Thunder Chronicles
14 Velhos amigos e novos conflitos
Viryna e Damon agora sentavam um de cara para o outro, um em cada cadeira, Damon um pouco preocupado, estava receoso de continuar ali, já seu novo companheiro estava totalmente calmo. A moça estava sentada no pequeno sofá de dois lugares, olhando os dois, pensando no que falar para não causar problemas.
–Uma vez… -Damon suspirou, colocou a mão na cabeça e começou a contar algo que aconteceu há um tempo. -Eu devia ter uns 12 anos, morava em um grande e próspero Reino, o Elíseo, nesse dia o nosso governante estava recebendo um velho amigo dele, logo que vi aquele cara, percebi que ele era um monstro, aquele rosto com um sorriso sádico.. Enfim, minha mãe e irmã trabalhavam na mansão do governante, e dessa vez eu estava lá também, eles precisavam de ajuda para servir e limpar, eram muitos filhos da puta que vieram com aquele cara…
–Isso por acaso foi quando ocorreu a…
–Carnificina Real. -Disseram, Damon e Viryna, ao mesmo tempo. -Continuando, minha mãe deve ter esquecido de trazer um guardanapo ao nosso visitante após o banquete, e, na frente de todos, quando ela chegou perto dele, ele acertou um tapa no seu rosto que a derrubou… Minha irmã não soube o que fazer, ela ficou estática, ele continuou acertando ela, foi quando eu fui até o governante, o cutuquei e disse “ajuda minha mãe”... -Viryna se levantou, passando a mão no rosto e cabelo, ficou de costas para Damon, se virou de novo e cruzou os braços, prestando atenção no que ele falava, só que agora de pé. -Ele respondeu, “Não se meta nos nossos assuntos, erros devem ser seguidos de punição.”, eu comecei a chorar, não acreditei naquilo, eu entrei na frente daquele homem e disse “vou protegê-la, só vai encostar nela se me matar!”, bom, ele me bateu, muito, forte… Eu achei que ia morrer. Nesse momento, ele disse para um de seus amigos levar minha mãe para seu quarto, que ele ia dar uma certa lição nela depois, foi quando a pegaram a força, já eu, continuei lá, apanhando, sem ninguém levantar um dedo para me ajudar.
–Não foi o rei, certo? -Perguntou Viryna, mas Damon continuou contando, sem responder.
–Eu não parava de chorar, mas uma hora, a raiva tomou conta de tudo, ela sobrepôs a tristeza, eu soltei um grito, tão alto que ele até parou de me espancar, eu já estava todo machucado, sangrando… Eu segurei a perna dele e levantei, percebi que ele e os outros me olhavam com medo, como se tivessem visto um fantasma, até o rei se levantou e foi tentar me acalmar, mas eu gritei de novo, e só vi uma concentração de água em volta da minha mão, eu nessa hora me imaginei matando todos ali, eu me tornei outra pessoa naquele momento… Fruto de minha imaginação fértil, a água se moldou numa espada, que eu rapidamente usei para cortar todos ali, apenas o rei e seu amigo eu deixei vivos, com um corte no pescoço de cada um, matei todos ali. Mas eu não estava satisfeito, eu estripei o amigo do governante antes de cortar sua cabeça fora, foi quando eu disse ao rei “Quando eu terminar, você vai admitir para todo o Reino que você fez isso”, ele no começo disse que não, mas acabou concordando. Eu então subi, matando todos, fossem aliados ou não, até chegar na minha mãe, quando a vi, estava… -Ele começou a chorar, levantou da cadeira e a chutou longe assustando os outros. -Ela estava nua, estavam usando ela, os guardas, e ela estava gostando… Eu não vi isso na hora, matei todos e quando fui tirá-la de lá, ela me deu um tapa, e disse para nunca mais me meter no negócio dos adultos.
–Damon… Isso…
–Eu a matei… Enfiei a espada onde… -Ele engasgou. -Onde ela queria que enfiassem! Quando eu desci novamente, vi o corpo de minha irmã, o rei tinha fugido, mas não sem se vingar, né? Ele matou minha irmã. Por isso tudo me identifiquei com aquele garoto. -Os dois o olharam. -Eu estava lá, em Âmbar, aquele rapaz… ele… É o filho de Dakko, ele derrotou Jerax, eu me surpreendi, mas quando vi o que ele era, precisava matá-lo, afinal, era o que podia parar o Zodíaco, mas então, ele, sem forças, ficou na frente de suas amigas e disse “para ferí-las, terá que me matar”... E ele me lembrou de mim mesmo, logo antes de perder a cabeça, protegendo alguém que o trairia sem nem pensar duas vezes.
–Talvez, as amigas dele fossem de verdade.
–Ele me lembrou de mim, essa é a questão. Ele, por um momento, me lembrou de não ser essa máquina de matar, me lembrou de quando eu era criança, de meus ideais, meus sonhos, ele precisa de alguém para guiá-lo e não se tornar o que eu me tornei, e sou eu que preciso fazer isso, eu vou ajudá-lo.
–Isso significa trair o Zodíaco. -Disse a moça.
–Eu já fiz muita merda, mas não preciso continuar fazendo… Está na hora de deixar de ser Aquário e voltar a ser o Damon.
–Incrível como um encontro de 10 minutos com um garoto o fez mudar tanto assim, mas isso que está sentindo, é o que deve seguir. Eu… Estou vivo, mesmo após ter morrido, percebe o quão louco é isso? Eu recebi uma segunda chance, e estou fazendo de tudo para aproveitar isso. -Viryna se aproximou de Damon e colocou a mão em seu ombro. -Teve sorte de vir até aqui, você não está sozinho. -Ele o abraçou. Ah, e eu esqueci de apresentá-los, Damon, essa é Chao.
O ex-Zodíaco apertou a mão da moça, sorrindo, algo que ele não fazia há anos. De repente, ele pensou em algo que poderia ser extremamente importante.
–Chao, seu poder é ressuscitar pessoas? Meu palpite é que seja um poder do tipo físico?
–Isso mesmo. -Ela sorriu. -Posso curar, na verdade, meu poder de ressuscitar é limitado, posso reviver a pessoa apenas uma vez.
–Viryna, Chao, seria muito eu pedir a vocês que se juntassem a mim? -Os dois se entreolharam, depois voltaram os olhares para Damon. -Aquele moleque precisa de todo o apoio que conseguir contra o Zodíaco, ele é especial, não pode morrer, nós precisamos protegê-lo.
Em um lugar na mesma ilha…
Algo acaba de colidir com a ilha, alguma coisa caiu do céu. Foi o que as pessoas ali viram, uma cratera se abriu, mas após alguns segundos, viram uma figura humanóide, com uma roupa toda preta, parecida com uma túnica, um capuz e uma máscara que mostravam dentes em forma de sorriso e olhos negros.
–Pelas coordenadas que ela me passou, esse é o último lugar da região que ele pode estar. -Ele parecia estar alegre. -O que eu não faço por essa Associação, não é mesmo?
→
Em questão de horas, Yara, Tatsuo e os outros chegaram no Reino de Pilastra, a garota havia usado suas bolhas de pressão para empurrar o navio mais rápido. Ao descerem, Tatsuo correu para o diretório, onde o governante ficava, os soldados juntos com Mardak desceram devagar, organizados, eles iriam voltar para o Centro de Treinamento. Yara correu atrás de seu amigo.
Tatsuo chegou rápido, chutando portas sem dó, ao chegar na sala principal, deu de cara com Samuel, Zulk, Silas, e outros oficiais do governo. Zulk, ao vê-lo, foi até ele, perguntando se estava tudo bem, demonstrando sua preocupação, mas o garoto não ligou. Yara chegou em seguida.
–O que aconteceu? Contem tudo! Eu já sei que sou o filho de Dakko, então se precisarem falar algo relacionado a isso, falem. -Eles olharam para Yara.
–Não fui que contei… Mais ou menos.
–Tatsuo… -Começou Zulk. -Ganya era um membro do Zodíaco, ele tem poder de roubar a consciência de quem ele mata e colocar em clones dele mesmo, bom, ele matou Dina, havia matado o antigo comandante do exército, Haelius, e colocou suas consciências em clones. -Os dois ouviam com atenção, Samuel apenas observava sua reação. -Yoropac era o único que percebeu que aquelas pessoas não tinham mais salvação, ele atacou Ganya, e por isso, Ganya matou o clone que tinha Dina, fazendo a raiva de Yamamoto crescer a ponto de ele ter matado Yoropac.
–Não… Como… Ele não faria isso! -Lágrimas começaram a escorrer dos olhos dele.
–Quando aquilo toma conta dele, ele não se controla.
–Hmph. -Samuel se irritou por Tatsuo começar a chorar.
–O outro clone fugiu para o porto, e matou dezenas de civis que estávamos protegendo, roubando suas mentes… Eu fiquei estático, mas Samuel agiu, ele o matou, e por isso é o novo governante, o povo escolheu. -Zulk torceu a boca. -As mentes das pessoas está incomodando Yamamoto de uma tal forma que ele não aguentará a pressão de ficar aqui, ele irá achar um jeito de se livrar disso e voltar.
–Que merda! -Tatsuo não parava de chorar, e todos ali compartilhavam de seu sentimento, menos Samuel.
–Relatórios da missão, Tatsuo.
–Tudo correu b… -Yara foi falar, mas Tatsuo a interrompeu.
–Numa hora dessas você quer saber de relatório? -O garoto o olhou, com raiva, deu um passo a frente. Zulk ficou atento. -Tenha uma pouco de compaixão pelo homem que podia ter perdido a vida ontem.
–Eu estou triste por Yamamoto, ams agora eu tenho a responsabilidade de governar isso aqui, a pressão sobre mim não é pouca, Tatsuo.
–Seu… -Tatsuo investiu numa velocidade impressionante contra Samuel, mas algo que ele não esperava, aconteceu, ao se aproximar, Samuel foi mais rápido, e encostou a mão direita no pescoço de Tatsuo, envolvendo-o. Ele havia sido tão rápido e sem mover nenhum músculo do corpo a não ser os do braço. Zulk interviu, colocou a mão no ombro de Tatsuo.
–Parem, vocês dois! -Tatsuo suou frio, nunca havia sentido aquilo que acabara de sentir. Samuel era diferente de qualquer outra pessoa.
–Vá descansar. -Ele tirou a mão. -Teve dias duros, deixe-me fazer meu trabalho e vá fazer o seu.
–Você que manda, governante.
→
Todas as setas vetoriais que iam em direção a Hyora eram repelidas por várias esferas transparentes que entravam na frente deles. Aquele era um poder estranho, Áries era capaz de criar formas geométricas ocas e manipular sua densidade e propriedades físico-químicas. Ele havia criado aquelas esferas com o intuito de repelir e refletir as forças aplicadas pelos vetores de Garo, assim havia tirado a absorção de impacto daqueles objetos.
–Aprimorou muito suas habilidades. -Disse o profeta. -Mas ainda não pode me vencer! -Levantou suas mãos, várias setas se juntaram em um ponto. Ele colocou as mãos para frente, a seta gigante foi em direção a seu oponente. Seus objetos não poderiam defendê-lo agora, ele se esquivou pulando para o lado. A seta atingiu o chão e percorreu mais um espaço, fazendo um estrago, cortando o chão.
Aplicando uma força para baixo, Garo rapidamente deu um pulo alto, indo parar em cima de Hyora, que pulou para trás para não ser esmagado, o profeta avançou e tentou acertar socos e chutes, misturando com algumas setas entre os golpes. Áries defendeu a maioria dos golpes e se esquivou das setas, mas uma delas corou sua coxa do lado esquerdo.
–Merda, vai doer um pouco pra andar. -Disse.
–Ótimo! -Garo estendeu a mão, com a palma para frente. -Não vou pegar leve para você, o Zodíaco inteiro é uma doença, e você é o necrosa a sociedade. -Por menos de um segundo, sumiu todo o som, então, um impacto foi ouvido, na mão de Garo se concentrou toda a força gravitacional daquele ponto e liberado em Hyora.
A repulsão gerada por Garo se estendeu por todo o corpo de seu oponente, dando a impressão de que seus ossos tinham sido esmigalhados, ele foi jogando para longe, rolando no chão de pedra até atingir uma árvore grande, cujo tronco quebrou no impacto.
–Posso fazer algo muito mais forte que isso, Hyora, aceite sua derrota. -Longe, ele via Áries se levantar, sem muitos arranhões. -Isso eu admiro em você, sua força de vontade.
–Garo, não sei porque aquele Crow deixou vocês viverem, mas receio que não sou tão piedoso. Vim aqui com a missão de destruir Lambertia, mas sabiam da possibilidade grande de um de vocês terem vindo, então me mandaram junto com a Câncer. Ah, falando nisso… Yoropac já está morto.
Garo engoliu seco.
–Quem fez isso? -Hyora abriu um leve sorriso.
–Yamamoto Dokyu.
–Ele foi manipulado, de alguma maneira, ele não faria isso! -Ele ficou nervoso.
–Eu espero… -Ele foi tão rápido que praticamente se teletransportou para a frente de Garo. -Gosto quando fica nervoso e se desconcentra.
Hyora, com um peteleco, lançou uma esfera minúscula na barriga de Garo, que foi atravessada. Depois suas costas. Seu peito. Sua perna. Tudo muito rápido. O profeta começou a sangrar por todos esses ferimentos e pela boca.
–Porque você se desconcentra. Eu sou seu adversário, preste atenção em mim.
Garo se ajoelhou e apoiou as mãos no chão enquanto sangrava, tentando recuperar o fôlego. Hyora se aproximou, mas logo que deu um passo, sentiu uma aura intensa, densa, e logo desfez esse passo. Algo estava acontecendo com Garo, os ferimentos estavam se curando e ele logo se levantou.
Várias setas saíram das costas do profeta e fizeram a forma de uma asa, fazendo ele levitar no ar, indo cada vez mais alto.
–Não sou alguém com quem pode brincar, Hyora. -Ele estendeu os braços para os lados, na sua mão direita se concentrou energia elétrica, e na outra uma energia transparente, que distorcia o ar. -Eu não controlo apenas setas, qualquer força pode ser manipulada! -Ele apontou a palma de suas mãos para Hyora. -Veja o poder da eletricidade e do magnetismo!
Uma descarga elétrica gigantesca foi liberada, Áries não teve tempo de se defender, ele tinha levado um choque que uma pessoa normal com certeza não resistiria. Logo em seguida, a força magnética puxou o corpo eletrizado dele para perto de Garo.
–Eu te ensinei praticamente tudo que você sabe, para você trair tudo e se afiliar ao mal… Você me enoja, me faz pensar se fiz meu trabalho tão ruim assim. -Uma lágrima tímida caiu do olho direito do profeta. -Isso me deixa triste, mas eu preciso te matar, Hyora. -Uma seta da testa de Garo se materializou e perfurou o coração do membro do Zodíaco, que caiu do chão daquela altura de uns oito metros e o sangue começou a se espalhar no chão.
Garo também desceu, desfez suas asas e suspirou. Não era o que ele queria fazer, mas o que deveria ter feito. Ele se virou de costas, olhou o centro e viu que a destruição tinha cessado, Getus devia estar lutando com Câncer agora e ele devia ir ajudar. Quando ele foi se impulsionar para pular, ele sentiu uma aura negra e poderosa, deixando ele paralisado. Quando olhou para trás, viu Hyora, em pé, a ferida no seu peito estava diminuindo até cicatrizar completamente, quando ele levantou a cabeça e olhou para seu ex-mestre, foi possível ver seus dentes que tinham se transformado nos de uma fera, pontiagudos, seus olhos totalmente pretos, aquilo fez Garo sentir uma insegurança.
–Grrrr!! -Hyora rosnava. As pedras do chão levitavam em volta dele devido a grande energia, como se a gravidade não existisse. Seus cabelos ficaram brancos e começaram a crescer, assim como seu corpo todo, tomando a forma de uma fera de cinco metros, azulada, musculosa, com dentes afiados. Seus chifres haviam ficado ainda maiores. -Não vá embora, Garo, vamos brincar mais um pouco. -Aquela voz demoníaca dava calafrios no profeta.
→
Uma mulher baixa, de médio porte, cabelos curtos, um pouco mais longos que os de um homem, aquela era Câncer. Apenas com a força de sua mão ela quebrava prédios inteiros, seu grip era extremamente poderoso, era capaz esmagar o pescoço de alguém como se fossem uma mosca.
Getus chegou até ela e ficou em choque, não sabia se deveria realmente fazer algo, se tinha chances ou não. Mas achou que deveria.
–Pare agora o que está fazendo se quiser sair ilesa! -Gritou. Ela olhou para ele, os civis ali começaram a sorrir, com a esperança de salvação agora que seu rei tinha chego. Era possível ver sangue espalhado por todo lugar, devido as pessoas que ela matou ou que os prédios esmagaram. -Não quero lutar com você.
–É claro que não, você está morrendo de medo! -Ela gargalhou, com uma voz de uma menina inocente. ela se abaixou e fincou seus dedos no chão de pedra, fazendo um pouco de força ela o levantou e o jogou em Getus. A pedra do chão que ela lançou era grande, e estava matando vários até chegar no rei, que teve de fazer alguma coisa.
Getus gritou, superando seu medo, ele pisou no chão, criando uma barreira de rochas, que ao colidir com o que Câncer lançou, ficou intacta e quebrou o grande projétil.
–Manipulação da Terra, tipo abstrato, muito bom. -Disse ela.
Câncer correu, por cima da barreira, ela pulou e caiu no chão onde Getus estava, quebrando o chão inteiro com seus punhos, ele se esquivou a tempo. O governante de Lambertia fez os destroços das construções gerarem uma barreira em volta deles, protegendo todos os civis que estivessem fora dela de tudo que acontecesse lá dentro.
–Que pena, agora nem fugir vai conseguir.
–Eu não preciso! -Ele lançava pedregulho nela, que quebrava todos com seus punhos. -Não vai machucar meu povo! -Os destroços dos pedregulhos adquiriram pontas afiadíssimas, e voltaram na direção dela, pelas costas.
–Vai ter que se esforçar mais que isso! -De suas costas surgiram vários braços de caranguejos, com garras, eles defenderam-na de todos os projéteis, deixando Getus boquiaberto. -O que eu vejo é alguém com um poder devastador, mas que nunca treinou pois tem medo, você não consegue controlar seu poder… Sorte minha, não?
Fale com o autor