Time to Live
3 Capítulo 3 - Pulo do oitavo andar
Notas iniciais
Após tanta confusão em um dia só, foi um alívio chegar em casa e perceber que ainda estava tudo no lugar, e que mesmo por trás de toda aquela loucura ainda havia um lugar comum para onde voltar...mas por quanto tempo?
Eu tinha receio de que minha presença pudesse trazer as anti-existência para perto de meus parentes, e que de alguma forma eles acabassem sendo prejudicados, eu não me perdoaria se isso acontecesse.
Cheguei em casa relativamente cedo, se comparado ao que estou acostumado, eram 22:00 e felizmente reparei que as sombras tinham parado de me perseguir, mas às vezes ainda me sentia vigiado. Durante todo o caminho até minha casa meus amigos me olharam como se eu tivesse enlouquecido, e não é pra menos, eu tinha saído correndo desenfreadamente após ter dito ouvir um barulho que ninguém mais ouviu, e ainda por cima, ter visto uma garota que ninguém mais viu.
Chegando encontrei minha irmã adotiva na sala, ela é filha biológica dos meu pais, e acho que justamente por compartilharmos um laço de fraternidade não sanguínea nos dávamos tão bem.
Seu nome é Angie, pouco mais baixa que eu cabelos ruivos e olhos castanhos escuros, possui covinhas e um nariz fino, quando sorri costuma mostrar seus dentes(uma coisa que eu não consigo) de forma adorável, costumo chamá-la de Ang.
Deixe-me dizer como é minha casa, moramos em um apartamento próximo a estação de metrô Minutepark que citei antes, moramos no oitavo andar pra ser mais exato, minha casa é decorada de acordo com os gostos da minha mãe que é uma decoradora profissional, embora eu pessoalmente ache a decoração um tanto moderninha de mais com todos aqueles enfeites e os pufes no lugar de sofás na sala.
▬ Chegou cedo hoje pivete, onde estava? ▬ Perguntou Ang, esqueci de dizer que ela tem 21 anos.
▬ Tinha saído com o pessoal, onde estão a mãe e o pai?
▬ Eles me deixaram uma mensagem dizendo que iriam passar o final de semana na casa da Tia Mary.
Por algum motivo a ideia de ir à casa da Tia Mary não me pareceu um programa muito legal, talvez porque desde criança quando eu ia lá eu costumava me isolar de meus parentes, o que me rendeu fama de excluído.
▬ Então deixa eu adivinhar Ang, você vai ficar "responsável" por mim? ▬ perguntei enquanto procurava algo pra comer na geladeira.
▬ Sim, e esqueça, não tem comida e não estou a fim de fazer, pedi uma pizza. ▬ Disse enquanto mudava o canal da TV da sala.
▬ Valeu Ang, vou para o meu quarto.
Vou dizer uma coisa sobre o meu quarto, ele é simplesmente o lugar mais bagunçado que você poderia encontrar em sua vida: roupas por todos os lados, minha guitarra pendurada na parede e ao canto minha cama com a escrivaninha e um computador ao lado. Essa foi a única parte da casa que minha mãe não conseguiu "decorar".
Deitei em minha cama e comecei a ouvir minhas músicas, pensando o quanto meu dia havia sido louco, e torcendo para que tudo não tivesse passado de coisas da minha cabeça.
Então ouvi um barulho na janela, o que achei muito estranho, já que como eu disse, moro no oitavo andar. Fui conferir, e ao olhar para baixo não vi nada, porém quando me virei para cima só por desencargo de consciência vi uma menina olhando pra mim. Por coincidência era a menina que eu havia ajudado mais cedo, o que não diminuiu meu susto ao perceber que ela estava de pé na parede.
▬ Posso entrar? ▬ Perguntou dando um sorriso com o canto dos lábios.
Tamanho foi o meu susto que eu não soube nem como responder, só dei por mim ao dizer:
▬ E-entre, mas não repare na bagu-unça..
Ela entrou pela janela, examinou o quarto e em seguida virou-se para mim e me observou como se eu fosse o objeto de pesquisa mais interessante do universo, e em seguida virou-se para a porta e usando algo que estava em sua mão mas não pude distinguir, fez um desenho estranho na porta do quarto, e ao fazê-lo eu não pude ouvir mais um barulho que viesse de fora.
▬ O que você fez com a minha porta? ▬ perguntei embasbacado.
▬ Com a sua porta não, com o seu quarto para ser mais exata ▬ sorriu como se eu fosse uma criança burrinha ▬ Eu isolei seu quarto em uma outra dimensão para que não possamos ser interrompidos por nenhum estímulo externo.
▬ Mas e se minha irmã entrar e não me ver aqui, ela vai ficar preocupada!
▬ Fique tranquilo, ela irá ver uma imagem programada de você dormindo...bom vim aqui para te buscar, já está na ora de você ir para a ordem.
▬ Ordem? Que ordem? Se for sobre essa história de Mediador, eu passo, não quero saber mais dessas coisas estranhas, só quero ter a vida normal que tive até ontem.
▬ Você vai comigo, você não tem escolha, uma vez que se desperta como Mediador não existe volta, ou você vai para a ordem ou terá de lidar com um dever não cumprido.
Ela parecia meio irritada, mas eu não iria arredar pé dali simplesmente porque havia irritado alguém, eu não iria abrir mão da minha vida de jeito nenhum.
▬ Eu não vou, isto é um ultimato!
Ela olhou para mim como se considerasse uma hipótese, e etão como se aquela conversa nunca tivesse acontecido disse:
▬ Tudo bem, você é quem sabe.
Virou-se e pulou pela janela que ainda estava aberta e então todos os sons voltaram ao meu quarto. Eu resolvi esfriar a cabeça e achei melhor deixar pizza para amanhã, me deitei e dormi.
Acordei com uma dor de cabeça muito forte e resolvi olhar no relógio, era meio dia e eu havia acordado muito tarde de novo. resolvi levantar e ir pegar a pizza de ontem.
Ao chegar na cozinha reparei que não havia ninguém em casa de novo e que a pizza não estava na geladeira e nem no microondas, resolvi conferir se minha irmã havia deixado alguma mensagem, ao olhar para a data marcada, em vez de dia 21 de março(data que deveria ser) encontrava-se marcado 20 de março(ontem), achando muito estranho eu arrumei a data do celular para o dia certo, liguei a TV e no noticiário disse novamente que era dia 20.
Automaticamente me lembrei do que o homem da estação me disse, e quando me virei a menina de ontem estava no outro sofá olhando para mim.
▬ Parece que alguém aqui não cumpriu seus objetivos ▬ disse com um sorriso sarcástico ▬ Eu te avisei para vir comigo.
▬ O quê está acontecendo, aqui? ▬ Perguntei muito assustado, embora já soubesse a resposta.
▬ Você não cumpriu seus objetivos ontem, quero dizer, hoje e por isso foi obrigado a reviver o dia.
▬ ESPERA! TUDO QUE ACONTECEU ONTEM FOI ANULADO?!
▬ De forma alguma, só as suas interações com os mortais foram alteradas, o buraco de larvas anti-existência que fechamos ontem continua fechado.
Aquilo não podia ser real, quer dizer, até mesmo essa estranhezas tinham que ter um limite.
▬ Como eu faço para isso parar?
▬ Simples garoto, venha comigo até a ordem, lá você será devidamente instruído para que esse tipo de coisa não ocorra mais.
Não tinha jeito, se eu quisesse normalizar minha vida novamente, mesmo que um pouco, eu teria que ir para essa tal de ordem.
▬ Tudo bem, então vamos.
▬ Eu sabia que cedo ou tarde você iria concordar, vamos. ▬ E foi andando em direção ao meu quarto.
Eu a segui e quando cheguei lá a vi pendurada na janela.
▬ Vamos pular garoto, venha! ▬ E pulou
Aquela menina devia ser louca ou algo do tipo, mas como eu não tinha escolha, sai correndo e com toda minha coragem pulei atrás.
Eu não podia acreditar no que eu estava fazendo, pular do oitavo andar de um prédio não é o tipo de coisa que você possa considerar normal. Senti um frio na espinha colossal, mas ao me aproximar do chão meu corpo começou a desacelerar rapidamente.
▬ Como eu fiz isso?! ▬ Perguntei olhando assustado para a menina
▬ Tudo será respondido na hora devida.
Ao virarmos em direção à rua algo muito estranho aconteceu, um sombra gigante começou a tomar forma mas ao invés de se tornar uma anti-existência comum ela continuou crescendo.
▬ Droga um Satanis! Justo agora não! ▬ Ela se abaixou e desenhou uma daquelas marcas no chão, quando reparei, estávamos naquela mesma rua, mas ela estava vazia e não havia carros.
▬ O que houve? ▬ perguntei
▬ Eu nos teleportei juntamente com o Satanis para uma outra dimensão, temos de derrotá-lo para que ele não cause estragos no mundo humano.
O "Satanis" não parava de crescer, e estava com uma altura de aproximadamente 4 metros, algo MUITO preocupante, ele também começava a tomar forma e já transpareciam chifres em sua cabeça, ele usava um machado de duas lâminas e tinha um corpo que lembrava muito o de um minotauro.
▬ O quê, derrotar essa coisa?!
▬ Sim, com a ajuda de uma mediador mais experiente seria tranquilo, mas com um novato como você as chances de perdermos são altas...mas antes de morrermos...
▬ Antes de morrermos, o quê garota?!
▬ Meu nome é Kate.
Fale com o autor