Thunder Chronicles
18 Vitória a que custo?
Não viam como podiam naquelas condições. Não tinha o que fazer contra aquele vento e aquele frio. Não sabiam o que os aguardava fora daquela cúpula e justamente por isso precisavam se manter cautelosos.
Após mais alguns minutos, o vento parou, ao ver do lado de fora, a neve também parou de cair, de um momento pro outro. Ficaram ali dentro por mais um tempo, não avistaram nenhuma sombra, nenhuma pessoa, então Damon desfez a cúpula e eles ficaram de pé.
—Que merda foi essa? -Perguntou Viryna. -Precisamos sair daqui logo.
—Estamos sem barco, mas eu dou um jeito… -Damon se virou e começou a andar, mas percebeu que os dois não o seguiram. -Ei, vocês… -Ao se virar novamente, viu que seus amigos olhavam fixamente para uma pessoa que caminhava lá longe em direção à eles. -Precisaremos lutar então.
Em um piscar de olhos aquele homem sumiu da visão deles, reaparecendo atrás de Damon.
—Eles não precisarão se você colaborar. -O ex Zodíaco se virou. O homem sorria para ele. -Damon, só preciso que me responda uma pergunta…
—Vai a merda! -Ele criou sua espada e perfurou o homem na barriga.
—Não seja tão estúpido, isso não vai me afetar.
A espada parecia ter perfurado-o, mas não, era como se tivesse atravessado uma fenda no espaço e o corpo dele estivesse no meio dela. O homem usava um casaco branco de frio com pelo apenas na gola, uma calça preta e sapato comum. Seus cabelos eram preto azulado e curtos, seus olhos castanhos.
—Quem é você? -Perguntou Damon.
—Seu pior pesadelo.
Ele, com sua mão direita, pegou no pescoço de Damon e o levantou, sufocando-o. A espada se desfez. Damon começou a emitir sons de dor, neve começou a cobrir seu corpo a partir de seu pescoço e o frio queimava seu corpo. Viryna e Chao tiveram que agir. Ele lançou algumas agulhas mas tudo atravessou aquele homem, Chao foi tentar golpeá-lo mas Damon disse para ela parar.
—O que você quer? -Perguntou Damon, com dificuldade.
—Onde o Zodíaco se esconde?
—Posso ter saído de lá, mas não vou revelar essa informação.
O homem levantou seu braço esquerdo que ficou branco, se transformando em neve, onde deveria ser seu punho, se dividiu em três tentáculos e atacou Viryna, o enrolando e apertando.
—Me solta! -Ele tentava resistir mas era inútil, qualquer força que fazia era fraca em comparação à daquele homem.
—A próxima é aquela mulher, responda-me agora.
—Não vou responder!
Ele apertou mais forte, o corpo de Viryna não aguentou. Foi horrível, seus olhos pularam para fora, ele vomitou sangue, suas pernas implodiram. Ele morreu.
—Vi...Viryna...Viryna! -Damon cada vez mais se congelava, mas só se preocupava com seu companheiro agora. -Viryna! -A energia liberada foi grande para que o homem pulasse para trás e Damon se livrasse de ser congelado.
Chao se ajoelhou, não acreditou em seus olhos, nada do que pudesse fazer o traria de volta, ela começou a chorar. Damon olhou para ela e para o que sobrou do corpo de Viryna. Ele cerrou os dentes, os punhos e gritou. A fúria era a maior que ele já tinha sentido. Ele se culpava por aquilo. Talvez, realmente, ter respondido a pergunta teria sido mais fácil. Em volta de seu corpo surgiu uma aura feita de água no formato de uma serpente gigante, o homem olhava aquilo e não esboçava preocupação nenhuma.
—Eu vou matá-lo!
Damon avançou para cima de seu oponente, a serpente foi dar o primeiro golpe, o homem desviou. O segundo, foi o soco de Damon direcionado no rosto do adversário, que conseguiu defender com a palma de sua mão, mas o impacto o lançou longe. Ele não caiu, deslizou pelo chão. Era possível ouvir o mar ficando mais intenso, a maré subia rapidamente, invadindo o litoral da ilha.
—Torrente!
Uma corrente de água surgiu debaixo do chão onde aquele homem estava em cima. Algo como um gêiser o empurrou para cima e fez alguns arranhões e cortes em sua roupa. Quando ele estava no ar, Damon fez a serpente avançar para devorá-lo, e ela o fez, o homem não desviou, apenas foi engolido por aquele monstro líquido. Chao apenas observava, não tinha nada que pudesse fazer, ela chorava tentando fazer algo com Viryna, mas não era possível.
—Desista, garota, não tem o que fazer, sabe disso. -Ao olhar para o seu lado, o homem que acabara de ser devorado pela serpente estava ali, sem machucado algum. Ele abriu sua mão direita e a direcionou para ela.
—Chao! Não! -Damon viu a tempo e correu, perfurando seu pescoço e arrancando sua cabeça. -Como ele apareceu aqui?
—É porque não estou sozinho! -Novamente ali estava ele, atrás de Damon. -Eu controlo a neve, mas meu companheiro está aqui me auxiliando… Sabe, Damon, você pode só responder minha pergunta e deixarei você ir, uma baixa já não é o bastante para você aprender?
Pela primeira vez na vida, Damon se sentia impotente. Ele percebeu que não poderia vencer aquela luta… Ele deveria desistir? A serpente se desfez.
—Monte Ilya. -Disse. O homem riu.
—Ótimo, foi difícil? -Ele colocou as mãos no bolso e se virou. -Vá até onde deixou seu barco, ele vai estar lá, inteiro… Assim como seu amigo. -Após três segundos ele desapareceu novamente.
—O que foi isso? -Perguntou Chao, Damon nem respondeu, apenas correu para o barco. Ela logo atrás.
Chegando na costa…
—Chao, Damon, onde vocês estavam? Vamos logo para Pilastra! -Viryna estava lá, bem vivo. Os dois pararam tentando entender, Chao apenas subiu no barco, Damon ficou mais um pouco até subir.
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—Conseguimos, Crow. -Disse o homem enquanto assistia aos três deixarem a ilha. -Agora só precisamos pegar o Touro.
—Sim, Sartori.
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Samuel pensou no que fazer, lutar contra alguém intangível talvez fosse impossível. Ela novamente criou aquele disco roxo em sua mão e o lançou no governante de Pilastra, mas conseguiu se esquivar para longe. Ele correu e tentou golpeá-la várias vezes, mas ela nem precisou se mover, continuou parada e nenhum golpe a acertava. Em sua mão surgiam esferas roxas que ela jogava no seu oponente, mas ele era rápido o suficiente para desviar de todas. Mesmo não surtindo efeito, era melhor não subestimar.
Samuel precisava pensar em algo para vencer sua adversária, lutar contra alguém com tal habilidade seria mais do que complicado, esperava que o poder de Tatsuo pudesse fazer algo, mas ele estava ocupado com o outro invasor. Tilit estava usando a sua arma, tentando acertar os três, em um dos golpes, Tatsuo resolveu agarrar a arma, ele conseguiu, arrastou um pouco e os espinhos o feriram.
—Vou te rasgar todo!
Tilit puxou a arma, passando o gancho no peito do garoto, ferindo-o. Tatsuo levou suas mãos ao peito, que escorria muito sangue. Zulk, ao ver aquela cena, correu para cima de seu adversário, furioso e com sua espada na mão, tentou acertá-la em Tilit, mas ele era ágil, defendeu todos os golpes com sua arma. Zulk ao tentar três vezes, pulou para trás e lançou rajadas de sua espada, Tilit desviou algumas mas outras o acertaram, cortando seus ombros, barriga e pescoço, essas áreas ficaram com cortes muito profundos, mas isso não o afetava em nada, era como se não sentisse dor alguma. Yara criou bolhas de pressão e jogava naquele monstro, as explosões eram tão intensas que seu braço esquerdo foi solto de seu corpo.
—Vadia! -Ele correu na direção de Yara para acertá-la, Tatsuo entrou no caminho e encostou sua mão nele, criando uma onda de eletricidade muito potente, fritando Tilit.
—Levanta agora, idiota. -O invasor caiu no chão. -Vamos ajudar Samuel! -Quando foi correr não conseguiu, Tilit segurou sua perna.
—Garoto estúpido. -Ele tentava se levantar. -Acha que vai me matar só com isso? -Pela perna, jogou Tatsuo para o alto e pegou sua arma.
—Tatsuo! -Zulk correu para tentar ajudar, chegou em Tilit e usou sua espada para cortar seu quadril da esquerda a direita, mas antes de seu corpo despencar, Tilit acertou um golpe em cheio no rosto do filho de Dakko, que estava caindo. Tatsuo foi lançado para longe, rolou no chão até acertar a parede de uma construção, quebrando-a. Ele estava claramente inconsciente.
—Yara, eu cuido dele, vá ajudar Samuel. -Zulk disse isso e correu até onde seu aprendiz estava. -Tatsuo, garoto, você está bem? -Ao virar seu corpo, viu que seu rosto havia sido deformado e estava ensanguentado, era possível ver seu crânio de tão profundo e forte que o golpe tinha sido. -Não… Vou te levar ao médico. -Zulk pegou Tatsuo nos braços e corria para levá-lo ao hospital. -Samuel é nosso governante, mas você é mais importante agora.
—Turbulência!—Yara criou uma corrente de pressão espessa, que tinha origem em suas mãos e ia até a mulher. L’anger foi atingida por uma parte da corrente, e surtiu efeito, era como se sua intangibilidade tivesse falhado.
—Não.. -Disse.
—É com você então, Yara. -Disse Samuel, que correu para sua amiga, para não ser pego no próximo ataque. -Dê tudo que tem!
—Turbulência Intensa!—A corrente foi tão poderosa que levou parte do chão junto, L’anger tentou se esquivar, ela correu mas não adiantou, foi pega no golpe e a pressão implodiu seu corpo.
—Boa, Yara! -Ele a abraçou. -Muito bem! -Ele sorriu, mas quando olhou para Tilit no chão lembrou de Tatsuo, virou seu rosto para onde ele havia sido jogado e não o viu, ficando preocupado. Ao se aproximar, Tilit disse algo.
—Vocês tem sorte de eu não conseguir juntar meu corpo sem costurar, senão eu teria matado mais de um. -Samuel olhou para ele. -Quando a Associação chegar, acha que será fácil desse jeito? -O governante pisou na cabeça de Tilit, explodindo-a.
—Vá para o hospital ver Tatsuo, ficarei aqui para coordenar a organização dessa bagunça. -Yara obedeceu.
Os profissionais correram para atender Tatsuo, não podiam deixar ele e Zulk esperando, rapidamente colocaram ele numa maca, fizeram um curativo rápido e o levaram para a sala de cirurgia, Zulk sentou numa cadeira em uma sala para esperar. Depois de alguns minutos Yara chegou e sentou de seu lado.
Os trabalhadores do reino estavam tirando os destroços e cuidando do que ia precisar para reconstruir o que foi destruído, Samuel acompanhava tudo e ainda ajudava. O novo governante tinha adquirido o respeito de todo o povo de Pilastra, era empático com tudo que passavam.
Horas se passaram e tudo que podia ser arrumado onde a luta aconteceu foi arrumado, era o momento que Samuel precisava ir para seu escritório resolver outras questões. Ele se perguntou se deveria ir ver Tatsuo, mas para um governante, o bem estar de seu reino é essencial e, de longe, a sua prioridade.
O primeiro médico saiu da sala e foi até Zulk e Yara para dar as notícias.
—Conseguimos fazer com que ele viva… Mas seu rosto vai ficar deformado, a reconstrução é impossível. -Zulk se levantou e abraçou o médico, Yara começou a chorar.
—Obrigado por fazê-lo viver.
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Todos eles se reuniam novamente. Todos os cinco membros da Associação da Morte. Logo que todos seus subordinados falharam, as suas energias sumiram, por isso conseguiam notar tão rápido que todos que mandaram foram inúteis.
—Tilit, L’anger, Synz e Sado, todos derrotados e por incrível que pareça, Sado foi derrotado em Âmbar e nem foi pela pessoa que ajudou a derrotar Jerax, foi um soldado menor. Inacreditável. -Disse o líder. -Nós teremos que ir resolver isso, mas não vamos todos de uma vez… Melhor perguntar antes, posso confiar em vocês? -Todos concordaram, lógico.
—Deixe-me ir, mestre, posso matá-los rapidamente, todos de uma vez. -O homem sem lábios se ajoelhou pedindo para ser o primeiro a lutar contra Tatsuo e os outros. -Não sou como os que falharam.
—Gero, se você não voltar com pelo menos uma cabeça, eu farei questão de arrancar a sua eu mesmo. Shura! -Ele chamou o que usava roupas de bárbaro. -Arrume tudo para que Gero parta logo, por pior que os outros tenham ido, algum dano eles causaram, então não vamos deixá-los se recuperarem.
Gero agradeceu e saiu daquele lugar escuro com Shura.
—Mestre, acha mesmo que só Gero é suficiente? -Disse a moça.
—Mituzaki, não confiaria em nenhum de vocês para irem sozinhos, nós vamos todos, ele apenas agirá primeiro.
—Acha mesmo que essas pessoas são tão poderosas? -Perguntou ela.
—Por mais fortes que sejam, a morte chega para qualquer um, minha cara.
→
Ainda estava longe, mas já era possível enxergar. Viryna, Chao e Damon estavam próximos de Pilastra. Várias horas já tinham se passado, mas finalmente estavam chegando, agora ele precisava pensar em como fazer todos acreditarem que ele estava lá para fazer o bem?
Tatsuo acordou, como sempre sua recuperação foi rápida. Zulk e Yara não tinham deixado seu lado por nem um minuto.
—Eu estou vivo? -Perguntou. Ainda estava meio grogue.
—Está! -Ela deitou em seu peito, feliz pelo seu amigo estar vivo e bem. Ele foi levar a mão ao rosto e viu que algo estava estranho.
—Meu rosto… Bom, antes isso do que algo pior. -Ele sorriu. -Quero voltar a treinar.
—Você está doente? -Zulk ficou nervoso. -Vai descansar e não vai sair daí por um bom tempo, rapaz. O ferimento foi feio, seu crânio quebrou em pedaços do lado direito e sua visão desse lado pode estar comprometida. Sem esforço até ser liberado.
—Mas que merda, acha que alguém vai esperar eu ficar bem para atacar?
—E de que vai adiantar se lutar sem estar bem? -Tatsuo ficou quieto. Um guarda do hospital entrou no quarto batendo a porta, assustando os três.
—O Zodíaco chegou no reino!
Zulk saiu correndo, Yara antes de sair criou um campo de pressão para impedir Tatsuo de sair da cama se tentasse. Ele gritou e tentou sair mas não conseguiu, quando viu que sua cabeça começou a pingar sangue pelo esforço, desistiu e ficou lá, muito bravo por não poder fazer nada.
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