Through the pages
1 Capítulo 1 - Hit me like a man
Notas iniciais
Ah, e o nome do capítulo é a música Hit me like a man - The pretty reckless. Se eu continuar com a história, minha intenção é a de escrever cada capítulo baseado numa música que tenha a ver com a storyline.
Espero que amem :)
Sobre a mesa de Emma já não havia nada que pudesse, remotamente, lembrá-la que estavam em seu local de trabalho. Os montes de papel que sempre eram meticulosamente arrumados, agora se resumiam a um oceano branco sobre o chão. Havia clips de papel, lápis, canetas, seu celular. Tudo descansava, imóvel, sobre o chão de porcelanato. Ao redor, além do barulho rotineiro das buzinas dos táxis apressados de Nova York, só se podia ouvir os gemidos e os clamores de Regina. Ela queria mais. Ela queria aquela mesa ainda mais bagunçada, queria seu cabelo ainda mais desgrenhado, queria a loira explorando todo canto de seu corpo.
“Swan...” Regina sussurrou em meio a um gemido, arqueando suas costas, que estavam brutamente arranhadas e suadas. Seus lábios tremiam e abriam, esporadicamente formando o menor e mais profano dos sorrisos.
“Implore. Quero ouvir você implorando” disse Emma, já de pé entre as pernas da morena e segurando-a pela cintura. Regina enlaçou suas pernas no quadril da outra mulher, trazendo-a mais para perto. O movimento fez Emma se desequilibrar e apoiar as mãos sobre a mesa, deixando-a apenas centímetros distante da boca borrada de batom vermelho. E então, finalmente, os olhos verdes da loira encontraram os marrons e elas trocaram um breve olhar. Breve, contudo, mais profundo do que o mais profundo dos oceanos. Por uma fração de segundos, ambas podiam jurar ter sentido seus corações batendo mais rápido.
Emma rapidamente desviou seus olhos, nunca afastando seu corpo daquela posição. Ela ergueu uma das pernas, dobrando o joelho e o encostando entre as pernas de Regina. A saia que a mulher mais velha usava subiu um palmo, expondo a calcinha vermelha de renda que ela usava. Apesar de não estar completamente nua, Emma pôde perceber que o sexo de Regina estava molhado, deixando transparecer pelo tecido fino da peça. Vendo que a morena continuava calada, com os olhos fechados e os lábios partidos, como se fosse uma prisioneira implorando para não ser torturada, a loira atacou, usando um tom mais grosso e baixo.
“Se você não quer falar por bem, falará por mal.” E Emma afundou sua boca no pescoço de Regina, seu nariz testemunhando o aroma doce e perverso de seu perfume. Aquela atitude repentina e voraz com certeza deixaria algumas marcas em longo prazo. Nada que alguma maquiagem cara não pudesse resolver. A mulher mais nova continuava chupando e beijando o pescoço da mais velha, traçando arranhões em seus braços e sua barriga já à mostra. Regina imediatamente soltou um grito agudo e desesperado, o que fez a veia em sua testa saltar, coisa que só acontecia quando ela atingia seu estado máximo de estresse e raiva. Bom, aparentemente, de prazer também. Emma apenas levantou o rosto quando precisou de ar. Soltou uma respiração ofegante e deu à outra mulher um sorriso maléfico e muito, muito sedutor. Seu joelho já estava imprensado sobre o centro de Regina, e, involuntariamente, desenhava círculos em torno dele, estimulando-o a trabalhar ainda mais ferozmente, levando a morena à loucura.
“Emma...não...pare...” Ela conseguiu dizer após um bom tempo tentando recuperar o fôlego e a sanidade. “Não podemos. Não mais.” Falou em seu tom autoritário com o qual Emma já estava mais do que acostumada, enquanto se recompunha, sentando-se na mesa e reabotoando sua camisa de algodão branca. Emma suspirou e lançou um ar questionador para a mulher que ainda tentava parecer apresentável.
“Sabe, Regina, eu realmente não consigo te entender. Quando começamos esse nosso...” Emma procurava a palavra apropriada para definir a relação entre elas. “...essa nossa brincadeira, concordamos em fazê-la casualmente, sem muita conversa ou contato visual. É só sexo, Ms. Mills. Não é grande coisa. Você só precisa abrir suas pernas e me deixar fazer o resto.”
“Não é assim tão simples.” Os olhos que, até agora, se mantinham firmes em qualquer objeto jogado no chão, se ergueram, e encontraram um par de olhos verde esmeralda os encarando, esperando por uma continuação plausível. “Emma, não me peça para explicar. Eu só... não estou no melhor humor do mundo hoje. Agora, se me dá licença.” Regina saltou da mesa e fez seu caminho para fora da sala de Emma, clicando o salto de seus sapatos altos de couro com pressa e raiva. Em vão. A mulher pomposa e cheia de si foi puxada pelo braço, mais fortemente do que gostaria ou toleraria.
“Escute aqui,” A loira apontava o dedo indicador no rosto da morena, lançando-lhe um olhar ameaçador e furioso. “Você pode até me usar e jogar fora logo depois, afinal, foi isso que combinamos fazer. Agora, não fique você pensando que pode fazer isso e sair andando sem me dar uma explicação – uma decente. Se você, meu amor, acha que tem o direito de recuar do jeito que você recuou agora e simplesmente dizer que não está no melhor humor, me deixando aqui humilhada, rebaixada, me sentindo como um lixo sexual, sinto muito, mas você não tem!” Ela soltou seu braço desleixadamente e saiu batendo a porta, deixando para trás toda aquela bagunça: a noite barulhenta que refletia nos vidros da sala, os papeis, os lápis, a mesa e, principalmente, Regina Mills.
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Emma acordou com o barulho ensurdecedor de seu despertador, às 7h, como fazia todos os dias. Tentou abrir os olhos lentamente, relutante em acreditar que era sexta-feira e, apesar de ser véspera de final de semana, significava que ainda era um dia de trabalho. Trabalho duro. No mesmo andar que a mulher com quem tivera uma discussão pós-frustração sexual na noite anterior. Regina Mills. O nome da mulher ecoou em sua cabeça e Emma logo puxou um travesseiro e o pressionou contra o rosto, abafando o grunhido que saiu fervendo de sua garganta.
Após um banho mais demorado que o normal, a loira olhou para o relógio e viu que estava quinze minutos atrasada. Não daria tempo de tomar seu tão desejado café da manhã – e, por café da manhã, leia-se uma tigela de cereal com leite e um café velho. Emma estava sempre ocupada com o trabalho e nunca gostou da ideia de ter uma empregada, portanto, teria de se contentar em ter café fresco muito raramente. “Pelo menos não vou precisar tomar essa porcaria,” ela murmurou para ela mesma antes de bater a porta de seu apartamento. Após três tentativas de fazer o velho fusca amarelo funcionar e muitos xingamentos, Emma conseguiu sair de seu condomínio e ir em direção ao edifício onde trabalhava.
Antes desta sexta-feira que acabara de começar, já houve dias em que Emma desejou não ir trabalhar. Ou melhor, desejou nem acordar. No passado, houve dias mil vezes mais difíceis do que uma sexta-feira de muito azar, em que seu carro se recusava a ligar ou em que ela tivesse que lidar com estagiários inundando seus ouvidos com perguntas desnecessárias e seu chefe sempre a lembrando dos grandes planos que ele tinha para ela. Em outros tempos, Emma teve que lidar com seus companheiros de cela ameaçando sua vida e com aquela comida que, certamente, era mais intragável do que o café velho.
E ela pensou em seu passado enquanto dirigia, pensou em tudo o que aconteceu em sua vida até que ela chegasse onde estava hoje. Passar aquela sexta-feira tendo que aturar a presença de Regina não deveria ser tão ruim, afinal.
Com esse pensamento derradeiro, Emma bateu a porta do carro e andou até o térreo do prédio com as mãos dentro de sua típica jaqueta de couro vermelha. Sua respiração nervosa era flagrada pela fumaça gelada que saía de sua boca, confirmando o inverno severo que se assentava em Nova York. A mulher suspirou lentamente enquanto olhava o letreiro já iluminado no topo da construção: Jornal The Daily Mirror. Ela tinha um dia e tanto pela frente.
“Bom dia, Ruby. Sei que hoje é sexta-feira e que o número de clientes consequentemente aumenta, mas eu realmente preciso que você adiante um café bem forte para sua querida amiga que vos fala e que está muito atrasada. Obrigada!” Emma atropelou todas as palavras, dando um sorriso desesperado para a balconista da cafeteria do prédio.
“Wow, bom dia para você também. E é bom te ver aqui, Ems. Achei que tinha me abandonado de vez.” A morena com mechas vermelhas sorriu gentilmente de volta, virando-se para preparar o café da loira e fingindo que não a viu furando a fila.
“Aqui está” Ruby entregou o copo para Emma, que rapidamente deu um gole no líquido e saiu correndo, levantando o polegar em agradecimento para a amiga.
O botão do elevador já estava quase caindo de tanto que a funcionária o apertava e, quando a seta finalmente acendeu e o barulho soou, as portas se abriram lentamente e Emma levantou o olhar. A visão que ela teve não lhe agradava. Não, nem um pouco. A mulher de cabelos pretos curtos a lançou um olhar devorador antes de bufar. O queixo de Emma caiu involuntariamente quando viu o vestido grafite da mulher com uma mancha marrom enorme. Era Regina Mills naquele vestido grafite. Havia café derramado no vestido grafite de Regina. Sorte do dia: o responsável por aquela tragédia não era Emma Swan.
Notas finais
T animada para escrever mais! hahahaha
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