Three Cheers For Sweet Revenge.
9 Thank You For The Venom
Notas iniciais
Acordei-me tarde, já havia passado o horário do café da manhã.
– Anthony, acorde! Está atrasado, menino. – Minha mãe estava gritando igual uma louca na porta.
– Eu não vou! Que inferno.
– Sim, você vai. Precisa comprar seus materiais e seu uniforme! – Comecei a achar que a minha porta poderia desmoronar a qualquer momento.
– Não pedi pra me colocarem naquela bosta. Aliás, eu disse que não iria, agora não vem reclamar. E eu quero dormir, porra! Não fode com a minha vida, mãe. – A minha porta se abriu – Mas que infernos...?
– Levanta, agora! – Meu pai berrou. – Você vai comprar o maldito uniforme e vai pra escola amanhã, Anthony. Estou mandando, entendeu?
– Qual é o teu problema, pai? Por que ta todo estressadinho comigo agora? – Perguntei com indiferença, levantando da cama.
– Estressadinho? E você acha que eu não tenho motivos pra ficar estressado? – Ele continuava a berrar na minha cara, como se eu me importasse com os gritos dele. O máximo que ele conseguiria é me deixar com algum problema no ouvido e ter que gastar com médicos para resolver tal problema. – Você foi expulso da melhor escola da cidade!
– E daí? – Peguei meus cigarros, acendi um.
– Pare de fumar! Será que você não conhece as regras? Eu já disse, nada de cigarros! Anthony, tente controlar as besteiras que você faz.
– Você também fumava, então não vem encher meu saco. Onde vocês querem que eu vá? As aulas só começam amanhã. – Continuei a fumar, despreocupado.
– Comprar seu uniforme, não ouviu?
– Ta, que seja. Será que dá pra sair desse maldito quarto pra eu trocar de roupa ou quer me ver pelado também?
Eles saíram. Aliás, só percebi agora que a minha mãe estava lá, ela passou o tempo todo calada, me olhando. Enfim, coloquei uma roupa e saí. Ao passar pelo escritório do meu pai, o ouvi conversando com alguém no telefone.
– (...) pois é, já tivemos muitos problemas com ele. Espero que... só um minuto... – Ele parou ao ver que eu estava ouvindo. – Anthony, desça!
– Ta bom, cacete.
Desci, minha mãe estava lá.
– Então, o velho lá não vai descer pra gente ir comprar o uniforme?
– Não fale assim do seu pai, Anthony! Ele está conversando no...
– Não me chama de Anthony, caralho. É Frank!
– Já chega, Anthony. – Ela deu ênfase na última palavra – Vá para o carro e espere por nós lá.
Fui para o carro sem reclamar, afinal, era melhor que olhar pra cara dela. Fiquei lá, esperando e ouvindo música no celular. Pensei em ligar para o Gerard, mas também pensei que ele precisava de tempo para digerir tudo o que eu havia dito no dia anterior. Será que ele realmente estava bem? Bom, eu acho que não. Mas não posso mais me meter na vida do meu Arthur, já causei problemas demais, preciso deixar-lo sozinho para pensar um pouco, mesmo que seja difícil ficar longe dele.
Meus pais chegaram, entraram no carro e em minutos estávamos a caminho da tal loja. Chegando lá, saímos do carro e fomos comprar tudo que era necessário. Agora só faltavam os materiais, e eu não entendi o motivo de não poder usar os antigos.
– Então, já pegou tudo, Anthony? – Meu pai perguntou enquanto se dirigia ao caixa para pagar.
– É, acho que... – Meu celular tocou. Li o nome na tela: Gerard. Meu Gee finalmente lembrou de mim! Nesse momento, meus olhos brilhavam e uma felicidade enorme tomou conta do meu corpo.
– É aquele garoto, não é? Dê-me esse telefone, Anthony. – Minha mãe tomou o telefone das minhas mãos e desligou a ligação.
– O quê? Não fode, mãe! Me dá essa porra, agora! – Gritei tão alto que acho que toda a cidade ouviu.
– Já chega, Anthony! Pare de gritar em público, antes que eu te expulse de casa! – Meu pai tem uma incrível paixão por se meter onde não é chamado.
– Não precisa, eu mesmo saio! – Gritei outra vez, enquanto arrancava o telefone das mãos da minha mãe e corria para fora da loja. – Malditos!
Saí correndo e chorando para o estacionamento, procurando pelo carro dos meus pais. Quando achei, comecei a bater desesperadamente no vidro do motorista.
– Sai! Sai daí, seu merda! Me dá o carro.
– Senhor Iero, o que aconteceu? – Perguntou o motorista, saindo do carro assustado.
– Nada que te interesse, agora sai logo. E deixa as chaves! – Ordenei, quando ele se dirigiu às chaves do carro.
Peguei aquele carro e saí correndo de lá, quase atropelei uns cinco, no mínimo. Cheguei em casa, entrei correndo pro meu quarto e peguei as primeiras roupas que eu vi ali, soquei-as dentro de uma mochila e coloquei a mesma nas costas. Peguei minha guitarra e saí de novo, pegando todo o dinheiro que via no caminho, fiz tudo isso em questão de cinco minutos. Entrei outra vez no carro e saí pra lugar nenhum. Rodei a cidade toda, durante umas três horas. Já era de tarde, aproximadamente umas quatro horas. Eu estava com fome, com pouco mais de cento e cinqüenta dólares na carteira e sem ter para onde ir. Resolvi parar em uma lanchonete e pedir um café. Enquanto bebia o café, meu celular tocou outra vez. Peguei o aparelho rapidamente, achando que fosse Gerard. Estava enganado, eram meus pais, simplesmente não atendi. Ignorei a ligação e fui procurar o nome “Gerard” na lista de contatos. A bateria se foi.
- Ótimo! Justo quando eu preciso – Exclamei em voz baixa.
Terminei de beber meu café e fui até o balcão para pagar, e acabei descobrindo que havia uma pousada perto dali. Peguei o carro e fui até o endereço que a balconista me forneceu. Ao chegar lá, percebi que o lugar era meio bizarro. Talvez até um pouco assustador. Ficava perto de um cemitério, e parecia uma casa abandonada. Saí do carro e me dirigi à porta. Bati.
– Maldita seja aquela vaca, me deu o endereço errado! Só gastei gasolina à toa. – Disse baixinho enquanto voltava ao carro, vendo que ninguém apareceu na porta.
– Olá, meu jovem, por um acaso você bateu aqui? – Disse uma senhora com uma cara simpática.
– Ah, sim. – Voltei – Aqui seria uma pousada, certo? – Perguntei, tentando olhar para dentro do local. Parecia mais um asilo.
– Sim, sim. Entre. – Entrei, desconfiado. – Então, você quer um quarto? Temos apenas um sobrando.
– Sim, quero. Mas, primeiro, quanto é a diária? – Eu perguntei meio sem jeito, mas não estava com muito dinheiro.
– Vinte dólares por dia, meu jovem. – Vinte??? Mas que ladra! Esse lugar ta caindo aos pedaços e ela quer tudo isso?! Mas é melhor que nada, e talvez seja o único lugar que eu ache. Se eu ficasse em um hotel, meus pais me achariam facilmente. – Vai querer?
Respondi que sim. Depois de preencher uma espécie de ficha, peguei minhas coisas no carro e levei até o quarto, que não era grande coisa. Após me instalar na minha nova moradia temporária, resolvi dar um passeio pelo local para conhecer a minha “nova vizinhança”. Mas, bom, aquele era o único lugar habitado por alguém ali. Mesmo assim, resolvi caminhar. Percebi que precisava de um emprego, pois tinha pouco dinheiro e precisava pagar aquela espelunca. Fui pensando sobre onde conseguiria um emprego sem meus pais me acharem quando cheguei a um lugar um pouco... diferente. Só agora percebi que já estava escuro que eu havia ido para no cemitério. Mas, ao contrário da maioria das pessoas, aquele lugar não me deu medo, eu me senti bem lá. A estranha sensação de estar em casa tomou conta de mim e, num impulso, me aproximei mais do lugar. Sentei-me no chão, mas ainda fora do cemitério, e peguei um cigarro. Fiquei lá, pensando em como seria a minha vida de agora em diante até perceber que já estava tarde demais. Voltei para a pousada e fui dormir.
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