This Outlaw Life

3 Capítulo 2 - What a Mess...


Notas iniciais
Tô de vorta, com um cap novo, agora mais POV da Rachel. Vou tentar fazer esse esquema de um pouco de cada uma pra dar uma visão dos dois lado.
AAAAAAAAAAAAAH que maisssssssssss
Sim, citações
- Madden NFL é um jogo futebol americano pro X-Box e pro Playstation
- Pra quem não assiste One Tree Hill, Nathan e Haley se casaram no High School e conseguiram ter as duas coisas, família e ser bem sucedidos nas suas carreiras profissionais.
- o Grande Gatsby é um livro que é um clássico da literatura americana e que vai virar filme dirigido por Baz Luhrmann e com Leonardo de DiCaprio e Tobey Maguire no elenco.

As imagens na janela passavam de forma rápida, se transformando num caleidoscópio de manchas azuis, verdes, cinzas e brancos. Seus olhos castanhos estavam imersos nos borrões enquanto sua cabeça rodava a mil por hora. Ficar perto de Quinn Fabray sempre a deixava assim, confusa, sem coerência. E olha que fazia quase cinco anos desde a última vez que se encontraram. Uma eternidade que quase lhe parecia outra vida.

O High School havia sido um suplicio, mas fez com que desse valor a tudo de bom que acontecera depois que entrou em NYADA. Não demorou muito para começar a ser notada em New York, seu talento era algo que estava sempre a vista e foi justamente graças a ele que conseguiu, ainda no terceiro ano de faculdade, ser conhecida no circuito Off Brodway. Quando menos percebeu, já estava fazendo uma peça atrás da outra, com ingressos esgotados a cada apresentação.

Mas enquanto a vida profissional ia bem, a vida afetiva ia ladeira abaixo. Depois que passaram a morar na Big Apple, ela e Finn viram que a vida de casados numa metrópole é diferente da de um casal no interior. NY era o mundo real, com contas, correria afazeres domésticos, sem papai ou mamãe por perto para ajudar na primeira necessidade. Foi numa noite qualquer, quando a luz foi cortada porque o rapaz esqueceu-se de colocar o cheque no correio foi que Rachel viu a besteira que tinha feito.

Não era a primeira, nem a segunda, nem mesmo a terceira vez que isso acontecia. Sem falar do gás, do aquecimento, da água... Enfim, deu pra notar o ponto. Ele apenas pedia desculpas, dava um sorriso abobado e esperando o perdão pelo erro. E ainda não está nem na pior parte...

Ainda tinha a falta de atenção, que a fizeram perder sete audições, porque ele estava muito ocupado jogando Madden NFL e desligou o telefone para não ser incomodado, por último mas não menos importante, o ciúmes excessivo. Sim, o rapaz ameaçava bater em qualquer ser que respirasse perto dela, tinha socado dois colegas de classe de Rachel porque eles estavam olhando demais pra ela, a situação chegou ao extremo quando a cantora descobriu que tinha perdido o papel principal de uma remontagem de Spring Awaking, pois ao descobrir que a esposa teria que expor os seios em uma das cenas, Finn apagou o recado na secretária eletrônica avisando que o local do workshop com o elenco tinha mudado, e que se ela faltasse seria cortada da peça.

Essas pequenas ações faziam com que o amor que Rachel pensava ser incomensurável fosse se perdendo aos poucos. Cada gesto infantil, e às vezes sem intenção, virava uma mágoa em seu peito. Como alguém que dizia acreditar nela e em seu potencial era capaz de feri-la? Parecia que era tudo da boca pra fora e que o rapaz queria, na verdade, que ela desistisse, os dois voltassem para Lima, ele assumiria a oficina do padrasto, enquanto a mulher cuidava da casa e dos filhos.

A separação doeu, mais do que imaginava, mas era algo que precisava ser feito. E foi bom ter acontecido, já que a liberdade que adquiriu lhe ensinou bastante. Afinal, nem todo mundo pode ser como Nathan e Haley da série One Tree Hill.

– Eu vou te deixar na casa dos seus pais, OK? — Burt quebrou o silêncio ao entrarem na área residencial de Lima, numa velocidade relativamente baixa. — Poderia te levar lá pra casa, você dormiria no quarto do Kurt, mas Finn vai estar por lá, e não seria muito legal.

– Tudo bem. — Ela disse num tom etéreo, vendo como a região havia mudado tanto em tão pouco tempo.

As casas de madeira simples foram substituídas por construções de alvenaria, havia mais verde e mais praças, as ruas estavam maiores e pareciam mais tranqüilas do que na época em que a morena morava por ali, sem tirar que a quantidade de lojas perto das casas crescera muito.

– Tudo isso é graças aos Titans. — Comentou o mecânico, adivinhando os pensamentos da diva. — O clube nunca trabalhou tanto pra comunidade desde que a Quinn entrou no lugar do Russel. — Disse com um sorriso.

Uma sensação esquisita aparecer na boca do estômago. Não sabia descrever como esse sentimento, mas ele aparecia desde que se separara de Finn e era sempre disparado ao ouvir o nome da loira. E o mais engraçado, é que sempre lhe trazia consigo uma série de lembranças calorosas, que eram capazes de deixá-la algumas noites sem sono e dormindo com a janela aberta ... Se é que me entendem...

– C... Como isso aconteceu? – Sua voz saiu um pouco vacilante, porque não tinha tanta intimidade assim com o ex-sogro, mas a curiosidade estava matando-a, já que, das poucas vezes que conversaram sobre os Titans, Quinn deixara bem claro que não tinha intenções de ficar em Lima e muito menos a cadeira de seu pai no clube. – Como Quinn saiu de Yale e virou presidente do MC?

Burt meneou a cabeça, e mudou a marcha da caminhonete, enquanto pensava em sua resposta.

– Eu não posso falar sobre isso, querida – O mecânico entrou uma rua que tinham casas grandes e luxuosas de ambos os lados. – Mas posso dizer que não foi uma escolha muito fácil e que ela foi bem relutante no começo.

Rachel apenas acenou. Kurt lhe contara que uma das regras era que assuntos do clube eram assuntos do clube, ninguém de fora podia saber sobre o que os motoqueiros discutiam em suas reuniões.

– O senhor conhece o namorado dela? – Essa pergunta ela sabia que Burt poderia responder, a menos que ele não o conhecesse, fato que julgava impossível

– Connor?! – O mecânico parecia espantado com o questionamento.

A morena acenou com a cabeça.

– Conheço sim. – Fizera mais uma curva a esquerda. – Ele faz parte do clube. Fica calado a maior parte do tempo, mas é um bom garoto.

Antes que percebesse, o reboque parou diante da caixa de correio dourada com o nome “Berry” grafado na lateral. Soltou um suspirou de alívio ao ver a casa amarela de dois andares, com os portais e as molduras das janelas pintadas de branco, a cerca de madeira que Leroy tentou construir em um dos muitos verões e acabou desistindo por ver que não tinha aptidão nenhuma como carpinteiro, e a grama sempre verde e bem cuidada do gramado da frente. Por mais que New York fosse seu lugar, aquela casa sempre seria seu lar.

– Se quiser, posso te acompanhar até a porta. – Burt falou num tom bastante paternal, se inclinando para descer do carro.

– Não precisa. – A diva respondeu com um sorriso a gentileza. — O senhor já fez muito Sr. Hummel.

– Você ainda pode me chamar de Burt, querida. – Ele deu um abraço carinhoso em Rachel.

– Boa noite S... Burt. – Disse antes de apanhar a única bolsa que trouxera consigo e sair do guincho.

A morena andou devagar pelo caminho cimentado que levava até a soleira da casa. Sua cabeça estava pesada, e tudo o que queria naquele momento, era entrar, tomar um banho e se deitar.

Abriu a porta, depois de pegar a chave escondida debaixo do tapete de boas-vindas, e deu uma breve olhada pelo lugar. Apesar da mudança das cores nas paredes e em alguns móveis, tudo parecia do mesmo jeito, mantendo mesmo ar alegre e contagiante de quando morava ali. O piano, agora no centro da sala, estava coberto com fotografias tiradas nas mais diversas peças da quais fizera parte. Seus olhos se mantiveram numa única imagem, a foto das Sectionals do último ano do High School. Ela não cantou naquela noite, por causa de uma laringite, entretanto, fez parte da foto oficial. Kurt estava entre a diva e Quinn, mas havia uma troca de olhares cúmplices entre as duas. Era intenso, forte, como se estivessem lendo a mente uma da outra, alguém com o mínimo de inteligência enxergaria que tinha algo muito além de uma amizade. E realmente tinha.

Subiu as escadas para seu quarto, refletindo que fora depois daquela noite que as coisas começaram a mudar. Afastou aquela memória triste, pensando na água bem quente e no banho merecido que lhe esperava no segundo andar. E foi justamente isso o que fez.

Em menos de 15 minutos havia cumprido o que planejara e se deitou, já com um pijama de calça e mangas compridas. Tinha dobrado — com zelo excessivo — o casaco de Yale que fora obrigada a pegar, deixando-o sobre a cadeira da escrivaninha. Decidira que iria devolvê-lo o mais rápido possível, na primeira hora depois de sua rotina de exercícios e do café da manhã. Olhar para a peça fazia-a confusa e desnorteada.

Aquela noite deveria ser a melhor noite de sua vida, já que tinha recebido sua primeira indicação ao prêmio Tony, mas acabou se transformando em um pesadelo, com direito a reencontro digno de um folhetim, e que ressuscitou sentimentos que julgava ter escondido muito bem.

Assim que o som ecoou dentro do quarto, Rachel deu um pulo da cama, indo atender o celular, jogado no interior na bolsa. Ignorar uma ligação de Kurt Hummel era o mesmo que pedir para começar a terceira guerra mundial. Mas acontece que, naquele momento, ela estava sem vontade de conversar com o amigo. Sem tirar que tinham alguns esqueletos no armário que preferia deixá-los onde estavam, pelo menos, até de manhã.

O telefone vibrou mais uma vez, mas agora era uma mensagem de texto do rapaz.

Atende essa porcaria!!! — KH

E mais uma vez o toque voltou a soar, com a foto dele aparecendo no visor. Era melhor atender e lidar com o chilique logo.

– Rachel Barbra Berry! Onde diabos você se meteu? Estamos te procurando há quase três horas...

A diva revirou os olhos, nem precisava de tanto drama. Tudo bem que pegar um avião no meio da noite usando um vestido um pouco revelador demais e um casaco fino fora um pouco excessivo, mas ela precisava sair de New York de qualquer jeito aquela noite.

– Estou bem, Kurt. — Disse, massageando o ombro direito, na esperança do frio súbito que invadira o cômodo ir embora. — Apenas resolvi vir pra casa.

– Eu disse pra Ollie que você devia estar no seu apartamento, fazendo seu ritual de...

– Não, não em New York... — Ela respirou fundo antes de soltar a bomba. -...Em Lima.

– O QUÊ????? — Gritou de forma estridente que quase fez a diva derrubar o aparelho no chão — O que você foi fazer aí?

– Eu queria descansar. – Se jogou na cama, colocando o celular no viva-voz e se embrulhando nas cobertas. – Seria impossível fazer isso em New York, com tanta gente atrás de mim. – “ainda mais depois do papel em o Grande Gatsby” pensou, estufando o peito de orgulho por ser a atriz principal da adaptação do livro para o cinema.

– Querida, te entendo perfeitamente. – O homem do outro lado falou de uma forma tranqüila. – Mas você poderia ter ido para um lugar mais perto e menos arisco para pessoas como nós. Talvez um SPA, ou Atlantic City, ou um hotel Hilton.

A morena apoiou a cabeça no travesseiro e apertou os olhos com força. Para explicar a fuga intempestiva, ela teria que tocar em algumas feridas do passado, algo que, com toda a certeza, faria Kurt sair correndo de onde estava, apanhar o primeiro avião e ir a Lima para dar uns tapas na amiga. Achou que era melhor guardar isso para outro momento.

– Eu sei que foi um pouco dramático, mas está tudo bem. Devo voltar no máximo em dois dias. – Soltou um suspiro, e virou de lado, procurando uma posição para dormir, assim que desligasse o celular. – Apenas preciso que confie em mim. — Disse receosa, porém sabia que o ator iria atendê-la, por mais que a língua coçasse pra dizer algo.

– Só de saber que você está segura na noite mais importante da sua vida já é alguma coisa. – Ele falou, aparentando estar aliviado. – Vou desligar, você precisa dormir, senão vai ter olheiras enormes de manhã cedo e não vou estar aí para ajudar a tirá-las. – Deu uma risadinha, antes de ouvir a morena se despedir.

Kurt era seu amigo desde o tempo em que ambos eram a dupla de fracassados mor do McKinley. Por muito tempo, ele fora o único confidente da diva, o único que a entendia, e o único que soube do relacionamento secreto entre Rachel e Quinn (ele só descobriu porque pegou as duas numa posição extremamente comprometedora num dos encontros “casuais” no banheiro.). Entretanto, conhecia a natureza julgadora — e um tanto ferina em alguns momentos – e fofoqueira de seu amigo. Havia certos assuntos que guardava para si mesma, porque a última coisa que queria era alguém apontando o dedo ou dizendo o que fazer, ou espalhando aos quatro ventos.

Mas, todo mundo sabe como Rachel Berry é. Ela precisa falar de tudo, precisa colocar todos os sentimentos pra fora, e exatamente neste instante seus olhos caíram no moletom azul enquanto trocava de lado mais uma vez. A loira veio a sua cabeça outra vez. Mesmo quando ainda eram rivais e que lutavam pelos solos do Glee Club, a ex-cheerio nunca a julgou por alguma coisa que tinha feito. Ela ria, zombava, ou fazia alguma piadinha, entretanto era alguém confiável o suficiente para manter um segredo quando necessário.

Pegou o celular e digitou uma mensagem para Kurt.

Preciso do telefone da Quinn. É urgente. Não adianta dizer que não tem ¬¬ . RB

Não demorou muito e a resposta apareceu.

Pra quê? O.O — KH

Escreveu mais uma vez, balançando a cabeça de um lado para o outro.

Me passa o número, por favor T.T . RB

O aparelho vibrou na palma de sua mão. A resposta a fez abrir um sorriso de orelha a orelha. O rapaz deve ter pensado que era para alguma coisa imoral, como uma rapidinha ou qualquer coisa assim, porque não digitou nada além do número do celular da loira.

Só que agora, a parte mais difícil começava a aparecer. O que escrever na mensagem de texto. Estava fora de cogitação ligar àquela hora. Quem em sã consciência está acordado às duas e meia da manhã?

Ela começou:

Oi Quinn. Kurt me passou seu número, queria conversar com você porque você é a pessoa mais confiável que conheço e que vai ser sincera comigo.

Apertou o botão para apagar tudo. Revelador demais. Parecia um pedido de socorro do que outra coisa.

Quinn, quero sua ajuda para resolver um problema importantíssimo.

“Não, ainda mais desesperado” pensou, coçando o topo da cabeça. Vislumbrou o casaco novamente e soube na mesma hora o que digitar.

Venha à minha casa amanhã para pegar seu casaco :) . RB

Rachel largou o celular sobre o criado-mudo, pegou o casaco e o vestiu antes de voltar para cama. Tinha que admitir que a peça era mais aconchegante do que qualquer uma de suas roupas no closet e que se sentira bastante protegida enquanto estava usando-a. Além disso, podia se imaginar voltando aos tempos de colégio e estando envolvida pelos braços da loira.

Quando se deitou, enrolando-se no cobertor, o som de mensagem tocou. A resposta era simples, mas o suficiente para fazer aparecer um daqueles sorrisos de cem mil watts que eram marca registrada da diva.

OK. Passo por aí às dez. — QF

Não demorou a apagar depois disso. Foi a primeira vez em meses que conseguia ter uma noite de sono tranqüila.


Flashback – McKinley High — Senior Year

Havia dez minutos que Rachel pedira licença para ir ao banheiro e ainda não tinha voltando para a sala. Logo, Logo, o Sr. Schue mandaria alguém para ver se estava tudo bem. Ele tinha um zelo excessivo pelos alunos do glee e ficava preocupado quando eles demoravam em suas saídas durante as aulas de espanhol, pois isso significava problemas com os jogadores de futebol.

Mas esse problema dela era outro, e chama-se Quinn Fabray. Quinn Fabray e seu charme de bad girl que fazia as pernas da morena ficarem bambas. Quinn Fabray e suas mãos que percorrem cada centímetro de pele do seu corpo, fazendo eletricidade correr por onde toca. Quinn Fabray e seus lábios provocantes, que há quase dois meses admitiram a possibilidade de estar apaixonada pela morena, e que neste momento, deslizavam sinuosamente nos seus, enquanto era pressionada de forma brutal contra os azulejos da parede.

Não esperava que a boca contra os dela fosse ser tão suave e tão saborosa. Se perguntava fugazmente se era isso que Finn sentiu quando ele beijava a ex-cheerio, mas a idéia foi varrida de sua mente quando língua da garota de cabelos rosa varria a sua e ela não conseguia pensar em nada além do momento. O ato era mais sensual do que Rachel tinha percebido que poderia ser, a ternura inerente do beijo, apesar da pressão firme, afetava-a mais do que esperava.

Mãos fortes e seguras torneavam suas coxas, subindo despreocupadamente, guiando-a para cima de uma das pias. Suas pernas apertavam seus quadris, buscando apoio para que a louça se mantivesse firme no lugar.

Quinn agora alternava beijos e mordidas contra a linha da mandíbula e a morena virou a cabeça, enquanto suas mãos mergulhavam no emaranhado de mechas rosadas, deixando-a desgrenhada. enquanto sua pele formigava e ela sentia vivo com uma carga de excitação. Seus mamilos endureceram tensos e as borboletas em seu estômago viravam beija-flores que atiçavam a chama súbita em seus lombos.

O hálito quente contra sua pele a fazia suar mais do que nas aulas de ginástica, em que treinadora Beiste fazia a turma dar voltas no campo de futebol até a aula acabar. Ela engasgou quando a outra desfez os botões de sua blusa, expondo os seios nus ao ar frio do ambiente. A ex-loira sorriu maliciosamente, os olhos assumindo um tom de dourado brilhante.

– Gosta de me provocar, Rach... — ela brincou com uma piscadela, roçando a ponta dos dedos em seu abdômen e subindo em direção os mamilos rijos e solicitantes por seu toque.

A boca de Rachel parecia transformar-se em um sorriso por vontade própria. A primeira vez desde que começaram a se pegar em todos os intervalos que ela a chamava por “Rach”.

Gemeu quando a língua de Quinn a tocou fez a pele de seu seio formigar ao longo da espiral decrescente que ela desenhava e, em seguida, trancava seus mamilo tensos entre os dentes. Os olhos da cantora se fecharam com força e ela a puxou mais apertado contra o peito. A garota de cabelos rosa riu baixinho com a reação dela antes de beliscar levemente seu mamilo, enviando uma pressão quente, irradiando faíscas deliciosas para o resto do corpo. A morena acariciou os músculos de suas costas lentamente deslocando a mão ao longo de sua espinha quando ela calmamente voltou sua atenção para o outro seio.


Rachel estava fascinada pelas sensações que boca em seus seios estava criando, tanto que nem sentiu a mão escorrendo por entre suas coxas, parando alguns centímetros da calcinha. Ela começou a fechar as pernas, mais por instinto do que qualquer desejo de interromper o seu progresso, mas, em seguida, deixou-as relaxar, oferecendo mais espaço. Podia sentir o calor dos dedos pressionando seu centro sobre o tecido. Seus quadris moveram-se para frente enquanto Quinn começou a acariciá-la com firmeza. A palma da mão contra seu clitóris através calcinha a fez empurrar novamente os quadris, procurando por mais contato.

– AI MEU DEUS! – O grito de Kurt, que cobria os olhos com as mãos, fez com que Rachel perdesse o equilíbrio e caísse de cima da pia. Só não foi parar no chão porque Quinn a segurou, envolvendo-a em um abraço, que estrategicamente ajudava-a a esconder a parte descoberta de seu corpo.

– O que faz aqui Hummel? Isso é um banheiro feminino. – Ralhou a garota de cabelos rosa, com rosto completamente corado e uma careta que mais parecia um leão enfurecido. A morena apenas escondia a cabeça contra os ombros da outra, sem esboçar a menor reação.

– O Sr. Schue me mandou atrás dela. Ficou com medo de VOCÊ fazer alguma coisa com ela. – O garoto colocou uma ênfase enorme na palavra “você”.

– Me... Me espera lá fora, Kurt. – Rachel disse num sussurro rouco.

Kurt apenas acentiu com a cabeça e saiu.

As duas permaneceram caladas, enquanto a diva apanhava e vestia blusa branca que estava jogada no chão. A garota menor chegava a pensar que se não fosse por seu amigo, talvez tivessem indo longe demais.

– Eu vou... – Quinn apontou pra porta, já com alça a bolsa preta sobre os ombros.

– Está bem. – A morena respondeu, indo em direção a pia e abrindo a torneira. Precisava apagar a vermelhidão no rosto, para não levantar suspeitas.

A ex-loira deu um beijo carinhoso na bochecha de Rachel e saiu.

Em questão de segundos, Kurt estava dentro do banheiro, com um os olhos arregalados e a boca entreaberta de espanto. Também, não é todo dia que se pega duas pessoas que supostamente se odeiam, se agarrando sem o menor pudor.

– O que foi isso? Faça o favor de explicar agora!

Ela apenas molhou o semblante e secou-o com o papel-toalha.

– Quinn e eu estávamos apenas aliviando um pouco dos nossos hormônios. – Disse da forma mais tranqüila do mundo, jogando o papel no cesto de lixo.

– Aliviando hormônios?! Rachel, você tem namorado, o inútil do Finn serve pra isso. – Kurt falou com desdém, incrédulo pelo o que acabara de ouvir.

– Ele prefere passar mais tempo jogando vídeo-game com o Puck e Sam, então achei melhor darmos um tempo. – A morena explicou, caminhado para sair do banheiro. Pelo jeito, Finn “esquecera” de compartilhar isso com o meio-irmão. – Eram amassos inocentes. Perder a virgindade num banheiro e em dia de aula seria clichê. — Deu uma gargalha irônica, para disfarçar o nervosismo.

Não adiantou nada, o garoto tinha preocupação estampada em suas feições. Ele viu o jeito que Quinn envolveu Rachel, de uma forma tão protetora, quase como se quisesse blindá-la contra qualquer coisa de ruim. Era o tipo de atitude que se tinha com quem você se importava muito. Aquilo o fez sentir que a questão era mais complicada do que a amiga dizia.

Ele tocou no ombro da garota, fazendo-a parar no meio do corredor.

– Em nome da nossa amizade, vou ignorar o que houve nesse banheiro. – Tratou de emendar quando ela fez menção em abrir a boca. – Mas se for como você diz, é melhor terminar antes que você acabe se machucando.

– Kurt, não sou de vidro, sei o que estou fazendo. – A morena falou com um tom de voz firme e decidido. – Há três anos eu agüento tudo de ruim e massacrante que essa escola tem pra oferecer e ainda estou aqui, com os pés pisando fora desse inferno, assim que conquistarmos o bicampeonato nacional.

– Pretende fazer isso deixando o principal capeta desse inferno se esfregar em você? – Kurt interrompeu o monologo dela de maneira furiosa. – Isso é alguma armação Rachel!

– Ela gosta de mim, Kurt. Eu sinto isso. – A voz de Rachel saiu como uma súplica pra que o garoto entendesse.

Ele revirou os olhos. Suas suspeitas se confirmaram, sua melhor amiga estava apaixonada por Quinn.

– Como você pode ter tanta certeza que ela gosta mesmo de você?

Apesar de ter ficado calada, a morena tinha uma resposta. O jeito que a ex-cheerio a olhava, como se ela fosse algo precioso, a maneira como seus lábios se tocavam, que faziam seu sangue correr mais rápido e causar calores entre suas pernas, os sorrisos discretos que mandavam uma para outra quando achavam que ninguém estava vendo. Tudo prova de que nada daquilo era platônico ou mal interpretado.

– Me escuta. – O rapaz a fitou com uma expressão mais condescendente. – Você e a sua Barbie Rebelde podem continuar se encontrando e fazendo o que bem entendem, mas me promete uma coisa. – Rachel mantinha a atenção aos olhos azuis de Kurt. – Se por acaso perceber que tem algo errado, você vai ser a tomar iniciativa e terminar isso. Sem nem pensar duas vezes.

– Kurt, isso é cruel. – Disse de forma incrédula, sem crer na frieza da proposta de seu amigo.

– Não é, querida. Se for ela quem der o basta, o que vai acontecer é que daqui alguns meses, Quinn vai estar em cima de uma moto, fazendo o que quer que se passe na naquela cabeça maquiavélica e cafajeste, nem vai lembrar que você existe. Enquanto você vai estar num dormitório de faculdade, se afogando em um balde de sorvete, com o coração partido, se culpando por ter se deixado seduzir por Quinn Fabray. Você é o oposto dela. Você é frágil, emotiva. Você tem o coração bom, Rach. Perdoa fácil demais, esquece fácil demais. Ela é forte, foi nascida e criada dentro daquele motoclube. Está acostumada a seguir em frente, por pior que seja a situação.

A morena se calou ao ouvir o sinal tocando.

Kurt sumiu no meio do mar de alunos que começava a se formar nos corredores do McKinley, largando uma Rachel confusa e desorientada pelo “conselho” que acabara de ouvir. Era algo incompreensível em sua cabeça. Não seria capaz de tamanha crueldade assim. Mesmo que Quinn tivesse cometido seus pecados com a diva, fazer o que o rapaz a orientara seria pior do que qualquer uma das atrocidades que passara naquela escola.

Ela chacoalhou a cabeça, apagando a idéia do pensamento e rumou à sala de espanhol para buscar seus materiais.

Mal sabia Rachel que ela acabaria seguindo o plano de Kurt.



Notas finais
E ae? Gostaram da pegação? Quem acha que o Kurt tava com medo de perder a amiga? Quem tá com raiva e quer me chutar o saco? Pode falar ae nas Reviews que respondo com todo o prazer