Tilia s Bloom
1 Unic
Notas iniciais
Sweetheart,
O seu amor atingiu-me como uma adaga envenenada, atravessando-me, separando-me, infectando-me por inteiro com o seu veneno, típico de filho de Eros – levemente adocicado, e com bastante de sofrimento, de angústia, de morte... Sim, morte! Porque eu morri em todas as vezes em que estivemos longe um do outro, distanciados através do tempo e espaço. E enquanto eu estava agonizando de mãos dadas com a minha interminável solidão, você continuava vivendo a sua mentira preferida, com as suas muitas mulheres – vadias e degeneradas, que somando-as todas, não completariam uma mísera parte minha... Oh, yeah, honey, elas nunca significaram nada pra você! Elas tiraram-lhe o tempo, o dinheiro, o sêmen, porém nunca lhe deram alguma coisa em troca. Gemidos? É, quem sabe isso... Mas não era o suficiente. Nunca era. Porque você sempre teve a sua cólera de existir cada vez mais ferrenha ao abate. Nunca mais tênue, nunca mais amenizada. Nunca! O desejo de entender a si próprio e o mundo no qual vive por meio de seus relacionamentos falidos, sempre foi uma piada cretina; Os resultados sempre insatisfatórios. Mas você ia levando sozinho, mesmo que ainda estivesse cercado de pessoas que desejavam estar com você; Você nunca as desejou, de qualquer maneira... Porque eu nunca fui o maior, ou o melhor, mas eu sempre fui o filho da puta que mais completava você! Que fazia-o sorrir divertido... Que fazia-o suspirar dolorido... O único que fazia você desejar viver a porra dessa sua vidinha sôfrega! – Oh, sweet, você construiu o meu caráter quando o subestimou! Forjou-me lado a lado a seus próprios complexos, e fez-me o sujeitinho repulsivo que agora dilacera corações, não se importando com o sangue que escorre deles. Você fez-me à sua própria imagem; E eu aprendi com o melhor. No entanto, de qualquer modo, tive as minhas partes devidamente costuradas e revisadas ao longo do tempo. E hoje, mais do que nunca, posso dizer-lhe tudo àquilo que não pude, na época em que sucumbia aos efeitos de sua grandiosa afeição.
Lembro-me de vê-lo sorrir – sincera e docemente -, e de quando os nossos olhares se cruzavam, tímidos. É, eu sempre amei os seus olhos, o seu sorriso, a sua voz. Eu sempre amei o jeito que você dizia, com as palavras banhadas em seu sarcasmo característico e diversão aparente... Pérolas ácidas! Eu realmente adorava vê-lo falar com propriedade, quando se dispunha a corrigir algum defeito meu, algum retalho mal alinhavado e, ao mesmo tempo, vê-lo argumentar com tanta malícia e provocação, incitando-me a raiva. Mas no fundo, no fundo, tudo aquilo divertia-me, final, eu sempre soube que aquela era a sua maneira de dizer que era eu e mais ninguém; Eu era o seu brinquedinho favorito, e você amava-me por sê-lo.
Mas você nunca foi o meu melhor amigo, você nunca dividiu o seu quarto comigo, você nunca esteve ao meu lado nos momentos mais críticos de toda a minha existência – os que eu tive vontade de cortar os meus pulsos, atirar no meu crânio, desfigurar a minha face com os fragmentos de espelho quebrado -, porém você sempre esteve presente nos meus sonhos... E alguma vez eu estive nos seus?; É algo que eu sempre perguntei-me, embora soubesse ser o único menino dos seus olhos, o qual era constantemente perseguido e procurado por eles. Eu sempre desejei saber dos seus pensamentos... Das suas vontades! Porque uma coisa era o que você dizia ser, e outra bem diferente era o que você era de fato.
Você disse-me muitas coisas, e é realmente difícil mencionar a mais importante delas; Disse-me “Quando você crescer”; Disse-me “Quando você estiver preparado”; Disse-me “Quando eu gostava de você, e você também gostava de mim” – E a grande verdade é que você estava certo: Eu nunca cresci, eu nunca estive preparado para qualquer coisa e, sobretudo, eu nunca deixei de gostar de você. Nunca!
Você também perguntou-me muitas coisas; “Você já esteve com alguém?”; “Posso segurar a sua mão?”; “Porque nós nunca tivemos uma real chance de felicidade?” — E eu sinceramente gostaria de poder revisá-las e ter uma segunda oportunidade para respondê-las. Confesso que faria um pouco diferente desta vez. Só que isso é praticamente impossível, não é mesmo? O tempo se foi, e levou todas as nossas possibilidades.
E quando estávamos de frente um ao outro, não tínhamos coragem. E quando estávamos conversando, faltavam-nos as palavras certas. E quando estávamos quase nos beijando, não era o momento. É doloroso, eu sei. Saber que as algemas do certo e do errado foram tão bem presas aos nossos pulsos, atando completamente as nossas aspirações... É, dói demais. Eu sinto muito!
E toda as vezes em que você abraçou-me como se fosse a última vez, e eu achava que iríamos nos fundir tamanho seu desespero... E todas as vezes em que o seu perfume grudava nas minhas roupas como se fossem as suas, e eu achava que iria morrer asfixiado com suas lembranças... E todas as vezes em que o meu celular tocava durante a madrugada, e eu achava que poderia ser você ligando-me para desejar-me uma boa noite... Em todas essas vezes fui um tolo, um covarde, um fodido, que sequer sabia reprimir os próprios sentimentos de maneira eficiente! Odeio-me tanto por isso! Principalmente por ter criado tantas expectativas, quando, na verdade, por mais que o nosso amor fosse correspondido, ainda era mais uma relação amaldiçoada pelo destino.
My dear, acho que você tomou para si a sorte que pertencia a nós dois; Foi a flor de Tília no alto da copa, iluminada pelo sol radiante, forçando-me a ser apenas aquele que jamais poderia alcançá-la estando coberto pela escuridão da robusta árvore. Mas não tem problema. As estações continuarão mudando, uma após a outra, durante o ano todo; E eu continuarei aqui esperando pelo dia em que você deslizará pela densa folhagem, ficando ao alcance das minhas mãos.
F.
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