This Outlaw Life
19 Capítulo 16 - Family Sucks - Part II
Notas iniciais
Num sou Mun-Rá mas tô voltando do limbo hehehehe
Entonces, esse cap é continuação direta do anterior (sério, não diga).
Ele é importante porque vai botar algumas sementes na cabeça da Rachel e que vão germinar no próximo(s) caps.
Não se preocupem que vocês vão entender logo logo.
Glosário
OSP = Ohio State Penitenciary
O resto do cigarro que Isaac Israel havia lhe dado estava chegando ao fim. O bastão rolava por entre os dedos finos de Quinn enquanto a brasa ia consumindo o tabaco do interior. Estranho pensar sobre o quanto seus pais costumavam ser seus os heróis, até que um dia você percebe que eles não são tão perfeitos quanto imaginava.
Teve uma época que tudo o que a loira queria era ter idade suficiente para tirar a carteira, vestir um colete do clube e pilotar ao lado do pai, em meio a outras motos dos Titans, mesmo com Frannie caçoando dela e dizendo que isso nunca aconteceria, agora, tudo o que conseguia sentir era decepção, decepção por descobrir que seus pais estavam pouco se importando para o que acontecesse com ela, desde que no final, seus objetivos vis fossem concretizados.
Para falar a verdade, nem deveria estar surpresa com o fato. Russel e Judy nunca foram lá os melhores progenitores que um filho poderia pedir. Quando não estava envolvido nas atividades do clube, ele passava a maior parte do tempo em algum bordel e a mulher bebia e fumava mais do que uma chaminé, e em meio a isso, o casal vendia a imagem de família perfeita. Apesar de tudo, era difícil engolir que havia sido entregue numa bandeja de prata pelos dois.
O som da grade abrindo tirou-a de seu transe, e uma expressão confusa tomou conta de seu rosto ao assistir Rachel entrando, visivelmente irritada, com um bico imenso se formando nos lábios, como sempre fazia quando perdia algum solo no glee, ou quando era contrariada. Quinn abriu um sorriso, a morena era adorável apesar de ser do infortúnio de estar sendo presa numa cadeia no interior de Ohio.
– Isso não vai ficar assim. – Vociferou a cantora enquanto o carcereiro trancava a cela. – Avise a Santana que vou escrever uma carta muito irritada para o chefe do departamento de justiça de Ohio informando sobre esse ato de abuso de poder.
O homem foi embora sem dar atenção, já estava a tempo suficiente nesse emprego para saber que os detentos reclamam de tudo na hora em que são encarcerados.
Os olhos chocolate de Rachel brilharam ao ver Quinn, e sem que percebesse, seus lábios se chocaram contra os da loira, num beijo desesperado e ao mesmo tempo furioso. Que só teria sido melhor se não fosse pelo gosto de almiscarado do tabaco. Fazia apenas algumas horas que ficaram separadas, mas a sensação era de que semanas haviam se passado desde a última vez que se beijaram. Só que quando se está amando a noção do tempo fica um pouco diferente.
– Eles não podem te manter presa. – Disse a cantora, se focando no gosto de Quinn e ignorando o sabor do cigarro. – Qualquer que seja a acusação, foi ilegal, você passou a noite inteira comigo, Santana vai ter que soltar.
– Como sabia que eu estava aqui? – O tom rouco de Quinn fez um arrepio de prazer subir pela espinha da judia. Somente o cheiro da judia era suficiente para afastar todos os tipos de pensamentos depressivos e preencher sua cabeça com as imagens mais belas e pecaminosas que se pode imaginar.
– Noah e Connor apareceram lá em casa procurando papai. — Rachel começou a explicar vendo a preocupação nos olhos esverdeados. – Eu os fiz me trazem até aqui.
– Mesmo assim. – Rebateu a loira esfregando o polegar pelo rosto delicado da cantora. – Eles não tinham nada que te trazer para cá. Se a imprensa souber disso, é notícia para acabar com sua carreira.
Rachel deu uma risada leve e balançou a cabeça. Até mesmo quando estava encrencada a ex-cheerio se cuidava mais da judia do que dela mesma.
– Bom, Kurt precisa fazer valer o salário absurdo dele. – Ela apertou a testa contra o ombro de Quinn e sentiu os braços da loira envolverem sua cintura num abraço apertado e bastante protetor. – Além disso, eu não podia ficar quieta enquanto você está presa por algo que não cometeu. Tenho certeza que é a CIA que está por trás disso.
Ao ouvir a palavra “CIA”, o sangue de Quinn gelou. Porque se Rachel sabia sobre o fato da agência está investigando-a, ela saberia do acordo, e se isso acontecesse, a morena nunca deixaria que a loira arriscasse a vida para defender o MC.
– O que os federais têm a ver com isso? – Pergunto tentando soar inconspícua.
Rachel respirou fundo se lembrando de que, em meio a toda história de dar o pé na bunda de Oliver e assumirem o rolo delas, Hiram nunca tivera tempo para contar a Quinn sobre a investigação que estava sendo feita sobre a vida dela.
– Bom, um amigo do papai disse que a CIA colocou vigilância 24 horas em você. – Explicou, procurando o rosto da presidente do Titans. – Eles estão querendo alguma coisa, mas não dá pra dizer o que... Mas acho que isso você já sabia. – A judia decreta vendo que as feições de Quinn permaneciam frias, exatamente como a loira sempre fazia quando tentava esconder alguma coisa.
A ex-cheerio apertou os olhos com força e trouxe o corpo da cantora mais para perto do seu. Agora era um daqueles momentos em que se ficava entre a cruz e a espada. Ela não podia contar toda a verdade porque fazia parte do acordo, mas se mentisse para Rachel, a morena nunca a perdoaria por isso, ainda mais agora que estavam finamente conseguindo emendar as coisas. Roçou os lábios perto do ouvido da judia e sussurrou o mais baixo que pôde.
– Eu não posso falar sobre isso agora, Rach... – Ela olhou discretamente para a pequena câmera no alto da parede do corredor, tendo certeza que Isaac Israel pegaria as imagens da central de segurança para assisti-las assim que tivesse tempo. – Mas assim que eu puder, você vai ser a primeira a saber.
– Mas Quinn... – A cantora protestou. Compreendia que Quinn ainda não podia tocar no assunto, porém Rachel Berry nunca foi conhecida por desistir de algo assim tão fácil.
– Mais tarde Rae, eu prometo. – Depositou um beijo leve, perto da mandíbula da judia, esperando que fosse suficiente para fazê-la esquecer do tópico pelo menos por enquanto.
– Não, você prometeu que...
Nem pergunte o que resto da frase, a mente de Rachel ficou em branco ao sentir a boca da loira trabalhar avidamente contra seu pescoço, enquanto os dedos da ex-cheerio se encarregavam de brincar com a barra do suéter da morena, se arrastando pelo curto espaço de pele que aparecia antes de chegar ao cós da calça.
Ela empurrou a loira em direção a seu corpo, incentivando-a a continuar, ainda que em sua cabeça, a judia estivesse calculando a quantidade absurda de sujeira acumulada naquela cela ou que estava prestes a transforma o agradável reencontro com sua loira num filme pornô lésbico.
E acredite, teriam ido a diante se não fosse por uma certa chefe de polícia escoltando dois presos para dentro das celas.
– Ai Santa Madre de Dios! – Exclamou Santana carregando Connor e Puck pelas golas dos coletes. – No es posible que no pueden estar juntos por mucho tiempo sin tocar. – Balançou a cabeça de um lado para outro empurrando o médico para cela de Quinn e Rachel e Puck para a cela em frente. – Francamente Q, pensei que você pelo menos respeitar a santidade da minha prisão.
– Como se você nunca tivesse feito isso por aqui antes. – A loira comentou tentando esconder a vermelhidão em seu rosto abraçando a pequena diva que se escondia em seu ombro, ainda mais envergonhada do que o possível.
– Quem diria hein, Baby mama. – O rapaz de moicano subiu e desceu a sobrancelhas numa expressão de quem estava pensando besteira. – A garotinha cristã dando uns pegas em alguém do mesmo sexo.
– Que bonito, Puckerman tá com saudade OSP. – Connor comentou sarcástico, sentando no fundo da cela e limpando os óculos na camisa.
– Cala boca seu traidor do caralho! – Puck gritou avançando inutilmente em direção a grade, numa tentativa frustrada para sair dali.
Nem é preciso dizer que Santana se divertia com tudo aquilo. A latina poderia muito bem ter voltado para sua mesa depois de largar a dupla encrenqueira na cadeia, mas sabia que seria muito mais legal ficar e assistir ao barraco. A morena estava escorada na parede, lixando as unhas e apreciando o show.
– Será que os dois idiotas podem ficar calados um instante! – Gritou Quinn usando seu tom de voz de HBIC que fez os dois homens se aquietarem e Rachel se encolher por instinto (era o que ela sempre fazia quando ouvia a loira se dirigir a ela nos corredores de McKinley High). – Agora dá pra explicar essa confusão toda? – A loira esfregou as mãos nos ombros da cantora para acalmá-la, esperando que alguém começasse a falar.
– Já que a loira má acabou com o showzinho... – Disse Santana finalmente saindo de seu canto e caminhando para ficar entre as duas celas. – Eu explico. Esses dois babacas estavam brigando no estacionamento e eu os trouxe aqui pra esfriar a cabeça. – A chefe de polícia continuou preferindo dar mais atenção as próprias unhas. – Se bem que brigando não é bem a palavra mais certa para o que aconteceu. Estava mais para o Puck querendo bater no Cegueta, e o Cegueta fugindo e correndo como uma garotinha num filme de terror.
– Eu não estava fugindo. – Se defendeu Connor. – Foi apenas meu instinto de preservação que falou mais alto.
– A culpa é desse mané. – Apontou Puck para Connor. – Ele furou meu olho. Tá pegando a Shelby pelas minhas costas.
Nesse momento todos os olhares se voltaram para o médico. Parecia aquelas cenas de novela quando finalmente o assassino mor é revelado e ninguém esperava que fosse o filho do vizinho que só aparece de vez em nunca para soltar uma piadinha idiota. Ele respirou e olhou de um lado para o outro, visivelmente desconfortável pela a atenção.
– Shelby e eu estamos apenas nos conhecendo. – Respondeu, ainda limpando os óculos na camiseta. Rachel percebeu que ele sempre fazia isso quando estava nervoso. – Estamos saindo como duas pessoas civilizadas, mas “civilidade” é uma palavra que não existe no dicionário do Puckerman.
– Eu vou te mostrar o que não existe no dicionário, seu fura-olho. – Puck avançou contra porta da cela mais uma vez.
Quinn fitou o melhor amigo e deu uma risada.
– Sabe que faz sentido. – A loira apoiou a cabeça na grade ainda achando engraçado. – Agora eu entendo porque ela sempre amolece quando você pede alguma coisa.
– Até parece você e a Berry. – Completou Santana apenas para cutucar a amiga. – Tudo o que a Hobbit quer, você faz, e olha que vocês nunca chegaram a namorar.
– Igual a você quando a Britt faz aqueles olhos de cachorro pidão. – Connor comentou botando os óculos de volta no rosto.
– Se você não calar a boca eu vou trocar você de cela. – Ameaçou a latina com o dedo indicador em riste. Se tem uma coisa que tirava Santana do sério era dizer que ela estava na coleira.
– Encoleirada. – Provocou Rachel, querendo vingança, enquanto Puck imitava um cachorro uivando o nome de Brittany do outro lado, e Quinn ria da cena produzida.
– Eu gostava mais quando você era mudo. – Santana disse massageando as têmporas. – Anda Anã, puxa algum assunto com o Cegueta pra ver se ele cala a boca.
– Isso não vai dar certo, Satanás. – O médico se levantou e tirou um maço de cigarros do bolso. – A Quinn já fez o favor de ameaçar minhas partes baixas, e pro seu governo, eu só fiquei mudo com a Rachel a primeira vez porque achei que ela parecida com a Shelby.
Mais uma vez os quatro olharam para Connor como se ele fosse um alien saído de um filme. Ele apenas deu de ombros sem entender nada.
– Cara, elas são idênticas. – Apontou para a cantora com as duas mãos. – A mesma boca, o mesmo tom de pele, os mesmos olhos... Podia até ser filha dela.
– Acho que você passou beeeeeeem longe da linha da sanidade. – Quinn abraçou Rachel pensando o quão confortável as duas estavam e nenhum dos seus amigos notara.
– Isso não é falta de sanidade, é genética. – Explicou o médico com um ar de superioridade. – Eu lembro do Dr. Berry (Leroy) contando no hospital que a filha tinha sido gerada por uma amiga da família. Pode muito bem ter sido a Shelby.
Rachel ficou alheia ao resto da conversa, sua cabeça bastante ocupada analisando o que Connor havia apontado.
Realmente fazia sentido, ela não sabia bem apontar qual havia sido a sua primeira memória com a treinadora do Glee, mas desde que se entendia por gente a mulher sempre estivera ao lado de seus pais ajudando a cria-la. Fora ela quem a levara a pequena a seu primeiro musical, que ia nas festas de dias das mães e que a ajudava nos famosos “assuntos de mulher”, como Hiram costumava falar. Houve dias em que realmente desejou que Shelby fosse sua mãe, principalmente quando as outras garotas zombavam suas roupas.
A cantora fora removida de seus devaneios pelo toque delicado das mãos de Quinn nas suas, e pelo arrastar de lábios próximos a sua orelha.
– Você está pensando na besteira que o Connor disse, não é?! – Indagou a loira, conhecendo exatamente como a cabeça de Rachel funcionava.
A morena ergueu os olhos e viu Santana e o rapaz discutindo acaloradamente o mesmo assunto.
– Posso estar pensando em outras coisas. – Respondeu de maneira furtiva, erguendo a cabeça alguns centímetros e depositando um beijo casto no queixo bem delineado da ex-cheerio.
– Pode, mas essa questão de quem é sua mãe biológica sempre foi algo delicado. – Rebateu Quinn astutamente. – E pelo jeito, até hoje é.
Antes que a judia dissesse algo a voz de Santana interrompeu a conversa entre elas.
– Pelo amor de deus, vocês não vão se agarrar na nossa frente. – A latina falou levando as mãos ao rosto, aparentando desespero. – Isso é um trauma do qual eu nunca vou me recuperar.
– Isso seria uma visão do paraíso. – Comentou Puck, rezando para que continuassem.
– Eu tenho que concordar com o Puck. – Falou Connor. – Até pediria uma cópia da fita de segurança.
Não demorou muito e um dos homens de Santana apareceu carregando alguns papéis para serem entregues. A chefe de polícia correu os olhos nos primeiros parágrafos e fez um aceno de cabeça para dispensar o guarda. Ela tirou um molho de chaves do bolso e destrancou a fechadura da cela de Rachel e Quinn.
– Você duas podem ir. – Empurrou ambas para fora antes que voltassem a se agarrar. – O mandato que mantinha a Q aqui foi revogado, e Kurt pagou sua fiança, Hobbit.
A latina fez questão de escoltar até a saída (porque ela não queria ninguém de fuleiragem na delegacia dela.).
É claro que Kurt estava esperando por Rachel, com um sermão pronto sobre a importância de nunca contrariar Santana Lopez, mas que morreu assim que ele viu Quinn acompanhando a judia.
– Nem sei como ainda me impressiono com isso. – O rapaz revirou os olhos e abriu a porta da SUV que havia pego emprestado com o pai.
Notas finais
Será que a Rachel vai dar uma prensada na Shelby? Será que ela vai descobrir o rolo da Quinn com o governo?
Volta Semana que vem pra ver hehehehe
emfim..
Inté segunda q vem
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