This Outlaw Life

6 Capítulo 5 – Watch Out For Your Heart


Notas iniciais
Tamo de volta aeeeeeee o/
Bom, esse cap tem o que a Quinn pensou do beijo e Finn vs. Quinn, a Revanche...
Não tem nenhum termo hoje, só a dor de cotovelo da Quinn hehehehe

Flashback — Senior Year

Era a noite mais deprimente e clichê da terra, pelo menos, era o que Quinn Fabray pensava sobre o dia dos Namorados, ainda mais tendo que ver Rachel Berry, com sua boca deliciosa, seus olhos castanhos hipnotizantes e suas mãos bobas que gostavam de entrar por debaixo da roupa e deixar um rastro de unha por toda a pela clara da outra, se agarrando com um brutamonte como Finn Hudson.

O casal havia voltado a namorar um pouco mais de três dias, e desde então nenhuma única palavra. Simples, sem mais nem menos. O que era muito estranho, a morena era daquele tipo de pessoa que necessitava expor seus sentimentos, uma necessidade quase fisiológica por assim dizer. Além disso, a garota de cabelos rosa estava disposta a lutar, nunca fora do tipo que desistia fácil, ainda mais quando seu relacionamento com a judia estava em risco. Ela a amava, e não era só uma paixonite de High School, era muito mais forte que isso. Seu peito doía e os pulmões paravam só de pensar em ficar longe da judia, por mais exagero que isso parecesse...

Assim que as aulas acabaram Quinn decidiu quer iria atrás de Rachel, o que se mostrou uma tarefa árdua. A garota passara o tempo inteiro pregada no Quarterback com uma câmera perseguindo o casal. Isso porque o pessoal que fazia a campanha de reeleição de Burt para o Senado (bancado com o dinheiro dos Titans) achou queria importante mostrar ao eleitorado que os Hummels eram uma família americana normal, e que os filhos do candidato eram tão sérios quanto o pai.

As coisas ficaram realmente difíceis quando os namorados foram para o Breadstix. Ter que agüentar assistir aquele teatro de “casal perfeito” entre os dois, no meio do restaurante, enquanto a equipe filmava a família completa tendo uma refeição de dia dos namorados, aproveitando a decoração feita para a tradicional festa dada por Sugar Motta no restaurante.

Acabou indo parar no quarto da cantora. Estacionou a Harley Flat Tracker que ganhou do pai por ter sido admitida em Yale na rua de trás da casa dos Berry. Os carros de Leroy e Hiram não estavam na garagem, o que tornou mais fácil a escalada até a janela da diva “Podia estar em casa, jogando Mass Effect, mas Rachel tem que tornar tudo mais complicado” Pensou, depois de se jogar na cama, e abrir o livro que estava no criado-mudo numa página qualquer. Um sorriso apareceu em seu rosto ao ler o primeiro parágrafo. Biografia de Barbra Streisand, tinha que ser Rachel Berry. A obra voltou ao seu lugar de origem e seus olhos caíram sobre caixinha de veludo preto que estava perto.

Esse tipo de caixa era para jóias, mais especificamente anéis. Seu estômago revirou por um segundo ao pensar na hipótese de Finn ter pedido a diva em casamento. Era absurdo, ninguém seria tão burro de querer casar com a namorada com a qual reatou há três dias. Pelo amor de Deus, eles não conseguiam ficar mais de uma semana sem brigar, quanto mais uma vida inteira. “Está sendo exagerada” disse a si mesma, “Às vezes isso foi presente de um dos pais dela”.

– Quinn?! O que você está fazendo aqui? – A morena estava parada na porta, com o cenho franzido e um ar nervoso no rosto. – Pensei que tinha ficado bem claro a mensagem que você não devia me procurar.

– O que é isso, Rach? – Ela mostrou a caixa, tentando manter-se calma, sentando-se na beirada da cama. A última coisa que faria era ter um ataque de ciúmes na frente da outra.

Quando viu a caixa de veludo na mão da ex-cheerio, a judia correu desesperada para dentro do quarto.

– Não é nada. – Se apressou para tirar o objeto e escondê-lo em algum lugar.

As mãos de Rachel tocaram nas de Quinn. Os olhos esverdeados tiveram uma visão de relance da peça dourada no dedo anelar da cantora. Era um anel de ouro, com um diamante grande que não era bem um diamante, parecia mais com zircônio. A garota de cabelos rosa ouviu um barulho e teve certeza de que era seu coração sendo desmanchado em ácido sulfúrico.

– Ele te pediu em casamento? – A voz firme de Quinn saiu fraca, quase como um sussurro, perdendo a coragem no meio, querendo desistir de fazer a pergunta.

A morena desviou o olhar do rosto da ex-cheerio. O gesto foi suficiente para responder a questão. Estava estampado no rosto dela e marcado no dedo de que Finn Hudson queria que ela se tornasse sua esposa e que a diva tinha aceitado a proposta.

A garota de cabelos rosa apertou os olhos com força, rezando para que isso fosse suficiente para conter as lágrimas que vinham em seus olhos. Não sabia o que sentir mais e talvez fosse essa a razão pela qual estava tão assustada. A morena era sua maior fraqueza. Ela fora a única que fora insistente o bastante para romper suas barreiras, e era exatamente por isso que doía tanto. Doía, a ponto de sentir-se sufocada, a beira do afogamento.

– Olha... – A judia se aproximou, se ajoelhando e tomado as mãos de Quinn nas suas. – O que nós tínhamos não era nada de...

– Nem ouse completar essa frase. – A ex-cheerio se levantou de forma furiosa, se desenlaçando os dedos de Rachel dos seus.

Estava ferida, era isso que queria evitar quando jogava slushies e ofendia a baixinha. Odiava o dia em que decidira parar de fugir de seus sentimentos e mergulhar de cabeça atrás da diva. Se tivesse continuado com aquela farsa, nada disso estaria acontecendo.

– Eu entendo... Eu entendo porque você aceitou... – O tom de voz frio de Chefe das Cheerios aparecera, enquanto seu rosto era tomado pela raiva. – Ele é a escolha segura, é o garoto de ouro de McKinley High, é o quarterback, é o filho do senador, e eu sou o quê?! A filha do presidente de um motoclube que vive matando aula pra fumar e fazer vandalismo com Puck e Santana. Finn não tem nenhum tipo de ambição, a única coisa que você precisa dar pra ele é um teto, comida na barriga e uma famílinha feliz... Agora não venha me dizer o que a gente tinha não era nada por que eu não acredito.

– Você está superdimensionando as coisas, Quinn. – Rachel gritou para chamar a atenção para si. Tentava ser racional, mas estava sendo mais difícil do que pensava. Fora por isso que passara a mensagem terminando, sabia que não teria forças para fazê-lo pessoalmente — Não precisa ser assim tão difícil. Nós podemos ser amigas.

– Isso é uma palhaçada. – Berrou a outra. — É besteira e nunca funciona. Porra, eu te amo, Rach. Será que você não vê isso?! – Ao perceber o que falou, Quinn levou a mão à boca.

Era a primeira vez que admitia em voz alta o que sentia. Tudo bem que foi um pouco tarde, mas não quer dizer que era menos verdade.

Foi então que Rachel fez algo que machucou mais do que mil facas entrando no corpo da garota de cabelos rosa, mais até do que vê-la no altar ao lado de um idiota simplório que a queria apenas para dizer que tinha alguma coisa boa em sua vida.

– Vai embora. – Apontou para a janela e deu as costas pra ex-cheerio, escondendo as lágrimas que teimavam em cair.

E foi o que Quinn fez. Sem nem olhar para trás.


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Se procurasse uma palavra para descrever o que Quinn sentia quando Rachel a beijou, seria estupor. Isso é fácil de explicar. Tinha plena convicção que a morena queria eternamente rainha da zona da amizade, já que agora a morena sabia da existência de Connor, e ela parecia muito bem obrigado com o tal Oliver, (apesar do surto quase psicótico por causa de um possível pedido de casamento). Depois, quando parou para pensar direito, a euforia tomou conta. Quem não ficaria bêbado de felicidade quando a garota que mais marcou sua vida te dá um beijo de desentupir pia? Só que é aí que entra a pior sensação do mundo: a culpa. Culpa porque ambas estavam traindo seus respectivos rolos, namoros ou o que quer que fossem. Essa maldita culpa apenas começou a persegui-la quando deixou a atriz na residência dos Berry, logo após um telefonema estranho de Kurt para o celular de Quinn, pedindo para que a morena fosse pra casa porque ele precisava “tratar de algo de urgência máxima”. Foi aí que começou a pensar sobre o que ocorrera.

Vá lá, a loira sabia que a essa altura do campeonato devia ter aprendido a ignorar isso. Com exceção da morena, ela nunca fora muito boa no quesito fidelidade conjugal, foi assim com Puck, com Finn, e com as toneladas de garotas que ela pegou na faculdade. A cantora também não era lá muito fã dessa área, ela deu em cima de Finn quando ele ainda namorava com a loira e demorou quase duas semanas pra dar um tempo no relacionamento com o quarteback, quando elas começaram a realmente se pegar com vontade.

Também havia um pequeno problema chamado distância. Quando o surto de insanidade temporária de Rachel fosse embora, a atriz voltaria correndo pra New York sem contar até três. Fora o filme que iria começar a gravar dentro de algumas semanas..."Para Fabray, você está analisando demais" disse a si mesma, pelo o que constava aquele beijo ser apenas um agradecimento mesmo, algo que a judia podia dar na hora e que sabia que a ex-cheerio iria gostar.

Quinn tentou afastar os pensamentos em Rachel, quanto mais ficasse presa a isso, pior seria, e acabaria trazendo memórias que preferia que ficassem escondidas, como o dia em que soube do noivado dela com Finn. Ainda podia sentir a rejeição de ser descartada como um objeto qualquer em favor de uma vida aparentemente mais fácil. Acabara aquela noite com Puck, os dois mortos de bêbados, com dor de cotovelo (Lauren Zizes tinha terminado o namoro com ele). Nem precisa ser gênio pra descobrir o que acontece quando um homem e uma mulher, completamente embriagados, com tesão e dor de cotovelo se juntam... Basta dizer que quase nove meses depois Beth aparecia no mundo, no meio de uma festa de Halloween em New Haven e pelas mãos de um cara vestido de Stormtrooper.

A garota tinha sido a única coisa boa que veio de todo o sofrimento que o casamento da judia lhe trouxe. Mesmo tendo entregue a filha para que Shelby a criasse, a menina de cabelos loiros e olhos dourados havia sido responsável por salvá-la do buraco negro no qual fora atirada quando encontrou a caixinha de veludo no quarto da cantora.

– Sabe, se você aparecesse assim na festa, faria mais sucesso do que as strippers que trabalham lá. – Brincou Santana, fazendo uma Quinn bastante pensativa parar de fitar a porta do banheiro. Ela estava enrolada apenas numa toalha azul, com os cabelos ainda úmidos.

– Com certeza iria fazer o Russell ter outro derrame. – Rebateu, arqueando a sobrancelha e sentindo o colchão do seu lado direito afundar com o peso da policial. Nem se assustava mais, a latina tinha passe-livre para entrar na casa da amiga.

– Essa é a melhor parte. – Falou animada. – Podemos alegar que foi um “acidente”, o Cegueta entra na nossa e confirma a história, e nunca mais Russell Fabray em nossas vidas.

A loira apenas sorriu.

– Como foi com a Shelby? – Perguntou Santana, assistindo-a ajeitar o cordão com a cruz dourada no pescoço. – Como ela aceitou o retorno do Puck?

– Bem demais, mas isso porque ela tinha algo pra barganhar. – A ex cheerio se levantou e caminhou em direção ao closet.

– Que era... — A latina parecia curiosa para saber.

– Apoio dos Titans na campanha dela para a prefeitura de Lima. – Quinn gritou de dentro do armário. – Ela vai concorrer e sabe que candidato do clube tem 80% de chance de ganhar.

– Todo mundo quer ser prefeito, mesmo sabendo que quem manda nessa pocilga é o presidente dos Titans. – A policial balançou a cabeça de um lado para o outro. – Que no caso é você.

– Eu sei. – Falou a loira, saindo já vestida do closet.

Bastou Santana ver a roupa de Quinn para uma gargalhada sonora sair e tomar todo o cômodo. Ela caiu de bruços na cama, rindo e um jeito tão histérico que fazia a loira ficar irritada.

– Posso saber o que é tão engraçado? – Questionou com sarcasmo, enquanto procurava alguma coisa para calçar.

– Desculpa Q. – O ar voltava aos poucos ao pulmão de Santana. – Mas é que ver você assim parece que voltamos pro Junior Year.

Quinn considerou um exagero por parte da latina. Suas roupas naquela época eram bastante inocentes, e muito diferentes do vestido branco, de alças, que deixava boa parte das tatuagens que marcavam suas costas a mostra, e que terminava um pouco acima da altura dos joelhos que usava agora.

– Tudo isso é pra Berry? – A latina disse com malícia para tirar a outra do sério.

– É claro que não. – Forçou o máximo para que sua voz saísse o mais entediada possível, mas tinha certeza de que a policial iria insistir no assunto. – Minha mãe vai estar na festa do Puck. Não quero que ela fique me enchendo sobre a minha roupa.

Santana bufou. Quinn Fabray era a rainha da negação. A palavra “Negação” devia fazer parte do nome dela. Ela era a pessoa mais teimosa, mais cabeça-dura do mundo. Demorou anos até que conseguir que a loira admitisse que era gay, nem mesmo oferecendo pra sair do armário junto com ela deu certo.

– Eu vou fingir que comprei a história. – A policial levantou e cruzou os braços. – Mas me explica, por que diabos Finn Hudson apareceu a minha delegacia com uma mancha roxa gigante no meio da fuça e querendo prestar um queixa contra a senhorita Quinn Fabray?

A loira revirou os olhos. Era mesmo um frouxo por ter coragem de ir atrás de Santana.

– E o que você fez? – Perguntou, parecendo estar mais interessada no par de botas marrom, jogadas debaixo da cama.

– Disse que era melhor esquecer o assunto e ir pra casa passar um remédio na cara, porque os mecânicos da oficina do Burt iriam zoar ele se descobrissem que apanhou de uma garota. — Santana respondeu de forma calma.

– Ninguém mandou chamar a Rachel de piranha. – Deu de ombros como se fosse a coisa mais normal do mundo derrubar um gigante e jogá-lo contra um carro.

– E por que ele chamou a anã de piranha? – A latina indagou, quase se arrependendo de ter passado na casa de Quinn.

– Porque ela pediu pra ele assinar o divórcio. – A loira soltou isso na maior naturalidade enquanto calçava o pé esquerdo.

– Santa madre de diós! Esta pendeja se me va a matar! Tienes mierda en el lugar del cerebro... — Ignorou, quando Santana começava a falar em espanhol seus ouvidos desligavam automaticamente. – Ela tem que ir. Agora. Antes que você fique toda depressiva e comece a assistir àqueles filmes indies estúpidos, que ninguém entende bosta nenhuma e o mocinho se ferra no final.

– Acho que ela só vai embora quando Finn assinar o divórcio. – Contou, dando uma risada. – E ele deixou bem claro que não tem intenção em fazer isso.

– Então, o convença. – A policial disse com firmeza. – Se tem alguém que pode fazer o Finnútil assinar até uma autorização pra o esterilizarem, é você.

Quinn fez uma careta quando ouviu Santana. Talvez isso fosse verdade, mas não agora, depois que a loira amassou a lataria de um dos carros com o rosto do mecânico.

– A qual é, Quinn. – A latina continuou, por sorte, sem perguntar o que fora que a outra tinha feito para achar que não tinha a menor chance. – Desde que você voltou, eu vejo você negociar com todo tipo de escória pra proteger Lima. Você já enfrentou italianos, latinos, negros, tailandeses, chineses e agora nazistas. Todo criminoso de Ohio sabe que não deve nem pensar em pisar aqui. O que Finn Hudson, o idiota colossal que só aprendeu a lavar as partes íntimas no último ano, — Nessa hora, Quinn fez uma expressão que dizia “muita informação”. — pode fazer contra você?

Por isso que discutir com a Chefe Santana Lopez era tão difícil. Sempre tinha um argumento na manga, capaz de convencer qualquer um e podia ser bastante persuasiva. Se não tivesse sido deserdada quando seus pais descobriram sobre a sexualidade da morena (graças a uma foto dela se agarrando com uma garota que parou no Facebook), ela seria uma advogada fantástica e podre de rica.


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As luzes da Hummel-Hudson já estavam acesas, e o trabalho parecia ter aumentado. Sábado era o pior dia da semana, a quantidade de carros na área da oficina crescia e os clientes ficavam mais estressados, pois iriam precisar dos veículos na segunda-feira. Com Burt fora, a responsabilidade de manter os mecânicos fazendo seu serviço era de Finn. Ele se aproximava de um mecânico baixinho e de pele morena, observando se o rapaz estava ligando corretamente a bateria de um Camaro azul.

– Hudson, preciso falar com você. – Ele reconheceu a voz e se virou, dando de cara com Quinn, alguns centímetros atrás.

– O que você quer? – Quando Finn a encarou, ficando de frente para a loira, ela pode ver a mancha roxa que começava no espaço entre as sobrancelhas e descia tomando boa parte da bochecha direita. Não podia negar que estava orgulhosa do estrago que causara.

– Vim pra conversar sobre o que aconteceu no almoço. – Falou de maneira serena, para que o ex-quarteback visse que ela não iria atacá-lo.

– Eu não tenho nada pra conversar com você. – Rosnou.

– Mas eu tenho. –A ex-cheerio deu um passo a frente fitando-o nos olhos, mantendo uma postura altiva perante o rapaz. – E seria bom que você ouvisse.

Finn virou a cabeça. O mecânico baixinho e o resto da oficina pararam de trabalhar e agora viam a conversa com o chefe e a loira ao invés de continuar o que deveriam fazer.

– Venha. – Ele foi na direção de uma sala com o dizer “Escritório” na porta.

Quinn o acompanhou, mantendo-se tranqüila porque as palavras de Santana ecoavam em seus ouvidos. Se podia lidar com senhores do crime, podia muito bem suportar uma conversa com um homem que muitas vezes era mais infantil do que uma criança. E faria o que fosse preciso.

Por mais que custasse admitir, Santana estava certa quanto mais Rachel ficasse, pior seria quando ela fosse embora. A morena era seu unicórnio, podia persegui-la o quanto quisesse, correr atrás dela com todas as suas energias, gastar toda a gasolina do mundo indo atrás dela, mas nunca a pegaria, nunca poderia dizer que era sua, sempre teria alguém no meio delas. Cada vez que ficava perto da cantora, cada riso, cada beijo, cada abraço, fazia seu peito arder, lembrando-a que seria demais querer ter aquilo todos os dias.

Ela fechou a porta atrás de si e analisou a recinto. Era pequena, tinha um arquivo de madeira escura e uma escrivaninha da mesma cor, com uma pilha de notas e papéis. Na parede, um porta-chaves com vários ganchos e lotado com as chaves dos carros no pátio da garagem, sem tirar as milhares de fotos de modelos seminuas (algumas nuas e em pose quase ginecológica). Puxou uma das cadeiras e se sentou, enquanto Finn tomava o assento do outro lado da mesa.

– Antes de tudo, eu queria pedir de desculpas por hoje. – Encarou-o nos olhos escuros e falando de maneira sincera. – Você é um dos donos dessa oficina e foi ato desrespeitoso. – Ele fez uma cara confusa.

– Você está falando sério? – Disse desconfiado. Não é sempre que um Fabray admite um erro.

– Sim, eu estou. – Falou de forma seca. – Mas não foi para isso que vim aqui. — Agora, Finn ficara ainda mais confuso. – Eu vim aqui pra pedir que você assine os papéis do divórcio.

O mecânico abaixou a cabeça e apoiou a mão nos olhos.

– Não acredito que você, justo você, está me pedindo isso. – Deu uma risada sarcástica.

– Por que não? – A loira subiu a sobrancelha direita e cruzou as pernas, mantendo-se firme.

– Porque eu sei que você ama ela tanto quanto eu. – Ergueu a cabeça fitando-a de maneira rígida, deixando bem claro que estava falando sério. Ela abriu a boca em surpresa. – Posso não ser inteligente, mas não sou cego. Eu via o jeito que você olhava pra ela, no jeito que você ficava quando ela cantava nos ensaios. Eu sei que a Rachel deu um tempo no nosso namoro porque vocês estavam juntas e que foi pra você a música que nos deu o título das Nationals no Senior year. Foi por isso pedi ela em casamento assim que reatamos. Não podia perdê-la de novo.

Quinn ficou estupefata com a revelação. Até aquele momento acreditava que, tirando Santana, Puck e Kurt, ninguém mais em McKinley High sabia do seu caso com a morena. Tinham sido o mais discreta possível, mas aparentemente, não fora suficiente, já que o maior lerdo da escola percebia o menor dos olhares. Limpou a garganta, recuperando-se da descoberta e se recompondo para tentar argumentar.

– Ainda sim, você tem que assinar aqueles papéis. – Ela voltou a postura tranqüila e confiante de antes. – Não justo com você e muito menos com ela.

– Se eu fizer isso, a Rach vai casar com aquele otário que é namorado dela. – A loira arqueou a sobrancelha, pelo visto, ele acompanhava as notícias sobre a mulher. –Você de todas as pessoas tinha que me apoiar na minha decisão.

Quinn se considerava teimosa, mas o mecânico estava superando todas as expectativas. Ele estava apegado com todas as forças à fantasia de que tinha que manter Rachel presa, por mais que isso custasse à felicidade ambos. Preferia ser um covarde do que admitir que talvez ele não fosse o que a atriz precisava em sua vida.

– Olha... – Ela apertou o espaço entre as sobrancelhas. – Se você ama a Rachel tanto quanto diz... – Na verdade, ela ia dizer “tanto quanto eu”, mas achou melhor mudar isso. – Então você tem que dar o divórcio pra ela. Amor é sobre ser altruísta. É sacrificar a sua própria vontade e necessidade por quem você ama. E você só está mostrando que simplesmente não se importa com ela o bastante pra quer o bem dela. Pense nisso.

A loira se levantou, ajeitou o vestido e saiu, pensando no que acabara de acontecer. Por mais que aquele beijo tenha significado mais do que Quinn imaginava, o primeiro amor de Rachel era a Broadway, a morena nunca largaria seu sonho, por mais apaixonada que estivesse e por mais que quisesse isso nunca seria possível. Se a prendesse em Lima, seria tão ou mais egoísta do que Finn Hudson.



Notas finais
Na cena que a Santana sacanea a Quinn, eu a imaginei usando aquele vestido branco da apresentação de "I Kissed a Girl". (Babo só de lembrar), mas como a imaginação é de cada um... hehehehehe
So...
O que vocês acharam? Me conta ae na Review
Deixa aproveitar e perguntar. Ainda tenho mais um flashback, que é justamente sobre as Nationals que o Finn citou. Vocês querem que mostre ou posso esquecer o passado e focar só no presente?
Próximo cap: A festa de retorno do Puck no meio das Strippers e um momento Faberry bem interessante...