Those Wolf Tales
8 Beautiful Bloody Wolves in Wonderland #4 Final
Notas iniciais
O momento chegou
Alice.
Um lobo?
No vale?
Olhei perplexa para Kooler, que encarava o nada.
— Pegue as armas na bolsa do meu cavalo. Eu vou na frente. — foi a única coisa que conseguiu balbuciar, então ele se levantou do lugar onde estava repousado.
— Mas como... Você... Ahn? — eu andei até ele — Você quer que, nesse temporal, sem proteção nenhuma, nós dois irmos procurar nosso fim?!
— Eu te protejo. — não soou tão brincalhão dessa vez.
— Eu não vou à lugar nenhum. — eu disse com a voz trêmula, fanhosa, falha. Eu estava totalmente perdida.
— Alice. — ele se aproxima de mim. Suas mãos gélidas tocam meus ombros e ele me aproxima de sua face — Ou a gente vai ou fugimos e deixamos que eles matem tudo o que é precioso para nós e iremos conviver com isso para sempre.
— Kooler, eu entendo seu medo. — tento me soltar, mas ele continua firme, e eu também continuo falando — Mas vamos ser racionais. — ele estava fazendo um pouco de drama demais, pensei, mas é compreensível— Se a gente ir, com certeza morreremos, mas se a gente voltar, teremos chance de chegar primeiro do que eles.
Ele ficou em silêncio por alguns muitos segundos, e assentiu:
— Então o que estamos fazendo aqui parados?
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Depois de uma correria longa em silêncio, no meio da chuva, ao avistar o haras, lembrei-me de algo:
— E a Rainha? — olho para ele, com uma expressão de preocupação mesclada com medo.
— A Rainha que se dane. — rispidamente, soltou as palavras — Estou preocupado com você agora.
Ou fora uma incrível coincidência, ou algo sobrenatural, mas ao término dessa frase — da qual eu não gostei nem um pouco — um uivo agonizante pode ser ouvido. Foi alto. Alto e agudo o suficiente para doer os ouvidos e fazer as aves voares da copa das árvores.
— Que droga foi essa? — arfando, paro e me viro para todos os lados, com os olhos arregalados. Sem dizer nada, Kooler pegou na minha mão e saiu correndo, me guiando.
— Não consigo correr com você segurando minha mão, idiota. — ele a largou quando eu disse isso. Lado a lado, com os passos largos sincronizados, entramos no castelo, e a primeira cena que vimos nos corredores foi de caos e desordem. Vasos caindo e quebrando no chão, empregadas e empregados desesperados, tapetes rolando escadarias abaixo...
— Alice? — Coelho, que surgiu na multidão desordenada — inclusive que agora estava com os olhos arregalados em nossa direção -, correu até mim, e virou-se para Kooler — Onde está a Rainha?
Eu e ele nos entreolhamos, encharcados, e trocando olhares pesados. O Coelho entendeu a mensagem, e levou as patas à boca.
— Lamento, mas a preocupação agora é outra. — dessa vez minha voz saiu firme, pela primeira vez no dia. Um trovão.
"Alice". Isso é nome para menininhas covardes. Por favor, me chamem de--
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a visão de kooler
Se haviam lobos nos vales, haviam também lobos em outros lugares. Isso me deixava aflito. Só de pensar em Alice machucada, eu delirava.
Não, isso é errado, ela é casada.
Eu sei muito bem que ela é casada.
Mas... Eu não sei se isso é amor ou paixão. É quase... É um desejo, desejo por ela.
Desejo... Cara, isso é muito errado. Kooler seu imbecil.
Durante essa discussão, e do temporal, o castelo não era mais seguro, então corremos até os portões para escapar — ou pelo o menos tentar, aqueles malditos estão por toda a parte -. Mas, ao chegarmos nas escadarias, um raio cortou os céus, e o portão se partiu, caindo e matando todos os que estavam tentando abri-lo. Foi algo horrível, e Alice gritou.
— Eu não sei se vou conseguir ficar aqui, Kooler! — ela olhou para mim. Seu rosto estava marcado por finas e cristalinas linhas. Ela estava desesperada, apontando para a floresta além dos limites, dos quais os uivos saiam e ficavam cada vez mais próximos — Eles estão vindo, eles vão chegar, e vão nos matar! Eles já pegaram a Rainha, eu não sei, não sei o que eu vou fazer! — ela começou à chorar, onde cada soluço era uma facada na minha alma. Eu a abracei, colocando sua cabeça em meu ombro — Eu tinha que salvá-los, era o meu dever.
— Alice, minha querida. — a voz de Chapeleiro chamou nossa atenção — Você ainda tem uma chance. — Coelho também estava com ele.
— Que chance, Chapeleiro? — ela fungou.
— Empunhe vossa espada, vá ao encontro deles e triunfe! — Coelho levantou as patas, de uma forma quase cômica.
Alice abaixou o olhar e me encarou, com pesar.
— Você vem comigo? — congelei.
— Alice, essa é sua missão, eu...
— Kooler. — ela me segurou pelos ombros — Se eu morrer, e eu com certeza vou, eu quero que esse seja meu último pedido. Por favor, venha comigo.
Por um momento, achei que meus olhos escorriam lágrimas, no outro, já estava beijando-a.
Se isso for verdade que ela me dê um tapa.
E a mão dela voou para trás e atingiu meu rosto em cheio, de uma forma e nós nos separamos brutalmente. Passei a mão no lugar e olhei para ela, que limpava a boca com o antebraço. Não me decepcionei, eu queria aquilo e sabia as consequências.
Coelho e Chapeleiro me encaravam abismados.
— Onde estávamos? — Alice lançou-me um olhar de reprovação, virando para os outros dois companheiros.
Parabéns, Kooler Victorius; e lá vamos nós.
Agora, já fora dos limites da muralha do castelo, eu e ela corríamos com nossos cavalos, deixando tudo e todos para trás em busca de uma salvação. Ela com sua espada, eu com meu arco. Não nos olhamos, não trocamos uma palavra, e mesmo depois do que aconteceu, ela não reclamou quando eu a acompanhei.
Estranho? Sim.
Paramos numa clareira. As copas das árvores faziam uma espécie de teto, do qual não deixava que a chuva passasse. As folhas emitiam uma luz esverdeada no local. Ela desceu do cavalo e eu não me virei.
— O que foi? — perguntei.
— Cale a boca. — ela olha ao redor, dando um giro de 360º — Eu... Eu estou sentindo algo.
— Deu pra sentir as coisas agora? — eu estava um pouco alterado desde quando ela me deu o tapa, apesar de que ela estava no direito dela.
— Cale a boca. — ela quase gritou, e isso me assustou. Olhou para cima e cheirou o ar, como um animal.
— Eu quero pedir desculpas pelo beijo. — falei, coçando a nuca. Ela me ignorou e eu bufei. Eu desci do cavalo, dando pequenos passos até o meio da clareira.
— Olá, jovem. — uma voz fala, lentamente. Me viro e deparo com o Gato de Cheshire, sorrindo, beirando a insanidade, em cima do cavalo.
— O que você está fazendo aqui? — digo, em meio à um suspiro. Eu estava bêbado de cansaço.
— Só estava passeando quando me deparei com essa cena. — virou-se de barriga para cima — Que irracional não ter fugido desse lugar até agora.
— Sabe algo sobre a Rainha? Deve saber, você é estranho. — olho para cima, para as copas verdes das árvores. O ar ficou estranhamente pesado, como se uma energia negativa flutuasse no ar.
— Rainha? O País das Maravilhas não tinha mais Rainha à um bom tempo. — após essas palavras, fui obrigado à encará-lo novamente.
— Como assim? — estreitei o olhar, numa expressão confusa.
— Reis e rainhas não são só aqueles quem andam com uma coroa na cabeça. São, além disso, os pilares e a segurança do reino e arredores. — uma pausa. O Gato virou-se, agora deitando de barriga para baixo no cavalo, que pastava — Mais certamente dizendo, Alice seria não só nossa espada mas sim nossa coroa. E isso é o que a Rainha Branca não conseguiu fazer.
Fico em silêncio por alguns momentos, refletindo. Fazia sentido, afinal.
— Alice, ouviu isso? — sorrindo, me virei para Alice, mas fui surpreendido; ela não estava lá. Arregalei os olhos — Gato, onde ela est--
Outra surpresa.
Ele não estava mais lá também.
Me virei para o lugar onde ela estava e corri por entre as árvores, não me dando o trabalho de montar no cavalo. Eu corria, desesperado, berrando seu nome e tropeçando nos meus próprios pés. Abria caminho entre as árvores e plantas, enquanto a chuva se tornava mais forte e as rajadas só aumentavam.
Então eu tropecei em uma raiz e caí de cara na lama, xingando. Me ergo, ajoelhando, limpando meu rosto o máximo possível. Então olhei para frente e vi Alice, de costas. Suspirei de alívio e me levantei, caminhando até ela.
— Ah, garota, você me deu um susto. — sorri meio sem jeito e coloco a mão no ombro ela. Ao toque, todos os cabelos do meu corpo se arrepiam, e eu me afasto com largos passos por extinto. Ela se vira, lentamente. Os olhos azuis sem brilho. A pele pálida anormalmente.
— Kooler... — rouca, diz num quase sussurro — Eu descobri aonde eu pertenço.
Nesse momento, lobos se formaram de sombras vindo do solo. Os olhos amarelos, flamejantes e profundos. Desejadores de almas.
Engasguei. Não por estar indignado, mas por estar sem ar. Levo as minhas mãos no pescoço, em desespero.
— Anjos merecem morrer. — proclamando lentamente essa palavras, Alice ergueu seu indicador, apontando para mim. Eu caí de joelhos perante ela, e os lobos se aproximaram, salivando sangue. Lembro-me da última coisa que vi: Uma figura de cartola nas sombras, segurando um coelho de máscara morto em seus braços.
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