Thunder Chronicles
12 Renúncia! Surgimento! Redenção?
Notas iniciais
Ganya respirou fundo.
–Ah.. Quantas consciências de civis eu acabei de conseguir! -Yamamoto estava em um estado enfurecido, não raciocinava, apenas queria matar o seu oponente. Partiu para cima novamente, com sua espada pegando fogo. -Só mais uma coisinha… -O único poder de Ganya era criar clone com outras consciências, então ele treinou seu corpo a ponto de conseguir a máxima velocidade e força que pode conseguir com treinamento de artes marciais.
Os golpes de Yamamoto eram rápidos, mas Ganya pensava um passo a frente, então sempre tinha vantagem para desviar daquilo. Era pego por um pouco de fogo eventualmente, mas nada que o ferisse muito. Yamamoto foi desferir um golpe que não teve como Ganya desviar, mas ele encostou a palma de sua mão na cabeça do governante quando a espada estava a alguns centímetros de seu estômago, e do nada, Yamamoto parou.
–Conexão! —Yamamoto caiu para trás, voltou a sua forma normal e ficou ajoelhado no chão, largou a espada, manteve as mãos na cabeça e não parava de gritar de dor. -Dezenas de consciências estão entrando na sua cabeça agora, é uma dor excruciante não é? Eu sinto ela constantemente. -Gêmeos se aproximou e abaixou. -Todos os civis que meu clone acabou de matar, eles estão com dúvidas, “por que Ganya nos matou?”, “onde estava Yamamoto para nos proteger?”, “Zulk e Samuel não nos ajudaram a tempo…”, e por aí vai. Pode conviver com isso, governante? -Ganya permanecia sério o tempo todo. -Eu ganhei… O objetivo do Zodíaco é complexo, mas o meu aqui era esse: dar início a sua queda. Você é um símbolo de esperança que manteve as coisas ruins longe desse Reino por 18 anos, destruir você é o maior baque que esse Reino pode levar. -Ele se levantou. -Poderia ter me matado tão facilmente se não amasse Dina, se não fosse ligado aos seus sentimentos como é… Adeus, Yamamoto.
Ganya saiu da arena, deixando Yamamoto lá, ajoelhado, gritando de dor em meio ao fogo que sua versão demoníaca criou.
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Os civis gritavam de medo, imploravam para que Zulk e Samuel fizessem algo com aquele Ganya que tinha acabadoo de matar civis.
–Matem-me logo! -Gritava Haelius.
Samuel ficou com raiva e correu para cima do clone, ele acertou um soco na cabeça do clone, que a arrancou do torso , foi amassada e mandada pra longe.
–Mas que merda! -Gritou. -Onde está Yamamoto agora? Médicos, enfermeiros, alguém ajude os que estão caídos! Zulk, se mexa, ajude, não fique aí parado. -Samuel que mobilizou tudo, Zulk estava estático, não conseguia se movimentar, seu pupilo teve que pelo menos tentar resolver aquele gigantesco problema. -Faça algo, você é a porra do comandante! -Samuel deu um tapa no rosto de seu mestre e saiu. Zulk correu de volta para a arena para procurar Yamamoto.
Ao ver aquilo as pessoas se encheram de dúvidas, Zulk paralisado, Ganya assassino, o que estava acontecendo? Silas ajudou Samuel com as pessoas, muitas conseguiram voltar bem para suas casas, mas as mortas foram para o hospital verificar se realmente não tinham salvação… E não tinham. Ganya conseguiu controlar seu clone para que cortasse a jugular de todas aquelas pessoas, só com o movimento rápida da palma de sua mão na horizontal causou os cortes.
–Silas… -Chamou Samuel, que estava no meio do setor de saúde, vendo todas aquelas pessoas, mortas, muitas chorando, desesperadas. -Que porra aconteceu? -O encarregado das finanças também não soube responder, estavam metidos ali por uma ordem supostamente dada por Yamamoto a Zulk, que o comandante do exército não seguiu como o governante pediu.
–Estou tão perdido quanto você… Precisamos esperar que ele retorne. -Dizia Silas sobre Zulk.
–Algo me diz que eles irão para a administração, você pode olhar aqui para mim? Pode fazer isso, Silas? Eu preciso ir saber os detalhes. -O garoto colocou a mão no ombro de Silas.
–Vá, eu fico.
Ao sair, Samuel percebeu que muita fumaça ia para o céu, vindo da arena.
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‘ –Mestre, o que aconteceu? -Zulk olhava toda a arena pegando fogo ao seu redor. -Onde está Ganya?
Yamamoto estava sentado no chão, totalmente derrotado, era notável em sua expressão, no jeito em que permanecia ali.
–Eu perdi, Zulk. -Disse. -Ele não podia me enfrentar numa luta direta, então usou desses artifícios para me vencer… E conseguiu, ele me derrotou totalmente. -Lágrimas escorriam de seus olhos, ele olhava suas mãos e sentia ódio e desprezo de si mesmo, por não ter conseguido vencer seu oponente. -Essas vozes, reprovações, meu próprio povo me crucificando com razão, eu não impedi, Zulk! -Gritou, Yamamoto.
–Vozes? Ele conseguiu colocar todas as consciências dos mortos em você?
Zulk ajudou seu mestre e juntos foram para o edifício da administração. As chamas ali começavam a se apagar aos poucos. Saindo da arena deram de cara com alguns civis curiosos e preocupados que já tinham chegado ali, e impressionou eles ver seu governante com aquele semblante de derrotado sendo ajudado por Zulk.
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Alguns soldados que há pouco tempo estavam junto com os civis, impediam agora a entrada dos mesmos na administração, os mesmos queriam reclamar, pedir explicações, eles sentiam que não sabiam nada do que aconteceu há pouco. Quando Zulk e Yamamoto chegaram, foi muito difícil mantê-los afastados. O governante não levantava a cabeça, apenas olhava para baixo, sem expressão.
Subiram o prédio e chegaram na sala, Samuel esperava.
–Como entrou aqui? -Perguntou Zulk.
–Quero que vão a merda, nunca mais obedeço vocês sem uma porra de uma explicação! -Samuel batia na mesa, exigindo respostas.
–Sam… Eu deduzi que Ganya tinha matado Dina, e eu estava certo… Quando eu soube, a raiva tomou conta de mim e pedi a Zulk para que tirasse todos da ilha, porque eu não sabia como eu ia me comportar e não sabia das dimensões do poder de Ganya… Mas seu comandante me desobedeceu. -Zulk fez um olhar de arrependido, mas Yamamoto não se importava mais. -Todos ficaram, e era isso que Ganya queria. Ele pode criar clones com consciências de quem ele matou, ele criou um com Dina, um com Haelius e outro com Deropac.
–Puta merda… Como lutaram?
–Eu não tive coragem de machucar o que estava com a consciência de Dina… Yoropac matou o que tinha seu irmão, Ganya ameaçou matar o de Dina se Yoropac o atacasse… Ele o fez, e Ganya também, nisso, eu perdi o controle e virei o demônio novamente, mas Ganya era rápido, ágil, eu não conseguia acertá-lo em cheio. O clone dele com Haelius então fugiu para o porto, ele sabia que os civis estariam lá, então os matou, pegou as consciências e as jogou na minha cabeça, agora eu só ouço a tristeza de todos os mortos, Sam… -Aquilo chocou o garoto.
–Onde estão as vítimas? -Perguntou Zulk.
–Silas está organizando tudo no hospital...
–O que piora, é que Ganya é membro do Zodíaco. -Disse o comandante.
–O que? Tem mais isso ? -Se surpreendeu mais uma vez.
–Gêmeos… Isso mostra que o Zodíaco está agindo, somando a Relíquia tendo sido roubada para aquilo… Nossa missão em âmbar, e aí? -Perguntou Yamamoto, que não tirava a mão de sua cabeça.
–Não temos notícias, devem estar voltando. -Disse Zulk.
–Mesmo que tivessem mandado notícias, nessa situação, duvido que teríamos visto.
A multidão embaixo gritava para ter explicações. O governante de levantou e foi até a janela, a abriu e subiu no parapeito. Zulk e Samuel correram para a janela mas receberam um sinal de Yamamoto para não o ajudarem. As pessoas pararam de gritar.
–Ganya, meu conselheiro, nosso amigo…
–Ele não pode dizer… Né? -Sam perguntou.
–Nos traiu! Ele é um assassino, matou seus amigos e familiares e me venceu… Povo de Pilastra, eu fui incapaz de protegê-los! -Aquilo chocou mais ainda a todos, se é que era possível. -Não tenho o direito de continuar sendo seu governante após essa humilhação! Não pode haver UM GOVERNANTE de verdade que não pode proteger seu povo! E por isso, estou abdicando de meu cargo!
Ninguém. Ninguém sem exceção, acreditava no que estavam ouvindo. Yamamoto não se achava por ser o chefe de um Reino, mas era alguém apto a estar ali, ele gostava e tinha vocação, mas aquela derrota mexeu com ele, aquelas vozes não saíam de sua cabeça, com certeza isso influenciava.
–Eu nomeio, governante de Pilastra…
–Não… Não, por favor… -Disse Zulk.
–Comandante Zu…
–Samuel Zillistra! -A multidão gritou em uníssono. Zulk e Samuel se entreolharam, o comandante um pouco aliviado mas extremamente nervoso, já Samuel apenas nervoso.
–Que seja feita a vontade de meu povo. -Disse Yamamoto. Ele se virou e saiu da janela. -Faz sentido, quando viram seus familiares e amigos morrerem, Samuel foi quem fez algo, não? Foi quem não os abandonou. -Ele abriu a porta. -E, outra coisa… Amanhã de manhã estarei deixando o Reino. -O ex-governante deixou a sala enquanto a multidão bateu palma e saiu aos poucos.
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Um lugar completamente escuro, eles apenas se guiavam pelo barulho dos passos e dos batimentos cardíacos, por isso sabiam que todos estavam ali. Velas se acenderam.
Eram cinco ao todo. Pessoas estranhas, esquisitas, com exceção do que estava sentado em algo parecido com um trono, aquele era normal. Aparentemente.
–Não estou acreditando que estamos nos reunindo por aquele idiota! -Disse o mais magro, que não tinha lábios nem pálpebras, seus olhos e dentes eram horripilantes. -Jerax nos traiu!
–Mas ele usava a magia da morte, era um de nossos representantes. -Disse a moça, que tinha 70% do corpo coberto por faixas. -Quando senti que sua energia se esvaiu, sabia que agiríamos de novo.
–Desde que eu possa conseguir sangue, farei o que mandar, mestre! -Um homem deformado disse, com a boca toda detonada, sem dentes, sem um olho, sem um braço.
–Calem a boca e deixe o mestre falar. -Um rapaz sentado numa pedra, usando roupa de bárbaros.
–Jerax era um traidor, mas era um representante da magia da morte… Se ele morreu, precisamos de um novo representante… Ou, precisamos surgir, de uma vez, que nossa associação seja conhecida nesse momento frágil para nós. -Ele se levantou do trono, vestia uma roupa branca com traços pretos, era negro. -Agiremos todos juntos agora, vamos retomar nosso lugar na sociedade, Associação da Morte!
–Finalmente! Mostraremos a eles que banir nosso poder negro e oculto foi a pior coisa que já fizeram! -Disse o rapaz sem lábios.
–Ajam sem cuidados, e farei questão de matar vocês eu mesmo. -Ele desceu alguns degraus, ficando no chão, mesmo piso que seus subordinados. -Recebi informações de que Zodíaco e os Reinos de Pilastra e Âmbar estão envolvidos com a morte daquele traidor… Portanto, nos dividiremos! Vamos ressurgir, mostrem que a magia negra não deve permanecer escondida!
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–Os médicos estão fazendo o que podem com Tatsuo, Mardak, e todos os nossos soldados. -Dizia Mithra para Yara, as duas conversavam em uma sala privativa. -Disseram que estão estáveis, e em condições para retornarem a Pilastra daqui dois dias.
–Sinto que tem algo errado, Mithra, como se eu precisasse voltar… Hoje e agora… Mas não, não posso deixar os meus aqui.
–Deve reportar a Yamamoto tudo o que aconteceu, sem exceção. Aquele garoto, Tatsuo, tem o poder que vai acabar com o mal, vamos ajudá-lo como pudermos, mas é ele, a chave.
–Sei disso… Bom, eu vou vê-lo mais uma vez, agora que tudo se acalmou, que o civis já foram realocados e que ninguém vai querer nos matar na rua.
Yara foi sozinha até o hospital, insistiu para que Mithra ficasse, queria falar a sós com seu mais novo parceiro. Ela tinha aquela sensação pesada de que algo ruim estava acontecendo, mas não costumava seguir esses instintos, devia significar alguma coisa?
Chegando no hospital.
–Yara! -Tatsuo estava animado e sorridente, com o braço engessado. -Você viu só? Eu disse que ia vencer aquele cara e depois eu disse que protegeria vocês, e eu consegui , não? Nunca duvide de mim!
–Com certeza, não duvidarei! Hey.. Tatsuo, daqui dois dias, disseram que você melhora e daí podemos ir. -Ela olhou para o lado rápido. -Desculpas por não ter contado… Você sabe, seu pai.
–Eu já disse para não se preocupar, não disse? Apenas relaxe. E não precisaremos esperar um dia não, amanhã já estou perfeito!
A força do rapaz era interminável.
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Aquele homem estava em pé em um bote, sozinho com seus pensamentos enquanto uma tempestade se aproxima. Ele estava com medo, preocupado… Um homem que há muito não sentia isso esquece de como é.
–Ela vai ler meus pensamentos quando quiser, vai descobrir tudo… Que merda! -Damon sabia que sua traição seria descoberta. Ele deveria ter matado o garoto. -Não posso voltar para lá… Ela vai saber de qualquer maneira, pelo menos agora tenho chance de fugir. -Ele mudou completamente o curso do bote manipulando a água. -A única dúvida é: Devo ou não treinar aquele garoto? Ele me lembra a mim mesmo quando pequeno.
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Uma construção razoável, uma casa. Lá estava aquele homem branquíssimo, mexendo suas mãos junto com uma projeção de energia esférica, tentando contê-la e controlá-la.
–Como está indo, Crow? -Perguntou Sartori, que estava nas sombras, impossível de se ver o rosto.
–Controlar todo o poder da Relíquia não é nem um pouco fácil, mas estou tentando. Nessa dimensão que a coloquei, ela não é tão volátil quanto aqui, não demorará muito para que eu consiga dominá-la com maestria. -Ele parou os movimentos e a projeção sumiu. -Precisamos agora encontrar um recipiente, uma pessoa com um corpo forte o suficiente para aguentar toda a energia, que tal Samuel Zillistra? Seu poder de resistência corporal é insana.
–Boa ideia, mas acho que sei alguém mais adequado. -Crow prestou atenção. -Touro. Sim, Crow, entraremos em guerra com o Zodíaco.
Fim do Arco 1
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