─Você é rápida – Travis parou seu cavalo negro e desceu para o mato coberto com a neve. Marie cessou seu andar e virou-se para encarar o homem que se aproximava.

─ Você que é velho.

Ele riu e ela arqueou a sobrancelha como se não entendesse qual foi a piada. Os ventos fortes da floresta mal assombrada corriam fortes pelo campo e faziam as madeixas ruivas da jovem e o seu colar com um símbolo de raposa baterem no peitoral dele, fazendo um barulho engraçado junto com a malha negra que usava. Ela abaixou o olhar a fim ter visão do colar para guardá-lo e cessar o barulho, mas Travis pôs sua mão encapuzada com uma luva negra no queixo e levantou seu rosto corado. Eles se entreolharam e foi questão de segundos até os lábios se encontrarem.

O cavalo ficou parado e quieto próximo à uma árvore onde o seu dono o deixou, enquanto Marie guiava seu acompanhante para uma caverna próxima que ela conhecia muito bem e fez questão de apresentar para ele nos seus últimos encontros. Travis sentou-se em uma rocha e puxou a amada para seu colo, onde trocaram carícias e beijos que foram cada vez transformando-se em algo mais intenso.

Ela retirou toda a vestimenta negra dele com pressa, enquanto ele parecia deliciar-se visualmente ao tirar aos poucos cada pele que ela vestia. Travis revezava seus beijos entre os seios róseos e a boca avermelhada de Marie, que por sua vez fazia sua mão percorrer os músculos do abdômen do homem em direção ao sul. Quando finalmente chegou ao membro deste, posicionou-o em direção à sua intimidade e sentou-se no colo dele, cavalgando-o.

Os gemidos podiam ser ouvidos fora da caverna até que foram atenuando-se até que os bosques ficassem silenciosos novamente.

Ao final, enquanto olhava a mulher se vestir, ele soltou um sorriso triste.

─ Nós não podemos continuar com isso por muito tempo.

─ Por que? Você vai morrer, velho?

─ Porque eu sou um patrulheiro da muralha – Ele se levantou da rocha e abraçou as costas de Marie, ajudando-a a abotoar o casaco – e você uma selvagem.

─ Para mim você é só um velho – Virou-se e segurou o rosto dele com suas mãos cheias de cicatrizes. Seus dedos afundavam na barba do homem – E eu sou uma jovem que está sendo torturada e forçada a fazer coisas terríveis para satisfazê-lo – Levou os lábios ao encontro dos dele, mas Travis virou o rosto.

─ Eu estou falando sério, Marie.

─ O que você quer que eu faça? Finja que não te conheci? Que a gente não acabou de fazer o que fez?

─ Não – Respondeu depressa, mas depois repensou – Eu não sei. Acho que nós deveríamos ter um tempo para ver a situação com calma. A minha patrulha vai terminar logo, eles estão convencidos de que não há selvagens por perto da muralha. Quem sabe qual será a próxima vez que eu vou poder estar por aqui? Meses, no mínimo.

─ Então por que você está gastando tempo falando? – Ela fez uma segunda tentativa e, dessa vez, com sucesso. Enquanto o beijava, agarrou a cintura de Travis com as pernas e, como ambos ainda estavam bastante descobertos, facilitou o trabalho de desvestirem-se tudo de novo.

Quando desocuparam-se e voltaram à sua sanidade, estavam deitados no chão úmido da caverna. As águas aquecidas impediam seus corpos nus de sentirem o frio que vagava a floresta.

─ Volte para esta caverna quando você vier em uma patrulha futura – Travis desviou o olhar perdido no teto para os olhos verdes de Marie. Eles pareciam tristes – Eu vou deixar alguma mensagem para você.

─ Mensagem sobre o quê? Espera, você sabe escrever?

─ Sobre mim, velho – Chutou-o no calcanhar como se fosse um desrespeito ele não saber. Continuou a fala com um tom mais baixo e acanhado – Vou dizer onde você pode me encontrar, como eu estou. Bem, se eu quiser te encontrar – Empinou o nariz, com um ar superior – É claro que sei. Eu tenho meus segredos também, senhor Stark.

Ele sorriu. A ruiva se levantou e fez seu caminho até a rocha onde ele mais cedo havia sentado.

─ Vai ser aqui.

O patrulheiro se levantou e observou a rocha. A imagem de Marie se desfez. Ele pôs a mão, coberta pela luva negra, onde a dela muitos meses antes havia estado. A rocha estava desgasta e rabiscada com uma letra confusa. Um sorriso se abriu na barba espessa de Travis. Ele aproximou seu rosto até que conseguisse uma boa leitura.

"Velho. Aconteceram coisas. Eu não posso entrar em detalhes, se alguém ver essa mensagem eu meio que estarei fodida, então eu fiz uma coisa. Lembre-se do primeiro lugar onde nós nos encontramos. Eu sei que deve ser difícil para sua mente senil, mas se esforce. Lá você terá respostas.Yours truly, Marie"

Uma nuvem de ar se fez com o suspiro de decepção do lobo. Refez seus passos de volta ao cavalo que já não era o mesmo que na patrulha passada o acompanhara. Cruzou seu caminho pela floresta e viu o crepúsculo aprofundar-se. O céu sem nuvens tomou um profundo tom de púrpura, a cor de uma velha mancha escura, e depois se dissolveu em negro. As estrelas começaram a surgir. Uma lua cheia se ergueu.

Quando parou seu passeio próximo à uma colina e desmontou, estranhou ao ver a fumaça próxima. Apressou os passos, pronto para o sermão que daria a Marie depois de tomá-la em seus braços pelo descuido que é esse ato que atrairia patrulheiros e selvagens.

Encontrou com facilidade o acampamento e tão logo entrou na tenda, ficou boquiaberto. Havia outra mensagem para ele, em um papel rasgado por cima de um bebê.

"É isso que você está pensando, infelizmente. É nossa. Eu tive que fugir do meu grupo quando grávida, porque não havia como explicar de quem era esse bebê. Seria traição. Refugiei-me junto de uma amiga, Orsia, a que deve ter lhe recebido... Já que se você estiver lendo esse bilhete, Velho...

Significa que eu já não estou mais entre os vivos. Então... Cuide dessa pequena, sim? Ela parece ser muda que nem você. Nunca chora, nem faz barulho algum. Eu espero que ela não seja um problema para você.Yours truly, Marie."

O colar de raposa da amada estava por cima da carta. Travis tomou um momento para olhar o rosto do bebê. Ela estava em um eterno silêncio, como havia sido descrito pela mulher. Ele observou por perto uma série de pequenas jarras com leite, provavelmente de cabras. Tomou a liberdade de pegar um e alimentar a criança e, enquanto ela se amamentava, analisou melhor a folha e viu no seu verso escrito diversos nomes rabiscados. Menos um. Hannah.

Ao sair da tenda com a criança ao colo, viu que o fogo já havia sumido. Pôs Hannah em uma posição segura para a viagem e montou em seu animal, percorrendo um caminho diferente. Pode ver próximo ao riacho o corpo de quem parecia ser Orsia, e não atreveu-se a se aproximar para averiguar a quanto tempo estava morta. Apenas mantinha na mente a criança, e seu futuro.

Até ser interrompido por um grupo de selvagens.

Notas finais
Yay :>

Essa fanfic é um projeto antigo meu que eu estou refazendo com novos personagens e um enredo mais "real" no GoT (pelo menos, tô tentando)

Então se vocês viram uma bem parecida e antiga no Nyah, não é cópia, tá? É que eu não me lembrava da senha da minha antiga conta! XD

Enfim, espero que gostem!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.