Those who stay

1 Worms crawling


Notas iniciais
drama drama e sofrência hehe

Eu nunca tive medo, talvez esse seja o meu problema, o medo nos faz dar valor ao que realmente importa, a arregaçar as mangas e caminharmos até o fim, nos aprisiona e nos liberta, nos proporciona o doce prazer da vida.

Não posso dizer que estou em imenso desespero ou profunda tristeza, a morte não e para mim algo cruel e assombroso, é algo docemente delicado, que nos abraça em profundo carinho e afeto, nos carrega ao horizonte nos levando a fronteira do nada.

Quando vim para este lugar já havia esquecido todas as expectativas que tive na minha vida, só me restaram a coragem e estupidez, quis deixar um legado, algo para lembrarem de mim, aliviar a dor de um pai que perdeu seu filho em um bombardeio, de pessoas que tentam fugir procurando em meio ao sangue a esperança, proteger quem protegia, ser algo menos inútil talvez, mas no fim sou só mais um entre tantos que se tornaram apenas estatísticas do jornal diário.

Não existe nada que valha a pena levar comigo, eu tinha um sonho, era bem fútil, mas era um sonho, pois é disso que nos alimentamos, como vermes famintos que se rastejam, querendo mais e mais, sob toda a luxuria e confusão, desespero e guerras, abusos e fome, vendando nossos próprios olhos, fingindo que nada disso é real, acreditando somente no que a tv nos projeta flutuando no maravilhoso mundo digital, muito além do egoísmos, sórdidos e insanos, animais vaidosos que buscam sempre ser o melhor, acima do bem e do mal.

Agora, o que posso esperar da morte?

Um ser gentil e generoso, que me ama de todo o seu coração, que me levara para um lugar onde finalmente serei capaz de sentir a felicidade plena, de magnitude esplendorosa com anjos ao meu redor cantando melodias de boas-vindas com meus antepassados e gozar de toda a liberdade do amor?

Ou talvez...

Uma solidão profunda, carnalmente unidade a mim, na escuridão do profundo abismo onde não posso encontrar o brilho solar do verão, que vem de algo pequeno e vai até o além, junto a linha do tempo, que vai até o horizonte e segue sem pausas, sempre correndo, levando consigo tudo que um dia foi capaz de sorrir.

"Segure a minha mão e não solte-a enquanto eu for capaz de sentir o calor"

Na verdade, isso não faz a mínima diferença, de uma forma ou de outra eu estarei finalmente em paz, é assim que tem que ser. É exatamente como imaginei, uma partida calma e melancólica, ao lado de alguém que amo, sem tumultos e confusões, pois na calma que vim, nela quero partir, apreciar essa tão especial experiência que nos uni ao nada, pois é isso que somos, nada mais que isso seremos.

Notas finais
pois é né, se alguém gostar (ou não) deixe sua opinião hihi
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!