Tilintar.

20 Muito prazer...meu sogro?


Notas iniciais
Pessoas olha eu aqui de noviiiii. Perdão pela demora, mas é que ta braboooo de falta de tempo. Mããããs enfim consegui terminar mais esse capítulo e espero que vocês gostem. Desde já agradeço pelos comentários e pela atenção de vocês. Perdão pelos erros ortográficos, mas não sou profissional, não tenho Beta e nem tempo disponível para ficar revisando muita coisa, então espero que vocês possam aproveitar mais esse capítulo. OBS: 1º - As partes que estão em itálico significam que eles estão falando em Japonês okay?! Então imaginem que faz bem a saúde. 2º - As palavras e frases em Japonês foram feitas a partir do google tradutor, então quem tiver conhecimento na língua e quiser dar um help estou de braços abertos. Bjs e até!!!

A viagem da Grécia ao Japão estava sendo tranquila. Jim que aparentemente estava calma era acompanhada dos Gêmeos e logicamente de Degel que não desgrudava sua mão da dela em nenhum minuto.

– Como se sente? – perguntou o francês dando um leve beijo em seu ombro.

– Não sei dizer. Estou feliz por voltar ao Japão, mas ao mesmo tempo estou muito apreensiva. Eu...não queria que fosse dessa maneira. – Respondeu cabisbaixa.

– Tem certeza de que quer realmente fazer isso ange? Podemos ir direto para Kyoto e ver seu amigo sem ter que passar por isso. –Argumentou Degel.

Iie!(Não) Degel eu preciso saber o que houve com Alone. Preciso saber o que houve com ele naquele meio tempo. — Disse Jim.

– Okay! Faça como achar que deve mon ange, mas...- Fez uma pausa levando o indicador ao queixo dela levantando o rosto bonito para si. – Se eu acha que será demais para você, pode esquecer! – Completou.

Demo...(Mas...) – Jim tentou argumentar em vão.

–Non comece a querer argumentar sobre isso comigo seja lá em qual língua for. Eu non vou permitir que caia em depressão novamente por causa dessa história e tenho certeza que Aspros e Defteros também non. – A frase dita por Degel fora quase sussurra ao ouvido de Jim, mas o tom de voz e a frieza não deixavam a menor brecha para qualquer contestação. A ruiva deu um meio sorriso concordando. – Ótimo! — Completou.

Era inverno no Japão e a neve caia com calma, mas insistência sobre os prédios de Tokio. Ao desembarcarem Aiacos que usava uma jaqueta preta de couro forrada com lã fumava seu cigarro a espera deles na saída do aeroporto. Defteros achou mais prático alugar um carro já que após resolver os assuntos com o investigador poderiam seguir imediatamente e sem pendências para Kyoto, a cidade natal de Jim.

E assim foi feito...

Ao chegarem Aiacos explicou sobre a investigação que se seguiu mesmo depois do final trágico de Alone. As mortes de Thanatos, Hypnos, Minos e os outros foram investigadas mais a fundo, assim como as famílias que mesmo depois de anos ainda não haviam se recuperado do trauma e foi nessa investigação minuciosa que eles encontraram o diário de Hypnos:

A mãe traumatizada havia guardado uma caixa mediana com as coisas dos filhos. Coisas ao qual ela nunca havia dito a ninguém nem mesmo ao marido. Nos dias que a dor da perda mais atormentava usava como analgésico os itens preferidos dos seus "anjinhos" assassinados. E foi justamente em um desses dias que a mãe desesperada havia criado coragem para finalmente ler o diário estilo vintage de Hypnos. Envolvido em couro marrom com desenhos de pequenos anjos adormecidos, folhas e flores de cerejeiras era fechado com uma fina corda vermelha onde na ponta exibia um lindo par de asas douradas. A caneta imitando uma pena antiga vinha presa por dois pequenos ganchinhos no centro do diário completando o visual. A mãe ao se deparar com o que havia dentro ficou em choque. A polícia fora chamada pelo marido e o diário entregue a eles.

Daijobu ka? (Você está bem?) – Questionou o investigador.

– Anata wa kyō watashi ni kiite futari-meda. (Você é a segunda pessoa a me perguntar hoje.)– Respondeu estendendo a mão.

Dewa... (Então...)- Entregou o objeto nas mãos de Jim. – Ganbatte kudasai!(Boa sorte!) – Completou sentando em seguida e acendendo um cigarro.

Ela observou a beleza da capa do objeto, acariciando os detalhes com a ponta dos dedos. Respirou fundo lançando mais um olhar para Aspros, Defteros e Degel como que buscando neles a autorização para prosseguir ou quem sabe a reprovação da parte deles...que não veio. Puxou devagar a pequena corda vermelha e quando Jim se deparou com as folhas do diário ficou horrorizada...

Nani?! (O quê?!) – Balbuciou sentindo as mãos tremularem.

Hypnos não havia escrito absolutamente nada ali e sim desenhado com tamanha perfeição que até Pablo Picasso sentiria inveja. Traçava com tal perfeição nas folhas amareladas tudo aquilo que o marcava, que gostava e que não queria esquecer. Coisas que ninguém além de seu gêmeo não fazia a menor ideia de algum dia ter acontecido. Desenhos de garotas dopadas enquanto eram violentadas por seu irmão ou ele próprio. O sorriso de escarno e luxuria traçado nos rostos desenhados ali faziam os pelos de Jim se arrepiar de horror ao lembrar que já havia estado na mesma situação, só que era Minos a se satisfazer covardemente. E assim como aquelas garotas ficariam imortalizadas nas páginas daquele diário, o sofrimento de Alone também. Jim folheou, folheou e folheou até encontrar o que realmente queria:

Os desenhos que retratavam o dia que mudou a vida de todos.

Alone com lágrimas nos olhos parecia implorar para que o deixassem enquanto Hypnos, Thanatos, Pandora e Lune observavam-no ser arrastado por Minos e Radamanthys. Em outra página o garoto encolhido em um canto enquanto Hypnos e Pandora observavam a humilhação que o grupo lhe causava. Sangue e vísceras sendo atirados com prazer, os sorrisos de escarnio retratados de forma perfeita faziam com que a figura parecesse viva e querer sair do papel. Em cada página virada Jim parecia ouvir os gritos de Alone o fazia seu estômago embrulhar pela dor horrível causada pelas lembranças indesejadas que eles lhe traziam. Passou as páginas rapidamente tentando não se forcar no que já sabia de cor até que... finalmente as encontrou:

Quando o grupo terminou com a “diversão”, Minos completamente sujo de sangue deixou o local juntamente com seu irmão Lune, assim como Radamanthys e Pandora ficando ali somente Thanatos e Hypnos que parecia acenar algo como: Está tudo bem, nós terminamos aqui.

O gêmeo mais velho dentro do buraco olhava como um predador para o garoto encolhido em um canto na posição fetal sob o olhar de desprezo de Hypnos...

– O que faremos com ele?

– Eu não sei. Acho que devíamos levá-lo para casa. – Respondeu o mais novo.

– Até que foi divertido. – O mais velho olhou com escarnio para o menino erguendo-se. Fazendo com seu sua sombra cobrisse completamente o corpo jogado ao chão. – Desculpe garoto, mas não é nada pessoal.

A pancada veio certeira. Thanatos usando um pedaço de madeira acertou o rapaz, fazendo-o desmaiar na hora. Carregou o corpo como um saco de batatas entregando-o para seu irmão que o colocou amarrado no banco do carona. Em seguida seguiram em direção a casa do menino e assim que se aproximaram os gêmeos ficaram em pânico;

A casa estava em chamas...

– Tatsuya o que iremos fazer?! – Desesperou-se o mais novo.

– Kuso(Merda!)! – Xingou o mais velho levando as duas mãos a nuca.

– Isso é culpa sua oniisan! Culpa sua! – Fez uma pausa. — O que faremos? – O mais novo andava de um lado para o outro sem saber bem para onde ir. Às vezes tencionava a voltar para o carro para logo em seguida volta ao ponto de partida. As mãos gesticulavam e se enfiavam em meio aos fios loiros segurando-o com força.

– Shizuka na!(Cala a boca!) nós fizemos isso junto Toshio. Não diga que a culpa é só minha porque todos nós estamos envolvidos. Agora cala a porra da boca e vamos dar o fora daqui. – Berrou o mais velho entrando no carro e dando a partida assim que seu gêmeo o acompanhou.

No banco traseiro, Alone observava com esforço e lágrimas nos olhos o fogo consumir sua casa levando embora a vida de sua mãe e de sua pequena irmã.

Ayacos se aproximou de Jim segurando o diário devagar e o retirando de suas mãos. A ruiva fixou seus olhos chorosos no rosto do investigador que lhe devolveu o mesmo com pesar.

–Eles viram a casa em chamas. – Fez uma pausa. – Tatsuya e Toshio Ishikawa, ou seja, Thanatos e Hypnos como eram conhecidos, sem querer...obrigaram Alone a ver sua mãe e sua irmã morrerem queimadas. Depois disso, eles o levaram para Kamagasaki onde o abandonaram. Nós fomos até lá, mas você sabe o quanto é difícil aquele lugar, mas parece que...um homem, um senhor na verdade o encontrou jogado em meio a uma pilha de lixo. De início ele achou que não passava de um jovem bêbado, mas quando o viu de perto notou que não era bem isso. Ele o levou ao um hospital. – Fez outra pausa. – Eles não sabiam nada sobre ele, só sabiam que... – Aiacos olhou de Jim para os gêmeos e em seguida para Degel que se mantinha na mesma posição. Encostado em uma parede não muito longe e nem muito perto de Jim, mantendo o porte ainda mais altivo com os braços cruzados sobre o peito e o semblante naturalmente sério.

– Aya os médicos disseram que ele era louco. Eles o mantiveram amarrado e sedado por vários dias. Ele atacou uma das enfermeiras quando teve a chance e balbuciava palavras desconexas. Algumas em italiano e outras em japonês. Como ninguém nunca o procurou os médicos decidiram que ele não poderia ser liberado daquela maneira e o encaminharam para um hospital psiquiátrico.

– Eu o procurei. – Berrou Jim com lágrimas nos olhos.

– Eu sei Aya. — Respondeu Aiacos dando um trago em seu cigarro visivelmente nervoso.

– Como ele saiu de lá? – Perguntou Defteros que se encontrava encostado na mesma parede ao lado de Degel, mas mantinha-se levemente virado para direita e mantinha uma das sobrancelhas erguidas e os olhos semicerrados.

– Bom é aí que começa a parte mais sinistra: No hospital psiquiátrico para onde ele foi mandado, os médicos disseram que ele tinha oscilações de humor constantes e que nessas crises ele parecia travar uma luta horrível consigo mesmo. Ele...mordia seus próprios braços e mãos, outras vezes atirava-se contra paredes e se mutilava sempre que ele dizia que a voz do tal “Hades” berrava em sua cabeça. – Aiacos revirou uma pasta tirando de lá uma fotografia e a entregando a Aspros que não saia do lado de Jim.

– Zeus. – Balbuciou completamente perplexo.

A última foto de Alone parecia mais com uma imagem macabra saída de algum filme de terror do que de alguém tão puro como ele um dia já fora. A solitária iluminada pela luz que vinha da pequena janela alta dava a visão sinistra das paredes completamente rabiscadas. Imagens de pedaços de corpos humanos estavam espalhadas por toda parte e na parede maior o desenho que fez Aspros engolir em seco. A cabeça de Jim havia sido arrancada, assim como olhos também, a boca aberta por onde escoria fios de sangue pelas laterais. Seu escalpo e seus olhos arrumados devidamente na mesma bandeja que era servida sua cabeça ao anfitrião de longos cabelos negros que mantinha no rosto o sorriso de satisfação. Espalhados pela grande mesa pedaços de seu corpo também era servidos em pratos enquanto yokais se deliciavam com a carne morta. E no centro do quarto a luz do poste deixava visível a figura de Alone olhando por cima dos ombros a pessoa que o fotografava.

– Os médicos disseram que essa foi a última vez que ele foi visto e ao que tudo indica essa foto foi tirada por sua primeira vítima. Uma enfermeira... ruiva. Ela foi encontrada antes de eu assumir o caso... e foi morta antes de seus pais ou de qualquer um do grupo.

Jim sentiu suas pernas fraquejarem e quando seu corpo tombou Degel correu em sua direção a segurando tão rápido que mesmo Aspros estando ao lado dela não conseguiu processar como ele havia chegado ali naquela velocidade. A ruiva ainda não havia perdido a consciência, mas seus olhos deixavam claros que ela parecia em outra dimensão. O grego mais velho engoliu em seco, assim como Degel que sentiu ser coração quase sair pela boca. Defteros mais do que rapidamente correu para buscar um copo d’água. Nervoso, Aspros praticamente tomou Jim dos braços do francês e começou nervosamente a dar leves tapinhas na face dela enquanto chamava por seu nome.

Merde por isso eu non queria que ela tivesse vindo. – Resmungo Degel tentando manter a calma.

– Vamos Jim olhe para mim. – Repetia Aspros sentindo o nervosismo crescer dentro de si.

– Eu vou chamar um médico. – Aspros desviou o olhar de Jim para Aiacos que saiu disparado para chamar um médico e quando seus olhos voltaram para ela as esmeradas estavam fixadas em si. O gêmeo em partes agradeceu aos deuses por ver que ela parecia começar a volta a si.

– Aspros. – Sussurrou sentindo uma lágrima solitária escorre pela lateral de sua face. – Naze?(Por quê?) Naze Aspros?

Jim franziu o cenho e lágrimas peroladas rolaram em abundância de seus olhos verdes. Aspros sentiu o coração se partir em mim pedaços, assim como Degel que odiou ainda mais toda aquela situação. Nunca quis que ela tivesse voltado ao Japão. Lógico não para aquilo, não daquele jeito. Alone estava morto e ponto...para que revirar ainda mais uma história de horror como aquela?

Aspros envolveu a ruiva em um abraço e pela primeira vez sentiu vontade de chorar. Estava cansado, farto daquela situação, farto de Alone e principalmente farto de ver Jim sofre tanto. Se pudesse apagaria aquela história da vida de todos. Extinguiria Alone de toda a existência, mesmo no fundo sabendo que ele fora tanto vítima quanto todos ali. Já odiava os gêmeos quando soube da história toda e agora vendo aquilo tudo os odiava ainda mais. Fechou os olhos com força e trincou os dentes com tamanha força que sentiu nos lábios o famoso sabor de ferrugem proveniente do sangue. Abriu os olhos rapidamente e viu na feição séria de Degel a certeza de que compartilhava do mesmo sentimento, assim como Defteros que tocou o ombro do irmão em sinal de apoio.

Nakanai de. (Não chore.) – Disse Aspros passando o dedo nas lágrimas de Jim e em seguida deu um beijo terno em sua testa. Levantou ainda mantendo ela em seu colo sem perder a imponência natural de sempre. – Vamos embora daqui. – Disse e quando cruzou que havia sido aberta por Defteros, Aiacos se aproximou dizendo:

– Eu sinto muito Aspros...eu... – O investigador não terminou. Engoliu em seco quando viu por meio de dois riscos o olhar fuzilante que Aspros havia adquirido. A pela amorenada agora possuía um leve tom avermelhado o que deixava claro o grau de sua fúria. O investigador sentiu um frio descer por sua espinha e um suor gélido molhou suas têmporas.

– Não Aiacos...não sente não. – Respondeu entre os dentes e saindo em seguida.

Entraram no carro alugado por Defteros que tomou o volante. Aspros entregou Jim a Degel e se sentou ao lado do irmão no banco da frente. A ruiva se acomodou como pode, apoiando a cabeça no colo do namorado entrelaçando seus dedos nos dele enquanto com a mão livre ele acariciava seus cabelos até que por fim se entregou ao sono.

oOoOo Tilintar oOoOo

Jim abriu os olhos devagar quando sentiu os dedos finos de Degel acariciarem seu braço. Esticou-se como deu já que dentro do carro não havia muito espaço, virando de barriga para cima e encontrando o olhar analítico sobre seu rosto. Piscou algumas vezes respirando fundo a fragrância familiar daquele lugar. Ah! Como sentiu falta daquilo. Sorriu observando Degel que lhe devolveu o mesmo sorriso.

– Chegamos. – Disse ele acariciando a franja vermelha.

Jim levantou-se rapidamente. Observando como uma criança aquele cenário coberto por neve que jamais iria esquecer. A famosa Cidade dos Samurais, Kyoto.

As árvores que na primavera coloriam e pintavam o chão com suas flores que caiam com o mais leve toque dos ventos nessa época do ano era cobertas por neve. O som dos cricrilar e do coaxar das rãs invadiam seus ouvidos causando uma nostalgia sem explicação. Seus olhos correram pelo local como se quisesse ter a certeza de que era realmente ali que estava e sim estava onde nascera e onde crescera. O caminho de pedras que parecia uma serpente branca até a entrada da casa e o lago que tanto amava onde carpas douradas e brancas pareciam dançar ao som da água gélida que caia da pequena fonte continuavam no mesmo lugar. Jim deu uma leve gargalhada de felicidade e quando olhou pelo para-brisa viu em meio a pequena neve que caia o grande homem que havia salvado sua vida dar um abraço tão apertado em Aspros que o mesmo soltou uma risada altíssima quando foi praticamente tirado do chão.

– Asgard. – Sussurrou abrindo a porta do carro rapidamente.

A ruiva ficou parada por um tempo observando o grandalhão falando amenidades e gargalhar com os gêmeos que também riam do que ele dizia. As pernas pareciam não querer obedecer e simplesmente se manteve ali, parada observando os três até que por fim ele a avistou:

– Aya?! – Disse dando um passo em sua direção.

–Asgard...- E como se suas pernas tivessem vida própria ela começou a caminhar sob a neve fofa; e seu caminhar passou para passadas largas e as passadas largas para a mesma corrida que fazia quando mais nova. Correu como uma louca em direção a figura que há havia acolhido como uma filha. – Asgard! — Berrou de braços abertos disparando em uma corrida frenética.

O grandalhão abaixou a acolhendo em seus braços como se Jim tivesse cinco anos. A ruiva pulou em seu colo, agarrando o pescoço grosso com força enquanto suas pernas prendiam em sua cintura. Se fosse outro com o tranco teria ido ao chão, mas para o “touro” Jim era como sua filhinha que nunca teve. A filhinha adotada e acolhida com tanto carinho. Gargalhou em meio a lágrimas de felicidade, assim como Jim que chorava exatamente como uma criança de cinco anos sem perder o sorriso de alegria.

– Eu senti sua falta. – Confessou em meio ao choro.

– Oh Aya...eu também. Estou muito feliz por tudo ter finalmente acabado.

– O que houve com você? E...e essas marcas? – Perguntou preocupada.

– O que importa isso agora? Já passou. Não adianta mais chorar o leite derramado. – Disse dando uma alta gargalhada no final.

Degel aproximou-se devagar ficando ao lado de Defteros que esfregava uma mão na outra na tentativa de aquecê-las e quando Asgard se ergueu totalmente o francês arregalou os olhos surpreso. Ele era ainda maior de perto. Nunca havia visto um homem daquela altura, fora o fato de ser muito corpulento. As cicatrizes de queimadura causadas pelo ataque de Alone unido a perda de um olho davam ao grandalhão um ar perigoso, o que sabendo que ele era o mais perto de um “sogro” que poderia chegar fez o alerta do aquariano apitar a mil por hora. Defteros achou graça dos olhos arregalados do rival e soltou uma risada anasalada chamando sua atenção.

– Está com medo francês? – Alfinetou. Degel manteve-se em silêncio. Estava nervoso sim, aliais muito por sinal, mas isso jamais deixaria que Defteros soubesse. – Se eu fosse você ficaria até porque, Asgard é um “sogro” e tanto não acha?! – Frisou bem a palavra sogro antes de sair caminhando calmamente em direção a Jim e o grandalhão.

Degel instintivamente ergueu as duas sobrancelhas ao pensar no que Defteros havia dito. “Sogro” ...sim era isso que ele era e para piorar o grego metido a besta tinha razão. Asgard era enorme e se caso não gostasse de si teria um problema e tanto. Ele era enorme e poderia intimidar qualquer um sem o menor esforço. Sua mente de repente tornou-se mais criativa do que ele mesmo imaginava ser o levando a situações em que o japonês grandalhão o afundava no chão até o pescoço como se fosse um prego. Em outra o mandava de volta a Grécia somente com um chute enquanto gargalhava malignamente.

Aspros abraçado ao próprio corpo solto uma gargalha quando viu a expressão de Degel que tinha os olhos tão arregalados e as sobrancelhas tão erguidas que pareciam querer pular de sua testa o fazendo ficar tão cómico quando um personagem de mangá. E o pior era que o francês nem havia se dado conta disso fazendo o grego rir com vontade. Pela primeira vez a provocação de Defteros havia surtido efeito fazendo Degel perder totalmente a expressão séria. Aspros ainda rindo retirou o celular do bolso de seu sobretudo marrom fotografando a cara do francês que pareceu despertar de seus devaneios mais do que cômicos com o flash e o som do aparelho.

– Desculpe Degel, mas esse momento precisa ser registrado. – Disse Aspros dando uma gargalhada gostosa o que fez Degel perder totalmente o ar cômico e voltar ao semblante mais sério do que nunca. – Você deveria ter se olhado no espelho. Defteros finalmente conseguiu fazer você mudar de expressão. Tem sorte de Kardia não estar aqui porque se não ele iria te infernizar pro resto de seus dias, mas não se preocupe eu mostrarei a fotografia a ele assim que voltarmos.

Degel franziu cenho ainda mais. Sinceramente não esperava ter uma reação daquelas. Ele nem havia percebido quando mudou de expressão. Não era homem de ter medo assim, mas tinha que admitir; Asgard era capaz de fazer qualquer um tremer. Ficou tão preocupado em como Jim reagiria ao ver o diário de Hypnos que esqueceu – novamente – que naquele mesmo dia iria conhecer aquele que ela tinha como “pai” agora. Defteros tinha razão...Asgard era seu sogro o que o fez sentir... medo, mas não medo do homem em si e sim medo de não ser “aprovado” por ele.

Sentiu suas bochechas queimarem pela situação constrangedora e ainda mais por ver Aspros gargalhar daquela forma e Defteros se sair vitorioso com aquele sorrisinho que odiava.

– Ai ai...relaxa Degel, Defteros só está tentando te assustar. Não se engane com a aparência de Asgard, ele tem um coração enorme e tenho certeza de que irá gostar de você. – Disse Aspros

– Eu non estou me importando muito com isso no momento. – Mentiu enfiando as mãos nos bolsos tentando manter a frieza.

– Bom se isso for verdade então, acredito que a partir de agora você deva começar a se importar até porque...Asgard é o mais perto de um pai que a Jim pode ter.

Degel ficou em silêncio somente observando Jim sorrir lindamente e ter os cabelos acariciados pelo grandalhão que falava e falava sem parar.

– Venha. — Aspros começou a caminhar e se aproximar de ambos sendo seguido pelo aquariano o que despertou finalmente a atenção de Asgard e Jim. O grandão olhou para Degel com um sorriso amigavelmente enorme no rosto.

– Ah droga. – Jim se aproximou um pouco mais, mas deixando que Asgard ficasse frente a frente com Degel. – Asgard...esse é o Degel. Ele trabalha com Aspros...bom, e comigo lógico.

Degel ergueu uma das sobrancelhas olhando de Jim para o touro sem entender nada do que ela dizia. Ele não falava japonês e o pouco que sabia havia aprendido com Akemi e Jim, mas eram poucas as palavras e frases completas que haviam ficado em sua memória. Ela olhou para o francês por alguns segundo e voltou a fitar o taurino que ainda mantinha o sorriso amigável nos lábios.

– Ele é meu namorado. – Fez uma pausa. – Na verdade a gente mora junto há um tempo. – Completou fazendo o sorriso do taurino morrer de instantaneamente.

– Dare? (Quem?)- Perguntou olhando sério para Jim.

– Ka...kare.(Namorado.). — Respondeu

– Iie,(não) você disse que morava com ele. – Volveu franzindo o cenho. – Vocês estão casados? – Completou.

– Nani!(Que?) – Jim ergueu as sobrancelhas sentindo as bochechas esquentarem mesmo com a neve que caia. Degel que não entendia nada somente observava o diálogo e o modo diferente que agora Asgard o mirava de cima a baixo não gostando nada daquilo.

– Por que não fazemos assim, entramos todos. Eu estou morrendo de frio e acho que os outros também, tomamos um bom banho quente e no jantar nós esclareceremos tudo? Estou cansado, congelando e com fome. – Aspros tocou com firmeza o ombro do grandalhão e o guiando para a entrada da casa.

– Também acho, eu estou congelando. – Completou Defteros encolhendo os ombros e seguindo o irmão e Asgard.

Degel ficou observando os três se afastar tagarelando sobre coisas que não fazia a menor ideia. A voz grossa e alta do taurino unida a língua japonesa dava a impressão de o mesmo estar em uma discussão séria com os gêmeos, brigando e xingando sem parar. De repente Jim deu uma risadinha ao ouvir algo que ele dizia, mas que o francês não entendeu. Franziu o cenho novamente puxando-a para que ficasse de frente para si.

– Traduz. – Foi direito. Jim deu um sorriso olhando os olhos curiosos de Degel. Coitado, ele realmente não estava entendo nada do que eles estavam dizendo.

– Ah... ele...gostou de você. – Sorriu marota enquanto apontava com os dois indicadores para Degel. Em seguida girou nos calcanhares começando a caminhar em direção a casa.

– Por que estou com a leve sensação de que você mentindo?

– Por que você está com a leve sensação de que ele não gostou de você. – Afirmou olhando para o rosto sério do amado. – Está preocupado de ele não gostar de você? – Perguntou segurando em uma das mãos dele. Degel retribuiu o olhar e em seguida estendeu a mão até folha que ainda resistia ao frio retirando-a e entregando nas mãos de Jim. — Eu só quero que tudo fique bem chérri independente dele gostar de mim ou non. Você gosta e é isso que me importa.

– É logico que eu gosto. – Jim aproximou-se mais abraçando Degel que retribuiu depositando um beijo no topo da cabeça dela. – Eu te amo Degel. Te amo demais.

Degel sorriu de lado olhando nos olhos verdes de Jim para em seguida selar seus lábios com carinho.

– Eu também te amo ange, agora vamos entrar. Non que você pegue um resfriado.

oOoOo Tilintar oOoOo

Após o banho Degel se enrolou em um edredom como se fosse a “chapeuzinho vermelho” sentindo um frio horrível o arrepiar até o último fio de cabelo. O francês, apesar de vir de um país frio já não estava mais acostumado com uma temperatura tão baixa.

Que frio. – Resmungo enquanto caminhava pelo corredor sem saber bem para onde ir.

Bufou de irritação deixando-se guiar pelo som da gargalhada de Jim e Aspros. Quando se encontrou, viu no chão da ampla sala a ruiva gargalhando embolada em um edredom enquanto Defteros segurava seu pé embaixo do braço e fazia cosquinhas no mesmo enquanto ela apoiava as costas no peito de Aspros que atacava sua barriga também com cosquinhas. A ruiva gargalhava de chorar se retorcendo como uma lagarta no meio dos gêmeos que a torturavam da maneira mais carinhosa e brincalhona que encontraram para se aquecer e se distrair. Estava muito frio e mesmo com o aquecedor para eles que vinham de um país tão quente não estava fazendo muita diferença. Degel sorriu com a cena. Nunca imaginou ver os gêmeos tão imponentes em uma situação infantil como aquela.

– Ei! Vai ficar aí só olhando? – Falou Defteros chamando a atenção de Degel enquanto segurava com firmeza o pé direito de Jim. – Tem um pé aqui sobrando ou você pode dividir espaço na barriga com Aspros. – Completou.

– Ah não, por favor, Degel, não. – Jim pedia enquanto gargalhava.

Degel pensou por alguns segundos...Ah! Que mal haveria?!

O francês se aproximou rápido ajoelhando-se ao lado do tronco de Jim e a atacando com cosquinhas na barriga juntamente com Aspros. A ruiva deu um grito altíssimo enquanto se remexia tentando escapar daquela tortura.

– Mas o que é isso? – Asgard ao ouvir a gritaria apareceu na sala usando um avental vermelho e uma faca enorme nas mãos fazendo todos pararem de imediato e o fitarem curiosos.

Jim aproveitando a distração dos três se sacudiu de um jeito que seu pé acertou no rosto de Defteros fazendo o grego soltar um “Ai” pela dor e seu joelho quase acertou o rosto de Degel que se jogou para trás para não ser pego. Aspros começou a rir da cara de emburrado do irmão e Jim que finalmente havia conseguido se livrar dos três correu ofegante na direção de Asgard.

– Vocês são três fracotes, eu nem cheguei a suar. – Se vangloriou Jim dando um tapinha no bumbum ao mesmo tempo em que puxava a parte de baixo do olho direito e mostrava a língua.

– Ah é é?! Você vai ver quem é o fracote sua abusada. – Defteros levantou rápido correndo em direção a ela que soltou um grito e se escondeu atrás de Asgard. O grego pegou a ruiva no colo e a levou de volta ao tapete onde foi prontamente atacada por Aspros e em seguida por Degel.

Asgard sacodiu a cabeça rindo da algazarra dos três para em seguida voltar à cozinha. Estava feliz, muito feliz como a muito não ficava. Como sentiu falta dela.

Assim que terminou de preparar o jantar gritou em alto e bom som para eles parecem com a algazarra e viessem a mesa. Hamen, harumaki, shushi, tempura e entre outros enfeitavam a mesa lindamente fazendo a ruiva “lamber os beiços” ao fitar a mesa de jantar.

– Itadakimasu*! – Disse ela e Asgard ao mesmo tempo fazendo os gêmeos rirem e repetirem o gesto de agradecimento.

Degel sentou-se ao lado de Jim que lhe sorriu, mas ao olhar para a ponta da mesa viu o olhar a travessado de Asgard para si. Aspros então começou a contar a Asgard resumidamente tudo que havia acontecido com Jim e os outros deixando o taurino com cara de bobo com tanta informação e principalmente ao saber que Degel fora o principal responsável por ter salvado Jim literalmente. O grandalhão ficou observando o casal que ria entre si, já que Degel não entendia nada do que eles diziam achou melhor somente ignorar e se forcar em Jim que lhe ensinava o nome das comidas, alguns cumprimentos entre outras palavras em sua língua. O taurino esboçou um sorriso sincero ao ver nos olhos do francês o quanto ele amava Jim e para si era isso que importava. Queria mais do nunca que ela fosse feliz, havia quase sido morto por Alone para que ela tivesse uma vida boa e agora, assim olhando os dois juntos via que finalmente esse dia havia chegado. Jim havia ganhado um motivo para viver e esse motivo estava bem ali diante de seus olhos mantendo um sorriso discreto e um carinho e proteção nos olhos violáceos.

– Dejeru*! – Asgard chamou o francês que olhou de Jim para ele meio sem entender. Não estava prestando a atenção na conversar e muito menos entendendo. Será que havia feito algo de errado?

Jim aproximou-se dele e cochichou algo em seu ouvido para que ele pudesse entender e responder...

Hai(Sim.) – Disse repetindo as palavras que Jim havia lhe dito.

Asgard olhou para Jim e em seguida voltou a fitar Degel com um belo e largo sorriso. Estendeu a mão grande ao francês que a fitou por alguns segundo até ceder a sua ao grandalhão que a segurou com carinho.

– Anata wa watashi no shukufuku o motte iru.(Você tem a minha bênção.).

Continua..

Notas finais
Gente desde já eu quero agradecer a todos que leram e comentaram, favoritaram, etc essa fic que para mim foi muito especial. Espero de coração que vocês tenham gostado desse capítulo já que ele é o penúltimo...Snirf Snirf...é infelizmente está acabando, mas espero que vocês gostem do desfecho. **Dejeru é a forma com o nome de Degel é pronunciado no anime em japonês. **Itadakimasu é uma expressão utilizada antes de qualquer refeição. A palavra, traduzindo de forma simples e direta, significa “receber”, porém, há todo um sentimento por trás dela, um sentimento de gratidão pela comida. Bjs e até!!