Throw Away
22 Capítulo 23
Notas iniciais
Obrigada Nicke Lestrange pela recomendação. Capítulo dedicado a vc.
Deixem reviews.
Olhei novamente para o meu boletim de poções e não conseguindo me conter, subi em cima da cama e comecei a dançar loucamente.
-Não acredito, meu Merlin! – disse rindo, animada demais para parar de pular na cama. Como não tinha ninguém no meu quarto, comecei a cantar uma música desafinadamente, rindo ao mesmo tempo. Fazia séculos que eu não fico tão animada assim...
-Isso não é algo normal, é? – escutei a voz de Nate me perguntar divertida e suspirei, me virando para a porta do quarto.
Nate e Dafne se encontravam na soleira da porta, sorrindo divertidos enquanto assistiam eu dançar malucamente.
-Não me diga que isso é uma dança demoníaca na qual você está convocando o demônio, Domi, por que se for, eu me uno a você. – Dafne disse divertida, subindo na cama junto comigo.
Sorri e a abracei forte, chamando Nate para se juntar a gente.
O garoto subiu na cama rapidamente e nos abraçou sorrindo, enquanto murmurava o quão gay aquilo parecia.
-Posso saber o motivo de tanta felicidade? – Dafne me perguntou quando se afastou de mim, tocando a ponta do meu nariz divertidamente.
Peguei meu boletim e mostrei para os dois. Tinha tirado um ótimo com uma carinha feliz do meu professor. Tudo bem que era uma matéria mais fácil, mas independente disso, eu estava melhorando.
Dafne sorriu e me abraçou novamente, enquanto Nate sorria feliz também.
-Domi, isso é muito bom. – ela me disse sorrindo.
Sorri de volta.
-Seus primos já estão indo para casa, Dominique. Vai perder a carona? – Nate me perguntou, se sentando na cama de Dafne.
Assenti.
-Minha irmã vai vir me buscar. Nós vamos passar em Paris para comprarmos os presentes que estão faltando... Vocês vão passar o natal aqui? – perguntei me sentando na minha cama também.
Nate negou com a cabeça.
-Meu pai me deu uma viagem para Moscou e eu vou passar a semana de recesso com a Dafne. – disse sorrindo amavelmente para a loira, que devolveu o sorriso da mesma forma.
Arregalei os olhos e sorri.
-Por que vocês só me disseram isso agora? – perguntei fingindo estar irritada.
Dafne deu de ombros.
-Talvez você estivesse ocupada demais irritada... – ela disse baixo.
A fuzilei com o olhar.
Não íamos começar aquela discussão outra vez. Eu não aguentava mais ouvir Dafne dizer que por mais que eu estivesse irritada, eu não deveria ignorar nem a Rose, nem o Erik, principalmente naquele momento difícil deles.
Desde aquele dia em que Rose tentou abortar, a vida dos dois se tornou um pequeno caos. Ela não perdeu o bebê, apenas muito sangue. Tio Ron e tia Mione ficaram mais preocupados com a saúde da filha, do que com a gravidez em si. Erik, que quase foi morto pelo futuro sogro, prometeu que assumiria o filho e que faria de tudo para criar a criança.
Dinheiro não faltaria para o Erik. A família dele era rica e com trabalho, pelo menos agora, ele não precisaria se preocupar.
Os dois maiores problemas eram os estudos da Rose e a aceitação da família dele em relação á criança. Erik era sangue-puro, de uma família tradicional e com antecedentes de preconceito. Eu não sabia se eles aceitariam bem um membro mestiço, mas como eu vivia tentando me convencer, aquele não era o meu problema.
Já as consequências para mim... Todos ficaram sabendo que eu havia ganhado galhos novos para enfeitarem com bolinhas de natal. E todos comentavam.
Como se não bastasse, eu tinha que manejar meus estudos, meu namoro ainda não assumido em público, o placar da taça das casas que ainda tinha a lufa-lufa como líder e meu corpo, que cada vez me incomodava mais.
Estava sendo uma época bem turbulenta.
-Vocês não vão começar a discutir sobre isso outra vez, eu me nego a ouvir mais um rodízio de idiotices. – Nate disse visivelmente irritado. – Eu concordo com a Dafne, mas não temos mais tempo para isso. Temos que ir.
Eu suspirei.
-Também tenho que ir... – disse olhando para o relógio de parede. – Quero presentes de Moscou, então caprichem. – anunciei sorridente e logo o clima que tinha ficado estranho, voltou ao normal.
Dafne revirou os olhos, mas sorriu novamente e me abraçou.
-Aproveite o natal, Dominique. De verdade... – ela me olhou profundamente e eu assenti, entendendo o que ela queria dizer. Aproveitar o natal para me reconciliar.
Veria o que podia fazer a respeito disso.
Nate me abraçou e beijou o topo da minha cabeça.
-Se cuida, ruiva, queremos você viva. – disse rindo baixo.
Assenti e lhe desejei feliz natal também. Quando os dois saíram do quarto, eu corri até o salão principal para encontrar uma certa pessoa.
*_*
-Meu pai pode aparatar com você também, Dominique. – James disse se aproximando de mim, enquanto eu mordia um pedaço da torta do café da manha.
Olhei para trás e sorri para o garoto.
-Minha irmã vai vir me buscar. Vou dar uma passadinha por Paris antes de ir para a casa da vovó. – anunciei.
Ele se sentou do meu lado e Alvo do outro.
-Olha, o Erik vai almoçar amanhã conosco. E passar a semana entre o natal e o ano novo também. Lá n’Toca. – Alvo disse com cautela.
Parei de comer meu pedaço de torta e gemi. Merlin desejava me presentear com mais alguma coisa nesse incrível natal? Eu já tinha chifres, meu ex estaria passando a semana comigo e para melhorar, todos sabiam disso. Quem sabe eu não podia ser atropelada pelo metro de Paris ou pelo trem que atravessava o canal da mancha? O que mais me faltava?
-Olha, eu posso falar com meu pai. Ele consegue convencer a vovó em segundos. – Alvo disse solidário, sorrindo para mim.
Lily, que estava conversando com algumas lufanas perto da mesa, se sentou de frente para nós dois e sorriu fracamente.
-Contaram a bomba? – perguntou discreta.
Os dois assentiram.
-Bem, eu pensei que se um de nós fizesse um drama básico nosso pai falaria com a vovó. – ela disse tentando soar esperançosa.
Sorri com a preocupação dos três.
-Eu posso conviver com isso, pessoal. – disse tentando me obrigar a sorrir. Percebendo que me olhavam com descrença, bufei. – Olha, eu posso fazer isso. Não tenho mais dois aninhos e não vou brigar com ninguém. Não é do meu perfil. Eu só vou ficar longe dele. – anunciei séria.
Lily assentiu e se levantou da mesa, chamando seus irmãos. James, que se passou por mim por último, sorriu e deixou um papelzinho cair em meu colo, dizendo que pediram para entregar para mim, e saiu também.
Intrigada, abri o bilhete.
Feliz Natal, Dominique.
Agora aproveite essa data para fazer algo bom. Como por exemplo, pedir ajuda para alguém... Ou terei que pedir por você?
Olhei sem acreditar para o papel e arregalei os olhos, entendendo o que o maldito queria dizer. Ou eu dizia para alguém como eu conquistei minhas curvas, ou ele mesmo contaria.
Só poderia ser o James. Ele era o único que sabia, literalmente, o que eu tinha. E que não era uma doença, era apenas uma forma diferente de emagrecer ou manter o peso.
Eu tinha que manter a boca dele fechada. De alguma forma, eu tinha que...
-Dominique, que bilhetinho é esse? – escutei a voz fria de Scorpius me perguntar e não acreditando na minha sorte, guardei-o no bolso.
Com um sorriso quase que planejado, eu me virei para poder vê-lo melhor, e fingindo inocência, pisquei algumas vezes.
-Ah, era um bilhete da Dafne. – disse com descaso. – Tudo bem? – perguntei docemente.
Ele me olhou divertido, fazendo todas as nuvens de desconfiança dos seus olhos sumirem quase que automaticamente.
-Vá para a Sala Precisa. – anunciou e se virou para sair do salão.
Esperei algum tempo e corri para a sala precisa, evitando passar perto do banheiro e vomitar tudo que eu comera fora. Vick logo estaria aqui e eu não queria perder tempo com isso.
Entrei ofegante na sala, começando a enxergar alguns pontinhos pretos por causa do quanto eu havia comido,mas ignorei, me sentando na cama enorme que Scorpius havia desejado.
-Pensei que iria embora com seus primos, então passei a manhã inteira te procurando. Onde você estava? – ele me perguntou calmo.
Abri um sorriso enorme e tirei meu boletim de poções do bolso.
-Comemorando minha nota de poções. – anunciei entregando para ele.
Scorpius passou seus olhos tempestade pelo pergaminho e sorriu feliz, largando o papel no colchão e correndo para roubar um beijo meu.
Deixei que ele me beijasse delicadamente, enquanto meu corpo caia sobre o colchão fofo. Logo, seu corpo estava me pressionando sob a cama, enquanto eu me perdia na sensação deliciosa de beijar ele.
Senti suas mãos saírem da minha cintura e descerem pelo meu quadril, tornando o beijo mais sensual, e seguindo a sensação, arranhei de leve seu abdômen.
Scorpius grunhiu sob meus lábios e se separou de mim ofegante, se sentando na cama um pouco agitado.
Observei ele passar a mãos sob os fios loiros, enquanto tranquilizava sua respiração, e suspirei, ajeitando minha saia jeans.
-Hum, Scorpius, eu... – comecei a falar, mas ele se virou e sorriu.
-Tenho um presente para você. – disse como se nada tivesse acontecido. Seus olhos, nublados por causa do desejo eram a única coisa que lhe entregava.
Mas espera ai, ele disse que havia tinha um presente para mim? Ai meu Merlin, eu não tinha comprado nada, nem mesmo para minha mãe. Eu iria comprar tudo hoje. O que eu ia dar agora para ele?
Assisti ele tirar uma caixinha de veludo do seu bolso e me entregar em silencio, apenas analisando minha reação.
Abri a caixa com cautela e arfei quando notei um relicário de prata, na forma do brasão da lufa-lufa. Era simplesmente delicado e antiquado.
Olhei para ele com um sorriso surpreso nos lábios.
-É lindo, Scorpius. Mas deve ter sido caro e...
-É uma joia de família, Dominique. – ele disse calmo, me olhando nos olhos.
Ótimo, como que se compete com uma joia de família? Um terno da Armani?
-Eu não posso aceitar, Scorpius. Pertence a sua família e eu não comprei presente para ninguém ainda... Eu vou me sentir mal se souber que você tirou isso do acervo da sua família para me dar.
Ele revirou os olhos, sorrindo divertido em minha direção.
-Bem, esse pingente só foi usado por uma mulher da família Greengrass, e isso foi há mais de 200 anos atrás. Tenho certeza que além dela, ninguém vai sentir falta dele. Além do mais, você merece, não conheço alguém tão lufano quanto você para ganhar isto.
Observei o pingente mais uma vez e suspirei.
-Mas eu não comprei presente para você ainda... – tentei contestar.
-Dominique, aceite logo o presente e pare com isso. – disse mais sério.
Assenti e sorri agradecida.
-O que eu compro para você? – perguntei em dúvida. Meu maior desafio era comprar presente para os meninos da minha casa, eu nunca sabia o que dar.
O loiro deu de ombros.
-Não quero nada muito caro. Na verdade, não ligo muito para presentes...
Assenti já com uma ideia formada na cabeça. Paris era cheia de lojas legais, eu acho que eu já sabia o que dar para ele.
Ele olhou para seu relógio e suspirou.
-Vai passar o natal com seus avós? – me perguntou.
-Sim. E de brinde, Erik vai estar lá também. – disse irritada.
Ele rapidamente ficou sério. Scorpius começou a alimentar uma raiva por ele depois que descobriu o caso.
-Pode passar o natal comigo se quiser.
Ri baixinho.
-Tentador, mas seu pai não ficaria muito feliz. Uma Weasley na mansão Malfoy em pleno Natal? – disse com ironia.
Ele sorriu.
-Você sabe que meu pai admira muito sua irmã? Na verdade, ele já contratou ela umas quatro vezes. E sua mãe frequenta o mesmo clube de bruxas que minha mãe frequenta. Elas até já tomaram chá juntas...
Arregalei os olhos. Como ele sabia de tudo isso, enquanto eu não sabia nem quanto minha mãe calçava?
Isso não é normal.
-Portanto, eu posso permitir que você use a rede pó de flu para almoçar ou jantar conosco. – ele disse sorridente.
Assenti.
-Verei o que posso fazer. – disse calma, lhe dando um selinho.
Scorpius assentiu e dando mais uma olhada no relógio, se levantou, dizendo que tinha que ir, ou perderia o trem de volta para King’s Cross.
Assisti ele sair e corri para a sala da diretora, pronta para passear pelas ruas de Paris com minha irmã.
Notas finais
Eu amei. RSRS. Agora, depois do Natal, as coisas esquentam...
XOXO
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