Thunder Chronicles

16 A esperança morre junto com o que você ama


Notas iniciais
Desculpem ficar muito tempo sem postar, mas agora eu voltei! Aproveitem!

Damon, Viryna e Chao estavam em posição, aguardando seu oponente aparecer, mas ou ele tinha morrido ou tinha fugido, pois estava demorando demais. Não, ele estava tramando algo, com certeza. A foice surgiu por trás, indo em direção a Chao, Viryna jogou algumas agulhas, desviando sua trajetória. A foice avançou mais um pouco e começou a voltar, na direção de Damon, quando se preparava para se defender, Synz também reaparece. Seu poder era curioso, ele se reconstituía após ter se dispersado no ar, e após seu corpo ter voltado ao normal, ele avança em Viryna.

—Só você que eu quero, Damon. -As agulhas atravessavam-no como se ele fosse intangível. -Não me obrigue a matá-los! -Sua mão se aproximava do rosto do parceiro de Damon, para Viryna, ela estava muito lenta e grande, como se fosse engolí-lo ao tocar.

—Vá a merda! -Damon gerou sua espada, acertou a foice, que cravou no chão e correu para defender Viryna. -Não é corajoso para lutar comigo no mano a mano?

—Não seja idiota, se eu fizesse isso eu perderia muito rápido! -Ele riu.

Ao tentar acertar sua espada, causou um arranhão no braço de seu inimigo, percebendo que aquele golpe o feriu. Mas por quê, se as agulhas não o tocaram?

Agora a arma de Synz se movia sozinha, e atacava quem estivesse mais próximo. Chao desviava dela, mas não era tão rápida para continuar daquele jeito para sempre. Viryna correu, jogou uma agulha com uma fina corda, que enrolou na foice, dessa maneira, ele conseguiu segurá-la para não se mover mais a seu bel-prazer. Mas era difícil segurá-la.

—Já viram uma arma assim? Com um poder próprio? -Synz estava parado. -Um homem que podia transferir poderes de qualquer um a qualquer coisa, interessante, não? -Ele se dispersou, sumindo de novo.

—Tenho uma ideia, posso vencê-lo, mas terei que segurá-lo de alguma forma. -Disse Damon, sabendo que seu oponente iria acabar ouvindo aquilo.

Chao cercou ela e Viryna de esferas de cura, para se defender de ataques de Synz. Não adiantou muito.

—Olá, princesa! -Ele se materializou dentro da área das esferas, pegando Chao por trás e tentando asfixiá-la.

—Não! -Gritou Viryna, que com uma força de vontade incrível, conseguiu ditar o movimento da foice, a controlando e lançando-a no agressor de sua amiga.

—Boa! -Ele se dispersou, Chao respirou fundo, mas tossia.

—Ele se dissipa em um gás diferente… Não é veneno, mas não é ar normal.

—Você está engasgando com minhas partes solidificadas, afinal, o que você inalou quando partes da minha mão, que estava tampando na sua boca, mas quando eu me solidifico, elas também o fazem.

—Poderes abstratos podem tocá-lo, apenas físicos não. -Dizia Damon. Chao estava com pouco ar de tanto que tossia. -Deixe ele comigo!

Damon se transformava em água e ia em direção ao seu oponente, que se dispersava tentando evitar que ele o tocasse. Afinal, sua missão chegaria ao fim. Damon continuou “escorrendo” até perto de Synz, quando recompôs seu corpo e rapidamente agarrou a cabeça de Synz antes que ele se dispersasse por completo, ao tocá-lo, seu corpo voltou ao normal.

O ex Zodíaco o pressionou contra o chão, deixando sua boca livre.

—Por quê está atrás de mim? -Perguntou. Synz ria.

—Sou um associado a Associação da Morte, somos pessoas que temos poderes graças a magia negra… Assim como Jerax.

—Estão aqui porque acham que matei ele? Ele era membro dessa merda?

—Era um ex membro, mas acontece que eles querem vingança por ele, querem mostrar que a magia negra ainda é poderosa.

—Idiota. -Ele materializou sua espada.

—Tome cuidado… Nós sabemos que não o matou, sabemos quem fez, mas nos foi dada a missão de matar todos os envolvidos. -Damon ficou estático. -Eu não sou membro Oficial, primeiro eles mandaram os associados, e se falharmos, os Oficiais virão… Você sentir o que é medo de verdade, Damon!

Ele não parava de rir. Damon enfiou sua espada na testa de Synz, o matando.

—Um lado meu achou que não mataria mais ninguém.

—Foi por um bem maior. -Respondeu Damon a Viryna. O corpo de Synz se desfez no vento. -Precisamos ir para Pilastra, rápido.

Zulk apenas desviava, as vezes acertava um golpe ou outro no seu mais novo pupilo, mas queria focar desenvolver o ponto mais forte de Tatsuo, sua velocidade. O garoto estava machucado, sujo, de tanto cair no chão, já o capitão continuava do jeito que começou aquele treinamento.

—Mais rápido! -Zulk corria e Tatsuo precisava ir atrás e golpeá-lo, mas era quase impossível.

Sem usar seus poderes, Tatsuo sentia que não podia ir muito além do que já estava indo, e após algumas horas naquilo, seu corpo já estava cansado. Ele parou um pouco, com uma mão no joelho, ofegante.

—Não pode parar, que resistência é essa? -Zulk estava nervoso. -Quer ficar mais forte ou não?

Neste momento de distração, Tatsuo rapidamente foi na direção de seu capitão para acertar um soco no seu rosto, mas com seus reflexos, Zulk conseguiu se esquivar, agarrar o braço de Tatsuo e o jogar longe. Rolou no chão algumas vezes mas se levantou antes de acertar a parede.

—Boa tentativa, mas ainda não foi o suficiente. -O céu começava a clarear. -Acho que chega por hoje, eu gostaria mas não posso forçar o seu corpo no primeiro dia, iremos avançando aos poucos, Tatsuo. Agora vá descansar. -O capitão virou as costas e andou em direção a saída do campo de treino, Tatsuo continuou parado, e após alguns segundos, resolveu falar.

—Zulk. -Ele parou e se virou. -Yamamoto foi embora, Yoropac e Dina morreram, Ganya nos traiu, Zodíaco agindo… Teremos problemas logo, minha dúvida é se conseguiremos solucioná-los. -A dúvida estava estampada no rosto de Tatsuo, seu semblante deixava claro que não sabia se seria capaz de defender seu reino e amigos.

—Bom, Tatsuo… -Zulk levou a mão ao rosto. -Pode contar com nossa ajuda, mas você é quem precisará nos salvar. É o filho de Dakko, é o homem mais forte do Reino… Não por enquanto, mas treinando será. Tenha foco, vontade de melhorar e tudo ficará bem. -Zulk se aproximou e apoiou sua mão sobre o ombro do garoto enquanto falava, quando terminou disse que iria para sua casa dormir e saiu de vez do campo.

Tatsuo permaneceu parado, pensando. O destino de todos estaria em suas mãos? É muita responsabilidade, saber que todo o mundo pode sofrer e que se acontecer será por sua culpa. Mas Zulk estava certo, ele precisava fazer isso, tentar e conseguir, precisava salvar o reino, por que senão ninguém mais conseguiria. Pelo menos ele não estava sozinho.

Tatsuo finalmente foi para seu dormitório ter um descanso merecido. A cama não era das melhores, mas era sua casa.

No mar, distante de Pilastra, pelo menos por enquanto, um barco navegava com duas pessoas dentro dele, um era um homem extremamente magro, com uma máscara parecida com a de um daqueles homens que manuseiam materiais químicos, com filtro para respirar e pele meio púrpura. A outra era uma mulher, negra, baixa, concentrada com seus olhos fechados.

—Viajar com você é entediante. -Disse o homem. Conte alguma piada, vamos! Ou lutemos, estou precisando me exercitar!

—Cala a boca e senta, nós temos uma missão, precisamos cumprir. Sem piadas. -Ela falava sem mexer nada além da boca.

—Tão séria, até me arrepiaria agora, se eu tivesse meu sistema nervoso ainda. -O homem foi até a cabine. -Você é tão leal àquele homem, você por acaso quer ir pra cama com ele?

—Diga mais uma coisa… -Ela atravessou a parede da cabine, segurou o pescoço do homem e o ameaçou. -E você vai sofrer um acidente aqui, ou pelo menos é o que irão saber.

—Tire as mãos de mim, agora. -Ele ficou sério de repente, e ela tirou a mão, atravessou novamente a parede e voltou a sua posição inicial, de braços cruzados, admirando o mar. O homem saiu da cabine com uma garrafa de bebida, que tomava rapidamente. -Se cumprirmos nossa missão teremos nosso lugar na Associação, não sei até que ponto isso é bom. -Ela permanecia quieta. -Sei sobre sua obsessão por aquele homem, L’anger, mas ele não tem interesse em você, desculpa te desiludir.

—Se eu tenho uma oportunidade de ficar ao lado dele, eu ficarei. -Ela não se mexia, não desviava o olhar do horizonte.

—Um homem que controla o relâmpago, uma mulher que cria bolhas de pressão, talvez essa missão não seja nada fácil.

—Fácil ou difícil, será cumprida.

Getus via aquela criatura saindo da fissura, a metade esquerda do corpo dela ainda estava normal, mas a outra metade havia se tornado um caranguejo, deformado, com duas garras grandes e quatro patas, grandes. Era desproporcional e horrível de se ver.

Junto com ela saíram dezenas de caranguejos, era uma infestação, todos andaram e se arrumaram em volta dela, o coração de Getus acelerou. Tudo que saía da boca de Câncer eram gritos e gemidos, demoníacos.

—Câncer tem uma stamina impressionante. -Dizia Hyora. -Ela aguenta lutar por meses sem parar… Já você, está cansado de ter lutado com ela por tão pouco tempo? Você não pode vencer.

Com o grito dela, todos os caranguejos começaram a avançar em direção ao governante de Lambertia, e ela pulou, alto, para cair de frente para ele. Getus se impulsionou para trás e se esquivou, quando ela caiu no chão, as pedras debaixo dela se quebraram devido à força do impacto.

Muralha!—Um grande muro se formou para tentar impedir os caranguejos de avançarem, mas eles escalavam o muro e passavam do mesmo jeito, até que Câncer com sua mão esquerda, a que ainda era humana, quebrou o muro com um soco e continuou avançando normalmente. -Merda! -Enquanto se movia para trás para ganhar tempo, ele sentiu uma presença nas suas costas e se moveu para o lado em menos de um segundo.

—Foi rápido. -Era Hyora, ele ia acertar um golpe no ombro de Getus que o iria partir no meio, isso foi claro quando ele acertou o chão ao invés do mestre das pedras. -Continue esperto assim e sobreviverá mais alguns minutos.

—Áries! -Câncer gritou, com uma voz assustadora. -Essa é minha luta! -Ela não parecia controlar sua cabeça direito, era como se estivesse sendo controlada por um monstro e não conseguisse que sua consciência se sobressaísse. Hyora se afastou e deixou ela terminar sua luta.

Getus estava se sentindo perdido, não sabia o que fazer, nem se conseguiria fazer alguma coisa. Mas precisava tentar. Ao olhar pros lados a tristeza tomava conta, os corpos de seu povo ensanguentados, outros tentando se esconder. E o pior, talvez tenha tudo sido causado por causa de seu poder. A culpa vinha junto da tristeza.

Mas ele precisava tentar salvar o que restava, e para isso precisaria derrotar aquele monstro que vinha na sua direção com sede por sangue.

Overload! —Ele juntou suas mãos e as foi afastando, gerando uma pedra redonda que ficou girando rapidamente. Essa pedra esquentou, ficou vermelha, e quando começou a derreter, em volta de seu corpo apareceu uma armadura de rocha negra, com alguns pontos de magma. Quando todo seu corpo foi coberto, um buraco se abriu na armadura em seu peito, onde ele colocou a pedra que não parava de girar. Ao encaixá-la, toda sua armadura começou a escorrer magma. A espessura dessa vestimenta era de praticamente 60cm. Muito denso, pesado, era difícil para ele se movimentar no começo, seu corpo talvez não aguentasse o calor, toda a energia gerada pelo núcleo, mas era a única coisa que poderia salvar ele e seu reino, já que todas as medidas drásticas falharam. -Venha!!

Os caranguejos avançaram nele. Em poucos segundos, na sua mão surgiu uma espada, toda deformada, meio sem fio, de pedra negra com listras vermelhas por causa do calor. Ele usou essa arma para cortar ou para acertar os caranguejos, que ou se partiram em dois ou se estilhaçaram por causa do impacto.

—Meus filhos! -Ela gritou e pulou novamente em Getus.

Quando estava próxima a ele na queda, foi acertá-lo com seu braço deformado de caranguejo, mas ele segurou o golpe, não deixando ela abrir a pinça. Ela se assustou com aquilo, não imaginava que ele teria essa força. Ele pegou impulso com seu outro braço e lançou a espada nela, perfurando sua barriga na parte humana. Era possível ver seu corpo esquentando, ficando vermelho. Ele a soltou e ela caiu no chão, se contorcendo, gritando de dor.

—Incrível… -Hyora estava começando a duvidar da vitória de sua parceira, talvez ela realmente perdesse. -Que poder insano!

As consequências daquela habilidade começaram a aparecer, o chão todo esquentava, derretendo as pedras, os destroços, tudo. E Getus começou a suar, de cansaço e calor.

Câncer se levantou, tirou a espada de sua barriga com sua mão humana e a jogou no chão, mas a ferida não cicatrizou, continuava lá, assim como sua mão agora possuía queimaduras.

Sua pinça se abriu e foi alongada na direção de Getus, para pegá-lo. Ele nem mesmo se mexeu, quando a pinça prendeu todo seu corpo, ela não conseguia pressionar nem perfurar, era duro demais. Ele apenas apontou a palma de sua mão para dentro dela e lançou uma pedra redonda, quente, que fez com que ela o largasse e se debatesse de dor. Câncer continuava parada, agora ajoelhada no chão tentando conter a dor, mas a consciência não humana dela queria mais luta, independente da dor, então a pinça avançou novamente, dessa vez fechada, golpeando Getus, que com o impacto se moveu alguns centímetros para trás.

—Desista! -Ele pegou o braço deformado de sua adversária, com as duas mãos, e pressionou com elas em direções opostas. Após muito esforço, ele conseguiu rachar o braço dela, fazendo-a gritar, e com mais força aplicada, ele quebrou aquela pinça da Câncer, ela ficou apenas com a parte alongada, mas sua “mão de caranguejo” havia sido destruída.

—Não! -Hyora fez menção para entrar na luta, mas Câncer olhou para ele com um olhar que o assustou, tentando mostrar que ela ainda não quer intervenção de ninguém. -”Câncer...Você vai morrer” -Pensou.

Getus pela primeira vez tentava andar com aquela armadura. Era muito difícil devido ao peso, mas aos poucos ele conseguia. Ele andou até se aproximar de Câncer. Ao olhar para trás, viu o que o calor de sua armadura gerou: O derretimento das pedras no chão, o calor em seu pé era tanto que derreteu o chão de uma parte de onde lutavam. Mas antes de se preocupar com isso, ele precisava finalizar aquilo.

—Vocês vieram destruir meu reino, mas eu preciso protegê-lo. Eu não quero te matar, mas eu preciso fazer algo para lhe conter. -Ele abriu sua mão e nela foi gerada uma outra pedra igual a que fez sua armadura. Sim, ele iria colocar uma contenção nela.

Ela esticou seu braço esquerdo e agarrou o braço de Getus que ele usava para gerar a pedra, o apertou tentando quebrá-lo. O calor era tanto que começou a sair fumaça de sua mão, mas ela não soltava. Ela gritou tentando criar forças, até que seu braço foi revestido por uma camada mais rígida, como a de um casco de caranguejo.

—Droga, já estou cansado. -O cansaço de ter que carregar aquela armadura começou a afetar Getus, ele já não conseguia manter todo aquele poder, toda a dureza. A mão de Câncer começou a trincar sua armadura e ele não conseguia se soltar. -Como você ainda tem tanta força?? -Ele estava assustado, sem saber o que fazer, então, ele, com a mesma mão, agarrou no braço dela e também começou a pressionar. -Que força é essa?! -Ele a levantou e a colidiu com o chão do outro lado. Mas nada mudou, ela mesmo caída continuava pressionando com a mesma intensidade, e a armadura trincava cada vez mais. -Não!! -E finalmente quebrou, a armadura em seu braço quebrou, fazendo ela soltar e ele recuar. -Não! Não! Não!

Câncer se levantou, ainda com apenas um braço, mas o outro rapidamente se regenerou. Todo seu corpo foi revestido com a camada rígida que seu braço estava.

—Não vou poder lutar contra isso, eu já não posso manter esse poder por muito tempo. -Getus ficou nervoso novamente, talvez ele realmente não tivesse como vencer aquela luta.

Ela investiu rapidamente contra Getus, e antes que ele pudesse reagir, pegou com sua mão normal o núcleo em seu peito e o apertou, tentando quebrá-lo.

—Não faça isso! -Ele agarrou o braço dela com seus dois. -Tudo vai ser destruído, é muita energia! -Não adiantou, ela apertou cada vez mais, já rachando a pedra.

—Pra que isso, Câncer? -Hyora criou um cubo para protegê-lo.

—Eu venci! -Ela pressionou. O núcleo quebrou.

O calor gerado foi tanto que os destroços derreteram imediatamente, muita fumaça foi criada, Hyora mal aguentava de dentro de seu cubo, era muita energia, não entendia como Getus conseguia guardar tudo isso naquela pedra e ainda aguentar de dentro daquela armadura.

Quando a fumaça desceu, não era possível enxergar nada no horizonte, tudo havia sido devastado. Hyora desfez o cubo e por alguns segundos sufocou, demorou um pouco até se estabilizar e ir procurar sua parceira, talvez aquele revestimento tenha protegido-a.

Mas ao chegar lá, ele viu Getus sem sua armadura, mas em perfeito estado, com queimaduras mas nada demais. Lógico, ele estava morto. Já Câncer estava não só sem sua proteção mas sem sua pele, estava completamente na carne, algumas partes no osso. Sabia pra quem exatamente precisava levá-la. Ele criou um plano transparente e colocou seu corpo em cima dele e andou em direção para sair de Lambertia, com o plano que Câncer estava em cima seguindo-o.

Mais uma missão tinha sido cumprida.

O reino foi devastado, como prometido, tudo se foi, tudo que importava pra ele se foi.

Até mesmo sua vida… Ou não?

Getus abriu os olhos.