Throw Away

29 Capítulo 29


Notas iniciais
Notas importantíssimas no final...
Boa leitura

Estava em um local quente e confortável. Escutava vozes ao fundo, barulho de maquinhas, algo pingando freneticamente... Sentia um ardência em minhas veias, dormência em meus pulsos e o pior de tudo, tinha um pressentimento ruim.

Com força, abri meus olhos e pisquei algumas vezes para me acostumar com a luminosidade do local.

As paredes eram todas brancas e limpas, os lençóis eram macios e impecavelmente limpos e a maca se encontrava no meio do quarto.

Espera ai... Maca?

Olhei novamente para o local e meu mau pressentimento se confirmou. Estava em um hospital.

Horrorizada, tentei me sentar, mas percebi que meus pulsos estavam atados as grades de proteção com faixas macias, mas resistentes e sem entender o que estava acontecendo, senti meus olhos marejarem.

-Ei, calma, não se desespere, ok? Vou chamar seus pais e avisá-los que você já acordou, Dominique. – uma voz conhecida me disse tentando me acamar.

Virei meu rosto em direção á voz e encontrei James sentado em uma poltrona, me olhando om preocupação.

Senti algumas lágrimas escorrerem pela minha maça do rosto, mas como não podia seca-las com as mãos, gemi.

-O que aconteceu? Por que estou amarrada? James, me ajuda a...

Ele se aproximou de mim e secou minhas lágrimas.

-Dominique, eu não sabia que você ficaria tão mal assim. Pensei que você tinha parado com isso, nem desconfiado que estava ficando doente, então não contei para seus pais. Eu nem sabia que isso podia te machucar tanto, eu...

-Do que você está falando? – perguntei confusa.

Ele suspirou.

-Dominque, você ficou desacordada por quatro dias. E os médicos descobriram o que você tinha logo quando chegou aqui... Eu só não sabia que era tão grave assim. Você estava desidratada, seu esôfago e estomago estão inflamados, seus rins estão com dificuldades para funcionar normalmente e sua pressão arterial está baixa... Os médicos entram e saem com remédios novos e outros tratamentos e estão dizendo que você vai ter que ser internada em um hospital psiquiátrico se isso persistir...

Mais lágrimas mancharam meu rosto.

-Eu não estou doente. – disse com a voz embargada.

-Domi, isso pode te matar. Bulimia mata e se você não aceitar que tem isso, os médicos não vão poder te ajudar.

Neguei com a cabeça.

-Estou bem, eu só quero que me desamarre dessa maca! – disse irritada.

Ele suspirou e começou a desatar as faixas.

-Durante seu sono, você tentou tirar as agulhas... – ele explicou baixo e depois que terminou de desatar todos os nós das ataduras, me olhou com profundidade. – Vou chamar seus pais... – avisou e antes que eu o impedisse, ele saiu do meu quarto.

Mexi nas minhas cobertas e percebendo que um papelzinho voou do lençol, me estiquei para pegá-lo.

Não era uma boa hora para bilhetinhos. Tinha ganhado alguns durante as aulas depois do Natal, mas não estava gostando da ideia de ser perseguida até no hospital.

Com as mãos tremulas, abri ele lentamente e li o que estava escrito.

Deveria ter dito ao seus pais antes que fosse parar internada no hospital. Eu sinto muito...

Amassei o papel com raiva, não acreditando que até ele achava que estava doente e o escondi embaixo do travesseiro.

Segundos depois, meu pai, minha mãe e Vick entraram no meu quarto, afobados.

Minha mãe e Vick estavam com os olhos vermelhos e inchados, enquanto meu pai me lançava um olhar preocupado e triste.

Minha mãe, sem dizer nada, correu para me abraçar.

-Meu amor, por que fez isso? – meu pai perguntou baixo, me olhando com um misto de decepção, tristeza e preocupação.

-Pensei que morreria, ma fille... – minha mãe disse com a voz embragada, se distanciando alguns centímetros de mim e se sentando na beirada da minha cama.

Solucei, sentindo uma vontade de chorar me atingir e olhei desesperada para minha irmã, que não tinha se pronunciado ainda.

Ela suspirou.

-Posso falar com a Dominique á sós? – ela pediu ao nosso pais e meu pai assentiu, sabendo que eu falaria com ela abertamente, enquanto ficaria calada com eles.

Os dois deixaram o quarto (minha mãe sendo arrastada pelo meu pai) e quando ficamos sozinhas, Victorie me olhou, primeiro com frieza e depois com carinho.

-Pensei que você me contava tudo, Dominique... – ela comentou baixo e com a voz cheia de magoa.

Suspirei.

-Eu estou bem, Vick, eu juro que não preciso de remédios, nem de hospital. – afirmei.

Vick bufou.

-Você não está bem, Dominique. Você está com bulimia nervosa, o pior estágio da doença...

-EU NÃO ESTOU DOENTE! – gritei com raiva. Por que todos afirmavam isso, quando eu sabia que não?

Os olhos de minha irmã faiscaram e ela se aproximou de mim feito uma cobra.

Eram nessas horas que eu via e reconhecia seu lado sonserino.

-ESTA SIM, DOMINIQUE! ESTÁ TÃO DOENTE QUE DROGOU VOCÊ MESMA PARA GANHAR A TAÇA DE QUADRIBOL! – ela gritou de volta irritada, pegando um papel de jornal da sua bolsa e me entregando. – Seu exame de sangue acusou um anabolizante, uma droga ilícita no mundo dos esportes trouxas inteiro! Onde está sua responsabilidade?

Olhei boquiaberta para a matéria de jornal que ela me entregava.

-Caiu na boca do mundo bruxo, Dominique. Descobriram, sabe-se lá como, que você usou drogas para melhorar seu desempenho e com um exame simples de sangue, descobriram que seu time inteiro usou também! Parabéns, querida, seu time ganhou a Taça trapaceando, sabia? E ganhou de verdade, porque nenhuma regra do colégio ou do Quadribol imaginaria que isso poderia acontecer, então não há punição. – ela despejou tudo me olhando com raiva e magoa, provavelmente resumindo o que estava escrito na matéria do jornal. – E o mundo inteiro sabe disso. A Skeeter fez questão de espalhar a mais nova fofoca do mundo bruxo e a sociedade não está nem um pouco satisfeita com isso. Sua reputação acabou, Dominique!

Olhei para aquela mulher que sempre me apoiou em tudo, e vendo ela gritando aquelas coisas para mim me machucou. Tudo que eu queria era que minha família sentisse orgulho de mim, mas fiz o contrario. Fiz ela se envergonhar, mais ainda, de me ter como membro.

Outro soluço veio e sem poder controlar, comecei a chorar desesperada.

Vick, que andava de um lado para o outro, esperando minha resposta, ao escutar meus soluços, parou o que fazia e me fitou confusa.

-Eu queria que tivessem orgulho de eu ser lufana. Não queria ser da casa perdedora e se ganhássemos a Taça da Casas e a de Quadribol iriam nos reconhecer e... – solucei novamente. – Eu só queria que a família me amasse, como amava a Rose por ser perfeita, e o James e o Alvo por serem igual ao pai... – solucei. – Eu queria deixar de ser gorda e feia e ser bonita que nem você e a mamãe... E...

Vick se aproximou mais de mim e me abraçou fortemente.

-Agora vocês me odeiam... – murmurei entre seus cabelos. – Mas eu só queria deixar de ser a perdedora da família...

Senti algumas lágrimas da Vick molharem minha camisola de hospital, enquanto percebia que toda sua frieza e magoa se dissolviam.

-Eu não te odeio, Dominique. Eu só fiquei com medo de te perder e fiquei com raiva de mim mesma por não ter percebido isso. Você é minha bonequinha, lembra disso? – perguntou com os olhos marejados, segurando meu rosto com delicadeza.

-Mas eu estraguei tudo... – murmurei, fungando.

Ela revirou os olhos e secou suas lágrimas.

-E quem se importa com isso? Provavelmente nossos tios e primos devem se importar, mas eu processo todos eles se precisar. – disse séria. – Eu, a mamãe, o Louis, o Teddy, a Margot, o papai, o James, o Alvo e a Lily estão preocupados com você, não com a reputação da família Weasley...

-Eu queria deixar vocês orgulhosos. – afirmei, olhando para minhas mãos.

Vick suspirou.

-Você vai nos deixar triunfantes se você se curar da bulimia, Dominique. – ela afirmou.

Olhei para ela incapaz de dizer que não tinha do que me curar, pois sabia que voltaríamos a discutir, então apenas assenti.

O movimento me fez sentir uma onda de náusea e antes que pudesse controlar o bile que subia pela garganta, corri para o banheiro e vomitei sangue puro.

Vick, que tinha me seguido até o banheiro, arfou e me ajudou a me levantar, me fazendo voltar para cama, enquanto ela chamava as enfermeiras.

Senti meu esôfago arder e lágrimas de dor brotaram novamente em meus olhos.

-Calma, Dominique, logo os remédios farão efeito... – Vick me disse baixo, afagando meus cabelos ruivos, enquanto me olhava preocupada.

Acho que até ela duvidava do poder de cura desses remédios.

A enfermeira entrou no meu quarto e depois de falar algo rápido com o médico ao seu lado, pegou uma seringa do bolso e veio em direção ao meu soro, injetando aquilo dentro da bolsinha. Então minha visão começou a ficar turva e novamente, fui engolida pela escuridão e pelo vazio.

Não acrediatava que tudo tinha dado errado.

Notas finais
Bem, vocês estão curiosas para saber quem manda os bilhetinhos? Proximo capítulo revelarei tudo sobre isso. Os motivos, quem foi, quando começou, porque começou. E o capítulo já está prontinho, então deixem reviews e recomendações, que posto ele em menos do que dois dias. Basta recomendarem. RSRS
XOXO