Through the pages

2 Capítulo 2 - Fuck you


Notas iniciais
Oi, mores! Tô de volta o/ Estou postando esse capítulo pelo celular porque o computador que eu tô usando é MUITO ruim kkkkk e também é por isso que a fic ainda tá sem a capa. Assim q eu tiver meu notebook de volta, eu faço uma linda & digna. MUITO OBRIGADA PELOS COMENTÁRIOS!!!!! Sério, fiquei muito feliz e por isso estou aqui postando mais um pedacinho da história :] continuem assim kkkkkkkk A música desse capítulo é Fuck you - Lily Allen

“Está olhando o quê, Swan? Nunca viu uma mulher na vida?” Regina cuspiu as palavras no rosto de Emma, a proximidade entre elas era maior do que ambas gostariam naquele momento. A morena bateu seu ombro no de Emma e seguiu seu caminho, desfilando tão graciosamente pelo saguão quanto um dragão faminto. Emma, por sua vez, engoliu a seco e adentrou o elevador. Cumprimentou as demais pessoas educadamente e murmurou para si mesma “Podia ser pior...muito pior.”

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“É O QUÊ? MAS VOCÊ É MESMO MAIS INCOMPETENTE DO QUE EU IMAGINAVA! EU JÁ DEVIA SABER. NEM SEGURAR UM COPO DE CAFÉ VOCÊ CONSEGUE, QUEM DIRÁ UMA CÂMERA! ESSE BORRÃO QUE VOCÊ CHAMA DE FOTO ESTÁ INUTILIZÁVEL!” A editora da seção de fofocas jogou o material recém trazido à ela na cara da moça à sua frente. “Mary Margaret Blanchard, saia da minha frente antes que eu mesma chute você para fora.” Regina disse entre dentes, as mãos na cintura e o pé batendo inquietamente no chão. A fotógrafa de celebridades tinha a pele branca como a neve e um rosto doce e angelical. Seus cabelos, que não chegavam ao final da nuca, eram negros e lisos. O barulho estridente que fez a porta da sala de Regina quando a conversa acabou deixou claro à todos daquele andar que o dia seria, sim, muito pior do que imaginavam.

Regina Mills era conhecida por todos os funcionários do jornal como “Rainha Má”, apelido que carinhosamente herdara de sua mãe, Cora Mills, que costumava ocupar o lugar da filha antes de se aposentar. A condecoração teve seus ajustes, já que a matriarca dos Mills era chamada de “Rainha de Copas”, uma vez que todos se sentiam como se suas cabeças fossem arrancadas de seus corpos após todas as reuniões, de tanta dor de cabeça que ela lhes dava.

A morena sabia muito bem dessa brincadeira de mau gosto que haviam criado, e, mais importante, ela sabia muito bem quem a havia criado. Não que Regina envenenasse seus colegas de trabalho com uma apetitosa maçã, mas chegava bem perto. Seu cargo dentro daquela redação demandava que ela agisse assim. Era briga atrás de briga, bronca atrás de bronca. Nada parecia deixar a mulher de olhos cor de chocolate satisfeita. Nem mesmo a autora do apelido sem graça. Nem mesmo aquela loira.

“Regina Mills do The Daily Mirror falando, pois não?” Regina atendeu ao telefone de sua mesa usando seu tom mais seco.

“Olá, querida. Venha até minha sala imediatamente.” A voz do outro lado da linha respondeu com um tom à altura.

“Estou ocupada agora, s-“

“Não, querida. Você não está. Um minuto e contando...” A voz a interrompeu, num tom mais suave, porém amedrontador.

Merda. Os sentidos de Regina estavam tão à flor da pele naquele dia que ela se esqueceu. Ela se esqueceu, por um instante de impulso, de quem era a voz do outro lado da linha. Seus tons rudes e suas palavras desrespeitosas poderiam ser engolidos por qualquer um dentro daquele prédio. Menos por ele. Um arrepio lhe subiu a espinha só de pensar no sorriso sarcástico que devia estar estampado no rosto dele naquele momento.

“Bom dia, Mr. Gold. Creio que cheguei em menos de quarenta e cinco segundos, o senhor não acha?” Regina fez seu caminho para sentar-se na cadeira, gesticulando o dedo sobre seu relógio dourado de pulso, um sorriso sem humor algum se deitava em sua boca.

“Bom dia, querida. Que bom que está recomposta. E que bom que já está à vontade.” Gold devolveu o sorriso.

“Há algo errado? Eu tive que ir lá embaixo mais cedo porque a tonta da Mary Margaret derr-“ A mulher, com a voz um pouco falhada, foi interrompida novamente.

“Não há nada de errado, Ms. Mills. Não com você, pelo menos. Soube do pequeno acidente, sinto muito por seu vestido. Deve ter sido caro.”

“Sim, é um Armani, mas –“ Parecia mesmo que o dia seria cheio dessas interrupções deselegantes.

“Emma Swan.” O tom do editor-chefe do jornal soou mais alta, lembrando a Regina quem é que mandava. A morena arqueou uma sobrancelha e inclinou o rosto para o lado, confusa.

“Perdão?”

“Hoje pela manhã, assim que cheguei, fui checar todas as salas e mesas, como sempre faço. Tudo estava na mais perfeita ordem, exatamente do jeito que eu gosto. A não ser por uma sala. A de Emma Swan.”

“Ainda não entendi aonde você quer chegar.” Os olhos de Regina, agora com a testa franzida, traçavam todo o rosto de seu chefe, procurando por uma resposta.

“Você? Não me lembro do dia em que lhe dei tamanha...intimidade, querida.”

Ele sabia. Só podia ser isso. Por qual outro motivo o editor-chefe do The Daily Mirror, seu chefe carrasco, temido por todos, a teria chamado em sua sala para conversar sobre ninguém mais, ninguém menos do que Emma Swan? Aquela desgraçada iria pagar por cada minuto além do expediente que Regina havia perdido em sua sala, na de Emma, no banheiro ou num quarto de algum motel chique. Mas ela esperava o quê? Que esse conto de fadas fosse durar eternamente sem que ninguém ao menos desconfiasse? As duas, de fato, se odiavam, e isso estava estampado no rosto das duas toda vez que se esbarravam pelos corredores ou nas reuniões. Isso era um alívio para ambas, já que, desse jeito, não haveria como descobrirem o pequeno relacionamento – se é que pode se chamar assim – delas.

“E-eu...” Regina tentou, mas foi sabotada por sua própria voz sumindo e suas mãos tremendo.

“Quando adentrei a sala, que, diga-se de passagem, tinha a porta surpreendentemente destrancada, me deparei com uma quantidade excessiva de papeis pelo chão e o celular dela. Acredito que a senhorita Swan tenha tido alguma briga com o namorado, ou algo parecido. Também não me interessa-“

“Ela não tem namorado.” Regina respondeu direta e rapidamente. Rápido demais.

“Tanto faz. A questão é que, senhorita Mills, há algo de muito estranho acontecendo com Emma. Quero que descubra para mim.” Gold apoiou os cotovelos na mesa e descansou o queixo em suas mãos cruzadas. Seu sorriso era o de um chantagista profissional.

“ E o que eu ganho em troca?” A editora levantou o queixo e arqueou uma sobrancelha, desafiando-o.

“Como?” Seu chefe apertou os olhos.

“Não seja cínico, Gold. Todos sabemos que, com você, tudo se trata de acordos. É mais do que justo que eu tenha a minha parte, você – o senhor não acha?” A expressão desafiadora nunca deixava o rosto dela.

“Muito bem. Sabe, Regina, você tem muito da sua mãe. Cora era exatamente assim. Autoritária, intransigente, prepotente, sexy...” E então Mr. Gold pegou a mão da morena à sua frente, acariciando a palma com seu polegar.

“Mas o que é-“ Antes que pudesse terminar, Regina foi interrompida, não pelo homem, mas pelo nojo que estava sentindo dentro de si. Com um movimento certeiro, a mulher mais nova arrancou sua mão das dele e o acertou bem no meio da bochecha. O barulho do tapa ecoou pela sala e, se ela não fosse tão afastada dos outros setores, certamente teria causado um alvoroço entre os outros funcionários. “Vai se foder.” E Regina bateu a porta o mais forte que conseguiu. Acelerou o passo e entrou no banheiro mais próximo que encontrou.

Dentro de uma das cabines, Regina chorava furiosamente, esvaindo até sua alma de toda a água que seu organismo pudesse produzir. Eram lágrimas quentes, que quase evaporavam quando entravam em contato com as bochechas também fervendo da morena. Pouquíssimas vezes em sua vida Regina havia sido humilhada. E todas as vezes por sua mãe. Nunca por um homem. Nunca por aquele ser repugnante para quem prestava serviço. As mãos trêmulas puxavam os cabelos para cima, tentando descontar naqueles fios toda a raiva autodepravação que estava sentindo.

Seu momento só foi interrompido quando ouviu a porta se abrir. Ouviu também passos vindo em sua direção. Não. Ela não precisava daquilo. Não queria ver ninguém na sua frente, nem pintado de ouro e cravejado de diamantes da Tiffany & Co.

“Olá? Tem alguém aí?” Uma voz feminina e um tanto delicada soou baixinho, hesitante.

Era a voz de Emma. Mas que diabos? Os astros e satélites e estrelas e o diabo a quatro deveriam estar conspirando contra Regina há tempos, bolando um plano para que sua vida fosse totalmente destruída em um único dia.

Emma olhou para baixo e reconheceu os sapatos altos de couro. Era Regina. Sua colega de trabalho e parceira honorária nas atividades extracurriculares. E ela, com toda certeza do mundo, estava em apuros. Ou com dor de barriga.

“Regina, é você?” A voz da loira era mansa e cautelosa e a testa franzida e olhos estreitamente arregalados mostravam uma Emma preocupada e delicada.

Na verdade, era exatamente assim que Emma Swan agia em seu dia-a-dia. Exceto pelas vezes em que seu carro não queria colaborar ou que ela xingava seu café velho de cada dia, Emma era uma pessoa doce. Todos os jornalistas recém-formados ou ainda estagiários sonhavam em trabalhar para ela. Apesar de ser a chefe da seção criminal, que requeria sangue frio e hostilidade, a jovem nunca se deixou levar pelos horrores que tinha que enfrentar todos os dias. Tentava não sobrecarregar seus inferiores e era flexível com relação a horários, principalmente para com aqueles que ainda cursavam a universidade. Seu mantra era sempre tentar se colocar no lugar do outro. E assim Emma levava seus dias. Seus novos dias desde que saíra da prisão há dez anos, quando jurou para si mesma ser uma nova pessoa. E assim foi.

“O que foi, Swan? Será que você nunca pode me deixar em paz?” A voz da mulher mais velha saiu em meio a soluços, uma voz fraca e cansada. Foi aí que Emma soube que, naquela sexta-feira fria, absolutamente tudo estava fora do lugar.

“Não, nesse caso, eu não posso. Me deixa entrar?” A mão de Emma já estava apoiada na porta quando Regina soltou uma respiração de derrota. Sua mente queria a loira o mais distante possível, queria ver sua cabeça nos confins do Grand Canyon ou algo do tipo. Mas seu coração, bem... essa já é uma outra história. Uma bem mais complicada.

Quando a jovem abriu a porta da cabine cuidadosamente, como quem abre a porta para um abismo escuro e mortal, Emma olhou para Regina. Foi um olhar diferente de todos os outros que ela já havia oferecido à morena. Esse era um olhar convidativo, compassivo e terno, vazio de qualquer gota de luxúria ou malícia. Emma se agachou na frente da morena e repousou a mão na coxa dela. Talvez esse fosse um movimento muito arriscado e ela fosse se arrepender demais depois, mas que se dane.

“Ei, eu estou aqui. Não chora...o que houve, Regina? Céus!” Os olhos de Emma ainda estavam fixos no rosto de Regina, que estava encharcado de lágrimas salgadas e amargas.

Depois de longos segundos, a outra mulher respondeu secamente “Grandes coisas.”

“Por deus, Regina. Por deus. Eu não sei por que ainda cismo em tentar ser legal. Tsc, eu sou muito, mas muito ingênua de pensar que você, algum dia, poderia amolecer esse coração de vidro empoeirado que você tem. Olha, pra mim já deu, ok? Vai se foder.” As palavras saíram um pouco mais alto do que a loira gostaria, mas, se alguém perguntasse ela se arrependeu de ter sido dura daquele jeito com Regina naquele estado claro de sofrimento, ela negaria. Com todas as letras. O que não necessariamente era verdade. Então ela se levantou abruptamente, dando as costas para a mulher cujas lágrimas agora caíam ainda mais velozes e amargas.

“Emma, espere...”

Notas finais
...........momentos...... E esse Gold abusador? NÃO PASSARÁ! Ainda bem que a Regina é bicha má vingativa e não vai deixar barato hehehe Comentem o que acharam do capítulo / o que vocês querem que aconteça daqui pra frente :} beijos