveja à sua frente.

_Você não bebe ?

_Ás vezes !

_Aceite, esta é por conta da casa. Apesar de seu tamanho, Dick é gentil com estranhos.

Ele sorriu de lado, mas não podia aceitar … se quisesse seguir seu tratamento tinha que esperar os medicamentos terminarem.

Ele empurrou o grande copo a ela.

_Posso ser gentil também ?

Ela pareceu bastante surpresa.

_Não tenho nada a perder.

Sara levantou o copo em um brinde solitário e agradeceu.