O quarto apertado, feito de madeira, é iluminado por uma pequena janela quase junta ao teto. Bagunça de roupas sujas de óleo, ferramentas e livros por toda parte. Poucos móveis dentro (E não caberiam mais, mesmo se quisessem colocá-los): Uma velha escrivaninha de carvalho e sua cadeira, uma prateleira quase quebrando de tantas coisas e uma cama.

Talvez a maior surpresa seja que existe gente dentro desta bagunça: Alguém, incomodado com a luminosidade da manhã vinda pela janela, se mexe debaixo do cobertor. Seja quem for, coloca o travesseiro em cima da cabeça a fim de evitá-la – Coisa que se torna inútil, quando uma caixa de metal começa a rodar um holograma do pato Pluck, um personagem famoso de desenhos animados. “Hora de acordar! Hora de acordar! São 9 horas da manhã, em breve vai começar seu programa favorito da manhã: Pluck no espaço! Depois, não perca a abertura do grande festival anual!”, diz.

A “coisa” debaixo do cobertor se estica, despreguiçando-se, sem o retirar. Entretanto, ele cai sobre seu colo, assim que se levanta: A “coisa” se revelava uma garota humana. Os cabelos curtos e pretos, que chegavam até as orelhas, estavam completamente bagunçados. Seus olhos castanhos, vermelhos em volta. Seu rosto branquíssimo estava todo marcado com a textura do travesseiro e possivelmente alguns ácaros haviam irritado seu fino e delicado nariz, que estava também vermelho. Olhou para o despertador com olhos de fúria, e ele sentiu a ameaça: Desligou imediatamente. Virou suas pernas para a beirada da cama, sentando e colocando as mãos no rosto, enquanto bocejava. Demorou alguns segundos, mas tomando coragem, levantou-se.

Não se via nenhuma ameaça, naquela pequena garota de 1,56 metros. Aliás, muito pelo contrário: É o tipo de garota que os pais diriam para tomar cuidado ao andar tarde da noite, para que não fosse assaltada. Sua calça verde-musgo esfarrapada e cheia de bolsos, suja com manchas de óleo, não parecia ver água há dias. A mesma coisa para sua camisa regata branca: O que se evidencia, pelas várias manchas, que não foi uma boa opção de cor. Mas ela não se importava, afinal, aquela era ela fazendo o que gostava. A anos-luz de casa, mas finalmente conseguiria, naquela manhã, o que desejava desde criança.

Despreguiçou-se, fez alguns alongamentos e abriu a porta, já animada. Saiu pelo corredor, que parecia ainda mais surrado pelo tempo que sua roupa. Desceu as escadas de madeira, rangendo a cada passo. Deu de frente com a pia de pedra , na pequena cozinha. Foi até o armário, do outro lado, pegou um pão e depois fui até a geladeira, onde pegou um pedaço de presunto. Sem parar para comer na mesa, ou mesmo em casa, rasgou o pão e enfiou o presunto rapidamente, comendo tudo em questão de segundos. Pegou a jaqueta da mesma cor da calça, que estava na cadeira e jogou-a nas costas, quase tropeçando, tentando colocar as mangas, enquanto saía porta afora. Na mesma, o símbolo no ombro se destacava. Um triângulo invertido e amarelo, com os demais detalhes pretos: Um raio e as palavras Thunder Team.

Saiu correndo da casa para a rua suja feita de pedra. Aos arredores, todas as casas iguais: Feitas de madeira, todas velhas e algumas até mesmo algumas caindo aos pedaços. Pedintes nas ruas erguiam suas mãos para os passantes: Mulheres com seus filhos, carregando baldes de água ou roupas em suas cabeças. Homens levando caixas pesadas para ganhar algum dinheiro. Ao longo das ruas, mercadores com sua barracas vendendo produtos de todos os tipos. Mas hoje, especialmente, também estava cheio de pessoas conversando animadamente, apostadores e mercadores ambulantes. O movimento em plena 9 horas da manhã, geralmente, não era tão grande. Mas este era um dia especial: Era o primeiro dia do festival que duraria um mês, que acontece todos os anos: The Mecha Fight Festival. Robôs gigantes de luta, vindos de quase todos os planetas do sistema Gathz, vinham para o planeta Amura para lutar entre si.

A garota corria pelas ruas, evitando pessoas e vendedores, em direção a torre circular gigantesca que se destacava no meio de tantas casas: Medindo centenas de metros de altura e também algumas centenas de diâmetro, sua paredes metálicas reluziam, enquanto as grandes naves de carga entravam para descarregar seus fardos. Ela maravilhava-se, assim como todos os anos, ao ver todas essas gigantescas naves juntas. Mas ela não pode prestar atenção, pois já está mais do que atrasada.