Thunder Chronicles
22 Zodíaco
Observando àqueles garotos se enfrentando, Zulk percebia quanto talento havia em cada um, Samuel e Yara eram pontos fora da curva, lutavam com destreza e estratégia excepcionais, não faziam parte da média. Mas os outros quatro que vieram de outros Reinos para treinar em Pilastra surpreendiam pelo enorme potencial que possuíam, era nítido o quão forte cada um era e como ainda poderiam se desenvolver. Por melhor que fossem, novatos estarem lutando de igual para igual com aqueles dois era surpreendente.
—Ram, não subestime sua oponente, não importa se é homem ou mulher, deve enfrentá-la! -Zulk chamava atenção do rapaz, mesmo ela já tendo dificuldades apenas com Ravan.
—Já que está mandando. -Ram começou a andar na direção dos dois, após alguns passos parou, e ficou em posição de luta, com os joelhos flexionados e as palmas das mãos abertas. Ele movimentou seu braço direito, dobrando-o para trás, e depois, colocando ele para frente rapidamente, gerou uma onda de choque com a palma de sua mão que atingiu tudo a sua frente, Ravan se desviou e Yara criou uma barreira para tentar segurar.
—Salva de tiros! —Ravan gerava vários projéteis dos seus punhos com sua energia violeta, atirando-os em Yara, que aumentou sua barreira para se proteger mas não aguentou os dois por muito tempo, a barreira se desfez e ela foi atingida por vários golpes.
Zulk olhava preocupado, não queria precisar intervir, mas se as coisas continuassem indo por esse rumo, não atingiria seu objetivo de ajudá-los com a True Form. Enquanto isso, Samuel tentava se proteger dos golpes de Chalan, se defendendo, mas todos os acertos com seu bastão deixavam marcas em sua pele, assim como seus chutes, ele realmente estava machucando Samuel.
—Não vai fazer nada? -Samuel não era ágil como seu oponente e todos os golpes que tentava acertar ele não conseguia êxito. -Isso está muito sem graça!
Jinwei gerou um vendaval que jogou Samuel para o ar, Chalan pulou e encaixou seu bastão no estômago do governante de Pilastra, que tentava, com suas mãos, quebrar a sua arma. O rapaz loiro gerou impulso e lançou Samuel para o chão, a colisão criou um buraco raso na terra.
De repente uma aura mais forte se sobressaiu e todos acabaram sentindo, se surpreendendo com aquela sensação. Era Yara. Ela estava se levantando, machucada, mas tinha algo em seus olhos, tinha algo nela. Era possível sentir que não era a mesma pessoa, um poder imenso surgiu de um instante para o outro. O chão abaixo de Ravan e Ram começou a tremer e levantou, uma pressão enorme foi feita debaixo do solo e os dois não sabiam como reagir. Quando estavam no alto, algo os puxava para baixo, na direção de Yara, que acertou um soco no rosto de cada um, utilizando esferas de pressão em seus punhos para aumentar a força. Os dois arrastaram no chão por alguns metros e levaram terra junto.
—Incrível, com tão pouco treino ela já está com essa força, nunca vi evolução tão rápida assim. -Zulk ficou boquiaberto com aquela demonstração de sua aluna. Quando olhou para Samuel, ele estava agachado observando sua parceira, também estava surpreso assim como Jinwei e Chalan.
Ravan e Ram levantaram, estavam feridos mas ficavam em pé sem muito esforço, ficaram impressionados com a demonstração de Yara. Ela ficou inconsciente e Ram correu para segurá-la antes que ela caísse.
—Encerramos por aqui hoje. -Ordenou Zulk. -Amanhã voltamos. -Ele foi até Chalan. -Onde conseguiu esse bastão?
—É de um país onde morei, quando era pequeno eu era treinado por um homem que me deu esse bastão. Eu já treinava fazia pouco mais de um ano quando recebi este presente, e no dia seguinte, sem avisar, esse homem sumiu. Mesmo estando presente por pouco tempo ele me ajudou muito… Tenho um monstro dentro de mim e ele foi quem conseguiu me ensinar a mantê-lo sob controle.
—Quem era esse homem?
—Ele se chamava Ganya. -Zulk sentiu seu estômago se revirando quando ouviu aquele nome. Chalan se virou para ir ajudar Samuel e Ravan veio até o comandante.
—Nunca confiei nesse Ganya, não acredito que ele ajudou meu irmão. -Falava baixo para ninguém escutar. -Somos do país de Kirin, descobrimos nossa força desde cedo mas ao invés de nos ajudarem, todos nos extraditaram com medo do que está dentro de Chalan. Em torno dos nossos 13 anos, ficamos um tempo em Sabora, foi onde conhecemos ele.
—Tiveram algum contato com ele depois disso?
—Nenhum, provavelmente está morto, ou sozinho em alguma ilha abandonada. Ele era um cara estranho e para ter sumido do nada eu não vejo outra possibilidade.
—E o que é isto que dizem que está dentro dele?
—Chamamos de monstro, mas prefiro pensar como um segundo ser dentro dele, um ser que não pensa, só tem desejo por destruição e é extremamente forte e difícil de ser contido.
Jinwei mantinha Yara deitada em um disco de ar, Ram estava ao seu lado e Chalan conversava com Samuel.
—Está na hora, vamos voltar.
Mais uma coisa para se preocupar. Duas. Ganya e aquele tal monstro.
→
Muitas horas de sono pesado eram necessárias para uma rápida recuperação. Tatsuo dormia enquanto Damon concentrava sua energia, preparando-se para quando seu aluno acordasse para continuar o treinamento, mais pesado do que no dia anterior. Ele sabia que ficar ali por muito tempo era perigoso, na verdade, ficar muito tempo em qualquer lugar era perigoso, mas esse não era o seu plano, estava ali por um motivo: treinar Tatsuo, após isso, precisava seguir sua vida.
Damon é forte e corajoso, precisava ser para fazer o que ele fez, mas ser corajoso não impede alguém de sentir medo. Não podia ser encontrado, ainda mais naquela situação, estava sozinho e Tatsuo era um alvo vulnerável. Ser encontrado pelo Zodíaco era morte na certa.
—Está na hora.
Ele gerou uma torrente de água que jogou Tatsuo para cima, que acordou assustado, molhado e numa altura razoável.
—Mas o que está acontecendo?? -Quando percebeu já estava caindo, mas conseguiu se movimentar para cair com os pés e uma mão no chão para se apoiar. -Isso é jeito de acordar alguém?
—Precisa estar preparado para tudo. Vamos começar. Hoje será um pouco diferente, como ontem já conseguiu liberar seu poder, hoje deverá controlá-lo. -Damon criou uma bolha de água esticando seu braço direito. -Vou te colocar nessa bolha, você deve liberar todo seu poder e tentar domá-lo, enquanto isso, estarei aqui forte, contendo você, assim pode soltar tudo que tiver.
—Como vou liberar tudo sozinho?
—Apenas entre.
Tatsuo respirou fundo e entrou na bolha, era transparente mas ele não ouvia nada que vinha de fora, conseguia escutar apenas o barulho da parede da bolha se movendo, aquele som de água.
Depois de poucos segundos, começou a ter falta de ar, a pressão aumentou. Foi encostar na bolha e sentiu que a sua parede era rígida como concreto, não conseguiria sair dali, só se Damon quisesse. Ele percebeu que aquele poder só seria liberado quando ele estivesse passando por dificuldades, quando seu corpo estivesse próximo de não resistir, seria quando ele apareceria para proteger a si mesmo.
Ao perceber isso, acalmou-se e tentou se manter dentro da bolha, mesmo sem conseguir respirar direito. Quanto mais ficava, mais sentia algo querendo sair e se libertar. Num momento, aquele poder saiu e a aura amarela tomou conta de seu corpo aos poucos, formando uma camada sobre seu corpo, como se fosse uma armadura. A força era grande demais, mas Damon conseguia manter a bolha estável. Para ele, parecia que todas as necessidades fisiológicas de Tatsuo eram supridas com a presença daquele poder. O garoto deveria controlar o poder que estava guardado e adormecido dentro de si, ele precisava conter aquilo antes que tomasse conta dele mesmo. E aquela contenção que Damon criou precisava funcionar.
A energia era incrível, todo o poder de Damon estava sendo colocado ali para que a esfera não quebrasse.
O quanto, em tão pouco tempo, a vontade e determinação de Tatsuo conseguiu conquistar Damon foi inesperado, quem diria que o assassino, membro do Zodíaco, acabaria treinando aquele que está com o claro objetivo de acabar com a organização? Ter visto naquele menino, ele mesmo, foi a peça chave. Enxergar nele o que ele havia perdido há um tempo. A infância de Damon foi conturbada e conseguir poder era sua única saída, e ele conseguiu, conseguiu poder suficiente para fazer o que quisesse, mas acabou se juntando às pessoas erradas. Quando percebeu, já era tarde. A deserção deveria ser punida, ele estava sendo caçado e colocando seus novos companheiros em risco por conta de seus erros passados. Por isso deveria lidar com os problemas futuros, sozinho.
Ele concedeu mais energia à esfera, a imagem do dragão dourado era visível, ele não podia deixar aquilo sair e não podia ajudar Tatsuo, ele tem que conseguir sozinho.
→
O castelo estava fortemente guardado. Havia dois portões antes da porta do castelo, os portões eram vigiados por guardas com armaduras e lanças, extremamente habilidosos assim como vigias munidos de arco e flecha dos altos das torres. Entrar lá não seria fácil, mas tinha que ser feito.
Para o plano perfeito ser posto em ação, era preciso de um cuidasse da distração e o outro da invasão.
Isso seria bem fácil.
—Ei, você! -Um guarda com uma alabarda, uma armadura roxa com um brasão de água viva no peito se dirigiu à um homem de uns 20 anos, baixo, que estava com uma espada na sua cintura. -Esse é o perímetro do castelo, precisa circular fora dele!
—Ah… -Com uma cara de debochado, o rapaz continuou com seus olhos direcionados ao chão e andou mais alguns passos dentro do perímetro. -E aqui, ainda é sua área? -Os quatro guardas dali prepararam suas armas.
—Precisaremos te prender se não se afastar! -Neste momento, com a distração iniciada, o escorpião passou por trás dos guardas e escalou o portão, saindo do outro. O animal seguiu os muros internos para não ser percebido e se alocou no canto direito da parede do próximo portão, com os guardas tendo percebido sua presença. Dessa vez, eram oito e pareciam ser bem melhor treinados. De início, não se importaram com a presença daquele artrópode.
—Então, por favor, prendam-me. -O rapaz retirou sua espada com a bainha da cintura e as posicionou na vertical a sua frente, na altura de seus olhos. Os guardas correram para frente e o cercaram. -Dispersão. —Um nevoeiro denso surgiu e se alastrou rapidamente, até mesmo os guardas do segundo portão conseguiam ver por cima dos altos muros. Os vigias preparavam seus arcos mas a névoa impedia-os de ver seu alvo.
Alguns segundos depois, o portão foi quebrado, com pedaços de madeira sendo jogados para frente. Os guardas do segundo nível correram para frente enquanto a névoa ficava maior e mais densa rapidamente. Os arqueiros, na tentativa desesperada de ajudar, atiraram flechas para o meio do nevoeiro na esperança de acertar algo.
—Que mira horrível. -O samurai estava na torre de vigia da frente, atrás de um dos arqueiros, que começou a suar frio e gritou de medo, largando o arco no susto. Quando ele olhou para as outras torres do primeiro e segundo portão, viu que tinha um clone em cada uma. -Não se assuste, você deveria ser mais forte, considerando que estão protegendo a autoridade máxima daqui. -Os quatro arqueiros morreram ao mesmo tempo com a garganta cortada. A névoa agora cobriu as torres e os guardas que tinham avançado, os oito, estavam perdidos sem enxergar nada.
O escorpião passou pelo segundo muro e se dirigia à lateral do castelo para se infiltrar por algum canal de ventilação ou janela.
Os reforços foram acionados e muitos cavaleiros seguiam para os portões, liderados por dois homens que não possuíam armaduras, os dois guerreiros mais fortes da guarda.
Ao chegarem lá, precisaram abrir o segundo portão. A névoa diminuiu e foi possível ver como os corpos dos doze guardas estavam dilacerados, era horrível de ver, todo aquele sangue esparramado na grama.
—Quem é você? -Um dos líderes, um homem forte de cabelos loiros e vestindo uma camisa colada sem mangas, desceu do cavalo e tentava dialogar com o samurai a sua frente.
—Aiko, o torturador e Bako, o manipulador? Vocês dois são famosos, estudei um pouco sobre vocês antes de vir, afinal, seria idiotice vir sem conhecer meus inimigos.
—Então sabe que não vai escapar. -Aiko conjurou dois pedaços de metal com pontas, um para cada mão. -Não teremos misericórdia depois de ter assassinado nossos companheiros. Qual seu objetivo aqui?
—Irmão, tome cuidado. -Bako, o irmão mais novo de Aiko desceu do cavalo, ele tinha cabelos castanhos claros compridos e era mais magro que seu irmão. Ele agachou encostando seus pés e mãos no chão, como se preparasse para algo.
Aiko avançou em seu oponente, tentando golpear com as pequenas barras de metal em suas mãos, ele é muito habilidoso mas seus ataques eram defendidos pela espada do samurai, ainda dentro de sua bainha. Quando foi recuar, o samurai não conseguiu, seus pés estavam presos, ao olhar para baixo viu que Bako estava no chão, com apenas suas mãos para fora e segurando suas pernas.
—Habilidade de cavar como uma toupeira? Interessante. -O samurai abriu a boca e dela saiu novamente aquele nevoeiro, que se dispersou rapidamente. Após alguns segundos Bako percebeu que não estava segurando mais nada.
—Ele sumiu!
—Cuidado, soldados, fiquem atentos! -Aiko ordenou aos seus soldados que se protegessem de possíveis ataques surpresa.
Sem ser possível ver nenhum movimento, os soldados sentiam seus corpos sendo cortados e caíam no chão gritando de dor. Seus comandantes recuaram para eles mas não enxergavam nada e não podiam ajudar.
—Merda! Quem é você? Eu vou matar você! -A névoa sumiu, Aiko estava com muita raiva, mostrava os dentes para seu inimigo.
—Pode me chamar de Aquário.
—Zodíaco… -Bako ficou surpreso. -Não podemos vacilar, irmão.
Aiko juntou suas mãos, os pedaços de metal estavam flutuando à sua frente. Uma poderosa e pesada aura cinza circundou seu corpo, ele ia fazer algo grande.
—Castigo Divino! —Atrás dele diversas estacas de metal no mesmo formato das outras duas apareceram, dezenas delas. Aquilo incomodou o samurai um pouco, não parecia que ele conhecia aquela habilidade. -Você verá o que é sentir dor!
As estacas começaram a ir na sua direção e ele corria lateralmente tentando ser mais rápido que elas, mas precisava desviar algumas com sua espada. Quando percebeu, as estacas que ele desviava e as que atingiam o chão se redirecionavam novamente para ele, eram guiadas.
Enquanto corria, rochas surgiam do chão, lançadas para cima para impedir sua passagem, era preciso quebrá-las com a espada. Bako estava lançando-as do subsolo para atrapalhar sua movimentação. Ele conseguiu, uma estaca atingiu sua perna e outras duas atingiram suas costas, o derrubando. Muitas outras acertaram seu corpo posteriormente, as estacas sugam a energia vital, impedindo a vítima de usar seus poderes, apenas deixavam força suficiente para o coração bater e a respiração ocorrer. O samurai descobriu da onde veio a alcunha de Aiko.
—Isso é o que ganha por fazer o que fez com meus soldados.
—Que sorte que era um clone não é verdade? -O samurai estava distante dos irmãos, encostado no muro e com braços cruzados. -Se eu não tivesse criado o clone aquela hora que ele me segurou no chão eu estaria quase morto agora.
O clone que tinha sido atingido pelas estacas se transformou em um nevoeiro e sumiu.
—Minha parceira já deve estar terminando a missão dentro do castelo, tenho que me apressar com vocês. -Ele posicionou sua espada a sua frente, na altura dos seus olhos e retirou alguns centímetros dela da bainha. -Finalizar!
Quando ele inseriu de volta a espada inteira na bainha, um corte surgiu nas costas de Aiko, cortando-o na diagonal, do ombro até o quadril. Nem ele nem Bako entenderam o que aconteceu, foi como se ele tivesse se teletransportado até ali.
Logo em seguida, em um outro piscar de olhos, ele reapareceu na frente de Bako, perfurando seu estômago num movimento insanamente rápido. Era impossível de acompanhar.
—Que a alma de vocês seja respeitada. -O samurai reapareceu na posição em que estava inicialmente, com a espada a sua frente. Ele a encaixou na cintura, virou de costas e se dirigiu ao castelo, deixando todos aqueles cadáveres atrás dele.
Enquanto ele se ocupava do lado de fora, uma ruiva, alta, com uma beleza estonteante, vestindo roupas curtas, favorecendo todas as suas curvas, se ocupava da mesma maneira do lado de dentro. Ao seu redor haviam vários cadáveres, com marcas de golpes, cortes e alguns até mesmo corroídos, com a carne a mostra.
—Vai me dizer onde está o rei ou quer terminar como eles? -Ela perguntava a um homem, com um dedo em sua garganta.
—Rei Delkomt foi para o encontro da Tríade, apenas a rainha Sephora está no castelo.
—Ela serve. -O ponto onde ela estava tocando-o começou a corroer, espalhando aquilo para o resto de seu corpo. O homem gemia de dor.
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