Thunder Chronicles
8 A Primeira Missão II: Rei dos Mares
Tanto Mithra quanto Jerax se surpreenderam. O necromante não acreditou que aquele garoto derrotou seu oficial tão facilmente e rápido.A rainha conseguiu se levantar.
–Você conseguiu golpeá-lo… -Ela olhava para o garoto com os olhos arregalados.
–Eu disse pra deixar comigo. -Ele estava focado, a luta contra Gwan-Di não havia deixado nada mais que arranhões nele. -Vá ajudar Yara, Mithra, por favor, ela precisa de ajuda, deixe esse cara comigo.
A rainha estava estática, sem saber o que fazer. Num movimento rápido, o necromante correu e ficou de frente para a rainha, para matá-la.
–Não sairá daqui viva! -Ele foi acertar um soco nela mas Tatsuo foi mais rápido, avançou na direção da rainha e segurou o soco de Jerax reforçado com magia com apenas uma mão. -Mas que porra é você? -O mago começou a ficar com medo.
O mesmo que ele disse, a rainha pensou.
–Eu vou ajudá-la, Tatsuo, confio em você aqui. -A rainha, usando seu poder, se locomovia mais rápido. Ela estava indo até onde Yara, Lamus e Mardak lutavam. O que ela havia presenciado, ela achava que não era possível.
–Quem é você? -Perguntou Jerax, que já suava frio. -Como venceu Gwan-Di tão facilmente?
–Meu nome é Tatsuo Hirako, e eu vou acabar com sua raça! Vencer seu amigo não foi tão difícil, quando levei o golpe dele, notei que aquilo era uma magia de intensificação, imaginei que você tinha feito aquilo, mas fortalecer todo o corpo dele exigiria uma energia muito grande, então percebi que você havia intensificado a luva que ele usava. Ele era rápido, mas eu sou mais, eu tirei a luva dele e o golpeei várias vezes até ele cair no chão inconsciente.
–Além de forte é inteligente. -Pensou Jerax. -Mas você está errado, Tatsuo, eu que irei acabar com você! -Nas mãos do necromante surgiram círculos mágicos. -Apareçam, soldados! -Muitos zumbis surgiram e foram atacar o garoto relâmpago. Jerax também. -Tente segurar vários então, rapaz!
Os zumbis eram lentos, mas resistentes. Tatsuo precisava golpear eles várias vezes, e por não sentirem dor, mesmo quando o fazia, eles continuavam tentando acertar ele com suas espadas e lanças, obrigando-o a desviar. Na primeira brecha, Jerax chegou por trás e o chutou, no lado direito de seu corpo, o mais novo foi jogado a alguns metros mas se recompôs, sem cair no chão. Ele pegou impulso novamente e voltou a “matar novamente” os mortos vivos.
–Merda! -Um deles o atingiu no braço. Ele levou uma mão ao machucado e continuou usando as pernas para lutar. Dessa vez, o necromante veio de cima.
–Putrificação! —Tatsuo se esquivou por muito pouco. Jerax acabou tocando o chão, que rapidamente teve seus nutrientes sugados e ficou desertificado. Apenas uma parte, mas o processo foi numa velocidade incrível. Tatsuo viu que não podia brincar. -Você não tem experiência, moleque, pode ser o quão forte for, mas não vai adiantar.
–Espada… —Tatsuo abriu sua mão, esticou e juntou os dedos, fez um movimento como se cortasse o ar e nesse exato momento, energia elétrica se concentrou na sua mão. -...Eletrizante! —Usando uma velocidade maior, o garoto sumiu do campo de visão de Jerax.
–Esse cara… -Aquilo o irritou, ele fechou os olhos para sentir a presença do garoto. -Na esquerda! -Tatsuo vinda da esquerda atacar seu oponente. Jerax gerou um escudo verde escuro protegendo-o do golpe cortante de Tatsuo. O impacto da energia foi tão forte que o escudo começou a rachar. -Morra logo! -Com um empurro de pouca quantidade de energia, o escudo avançou na direção do garoto, atingindo-o em cheio. Tatsuo ficou ferido, mas conseguia continuar lutando e sua espada eletrizante ainda se mantinha energizada.
–Está com tanto medo assim de lutar comigo sozinho que precisa desse monte de zumbis? -Tatsuo cortava os mortos vivos com sua mão.
–Você me surpreendeu, garoto… Mas não posso mais prolongar isso. -Ele fechou os olhos.
Uma grande aura negra e verde envolvia o oponente de Tatsuo, a concentração que ele estava mantendo era insana. Aquela aura começou a corroer seu corpo, transformando o necromante em um esqueleto, seus cabelos caíam, carne e pele evaporavam, ele estava se tornando um daqueles que ele controlava.
–O que está fazendo consigo mesmo?? -Ele parou de canalizar a aura e abriu os olhos, a única coisa que restava de seu visual humano… Ou apenas metade. Um olho havia ido embora, apenas a pele com o olho esquerdo se mantinha.
–Eu usei minha habilidade última, eu sou o Lich! -Em sua mão direita surgiu um cajado marrom. -Eu respiro a morte, alimento-me dela… E agora vou trazê-la a você!
→
Aquela batalha sangrenta continuava na cidade, os guerreiros dos Reinos não conseguiam conter todos os mortos vivos, alguns deles passavam e causavam caos nas casas e com os civis. Os que a rainha Mithra encontrava pelo caminho, ela dava um fim.
Mardak tentava, com dificuldade, se manter em pé e continuar lutando, ele usou uma bomba de fumaça, para Lamus se movimentar com mais facilidade, tentando enganar o inimigo. Kro não tinha sentidos tão aguçados como Jerax e Damon, ele não conseguia perceber de onde viria seu oponente. Lamus se aproximou e foi cortá-lo com sua lança, mas o oficial do necromante ouviu o balançar de sua arma e se abaixou, girou a corrente para prendê-la nos pés do comandante e ao girar ela novamente, fez ele colidir com o chão, quebrando o piso.
–Lamus… -Mardak não tinha forças para continuar lutando como tinha começado, mas mesmo assim tentou ir até seu inimigo. -Vou matar você! -Tentava golpear Kro mas não conseguia, felizmente ele não conseguia contra atacar também.
–Dessa vez dará certo. -Lamus liberou a ponta de sua lança novamente. Kro tinha dificuldades em se esquivar dos dois agora, os movimentos de Mardak estavam imprevisíveis, até que o machado dele causou um arranhão no braço do menor dois três. -Isso!
–Não durará muito se esse machado encostar em você. -O braço de Kro ficou todo gangrenado, secou, rachou, e caiu no chão. -Ele drena sua energia vital… É uma morte bem dolorosa.
–Não sinto dor. -Realmente, ele permanecia sem reação. -Um braço é o suficiente.
Yara não conseguia sequer tocar seu oponente. Ela tentava com suas ondas de pressão, tentava acertar chutes e socos, mas ele desviava de tudo. Ela já havia se cansado, e não acreditava que mesmo suando, com dor, aquele cara não havia nem mesmo descruzado os braços e aberto os olhos para se esquivar de tudo aquilo.
–Bom, se não consegue mais lutar, acho que agora é a minha vez. -Disse Damon.
–Bolha de pressão! —Uma grande bolha transparente foi rápida na direção do Aquário, destruindo o chão, causando um caminho de rachaduras no chão.
–Você está com medo? Não sinto que está colocando tudo que pode nos seus golpes, se quisesse, já poderia ter me esmigalhado, afinal, a pressão que você pode causar, esmaga tudo de uma só vez. -Ele segurou a bolha com apenas uma mão. -Quer ver? -Ele, com um empurro fraco, lançou a bolha de volta, que explodiu em Yara. A garota não aguentou, caiu no chão, gemendo de dor.
–Quem é você? -Perguntou, sem forças.
–Anel de diamante! —Mithra jogou algo na forma de um diamante, girando numa velocidade impressionante, em Damon, que ao perceber, recuou para a direita. -Explosão! —Ao tocar o chão, o anel explodiu.
–O que aconteceu com Jerax? Matou ele? -Perguntou Damon, estranhando o fato da rainha estar ali. Viva.
–Tatsuo está lutando contra ele. -Damon se impressionou. Aquele garoto teria derrotado Gwan-Di tão rápido?
–Não… -Yara tentava se levantar. -É perigoso, preciso ir ajudar ele.
–Yara, por incrível que pareça… Jerax não durará muito contra ele.
–Han? -Aquelas palavras deixaram Aquário preocupado que o plano do Zodíaco não desse certo. -Bom, terei que matá-la eu mesmo.
Com suas mãos, ele gerou uma onda de água enorme, levando ele até em cima da construção onde Mithra estava. Ao chegar perto, ele conjurou sua espada e se preparou para o golpe, mas Yara desfez a onda com sua pressão, fazendo-o o cair. Como estava perto da construção, Damon fez seu braço virar água novamente e o alongou, agarrando numa janela e puxando seu corpo para dentro daquele lugar. Mithra se preocupou por um instante.
–Rei dos Mares!—Um tremor aconteceu no edifício. Damon, em algum andar abaixo, gerou uma corrente extremamente forte para cima, quebrando tudo e demolindo o prédio de dentro para fora. Mithra pulou a tempo. Mardak, Kro e Lamus até pararam ao ver aquilo, tiveram que desviar dos blocos de pedras destruídos, alguns atingiram Mardak, que não conseguia se movimentar como deveria.
–Hora de finalizar isso. -A corrente de Kro parecia estar viva. Ela fez alguns movimentos, aquela aura violeta era intimidadora, e apontou para Mardak, que estava caído.
–Você perdeu. -Disse Mardak.
A corrente foi perfurá-lo, mas num piscar de olhos, Mardak sumiu, a corrente havia atingido apenas o chão. O comandante dos soldados de Pilastra estava nas costas de seu oponente.
–Não perco minha habilidade tão facilmente. -Ele sorriu. Da sua boca escorria sangue. Ele cortou as costas de Kro com seu machado. O oficial de Jerax secou, até se decompor. -Você lutou bem…
–Deixe eu te perguntar uma coisa, as vezes quando você atinge algo com seu machado, esse algo não tem sua energia vital sugada, por quê? -Perguntou Lamus, também ofegante.
–Eu forjei esse machado, companheiro… Ele reage ao meu emocional.
→
O ar ficou pesado, Tatsuo desfez sua espada, sentiu que aquilo ia ficar mais tenso do que estava, viu que seu inimigo havia ficado muito mais forte, que ia ter que tomar cuidado com cada movimento.
Ele se encaravam, esperando para ver quem se movimentaria primeiro. Jerax havia assumido a encarnação da morte, seu poder se multiplicou e continuava a crescer conforme os mortos vivos apareciam, era como se a presença deles alimentasse sua força.
–Faz tempo desde a última vez que usei isso. -Disse o necromante. O Lich. -Quem diria que um garoto ia me fazer usar novamente. -Ele estava mais calmo, sereno, como se sua raiva tivesse ido embora com sua pele.
–Por quê está fazendo isso? -Perguntou Tatsuo. -Por quê escolheu essa vida? Controlar mortos não é depressivo?
–Eu fui burro, moleque. -Ele começou a andar para frente, na direção do garoto relâmpago, bem devagar. Os zumbis não se moviam, ficavam parados no lugar. -Achei que se trocasse tudo que eu tinha por poder, eu me tornaria mais poderoso que qualquer um! Acontece que eu me enganei… Estou longe de ser o mais forte.
–A verdadeira força só vem com treino, dedicação, treinamento intenso, não vem de mão beijada.
–Aprendi isso da pior maneira. -Ele parou. -Só me resta morrer agora, minha vida é tão fútil que sou fantoche de pessoas com mania de grandeza… O problema é… Eu ainda tenho esperança de ter uma vida calma e pacífica, se eu não tivesse em conflito comigo mesmo, poderia alcançar isso.
O Jerax antes e depois da transformação era muito diferente, como se o Lich fosse o lado bom e sereno de Jerax, e sua forma normal fosse o que ele se tornou após tudo que ele supostamente tinha sacrificado.
–Não vamos lutar, Jerax, apenas tire seus zumbis daqui.
–Não posso fazer isso… Eu já disse que quero morrer, rapaz. -O Lich correu para Tatsuo, que concentrou energia em si mesmo para golpear com mais força e se movimentar com mais velocidade. -E não me importa se for pelas suas mãos ou de quem for!
–Não precisamos brigar! -Tatsuo se preparou para proteger o soco de Jerax, mas seu oponente parou o punho perto de seu corpo, e gerou uma rajada de energia da morte em Tatsuo, que levou todas em cheio, sendo lançado longe mas parando em pé. -Você não vai desistir, né?
Os dois começaram a trocar golpes em velocidades insanas, um olho comum não conseguiria acompanhar aquela luta. O nível dos dois altíssimos, o que era estranho para um garoto que estava participando de sua primeira batalha.
Com uma pequena distração de Tatsuo, Jerax se aproveitou e o golpeou. Eles estavam no ar, o necromante passou a ficar por cima.
–Pulso da morte! —O golpe foi muito mais forte do que o dado em Mithra. Tatsuo foi lançado no chão abrindo uma enorme cratera e fazendo uma quantidade enorme de fumaça subir.
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