–Bom dia Liz. — Disse Dante, me empurrando da cama e me fazendo cair.

Esfreguei meus olhos, e ao abrí-los me deparei com os olhos verdes de Miles. Eu havia caido ao seu lado.

–Oi... Que horas são? — perguntei ainda sonolenta.

–11h30.- respondeu Miles. As janelas do quarto estavam quase totalmente fechadas, mas um raio de sol conseguia escapar entre as cortinas e iluminava os cabelos ruivos e meio compridos de Miles.

–Porra, vocês podiam me deixar dormir mais meia hora...

–Nem pensar moça. — disse Dante.

–Ok...

Me levantei com a ajuda dos meninos e aos tropeços, fui até o banheiro. Meu cabelo estava bagunçado e embaraçado. Penteei e fiz um coque. Eu estava vestindo apenas uma camisa larga de algum dos garotos e uma lingerie roxa. Eu era baixinha, cabelos castanhos e enrolados e olhos castanho.

Peguei meu celular e meus fones de ouvido em cima da cômoda e fui para a cozinha. Coloquei meus fones, dei play e comecei a fazer panquecas. Muffin me observava de cima da pia. Ele era todo mesclado de branco, preto e laranja e tinha heterocromia. Um olho azul e outro verde.

–Oooi Muffin, gatinho lindo. — disse, lhe acariciando.

–Miau. Prrrr — respondeu Muffin.

Peguei uma tigela e coloquei um pouco de leite morno, que Muffin tomou lentamente. Continuei fazendo minhas panquecas e ouvindo Nirvana, quando senti duas mãos na minha bunda.

–Ai viado, me larga! — disse quase rindo. Era Miles quem estava lá. Dante observava e ria da porta — E você, ta rindo do que? Idiotas... Façam algo útil e liguem a tv pra mim.

–Senhora, sim senhora — disse Miles, antes de apertar minha nadega esquerda e sair correndo e rindo.

Não pude conter um risinho. Dante ainda me observava e sorria da porta. Ele era alto, tinha cabelos pretos, que caiam sobre lindos olhos castanho-claros. Devolvi um sorriso.

–Quer alguma ajuda? — perguntou ele, andando em minha direção.

–Sim, sim... Pega o mel alí em cima pra mim, por favor. Eu não alcanço.

–Tsc, baixinha.

–Calado. Sou mesmo.

Terminando de fazer minhas panquecas e meu leite com achocolatado, fui para a sala, coloquei meu café da manhã na mesinha de centro e me joguei no sofá menor, enquanto os garotos se estendiam no outro sofá.

–Eu cozinho muito, meu Deus. Experimentem isso — eu disse, estendendo o garfo com um pedaço de panqueca para os meninos.

–Hm, bom. — disse Miles.

–Realmente... Muito humilde você, viu — retrucou Dante.

–Obrigada.

Após terminar meu café, ficamos na sala mesmo até 15h, quando acaba CSI. Depois, peguei meu notebook, um cigarro de maconha e fui fazer meu trabalho de biologia. O irônico era que eu me enchia de drogas e queria fazer faculdade de medicina. Meus amigos me diziam que eu só faria isso pra ter drogas quando eu quisesse, mas eu realmente amava a medicina. Após ver minha mãe morrer na minha frente e não poder fazer nada, eu queria poder fazer algo para as pessoas.

Minhas notas na escola nunca foram muito boas e meu historico também não era dos melhores. Brigas com alunos e professores, diversos deveres sem fazer, aulas "matadas"... Eu não fazia a minima ideia de como passaria na faculdade de medicina, mas sabia que tinha bom senso o suficiente para compensar na faculdade o esforço que faltou no colégio.

Quando eu estava quase acabando uma parte de minha pesquisa o telefone tocou. Eu estava me levantando para ir atender, mas atenderam antes de mim. Voltei minha atenção para o notebook, quando Dante apareceu na porta do quarto com um semblante sério.

–É pra você.

–Quem é? — perguntei.

–Lauren. Sua madrasta.

–O que ela quer?

–Não sei, mas ela parece preocupada.

–Ok...

Peguei o telefone um pouco confusa. Porque Lauren me ligaria às 16h30 de uma terça feira? Ela mal me ligava normalmente...

–Alô? Lauren? — Eu disse.

–Liz, Lizzie, aconteceu algo ruim, preciso de você aqui.

Percebi que sua voz ao telefone estava trêmula e ela chorava.

–O que aconteceu? Você esta bem? — perguntei preocupada.

–Sim, sim, eu estou bem... Seu pai, ele estava voltando para casa — ela começou a chorar mais — e um carro perdeu o controle e foi para cima do carro dele...

Eu fiquei em silêncio. Não sabia o que responder.

–Ele esta no hospital, com ferimentos graves, respirando por máquinas — Lauren não parava de chorar e soluçar — eu voltei para casa para pegar uns documentos e te ligar. Já estou voltando para lá.

–Ok... Já chego lá...

Levei um tempo para processar as informações. Comecei a chorar e corri em busca dos garotos. Eles me receberam com um abraço e me perguntaram o que havia acontecido.

–Meu pai sofreu um acidente, está em coma. — respondi em meio às lagrimas.

–Ok, ok, eu levo a gente até o hospital — disse Miles.

Dante continuou abraçado comigo, enxugando minhas lágrimas, enquanto Miles pegava as chaves do carro.

Eu não podia acreditar que estava quase perdendo mais alguem importante. Eu não podia o perder.

Notas finais
Então... esse é só um começo. Sou meio iniciante, mas estou tentando fazer o melhor aqui. Espero que gostem ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.