Notas iniciais
Curiosos para saber o que aconteceu? Bem, vamos lá! As musicas do capítulo são: Eric Clapton - Tears In Heaven Rufus Wainwright - Hallelujah Justin Timberlake - Not a Bad Thing Sia - Fire Meet Gasoline

A campainha tocou diversas vezes, mas Sam não fez nenhuma tentativa de atender a porta. Não queria ver ou falar com ninguém, preferia ficar solitário, não se envolver com nada do mundo externo e não queria deixar ninguém entrar em seu próprio mundo.

Um ruído de chaves virando e o som da porta da sala abrindo o despertaram de seu devaneio, ele estranhou ao ouvir passos pela casa, sentou na cama no mesmo instante que Scarlett entrara no quarto, parando no batente da porta surpresa.

“Pensei que estivesse no trabalho.” Se explicou. “Eu volto mais tarde, só queria pegar umas coisas.”

“A casa também é sua.” Sam respondeu, deitando novamente e virando para o outro lado, evitando contato visual. Ouviu a mulher mexer no guarda-roupa e gavetas por diversos minutos e quando tinha tudo que precisava, sentou na cama para e despedir do ex-noivo, mas ele continuava na mesma posição.

“Sam, o que você tem?”

“O que você acha?” O loiro respondeu friamente, ainda de costas.

“Sam...” Se aproximou do Evans e praticamente o obrigou a sentar e encara-la. Agora ele pode observar como ela parecia ter envelhecido anos em um só dia, as olheiras estavam enormes, mesmo que tivesse tentado encobrir com maquiagem. Sua expressão sempre alegre e positiva, parecia cansada como se estivesse carregando o mundo nas costas. “Era a coisa certa a se fazer.”

“Me abandonar no altar era o certo?” Ele questionou indignado.

“Admito que fiz de péssima forma e peço desculpas, eu não vi outra solução, mas Sammy...” Suspirou tristemente, piscando as lágrimas que queriam descer. “O casamento jamais deveria ter acontecido. Eu sempre soube a verdade, mas me recusei a aceitá-la. A viagem para LA e todos os momentos que se seguiram, só me deram mais pistas.” Sam percebeu o que a fazia tão bela, era a sua estranha positividade, mesmo quando o mundo inteiro estava conspirando contra seu ela, a mulher se mantinha firme.

“Ca, eu escolhi você.”

“Mas seu coração não me escolheu. Sam, eu não quero alguém que me ame pela metade.”

“Foi a Rachel, não foi? Ela te disse algo que te fez mudar de ideia!” Ele perguntou furioso.

“Rachel? Não. Foi ao contrário na verdade, ela falou que tinha desistido, que não iria se intrometer e nos desejou felicidades. Sammy, a escolha foi completamente minha, sem nenhuma influência e por mais que me doa, não me arrependo. Você merece ser feliz com a mulher que ama e eu com alguém que me ame por completo.” Scarlett sorriu tristemente, enquanto passava a mão pelo rosto dele. Sentiria tanto sua falta.

“Eu posso concertar tudo Ca, me dê tempo.” Sam suplicou.

“Não, não ira.” Respondeu tristemente. Lá no fundo queria acreditar, mas sabia que seria apenas mais sofrimento. “Sam você a ama, pare de lutar contra esse sentimento. Deixei o caminho livre para você, por que não aproveita? Ela te ama, vai ser feliz!”

“E-eu...”

“Só me prometa uma coisa. Prometa-me que não deixará sua felicidade passar por você sem fazer nada, persiga-a, faça dela verdadeiramente parte de sua vida.” Não esperou uma resposta, tomou seu rosto entre as mãos e deu um beijo em sua testa. Levantou da cama puxando a mala e caminhou até a porta do quarto, parando um pouco depois e sem se virar, falou uma última vez. “Lembre-se, sempre te amarei, de uma forma ou de outra.” Deixou o quarto e caminhou sem parar até a porta da sala, olhou em volta uma última vez e saiu sem olhar para trás.

Hora de ir buscar o seu final feliz.

~~

Sam estava estático. Tinha passado a manhã horrivelmente, mas se recusava que o resto seguisse da mesma forma. Pegou o celular que estava no chão e ligou o aparelho. Havia mais de 30 ligações de Emma e seus amigos, também algumas mensagens de voz que resolveu ouvir.

A última mensagem de voz ele teve que ouvir três vezes antes de acreditar.

Seu bagunçado mundo se transformara em completo caos.

i.

Segundo os médicos, fora um infarto fulminante.

O mal estar que ele sentira durante o casamento era o aviso final, mas assim como os outros sintomas que sentira durante os últimos meses, Mr. Schue ignorou. Segundo sua esposa, num minuto ele está ‘bem’ e no outro lutava para respirar, no minuto seguinte, estava desmaiado no chão.

Naquela tarde todas as viagens foram adiadas e os integrantes do glee caminharam para o funeral de seu mentor e amigo. Outros como Rory, Joe, Jake e Ryder, que não puderam comparecer ao casamento, vieram às pressas e até certa atarefada vice-presidente dos Estados Unidos largou tudo e veio. Para muitos era a primeira ou segunda vez que viam Sue Sylvester chorar.

O funeral tinha sido simples, mas tocante. Mr. Schue era um doador de órgãos e o que não pode ser doado foi cremado e as cinzas jogadas em lugares especiais para ele e a esposa.

“E novamente essa sala parece incompleta.” Artie falou tristemente. Já fazia alguns dias desde o funeral e todos seus ex-alunos estavam na sala do coral para uma despedida ao estilo glee club. Todos concordaram.

Estar na sala do coral novamente naquela situação era demais para Rachel. Aquilo lhe trazia memórias distantes, tristes demais para querer lembrar e que deveriam estar guardadas a sete chaves no passado, mas estar ali vendo todos seus amigos chorando fez as feridas que custaram anos para cicatrizar ficarem expostas de novo. Mas se mantinha firme, estava sendo forte pelos amigos, por Emma e pelos filhos, tão novos para perder o pai...

Correu os olhos pela sala e suspirou. Emma estava na primeira fileira, no lugar que tradicionalmente era seu, mas quem se importava? Cercada dos filhos, era notável que estava despedaçada, mas se tentava se manter forte por eles. Ao seu lado, Daniel, o mais velho, consolava os irmãos mais novos. Os gêmeos novos demais para entender o que estava acontecendo, tinham um semblante tristonho, carregado seus ursinhos de pelúcia e questionando: “Quando o papai iria aparecer?”

Mais atrás Brittany tinha a cabeça deitada no colo de Santana, que não desgrudava os olhos do quadro branco, onde estava escrito Will Schuester. Poucas vezes vira a latina triste daquela forma, sem forças até para seus comentários sarcásticos. Tina chorava copiosamente com o rosto no peito de Artie, que tentava conter as lágrimas. Jake, a menina com a mãe gorda, Raider e Unique estavam num canto separado, Quinn e Puck estavam abraçados próximos do piano, com expressões tristes, porem contidas. Kitty estava do seu lado direito e segurava a mão de Rachel tão forte que provavelmente teria as marcas das unhas depois. Mason estava no lado oposto ao da irmã e as duas vezes que observara ela se aproximar, o rapaz rapidamente desviava. O resto estava espalhado pela sala, alguns próximos da porta, outros sentados ao chão. Mas cada um com sua tristeza e despedida.

Limpando a garganta para chamar a atenção de todos, Sue foi ao centro da sala, tirou um papel de seu bolso e começou a falar.

“William Schuester, professor, rival, sobretudo meu amigo, a única pessoa que eu sempre pude contar e que” deu uma pausa para limpar os olhos por baixo das lentes dos óculos e continuou. “E que sempre fez tudo o que podia para ajudar todo mundo,me lembro que no funeral da minha irmã, não consegui ler o meu discurso e ele finalizou por mim, mas hoje,” Pausou tentando segurar as lágrimas “Hoje Will não está aqui para me apoiar. Você fez a diferença na vida de cada um aqui” Apontou com a cabeça para os ex-alunos. “E continua fazendo com seu legado de escolas artísticas pelo país, você me fez entender qual o significado e o valor da amizade, do amor pela profissão, até das Artes, você foi à pessoa que mais me ensinou, muito obrigado.”

Ao final do discurso, todos deram uma salva de palmas. Não para a mulher, mas em homenagem ao Schuester.

Um pouco atrasado, mas finalmente com a coragem, Sam entrou na sala, mas ao ver que o único lugar vago era ao lado de Rachel, preferiu ficar de pé na porta mesmo.

ii.

No auditório, fizeram um acordo silencioso. Quem quisesse cantar, ficasse a vontade, mas não era obrigatório. Para a surpresa de todos, Emma foi a primeira. Caminhou solitariamente para o palco e se posicionou. Tinha um sentimento em seu peito que precisava ser expresso, não conseguia tirar a angustia de seu coração e iria tentar algo que seu marido sempre falava. Música ajuda. Pois bem, hora de testar a teoria com a prática:

Would you know my name
If I saw you in Heaven?
Will you be the same
If I saw you in Heaven?
I must be strong
And carry on
'Cause I know I don't belong
Here in Heaven

Would you hold my hand
If I saw you in Heaven?
Would you help me stand
If I saw you in Heaven?
I'll find my way
Through night and day
'Cause I know I just can't stay
Here in Heaven

Não segurou as lágrimas, de olhos fechados viu todos os momentos que passara com o marido, podia sentir a presença dele consigo e mesmo que não ajudando, era reconfortante saber que não estava sozinha.

Beyond the door
There's peace
I'm sure
And I know there'll be no more
Tears in Heaven

Will estava certo, música realmente ajudava, mas estava longe de tirar todo o sofrimento e dor e seu choro ficou ainda mais forte. Sheldon e Sue subiram para o palco e levaram a mulher para fora do auditório.

“O que você acha?” Santana ofereceu se jogando na poltrona ao lado de Rachel e entregando uma partitura. “Eu e você.”

“E a Brittany?” Questionou confusa, a latina sempre preferia cantar com sua esposa.

“Ela foi para casa ficar com nosso pestinha. Não conseguiu continuar aqui.” A latina deu de ombros. Rachel acenou, entendia a loira muito bem. Levantou-se e com Santana caminharam para o palco. Ajeitaram os microfones a sua frente, entregaram a partitura para Brad e se prepararam.

Rachel / Santana / Juntas

I've heard there was a secret chord
That David played and it pleased the lord
But you don't really care for music do you?

Well it goes like this the fourth, the fifth
The minor fall and the major lift
The baffled king composing hallelujah

Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah

Baby I've been here before
I've seen this room and I've walked this floor
You know, I used to live alone before I knew you
And I've seen your flag on the marble arch
And love is not a victory march
It's a cold and it's a broken hallelujah

Hallelujah, hallelujah, hallelujah, hallelujah

Ao final foram recebidas com uma salva de palmas, enquanto todos os ex-integrante também subiam ao palco. Os antigos Warblers, que se uniram ao ND quando a escola deles pegara fogo também apareceram, querendo dizer um último adeus ao homem que os ajudou a chegar às Nacionais e assim como os ex-integrantes do Glee Club, subiram ao palco.

Quinn e Puck começaram a cantar de mãos dadas, Brad que reconhecera a música, começara a tocar e os garotos da banda o seguiram.

Said all I want from you is to see you tomorrow

And every tomorrow

Maybe you'll let me borrow your heart

Mercedes continuou e Roderick a acompanhou.

And is it too much to ask for every Sunday

And while we're at it throw in

Every other day to start

Sam e Rachel assumiram a próxima parte. Mas era clara tensão entre os dois, cada vez que o loiro se aproximava, ela dava pelo menos dois passos para longe parecendo uma dança mortal de alguém sendo atacado por uma serpente. Em suas mentes, seu último encontro repassava como uma fita quebrada. “Eu tenho nojo de você, Eu te odeio”

I know people make promises all the time

Then they turn right around and break them

When someone cuts your heart open with a knife

While you bleeding

But I could be that guy to heal it over time

And I won't stop until you believe it

Reassumindo as posições originais eles deixaram Blaine e Kurt cantar o próximo verso. Rachel assumiu a posição na frente, ao lado de Mercedes, enquanto Sam ficou mais atrás, do lado de Rory.

'Cause baby you're worth it

So don't act like it's a bad thing

To fall in love with me

'Cause you might f*ck around

And find your dreams come true, with me

Artie e Tina foram os próximos a cantarem, a coreana sentada no colo do marido. Numa situação comum, o cadeirante iria fazer algum movimento com sua cadeira como de costume, mas infelizmente não aquela não era uma situação comum.

Spend all your time and your money

Just to find out that my love was free

So don't act like it's a bad thing

To fall in love with me, me

It's not a bad thing to fall in love with me, me

Madison assumiu a próxima parte esperando que seu irmão fosse cantar também, mas Mason a ignorou e não deixou a formação. Já Spencer não perdeu a chance e cantou com a garota.

No I won't fill your mind, broken promises

And waste of time

And if you fall

You'll always land right in these arms

These arms of mine

Juntos, na formação que na maioria das vezes foi usada nas competições eles cantaram:

So don't act like it's a bad thing

To fall in love with me

'Cause you might f*ck around

And find your dreams come true, with me

Spend all your time and your money

Just to find out that my love was free

So don't act like it's a bad thing

To fall in love with me, me

It's not a bad thing to fall in love with me, me

Not such a bad thing to fall in love with me

Ao final da música, todos levantaram a mão e abaixaram a cabeça. Essa pequena coreografia fizeram parte de todas as competições desde o início e se tornara uma pequena tradição, assim como uma última forma de honrarem o querido professor e mentor.

Will Schuester ficaria para sempre em suas mentes e corações.

iii.

“Mais uma dose só porque amo todos vocês.” Um Puck completamente bêbado falou carregando uma bandeja com copos de tequila para a mesa que o grupo original e Blaine, Rory, Joe estavam sentados.

Bebiam em memória aos velhos tempos e as amizades que formaram naquele lugar e que jamais seria quebrada. Alguns já tinham bebido mais do que deveriam como Sugar e Joe, que dormiam sobre a mesa, outros bebiam chorando como Mercedes e Tina, o pobre Rory estava tão bêbado que ninguém mais entendia seu sotaque, que ficava mais forte a cada dose de tequila ou uísque.

Quinn e Santana preferiram ficar no Martini e junto com Kitty, onde fizeram uma roda própria. Estavam menos bêbadas que seus amigos e preferiram ficar mais afastadas e foi para tal roda que Rachel se encaminhou ao voltar do banheiro. Sentou ao lado da latina e pegou a taça dela, virando num só gole.

“Voy a acabar com su vida. Quién crees que eres para robar mi bebida?” Santana questionou irritada. “Yo soy de Lima Heights Adjacents y sabes qué se passa? Cosas malas.” A latina cuspiu sua ameaça habitual.

Mas a morena nem deu ouvidos, erguendo a mão chamando o garçom para repor a bebida e lhe trazer um copo próprio, que virou assim que ele o encheu. Em pouco tempo estava praticamente embriagada e deu uma pausa nas bebidas, não queria ficar bêbada como a maioria de seus amigos, queria apenas um alívio para tirar sua mente de outras coisas.

Terminava de contar para as amigas sobre Brian que estava ‘desaparecido’ desde a noite do não casamento quando ouviu a porta do bar ser aberta. Sam entrou roubando olhares e fôlegos, ou fora só o seu? Não tinha certeza, mas era como se todo o mundo parecia ter desaparecido, deixando somente os dois no local. Assim que a localizou no mar de pessoas daquele bar, foi direto para lá ignorando seus amigos que o chamavam para se juntar a eles na bebida.

“Boca de truta!” Santana exclamou animadamente. “Querendo colocar mais uma na sua coleção de ex? Cuidado Kitty Cat, você pode ser a próxima.”

Sam corou envergonhado, mas ignorou a latina e se virou para Rachel.

“Precisamos conversar.” Falou nervosamente. “Você pode me acompanhar?”

“Por que eu faria isso? Que eu me lembre, você tem nojo de mim.” Ela respondeu amargamente. Era bem óbvio o quão magoada a morena estava.

“Rach, por favor, a gente realmente precisa conversar.” Sam implorou. Não tinha vergonha que as outras três mulheres estivessem assistindo, a mais importante estava na sua frente em dúvida.

“Você tem cinco minutos.” Ela respondeu, se levantando e caminhando para fora do bar, Sam logo foi atrás, novamente ignorando seus amigos, que agora faziam cenas obscenas enquanto apontavam para ele e Rachel.

Fora do bar, num canto mais privado, a morena se virou de frente para ele e esperou de braços cruzados.

“Rach me desculpa. Eu jamais deveria ter dito aquelas coisas, eu estava magoado e chateado e descontei em você e...”

“Tanto faz. Você foi um idiota desumano e hipócrita e estou nem ai para qualquer desculpa. Posso voltar lá para dentro? Ela questionou o interrompendo impaciente. Quando Sam ficou calado, abrindo e fechando a boca como um peixe, se virou para caminhar de volta para o bar, mas foi parada pelo loiro que segurou seu braço, a puxando de volta.

Também trocou os lugares, agora Rachel estava contra a parede e Sam bloqueando seu caminho.

“Eu não terminei de falar.”

“Eu não me importo, você acha que apenas desculpas vão dar um jeito. Você me trocou por ela! Eu te dei todas as chances e você me trocou, me humilhou e agora que tomou um pé na bunda acha que vou simplesmente voltar correndo e...” Dessa vez foi à vez dele de interrompê-la. Mas diferente de Rachel, ao invés de usar palavras, usou sua boca.

O beijo foi delicado e romântico, um toque de lábios que os fez quererem mais. Ia abrir a boca e permitir que a língua dele invadisse a sua quando voltou ao seu juízo e o empurrou.

Antes que Sam pudesse ter qualquer reação, a mão de Rachel veio voando em seu rosto deixando dedadas vermelhas em sua pele. Encararam-se chocados com os acontecimentos e o homem viu que precisava se desculpar novamente, afinal tinha passado do limite ao beija-la contra sua vontade.

Mesmo que ela tenha correspondido.

Formulava uma desculpa que julgava decente em sua mente quando foi praticamente atacado por Rachel e seus lábios doces. Esse beijo, diferente do outro, era ardente e cheio de desejo e durou até seus pulmões queimarem por ar e eles se separaram apenas para respirar, mas com os olhos grudados um no outro.

“Você é uma mulher bem confusa, sabia disso?” Ironizou, passando o braço pela cintura de Rachel e colando seu corpo ao dela.

“E você adora isso.” Ela respondeu levantando a sobrancelha.

“Adoro isso.” Ele repetiu sorrindo maliciosamente. Sua vontade era joga-la sobre o ombro e leva-la para casa ou para o carro, o lugar mais próximo. Mas não iria forçar até onde Rachel iria, isso estava ótimo para ele e o loiro se surpreendeu quando ela ficou na ponta dos pés e murmurou em seu ouvido sensualmente.

“Me leve para casa Samuel.”

iv.

Sam tinha certeza que durante o caminho para seu quarto tinham esbarrado em todos os móveis e decorações possíveis. Também acreditava que no final teria alguns hematomas se juntando ao inchaço em sua cara, mas tudo valia a pena. Com a morena no colo, jogou-a sobre a cama e subiu em cima, trilhando beijos pelo pescoço e clavícula descobertos, agora que o vestido que ela usava estava perdido em algum lugar de sua bagunçada sala de estar.

It's dangerous to fall in love

But I want to burn with you tonight

Hurt me

There's two of us

We're bristling with desire

The pleasure's pain and fire

Burn me

Para Rachel, o paraíso chegara à forma de um homem extremamente másculo e completamente dela por aquela noite. Foi re-memorizando o corpo dele à medida que suas roupas iam sendo descartadas. Traçou os dedos pelas linhas de seus músculos no tórax, abdômen e foi descendo mais.

Entregara-se a cada toque e beijo, seus pensamentos esvaindo-se a cada sensação que lhe era causada, não tinha espaço para razão, apenas o sentimento.

Ela o amava de corpo e alma e sabia que por mais que tentasse, jamais iria amar outra pessoa de forma tão única.

So come on

I'll take you on, take you on

I ache for love ache for us

Why don't you come

Don't you come a little closer

So come on now

Strike the match, strike the match now

We're a perfect match, perfect somehow

We were meant for one another

Come a little closer

Sam estremeceu ao sentir as unhas cravarem em suas costas e que depois foram arranhando de suas costas até os glúteos onde as mãos deram uma leve apertada. Inclinou a cabeça para beijar os ombros nus de Rachel e percorreu toda a extensão do pescoço até chegar a sua maravilhosa boca. O sangue pulava em suas veias como nunca antes e podia sentir um prazer animalesco libertando tudo que não se permitiu sentir nos últimos meses.

Flame you came to me

Fire meet gasoline

Fire meet gasoline

I'm burning alive

I can barely breathe

When you're here loving me

Fire meet gasoline

Fire meet gasoline

I got all I need

When you're here loving me

Fire meet gasoline

Burn with me tonight

O sol clareando seu rosto foi como Rachel acordou naquela linda manhã. Por um milésimo de segundo ficou confusa por não reconhecer onde estava, mas rapidamente lembrou-se de tudo. Mr. Schue, o bar, Sam e uma gloriosa noite de sexo.

Olhou para o lado a procura do loiro, mas não o encontrou. Levantou-se da cama segurando o lençol sobre seu corpo nu e caminhou pelo quarto até encontrar a camisa descartada de Sam e vestir, já que não encontrava suas roupas. Caminhou até a cozinha, onde Sam estava apoiando no balcão com uma xícara de café na mão e um saco de gelo no rosto com um olhar perdido.

“Desculpas.” Desejou envergonhada entre um bocejo.

“Bom dia para você também.” Ele respondeu calmamente. “Acho que é óbvio que precisamos conversar.” A morena acenou e já se encaminhava para a sala, quando foi puxada de volta por Sam que a pegou pela cintura e a sentou no banco alto do balcão, depois se ajeitou entre as pernas dela e falou. “Eu quero me desculpar por ter dito aquelas coisas após o casamento, eu sei que você não teve nada a ver com aquilo e o que falei foi totalmente fora de linha.” Rachel percebeu o quanto a cara dele estava inchada com o exato contorno de sua mão e ele tinha mais alguns hematomas, deviam ter acontecido quando eles esbarraram na estante. Ele estava ainda mais sexy.

“Bem, então vou me desculpar por ter tentado estragar seu jantar de noivado. Estamos quites?”

“Estamos.” Ambos trocaram um sorriso calmo e ficaram na mesma posição, apenas aproveitando o momento. “E o Mason?” Sam perguntou, estava intrigado com isso há meses e não conseguira evitar a pergunta.

“Eu e ele fomos algo realmente sério, e eu terminei um pouco antes de virmos para Ohio.” Sam estava mais aliviado. Não tinha gostado nenhum pouco dos dois juntos, mas também não queria que a noite passada estivesse manchada por uma traição. “O ator famosinho?” Ela apenas riu passando os braços pela cabeça dele e deu um breve selinho.

“Só um amigo Sam.” Ela respondeu divertida, enquanto pegava a xicara de café dele e tomava alguns goles. “Desde quando você voltou para seu apartamento?”

“Desde alguns dias atrás. Deixei a casa para a Ca e voltei para cá. O casal que estava alugando comprou outra casa já que estavam esperando um filha e eu voltei para cá.” Ele explicou dando de ombros.

“Eu gosto daqui, acho bem a sua cara.” Ela falou olhando em volta. Era um lugar de tamanho médio, pintado com tons de branco e azul que passava uma sensação de aconchego e segurança. Além de ser um lugar cheio de lembranças para os dois, já que era onde ficavam a maior parte do tempo enquanto quando namoraram, nove anos atrás.

“Eu te amo. Nunca deixei.” Sam admitiu de surpresa, deitando a morena atônica. Ela colocou devagar a xícara de volta no balcão, para não correr o risco de deixar cair com suas mãos agora trêmulas.

“Também te amo.” Ela respondeu com sinceridade.

“Mas...” Sam começou temeroso.

“Mas não podemos continuar isso a distância.” Ela completou, vendo-o com dificuldade para falar. Ela sabia, ele tinha que tocar nisso.

“Rach...”

“Sam, eu não vou te cobrar um relacionamento só porque transamos. Eu sei que se a gente namorar enquanto você está aqui e eu lá não vai ser algo ideal ou que daria certo. Eu sei.” Ela o despreocupa ao mesmo tempo que escondia a tristeza. Será que um dia, finalmente podia ter Sam?

A sua frente, o homem se perguntava a mesma coisa. Seu peito doía por saber que poderiam ficar junto, mas esse dia estava demorando a acontecer.

“Pelo menos podemos nos despedir em bom estilo.” Ela falou maliciosamente, empurrando Sam de leve e descendo da mesa. Abriu cada botão da camisa lentamente e a deixou escorregar por seu corpo, até cair no chão.

“Isso nós podemos.” Sam respondeu também maliciosamente, enquanto passava as mãos pelas costas das tonificadas coxas de Rachel, erguendo-a do chão e caminhando de volta para o quarto.

Seria a despedida.

v.

Depois de uma semana turbulenta em Lima, finalmente Rachel conseguira uma passagem para ir embora. Mas onde diabos Brian tinha se enfiado? Ligara diversas vezes, mas sempre caia na caixa. Estava a um passo de ligar para a polícia, quando seu celular começara a tocar.

‘Pensando no diabo...’

“Brian, onde você está? O que aconteceu?” Questionou preocupadae indignada.

“Nada demais, estava apenas aproveitando os ares do interior para dar uma revigorada nas energias.” Ele respondeu animadamente e a Berry estranhou.

“Morley você tá drogado?”

“Claro que não Ray, apenas descobri como é prazeroso passar um tempo numa cidade pequena...” Respondeu.

“Brian, eu comprei as passagens para voltarmos para LA, você precisava trazer essa sua bunda para cá agora.” Ela informou enquanto olhava no relógio, tinha uma hora até o avião decolar, tempo o suficiente para o homem.

“Na verdade Ray. Vou ficar até o final da semana. Eu te reembolso depois, boa viagem para você.” Com isso, desligou a chamada deixando uma incrédula Rachel encarando seu aparelho celular.

‘Parece que mais alguém enlouqueceu, ou se apaixonou.’ Pensou desanimada.

Desde que deixara o apartamento de Sam, não conseguia parar de pensar dele. Sua vontade era correr de volta para seus braços e se deixar ser amada até não poder mais. Mas agora tudo que lhe restava eram as lembranças e a espera.

Um dia talvez pudessem ser completamente um do outro, sem nada em seu caminho.

Notas finais
Será que agora vai?