Thorns, Claws and Horns
4 Capítulo 4 - Jackeline

Era difícil fazer qualquer coisa sem Alex me ajudando.
Sim, as outras aias estavam ali, mas Alex me entendia melhor. Sabia como eu gostava que arrumassem meu cabelo e que eu não aguentava o corpete do vestido muito apertado. Melhor ter uma cintura não tão fina do que morrer asfixiada em pleno baile de aniversário.
Por outro lado, queria que ela estivesse presente no baile. Não como uma criada, e sim como minha convidada. Ela também precisaria se arrumar para não se atrasar.
Eu não correria o risco de sofrer críticas de Elizabeth por convidar uma criada ao meu baile. Todos usariam máscaras e, felizmente, ela não saberia.
Tomei banho, lavei e sequei os cabelos com a ajuda das aias. Como o vestido que tinha encomendado não conseguiu ser finalizado, escolhi outro que não tinha sido usado ainda. Azul marinho, com aplicações de renda nas mangas compridas e na saia. Diadema na cabeça, e um par de brincos, um toque de fragrância e eu estava pronta.
Mas não estava preparada para ir ao baile ainda, não sem antes falar com alguém.
– Vocês já podem ir — me virei para as aias — Obrigada pela ajuda, mas preciso descansar um pouco antes de ir para o salão.
Elas assentiram, fizeram reverência e saíram. Esperei alguns minutos e abri a porta para verificar se já tinham deixado o corredor. Apenas um guarda estava em pé do outro lado. Mas ele não faria perguntas.
Bati a porta do quarto com cuidado e me dirigi as escadas. Atravessei todo o castelo e fui para os jardins. Até avistar uma luz vinda do estábulo. Fui até lá.
***
– Pensei que a senhorita não viria mais — Sebastian está de pé, escovando o pelo negro de meu cavalo.
– Estou procurando todas as pessoas que possam me dar presentes de aniversário — rio indo em sua direção, e dou lhe um beijo na bochecha.
– Curioso. Você está até parecendo uma dama com esse vestido. Ele gargalha e eu o acerto com feno, porém rindo também.
– Eu sempre sou uma dama!
– Certo, não existem dúvidas.
Eu o observo enquanto ele limpa as mãos. É difícil imaginar como ele e Alexandra são irmãos. Bash tem 20 anos, cabelos loiros e olhos azuis. Já Alex tem aqueles cabelos e olhos escuros. Mas os dois têm algo em comum: o fato de terem crescido comigo e ocuparem uma parte importante no meu coração.
Sebastian colocou o cavalo de volta em seu lugar. Voltou-se para mim e tirou uma pequena caixinha do bolso:
– O que é isso? — pergunto me levantando e indo em sua direção.
– É o 18° dia de seu nome, merecia algo especial. — Ele abre a caixa, e dentro há um pequeno colar com um pingente em forma de lágrima.
– Sebastian, não sei nem o que falar. É lindo, mas... Mas isso deve ter custado muito mais do que seu salário! Mais do que cinco de seus salários. Não posso aceitar, realmente...
– Você vai aceitar — ele diz enquanto tira as mechas do meu cabelo do pescoço — E vai usá-lo hoje, e o dinheiro que paguei nele não vai importar.
Seus dedos roçam em meu pescoço rapidamente quando ele abotoa o colar. Uma sensação de arrepio percorre meu corpo. Algo que nunca havia sentido antes. Procuro afastar esses pensamentos da minha mente.
– Você deveria vir ao baile — eu digo me virando para ele — Mandei um roupa para sua casa. Sua irmã vem.
– E espero que ela se divirta — ele abre um sorriso e seus olhos azuis brilham — E você também. Mas realmente, esses bailes não são para mim. Sorrio de volta. Encaramos-nos por alguns minutos, porém me assusto com gritos vindos do jardim:
– Princesa Jackeline! Princesa Jackeline!
– Devem estar procurando por mim, nos falamos depois.
Dou-lhe um beijo na bochecha e saio correndo pela porta dos fundos do estábulo. Corro em direção ao salão principal.
Há criados andando de um lado para o outro, carregando taças e pratos de comida. Rosas de ouro estão por todo lado enfeitando o local, símbolo da casa Tyrell. Ajeito meu vestido e meu diadema, e cruzo o olhar com meu pai do outro lado do salão. Ele sorri gentilmente e eu vou em sua direção.
Agora era hora de me acalmar e esperar.
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