Time to Live

9 Capítulo 9 - A morte de um amigo


Notas iniciais
Dessa vez é surpresa!

Ver um monstro do tamanho de um prédio em cima de um edifício não é um dos tipos de coisas que pessoas normais fazem no tempo vago, com exceção de que eu não sou o que você chamaria de normal.

Pior ainda é estar com dor de cabeça após ouvir um dos sons que fariam fãs do rock mais pesado chorarem pela mamãe, mas tudo isso ainda seria relevante se ao virar a cabeça você não visse seu melhor amigo, Peter, correndo em sua direção e gritando seu nome.

Walter e Kate olharam para mim franzindo o cenho e em seguida para o Peter que já estava próximo, ao nos alcançar ele ofegava e colocou a mão em meu ombro.

▬Nate, o que você pensa que está fazendo, os policiais já estão evacuando todos, venha comigo.

Através da conexão mental com Walter ele me disse " Nate mande-o embora é o melhor para ele, ficar aqui é muito perigoso, e ele pode acabar se machucando" mas como eu poderia mandar meu melhor amigo embora?

▬ Peter é uma história longa e complicada, mas não posso ir agora, tenho que ficar aqui com o Walter e a Kate para ajudar!

Peter pareceu ter finalmente notado Walter e Kate, e então seu olhar se desviou dos rostos deles para minha Katana.

▬ Nate, você está pensando que é um super herói? Olha o tamanho daquilo, vamos embora!

▬ Peter, me ouça, vá com os policiais, vai ficar tudo bem, confie em mim, por favor!

▬ Nate, primeiro você some, e então aparece com uns caras estranhos e age como um maluco, eu me preocu...

Ele não conseguiu concluir a frase, pois no momento seguinte uma larva de anti-existência brotou do chão e o atravessou sugando sua energia vital, seus olhos se arregalaram e seu rosto empalideceu, enquanto seu corpo amolecia e despencava no chão como um boneco de pano.

Eu me ajoelhei ao lado de seu corpo, e pus a mão em seu peito para tentar sentir os batimentos, eram fracos, mas estavam lá...mas não importa, a vida dele tinha sido absorvida pela anti-existência, eu sabia o que aconteceria, era inevitável.

A fúria que senti em seguida era indescritível, enquanto me levantava minha vista ficou avermelhada e pude sentir a fúria misturada à adrenalina transcorrer pelo meu corpo. Walter e Kate estavam tão assustados com o que aconteceu que não estavam notando a larva parada ao meu lado, mas eu a notei e ao olhar para ela, ela se desintegrou instantaneamente.

Me peguei correndo em direção ao prédio, eu podia ouvir os gritos de Walter e Kate atrás de mim, mas eu os estava ignorando, tudo que eu queria naquele momento era deixar aquela coisa em cima do prédio em pedaços.

Eu sabia que Mediadores tem características físicas muito superiores à de qualquer ser humano normal, mas naquele momento eu duvidava que qualquer Mediador vivo pudesse alcançar minha velocidade, eu corria ao que podia ser 200Km/h e ao chegar à base do prédio olhei para cima e vi o Satanis, ao olhar para baixo runas surgiram nos meus pés (ainda não sei como fiz isso) e pude não só andar na parede do edifício como correr, o prédio era enorme e a cada passo milhares de larvas surgiam vindo em minha direção, mas elas se desintegravam antes mesmo de me alcançar, minha fúria se manifestava em uma aura de pura destruição enquanto um rasto de buracos onde meus pés tocavam, ficavam marcados na parede do edifício.

Quando eu estava a poucos metros do topo e por consequência, do Satanis, ele alçou voo, mas usando uma boa parte de minha força concentrada em meus pés fui capaz de saltar e me prender às costas do Satanis.

Me pendurei fincando a faca de treino à direita da coluna do monstro, se é que ele tinha uma, eu não sei se anatomia se aplica àquelas coisas, o Satanis pareceu nem sentir e não foi nem um pouco afetado pela facada. Concentrei todo meu poder e minha ira naquela faca e em um segundo a pele grossa e peluda em volta começou a escurecer e murchar como uma fruta podre, porém em uma velocidade muito menor que da última vez, o Satanis era muito mais forte agora, mesmo sem seu montante.

Percebi que estávamos indo em direção ao relógio na praça central, o mesmo relógio que dava nome à Cidade, e que se ele chegasse até lá, um dos lugares mais movimentados da cidade, o estrago seria muito maior.

Escalei até a nuca dele fazendo questão de dar socos metodicamente ao longo do caminho, ao chegar à nuca me levantei me equilibrando o melhor que pude, e concentrando todo meu poder e força em uma fincada só, desci minha Katana de encontro à espinha.

Pela primeira vez ele pareceu sentir dor, e começou a ficar tonto, no momento seguinte ele perdeu o equilíbrio e começamos a despencar do céu.

Se cair de quase um 1km de altura já não fosse suficientemente ruim, durante a queda o Satanis pareceu perceber minha presença e se virou em minha direção, usando de toda sua fúria ele desferiu um golpe de clava em minha direção, ao tentar bloquear acabei sentindo um CRAC bem sugestivo, não precisei nem olhar para saber que meu braço direito estava quebrado.

Lado bom: Eu sobrevivi. Lado ruim: Durante o momento seguinte ao golpe eu estive atordoado e não percebi quando fiquei por baixo do Satanis em queda livre. Eu sabia que Mediadores não podiam morrer por causas naturais e nem em acidentes, e portanto, a queda não me mataria, mas Mediadores podem morrer em combate contra anti-existências, e a menos que ser esmagado por um Satanis gigantesco não fosse considerado uma morte de combate, eu estava ferrado.

Não havia nada que eu pudesse fazer, a queda era interminável e tudo que eu conseguia era desferir golpes a esmo no peito do Satanis, eu sou Destro, e usar o Braço esquerdo para acertar uma parede de músculos com uma katana não era a melhor das ideias. Ao menos ele não podia revidar, durante a confusão quando ele me acertou o impacto também parecia ter arremessado sua clava longe, tenho pena do dono da casa em que ela tenha caído.

Eu estava muito tonto e a explosão repentina de energia e poder cobrava seu preço, eu estava desmaiando quando ouvi uma voz em minha cabeça

Na verdade aquela voz não podia ser de Walter por dois motivos, primeiro, eu estava a uma altura descomunalmente grande, e segundo, a voz era...rascante: " HA! Seu pai dizia que não, mas eu sabia que você precisaria da minha ajuda cedo ou tarde, tolo! Mas antes de lhe emprestar uma pequena parcela do meu poder tem algo que eu gostaria de dizer...EU ESTOU BEM AQUI!" eu tentei perguntar quem era em minha mente, mas em seguida a voz sumiu.

No segundo seguinte senti uma carga de adrenalina e força percorrer meu corpo como uma corrente elétrica, o chão já estava próximo, teria de pensar logo, talvez eu tivesse no máximo mais uns 15 segundos, finquei minha Katana o mais fundo que pude na barriga do Satanis e usando grande parte da minha força renovada criei um selo abaixo de mim criando uma barreira, minha queda foi interrompida tempo suficiente pare que eu pudesse percorrer todo o lado esquerdo do corpo do Satanis abrindo um corte amplo, de onde jorrou uma cascata de sangue negro.

Enquanto fazia o corte, pude me aproveitar para me posicionar acima do Satanis, onde usando minha Katana e uma dose grande de força, fui capaz de cortar as duas asas membranosas dele de uma vez.

O chão já se aproximava e usando de instinto, fui capaz de saltar de cima do Satanis no último segundo, antes que el caísse no chão e o impacto através do corpo dele pudesse acabar me matando.

Ao cair no chão, notei que estava na praça central da cidade, mas ela estava vazia, olhei para mim mesmo, e não preciso dizer que estava em um estado terrível, pular de cima do Satanis não amenizara em nada o impacto da queda, quanto aos ferimentos, nem vale a pena contabilizar.

O corpo do Satanis começou a se desfazer e em seu lugar milhares de Larvas de anti-existência surgiram, todas ela vinham em minha diração.

Eu estava sentado e provavelmente havia quebrado uma perna, quanto à outra, parecia carne moída, só pude observar enquanto as larvas vinham até mim, a situação me soou ironicamente cômica e me lembrou de um tempo atrás quando minha vida era normal e eu caí na linha de Metrô, até as palavras foram iguais.

▬Já era...

Minha vista começava a escurecer e eu podia sentir o gosto de sangue subindo à minha boca, eu só esperava que ser devorado por milhares de larvas de uma vez não fosse tão doloroso, a imagem de Peter morrendo passou em minha cabeça e não pude conter uma lágrima, é, ao que parece, depois de levarem meu amigo, elas me levariam também, me perguntava o que ele havia sentido, tenho certeza que não era o mesmo que senti na estação, pois diferente dele, eu não havia morrido de verdade, e não se pode ter a mesma sorte duas vezes, eu tinha certeza que daquela vez eu estava ferrado.

Eu me deitei e esperava meu fim inevitável quando ouvi um som, me esforcei para me levantar e pude ver Kate abrindo caminho entre as larvas com sua lâmina em chamas, Walter vinha logo atrás carregando Peter no colo (esqueci de mencionar o quanto Walter é forte).

Walter veio até mim e depositou o corpo de Peter em minha frente, eu evitei olhar para ele, e então voltou para ajudar Kate a destruir as Larvas restantes. Em pouco mais de um minuto, estava acabado, todas larvas estavam destruídas. Kate veio até mi e apontou para uma pequena esfera branca flutuando onde antes estivera o Satanis.

▬ Nate, tentamos capturar a essência do Satanis com o contentor, mas ele parece rejeitar nossos poderes, ao que parece o Mestre Barius não quis que você o contivesse só por experiência, isso deve estar relacionado aos seu poderes...▬ Kate olhou para mim e pude ver uma preocupação em seu olhar, como se me ver nesse estado a machucasse ▬ Nate, você consegue se levantar?

▬ Posso sim ▬ Disse tentando tranquilizá-la.

Ma logo que tentei me levantar, ficou claro que era mentira, logo que me levantei, perdi o equilíbrio e caí, Walter e Kate vieram até mim, mas após um olhar significativo de Kate Walter voltou até junto do corpo de Peter.

Kate apoiou meu braço por cima de seu ombro e passou sua mão através da minha cintura para me dar apoio, onde nossa pele se tocava através da minha camiseta em frangalhos, eu podia sentir uma sensação de estática, como se pequenos choque percorressem meu corpo.

Tentei ignorar isso, Eu precisava concluir aquilo, e meu melhor amigo morrera, aquela não era hora para ter uma paixonite pela Kate, ainda mais por ela ainda perecer gostar do Mike...chega! Me concentrei em alcançar a esfera, alguns metros pareceram intermináveis, ao chegar me ajoelhei ao lado da esfera.

Ela apontou para um símbolo vermelho na base da caixinha, diferente dos outros que eram todos azuis, e ao tocá-lo a esfera foi atraída até a caixa e se fundiu com ela, no instante seguinte a caixa também sumiu de minha mão e me senti levemente revigorado.

▬ Nate, você coletou o espírito de um irmão Mediador morto que morreu em combate contra aquele Satanis, o espírito desse Mediador morto se fundiu ao seu aumentando sua força, é assim que nó Mediadores nos fortalecemos, nos unimos aos nossos caídos ▬ Seu ar era extremamente triste ▬ Nem quando enfim morremos nós podemos descansar em paz, espero que não encontrem o espírito do...do...

Ela olhou para mim e pude ver sua dor, ela se jogou em meus braços e começou a chorar.

▬ Me desculpe Nate, desde que você entrou para a equipe eu só tenho te evitado,mas é porque você me lembra muito o Mike.

▬ Chega Kate, eu não guardo mágoa e nem te culpo, mas precisamos ir e eu preciso ver Peter.

Me levantei com mais facilidade desta vez, graças à energias que eu acabara de receber, caminhei até o corpo de Peter e me abaixei para olhar, Walter parecia surpreso.

▬ Nate, ele ainda está vivo, qualquer ser humano comum já teria morrido após ser drenado por uma anti-existência, até mesmo um Mediador, até hoje o único a sobreviver foi você. ▬ Walter estava realmente assustado.

▬ Precisamos levá-lo para que Mestre Barius possa analisá-lo, pode haver algum jeito ▬ disse Kate ▬ Vamos, vou abrir um portal!

Eu não podia acreditar, isso era mesmo possível? Parecia sorte de mais.

Walter pegou Peter no colo e Kate me deu apoio novamente, caminhamos até o centro da praça ainda deserta e Kate abriu um portal para a Ordem.

Ao atravessá-lo, saímos dentro da enfermaria da Ordem, e Bariu estava a nossa espera parado no centro da sala, era como se já soubesse como voltaríamos, e tivesse desviado o portal para lá propositalmente.

▬ Bem vindos de volta garotos!