Three Cheers For Sweet Revenge.
3 To The End
Notas iniciais
Cheguei em casa feliz, pensando sobre o dia seguinte. Acho que foi a primeira vez que eu fui convidado para ir à uma festa de verdade. Após pedir uma pizza, acabei adormecendo. Acordei no outro dia e já era passado de meio dia, fui pra cozinha e preparei uma xícara de café com torradas. Após comer, fui ver o que estava passando na TV. Nada de interessante. Acabei de assistir um programa qualquer sobre música e fui tomar um banho, já eram seis da tarde. Saí do banho, coloquei uma calça jeans, um All Star e uma camisa qualquer. Não sabia como a pessoa deveria se vestir para uma festa em uma mansão, mas achei que assim estivesse bom. Peguei minhas chaves e meus cigarros, como sempre, e saí. Decidi que ia conhecer a cidade antes da festa do Frank. Peguei o carro e fui dar umas voltas, parei até em um barzinho para pegar uma cerveja de lata para beber enquanto dirigia. Quando percebi, já estava na hora. Peguei meu celular para ver de novo o endereço que estava escrito na mensagem que ele me enviou ontem. Cheguei lá e já estava lotado de carros, a maioria deles parecidos com o do Frank. Fiquei receoso de entrar, de ter ido com a roupa errada e muitas outras coisas. E se eu me sentisse perdido? E se fosse um erro ter ido àquela festa? Aliás, por que fui? Tenho certeza que não foi só pelo fato de ter arranjado um amigo. Espantei todos esses pensamentos ruins da cabeça e saí do carro. Ao entrar na casa, vi todas as pessoas da nossa sala e, talvez, da nossa escola. E mais um pouco de gente! Então, Frank vinha em minha direção, um sorriso enorme no rosto.
– Gerard, você veio. Achei que não viria porque, você sabe, não somos tão amigos ainda e tal – Ele não parava de tagarelar – Mas estou feliz que tenha vindo mesmo assim! – Seus olhos brilhavam. Nunca tinha percebido como seus olhos eram magníficos.
– Eu não tinha nada pra fazer e percebi que já está na hora de eu conhecer gente nova, então, decidi vir. – Dei um sorriso tímido. Ele riu também.
Nesse mesmo momento, vi aquele menino, Bob. Ele já parecia estar bêbado, e estava sempre acompanhado pela mesma ganguezinha. A mesma a qual Frank pertencia. Ele passou rindo com os amigos.
– Já conhecem a namoradinha do Iero? – Perguntou ele, rindo mais ainda, para um cara com cabelos cacheados e armados. O qual riu tanto quanto Bob.
– Já pedi pra calar a boca, não, Bryar? – Frank parecia irritado.
– Se eu não calar, o que vai fazer? Me jogar glitter? Olha só que medo que eu to! – E riu mais ainda, se é que isso é possível. Mas isso só o fez parecer mais idiota.
– Vai à puta que pariu, OK? Eu nem sei porque diabos eu te chamei pra vir aqui hoje.
– Vai me expulsar, é? Você e quantos? Esse idiota aí? Ta difícil, viu. – Ele começava a ficar irritado.
E então a briga de verdade começou. Bob e o cabeça de coqueiro contra Frank. Mas já que era menor, e era só um, Frank apanhou mais que os outros. Quando vi que ele começou a sangrar, me meti. Não ia deixar um amigo apanhar assim. Quando eles finalmente o soltaram, Frank estava todo machucado. Peguei-o no colo e o levei até o seu quarto. Mas mesmo assim, as pessoas continuavam lá, bêbadas, dançando. Um bando de aproveitadores, na minha opinião. Não se importam com as pessoas, só com suas mansões e suas festas.
Ao chegarmos ao quarto de Frank, liguei as luzes e coloquei-o sobre a cama.
– Você ta bem? Ta com alguma dor? Um osso quebrado, talvez? – Perguntei preocupado.
– É, acho que estou bem. Posso até ter um osso quebrado, mas não dói tanto. Agora eu só sinto raiva daqueles dois.
– Mas... eles não são seus amigos? Vi eles com você enquanto vocês riam da minha cara no primeiro dia. – Disse meio sem jeito.
– Ah, aquilo? Nós sempre fazemos algo pra tirar com a cara dos novatos, e estávamos programando algo pra você. Mas não deu muito certo.
– Por que não? Digo, eu sou um alvo fácil. – Disse confuso.
– Bom, eu meio que mandei pararem. – Ele corou. – Achei que aquilo de zoar os novatos já tinha ido longe demais, é muito infantil. E eu tive pena de você.
– Sério? Uau, ninguém nunca teve pena de mim. – Rimos baixinho – Mas que implicância que eles têm com você? Digo, por que eles dizem que eu sou sua “namoradinha” e coisas assim? Você é...? – Me dei conta da besteira que eu estava por fazer. Por que isso me interessaria? Por que eu comecei essa pergunta? Eu não me interessava, isso não mudava nada na minha vida.
– Não, Gee, ah, posso te chamar assim? – Eu assenti. Era a primeira vez que alguém, fora Helena, me chamava de Gee. E, nesse momento, pensar nela não doía tanto assim. – Eu sou bissexual e venho agüentando isso há um bom tempo, desde o primeiro ano.
– Então por que você só os enfrentou agora? – Perguntei sentando ao seu lado.
– Porque eu sei como é difícil agüentar essas coisas e eu não queria que você passasse por isso também. – Ele corou novamente. – É um inferno ter que conviver com esses caras.
– Achei que fossem seus amigos – Fiquei confuso.
– Não são. – Ele parecia triste.
– Então por que anda com eles?
– A história é longa.
– Bom, eu tenho a noite toda, sabia? – Sorri – Aliás, já sei o que vamos fazer. Você fica aí, eu vou lá em baixo buscar bebidas pra nós e então você me conta essa história, OK? – Ele assentiu, rindo.
Desci, fui até a cozinha – esbarrando em todos – e peguei as bebidas. Quando voltei, com algumas garrafas de Vodka, Uísque e Tequila, Frank estava sentado no chão, com as luzes desligadas e um CD tocando. A única iluminação do local era a luz vinda da janela.
Não reclamei, afinal, a casa é dele. Sentei-me ao seu lado, e entreguei-lhe uma das garrafas.
– Agora, hora da história sobre os caras da escola, Frankie. – Rimos. – Então, por que você anda com eles?
– Bom, é porque eu não tenho amigos, e eles foram os únicos que falaram comigo, por pensarem que eu era igual a eles. Mas eu não sou. Eu tenho sentimentos, mesmo às vezes não parecendo.
– Mas você sempre pareceu tão popular... – Esse menino tinha a incrível capacidade de me fazer ficar confuso muitas vezes.
– Posso até parecer, mas não sou. Ou posso até ser, não sei. Mas as pessoas que se aproximam de mim são todas interesseiras. Você viu agora. Eu me machuquei e todos lá em baixo, dançando. Eles não gostam de mim, só da minha casa e das minhas festas. Eu vivi mais de metade da minha vida dentro dessa casa. Eu me sentia como um morto dentro de um túmulo, não podia sair. Então eu percebi que eu tinha duas escolhas: viver sozinho pra sempre, ou viver uma felicidade falsa. Como eu já estava cansado da primeira opção, resolvi tentar a segunda. Já não tinha nada a perder mesmo. Então fui viver essa felicidade falsa, com esses amigos falsos. Então tudo foi ficando fodido. Começaram as drogas, as bebidas, tudo. E foi piorando, e piorando. E eu senti que cheguei em certo um limite exatamente quando eu vi você. Quando eu te vi, comecei a me sentir culpado por tudo que havia feito. Você teve esse efeito em mim – Nesse momento, Frank já terminava uma garrafa de Vodka sozinho e sua fala já estava quase incompreensível. Mas mesmo ele estando bêbado e eu sentindo que isso era só efeito do álcool, eu não devo negar que meu coração acelerava mais a cada palavra pronunciada por ele. – Você é diferente de todas outras pessoas daquela escola. Aqueles aproveitadores dos infernos. Você é legal, Gee. Você é meu amigo. – A garrafa terminara e ele já estava à procura de outra.
Eu não sabia o que responder, estava sem reação. Ninguém nunca havia falado isso pra mim, nunca mesmo.
– Eu realmente agradeço por tudo isso, até porque você é a primeira pessoa a gostar de mim assim, mas, Frank, para de beber. Você não está bem. – Tive que agarrar seus braços para ele não pegar outra garrafa de bebida. – Já chega, Frank. É sério, você ta bêbado.
Bem nesse momento, ouvi uns gritos lá embaixo e o barulho de carros indo embora. Escondi as bebidas e desci pra ver o que era. Quando cheguei lá, me deparei com uma sala demolida e um casal olhando perplexo para o lugar.
– Quem é você? – Perguntou a senhora.
– Eu... é... sou amigo do Frank.. – Respondi envergonhado.
– E eu posso saber onde o Anthony encontra-se? – Quem diabos seria Anthony? – E você, dá o fora daqui. Isso é uma casa de família e não quero esses arruaceiros aqui dentro. Fora! – Foi a vez de o homem pronunciar-se. “Malditos punks” ouvi-o resmungar enquanto eu deixava a casa.
Peguei meu carro, tirei do estacionamento da casa e parei-o logo em seguida, na mesma rua, perto de onde se localizava a janela do quarto de Frank. Mesmo lá de fora, consegui ouvir os gritos. “Você é um inútil, só presta para beber e fazer essas junções de arruaceiros na nossa casa! Olha pra você, todo machucado e cheio de sangue! Foi aquele garoto, não foi? Aquele que estava no seu quarto. Ele bateu em você? Bem-feito! Você destruiu a casa.” consegui ouvir perfeitamente todas essas palavras, já que a rua estava silenciosa e o Senhor Iero realmente sabia gritar. Logo depois, ouvi sons de coisas sendo quebradas. Não agüentei, fechei meu carro e fui em direção à mansão dos Iero. Consegui pular o muro e me escondi no jardim. Peguei umas pedrinhas e comecei a jogar na janela do Frank. O que foi ridículo, já que a janela estava aberta e eu possivelmente acertei alguma nele, já que ele saiu na janela com uma mão na cabeça. Ao me ver, ele sorriu e, ao vê-lo sorrindo, fiz o mesmo. Mas ele saiu da janela. Minutos depois meu celular tocou. “Maldito seja quem está provocando esse barulho infernal, os Iero vão me descobrir” pensei enquanto pegava o aparelho. Havia uma mensagem: “O que você faz aqui?” já sabia de quem era. “Vim salvá-lo”, respondi. A resposta veio quase que de imediato dizendo-me para esperá-lo no carro, que ele logo apareceria. Foi meio difícil entender as coisas que estavam escritas lá, já que Frank estava mais bêbado que até eu jamais estive. Fui até o carro e fiquei lá, esperando. Um tempo depois, ele apareceu com uma mochila nas costas e, é claro, uma garrafa de bebida na mão. Eu ri. Ele saiu tranquilamente – ou seja, quase caindo durante o caminho – de dentro dos portões da mansão e dirigiu-se ao meu carro.
– Solta essa garrafa ou você não entra no meu carro. – Eu disse, com tom de responsável, coisa que eu realmente não era. E eu estava com muita vontade de pegar aquela garrafa e ir pra qualquer canto, beber com Frank, mas não iria. Algo me dizia para deixá-lo seguro. Ele soltou a garrafa e entrou no carro, com uma cara emburrada.
– Achei que se eu não te tirasse daqui logo, você quebraria a casa toda. Eu ouvi os barulhos sabia? – Eu disse enquanto ligava o carro, rindo.
– Aqueles malditos! – Gritou ele. – Tão fodendo com a minha vida, quero matá-los agora. – Ele não estava mais com uma voz tão embriagada, estava mais pra uma voz de choro. E seu rosto estava molhado e inchado.
– Calma, eles são seus pais, é assim mesmo. Então – Tentei distrair-lo – pra onde você quer ir? New Orleans não é tão pequena assim, a gente tem muitos lugares legais pra visitar.
– Qualquer lugar longe daqui – Dizia ele, seus olhos marejavam.
– Calma, Frank. Não chora, eu sei o lugar certo pra te levar.
Dirigi por alguns minutos e, finalmente, cheguei ao meu destino. Guardei o carro na garagem e ajudei a sair e chegar ao apartamento.
– Então, é aqui que você se esconde? – Ele ria.
– Ah, não é tão ruim assim, né? Eu sei que não é uma mansão como você está acostumado, mas é melhor que nada.
– É perfeito, Gee. Deve ser tão bom morar sozinho, ser independente. – Frank dizia enquanto observava o lugar. – Então, o que a gente vai fazer?
– Não sei, o que você quer fazer? – Perguntei sentando-me ao seu lado no sofá.
– Qualquer coisa. Aliás, aqui ta frio. Não gostei da sua sala, Gee, é fria demais pra mim. – Ele já estava com uma cara de sono e não parecia muito consciente do que dizia.
– Vem, vamos pro meu quarto, lá é quentinho. – Caralho, Gerard, tá maluco? O que você quer levando o seu melhor (e único) amigo pro quarto porque lá é “quentinho”?
Guiei-o até o quarto, onde ele se jogou na cama. Lágrimas escorriam pelo seu rosto de novo.
– Ei, Frank, não chora. Você ta aqui comigo agora, seus pais não estão aqui. Tenta esquecer sobre isso, só hoje. Tenta descansar. – Sentei na cama, ao seu lado. Ele sentou também, me abraçou e começou a falar:
– Eu só faço besteira, Gee, me desculpa. Eu nunca quis fazer isso. – Agora sim ele conseguiu me deixar realmente confuso. Sobre o que esse menino estava falando? Fomos nos acomodando na cama, eu deitei e ele deitou ao meu lado, com sua cabeça no meu peito. Aquilo era estranho, não sei explicar – Desculpa, Gee. Eu quero morrer toda vez que eu lembro do que aconteceu. Eu nunca teria feito isso se eu soubesse o que iria acontecer – Sua voz já era um sussurro, acho que ele estava quase dormindo. – E eu acho que eu estou apaixona... – Ele dormiu. Ali mesmo, comigo. E não demorou muito para eu dormir também.
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