Tic-Tac

7 Entre Mundos


Notas iniciais
Não é um capítulo, e sim um "enquanto isso."

O ar não era inteiramente agradável, com partículas de poeira flutuando e formando pequenos e violentos tornados ao redor.

Quem sabe não estivesse dentro de um?

Sentia que sua pele e sua alma estavam se dissolvendo aos poucos, dentro daquela grande bagunça.
Aquele caos. Sua essência se perdia lentamente naquele caos estranho e ela sentia isso; assistia a isso. Seus olhos percorreram tudo, tentando entender aquilo que lhe prendia e envolvia. O oxigênio poderia estar entrando por uma lasquinha daquele lugar e ela precisava achá-lo e provar sua hipótese.

Partículas brilhavam como se estivesse ocorrendo a fusão de hélio e hidrogênio em frente aos seus olhos, dançando no vácuo e explodindo segundos depois. Eram pequenos fogos de artifício que se misturavam ao seu pó corporal.

Estava em uma nebulosa, talvez? Era difícil dizer com aquela ventania e a probabilidade das coisas. A gravidade enlouquecendo e agindo de forma desesperada. Quando as leis da física são quebradas, o que de pior pode acontecer?

As estruturas do Universo fraquejando, seus pilares fraquejando.

Era o fim.

Não sentia dor, mas o vazio lhe preenchia de forma atrevida, sugando-a e deixando sem forças cada vez mais.

"Eu tenho que lutar..." repetia mentalmente toda vez que partes generosas de si se esvaía. Uma força intensa de vontade, mas ela sabia que não tinha a necessária para se libertar ou avisar alguém sobre o que acontecera e acontecia. A imponência lhe consumia.

A sensação de se desmanchar em pó era a mesma que a parte de cima da redoma de uma ampulheta deveria sentir. Que quando todo o seu conteúdo chegasse a parte final, acabando toda a contagem, seu tempo teria se esgotado também.