Tiger Soul

3 Capítulo 3 - Conhecendo o inimigo


Daichi está com sua espada na mão e olha para as garotas no chão e os rapazes da gangue indo embora carregando o amigo em choque. Ele corre até onde a bainha está. Pega-a rapidamente e corre como nunca correu antes, passando rapidamente pra buscar sua mochila no banco. Com a katana já embainhada pega a mala pela alça e continua o seu rumo. As meninas nem notaram que saíra do local.

Começou a fazer o caminho de volta. Pensa sobre tudo que acabara de ocorrer. O desejo de acabar com aqueles demoniozinhos tomou seu corpo e o fez fazer coisas que normalmente não faz. O salto a cima do jovem. Não possuía corpo atlético nem dons para tal, mas fez. A esquiva do ataque do outro rapaz: parecia que ele estava em câmera lenta. Lembra das aulas de kendô no colégio e se vê levando uma surra dos outros garotos. Nunca foi bom na luta com espada, mas hoje foi. Melhor que todos juntos, de maneira invejável e sem saber como fez. Simplesmente foi lá e executou os movimentos que causaram a partida do grupo de arruaceiros e a desintegração de dois demônios. Esses pensamentos foram interrompidos por um tropeçar levando-o ao chão.

Daichi: (pensando) Eu fiz tudo isso. Mesmo assim não estou bom o bastante. Aquele homem disse que pode me ajudar então é a ele que eu vou. – Levantando-se – Raed – disse baixo quase como um sussurro.

Continuou andando até chegar ao museu onde Raed trabalha. Esperou um tempo até o homem que conversara outrora aparecesse. Raed aparece com uma maleta na mão em roupa social com o paletó nas costa sendo segurado por dois dedos da mão direita e a maleta na esquerda. Ele olha para Daichi que estava sujo e suado de aparência séria e se aproxima do garoto.

Raed: Voltou?

Daichi: Você disse um monte de coisas para mim. Uma dessas coisas é que você iria me treinar. Eu vim para isso.

Raed: Pois bem. Vamos começar. – Sorrindo – Me acompanhe, sim?

O homem alto começa a andar devagar. O menino o acompanha andando ao seu lado. Continuam por algumas quadras calados até que Raed quebra o silêncio.

Raed: Você é sempre calado assim?

Daichi: Não. Falo bastante com meus amigos.

Raed: Ainda não sou seu amigo né?

Daichi: (silêncio)

Raed: Hum, você não estava nesse estado dentro do museu. Tem algo haver com o fato de você me procurar tão rápido para um treinamento?

Daichi: ...Tem. Matei dois demônios, não sei nem como, que estavam praticamente montados em dois rapazes num parque.

Raed: Sério? Engraçado a gente não mata demônios.

Daichi: não mata? Eu vi eles se dissolverem.

Raed: Primeira lição: nossas armas não têm poder para matar demônios e sim enviá-los de volta ao mundo deles. Segundo: Tem que aprender a reconhecer os tipos de demônios que existem. Aquele que você matou ontem era um Pútrido, os de hoje provavelmente eram Encostos. São as classes mais baixas de demônios que existem.

Daichi: Classes? Como assim? Existem outros tipos daquelas coisas?

Raed: Sim, muito mais fortes, sanguinários, de diversos tamanhos e gêneros. Não se preocupe, tem alguns tipos que não podem passar para o nosso plano, com o tempo você aprende todos hehe.

Daichi: Espera aí, como assim uns que não podem passar pro nosso plano?

Raed: Tudo ao seu tempo. Por hora você tem que saber o básico pra se virar sozinho, e, logicamente, onde é a minha casa. Tarááááá. Chegamos. É essa aqui.

Eles param em frente a uma casa de madeira de dois andares bastante simples: nela um caminho de pedra até uma escadinha de três degraus onde está a porta. Há como se fosse um toldo de madeira indo de um lado ao outro da casa na altura do forro do primeiro andar, tendo duas janelas uma de cada lado da porta da frente.

Raed: — Abrindo a porta para Daichi – Seja bem-vindo.

O rapaz entra na frente e vê um corredor com várias saídas para os lados onde há uma sala de estar a direita, uma de jantar a esquerda mais perto da porta. Mais pra frente perto da escada há a esquerda a entrada pro banheiro e a direita a entrada para cozinha. Daichi foi entrando e olhando as coisas pelo corredor central da casa. Antes da porta do banheiro há uma mesinha de aparador estreitinha com umas fotos. Daichi viu uma foto de Raed ao lado de um homem um pouco mais baixo que ele de olhos e cabelos compridos claros, ambos sorrindo para a foto.

Raed: pode deixar sua mochila aí perto do aparador. Está olhando as fotos?

Daichi: É... Estava.

Raed: Tudo bem, não precisa se envergonhar. Depois eu lhe mostro e conto quem são com mais calma.

Daichi: Está bem.

Raed: Quero que você conheça o local de treinamento. Vamos para os fundos.

Eles seguem até o final do corredor onde há um espaço no lado direito da escada, que vai para uma porta aos fundos. Abrindo a porta há um lugar modesto de treino onde possui um piso de madeira, alguns entulhos no canto esquerdo e direito mais ao fundo, com um forro bastante elevado se comparado ao local em que se encontravam anteriormente.

Raed: Ééé, ta uma bagunça. Bom, ainda vou ter que arrumar as coisas para que fique bom pra treinarmos.

Daichi: Quer ajuda?

Raed: Não, está tudo bem. Seguinte Daichi preciso de duas coisas suas antes de realmente começarmos a treinar.

Daichi: E quais seriam?

Raed: A primeira é que eu preciso que você invoque seu espírito guardião.

Daichi: O que é isso?

Raed: Vou te mostrar, é mais fácil entender quando se vê do que explicando o que é.

Ele posiciona uma mão fechada e a outra aberta. Com mão fechada tira, de um brilho da mão aberta, um bastão quase que da sua altura. Ele bate com ela no chão e diz.

Raed: Apareça Slay (pronuncia-se islai).

Do bastão começa a aparecer algo enroscado nele até criar a forma de uma naja enroscada no bastão olhando fixamente para o garoto.

Daichi: O que é isso?

Raed: Isso é ela. Slay é meu espírito guardiã. É por ela que utilizo minha energia espiritual para a luta. Sem um espírito guardião você não usa nem 10% de todo seu potencial como Cavaleiro Espiritual.

Enquanto ele falava a serpente foi descendo e se aproximando de Daichi. Ela parou a sua frente, se elevou até sua altura, voltou ao chão e voltou ao seu dono.

Raed: Nossos espíritos guardiões são nossos maiores companheiros nas batalhas. Cada um possui um guardião próprio que é o espírito de um animal. Você tem que descobrir qual o seu Daichi.

Daichi: Entendi, mas como faço para invocar meu espírito?

Raed: Infelizmente isso você terá que descobrir sozinho. É possível que ele já esteja contigo, você só não sabe como por ele pra fora.

Daichi: Entendo. E qual é a segunda coisa?

Raed: A segunda? É... – pausa com um sorriso no rosto.

***

Daichi: (reclamando) Fazer adiantamento e passar em todas as matérias. Eu não acredito que ele me pediu isso.

Já é outro dia e Daichi está na escola conversando com seu melhor amigo antes de entrar na sala de aula.

Cris: É, essa história é muito doida mesmo, se não fosse você que estivesse me contando eu não acreditaria. Talvez ele queira que você tenha mais tempo livre.

Daichi: Mas ele está me pedindo pra terminar o ano praticamente agora. Não sei nem se isso é possível. Mal tivemos uma semana de aula.

Cris: É... E a Aika?

Daichi: O que tem ela?

Cris: Você a conheceu antes de mim. Tem mais tempo de amizade do que nós Daichi. Ela sabe que você está escondendo algo. Não acha que deveria contar tudo pra ela?

Daichi: Realmente eu a conheço há bastante tempo, mas não acho que ela vá acreditar em toda essa história Cris.

Cris: Pode ser, vamos entrar.

Entram em sala e vêem Aika já sentada em seu lugar. Ela olha para o lado e os vê entrando. Ela olha de maneira séria para Daichi e vira cara.

Daichi: Acho que to entendendo o que você quis dizer.

Cris: Ela ta sentida em saber que você me considera mais amigo que ela.

Daichi: — sentando na carteira – Entendo. Depois eu falo com ela.

Cris: E o que você vai falar?

Daichi: Sei lá, só que o que eu disser você vai concordar.

Cris: Eu? O que eu tenho haver com isso?

Daichi: Você vai me dar apoio nessa.

Cris: Por quê?

Daichi: Pra dar veracidade na história, sem manha que você vai sim, senão não te ajudo no Card-Game.

Cris: Ei isso é chantagem.

Daichi: Depois resolvemos isso. – Cris olha emburrado para baixo.

Cris: Agora que eu vi, ele te deu essa capa pra guardar a espada?

Daichi: Sim, desse jeito fica menos na cara que é uma espada. Me entregou antes de ir embora da casa dele.

Cris: Realmente, parece que está levando um guarda-chuva.

Daichi: É... Verdade.

Nisso eles se calam pra mais um dia de aula.

***

No final do dia de aula Daichi e Cris aparecem para conversar com Aika na saída da escola.

Daichi: Aika espera.

A garota nem da bola, abaixa a cabeça e continua andando.

Cris: Calma garota. A gente quer conversar com você.

Aika: Hunf, mas eu não quero estou muito magoada com vocês.

Daichi: Ah, Aika, para com isso. Eu te conto tudo o que está acontecendo.

Aika: Conta mesmo?

Daichi: Sim.

Aika: Mas tem que ser a verdade. Da ultima vez que você fizeram algo assim apareceram com uma história doida que não deu pra engolir.

Cara de bunda dos dois se lembrando da ultima vez.

Cris: Er, teve é? Daichi – cutucando o amigo.

Daichi: Não lembro disso.

Aika: (começando a se irritar) Vocês iam fazer de novo?

Daichi: Não não. Vamos na sorveteria que lá a gente te conta tudo e com mais calma hehe. – empurrando Aika pelas costas.

Os três vão caminhando até a sorveteria. O tempo começa a mudar e nuvens negras começam a aparecer no céu. Poucas quadras depois Daichi começa a sentir uma sensação estranha.

Daichi: Cris espera um pouco.

Cris: O que foi?

Aika: Ah, agora você quer parar. Ta inventando o que?

Daichi: Não estou inventando nada, só estou pedindo pra parar por que estou sentido um negócio muito estranho.

Daichi começa a sentir como um arrepio em seus braços. Sente um ar frio passando por sua espinha. Ouve o barulho de um trovão. Isso o faz olhar para trás. Ele vê um homem com uma capa de comprimento até abaixo dos joelhos e seu rosto é o mesmo do homem que viu na foto da casa de Raed.

Daichi: Você? Eu já o vi na casa de Raed.

Cris: Você o conhece?

Aika: Por que vocês estão mexendo com aquele homem?

Daichi: Eu o vi numa foto na casa de Raed. Quem é você?

Ulric: Meu nome é Ulric. É um prazer conhecê-lo. Sejamos educados. Você me mostra a sua arma que eu mostro a minha.

Daichi: A espada? Por que você a quer.

Ulric: Sinceramente não é bem eu quem a quer, mas preciso dela, se você me entregá-la seria melhor.

Daichi: Me perdoe, mas já estou compromissado com ela e não posso entregá-la a você.

Ulric: Que seja.

Daichi: — virando-se para os amigos — Fujam daqui agora.

Cris: Está bem.

Aika: Fugir? Mas o que está acontecendo?

Ulric: Não adianta correrem. – tirando um frasco de cor vermelha de dentro da capa e com um conta-gotas deixando cair três pingos no chão – essas coisinhas aqui vão alcançá-los mais rápido do que imaginam.

Nesse momento as gotas começam a crescer e aparecem três criaturas de corpo cadavérico com unhas compridas nas mãos e pés de estrutura um tanto canina, porém de focinho não tão longo. Eram de cor avermelhada por inteiro. Os três apareceram sentados nas patas traseiras. Enquanto isso Daichi larga a mochila no chão e tira a espada da capa.

Ulric: Cães... Dilacerar.

Daichi: (berrando) Corram.

Cris: Ok. Vamos Aika.

Aika: Ir pra onde? Ele precisa da nossa ajuda.

Enquanto isso as três criaturas correm em direção deles. O demônio do meio se adianta indo na frente fazendo uma formação em v em direção as crianças. Daichi começa a tirar a espada da bainha.

Daichi: Vocês vão ter que passar primeiro por... – Nisso o demônio do meio desparece numa fração de segundos e se encontra com as garras no rosto de Daichi e o empurra para longe. – mim.

Ele é jogado contra um poste e cai violentamente no chão virado em direção a seus amigos.

Aika: Daichiii. O que você fez com ele?

Ulric: Nada comparado ao que vai acontecer com vocês.

Os três cães começam a se locomover em direção a Aika e Cris. Suas babas, escorrendo de suas bocas vão caindo no chão formando um rastro. O mais interessante é que Cris e Aika conseguem ver o rastro de saliva deixado pelas criaturas.

Cris: Vamos embora Aika – puxando a garota pelo braço em direção a Daichi.

Daichi está vendo tudo, porém mal consegue se mexer, a pancada foi tão forte que ele mal se mexe. Ele vira sua cabeça para o céu.

Daichi: Não acredito. Quando acho que as coisas não podiam pioram isso acontece. Creio que esse seja o meu fim. Perdoem-me Cris e Aika, não poderei protegê-los. – uma lágrima escorre dos olhos já fechados de Daichi.

Os demônios correm em direção aos dois que tentam fugir, mas Aika tropeça e o demônio do meio pula em direção a ela com as unhas em direção ao rosto dela.

Voz: Mas já desistindo?

Daichi abre os olhos e vê que está num ambiente todo preto e olha um homem de cabelos claros curtos e óculos. Possui uma altura mediana, físico magro, com um sorriso bastante amigável. Ele está de pé olhando para o garoto no chão.

Daichi: Pai? É você? Eu to morto?

Pai: Sim e não meu garoto. Você ainda tem muita coisa pra fazer, ainda não é era de morrer esta bem? Infelizmente você pegou um trabalho que, por hora, é muito grande pra você. Não se preocupe vou te dar uma mãozinha, mas não se acostume será só dessa vez – estendendo a mão para o filho.

Daichi: Está bem – levantando a mão para pegar a mão do pai.

Nesse instante estão os dois amigos caídos no chão e o demônio prestes a fincar as garras em Aika. Porém os dois cães de trás param repentinamente enquanto as garras do primeiro param no ar a centímetros do rosto da garota. O demônio ainda tenta fechando a mão encostar no rosto da garota o que faz seu cabelo movimentar-se.

O demônio vira a cabeça e Aika olha para frente e vêem Daichi com a espada na mão direita e com a mãe esquerda fechada, mas não completamente, como se estivesse segurando algo. Aika olha para o chão e vê a baba caindo próximo dela. Enquanto isso o demônio vê Daichi segurá-lo pela coluna a mostra.

Aika: O que está acontecendo Daichi?

Cris: Olhe direito Aika, veja os olhos de Daichi. É como se ele estivesse em transe.

Os olhos de Daichi estavam completamente brancos e sua expressão de nervoso é acompanhada de um berro.

Daichi: Uoooooaaaaah.

Ele aperta a coluna da criatura, fazendo-a berrar e a joga longe. Ela sai quicando no chão. A força para jogá-la foi tanta que ela passou Ulric e só foi parar mais adiante. Ulric está com os olhos arregalados.

Daichi da um passo em direção as criaturas posicionando-se em frente à Aika e Cris.

Ulric: O que está acontecendo aqui?

Continua...

Notas finais
Em breve a continuação da batalha. próximo post será uma melhor descrição dos personagens. Falou.