This Outlaw Life

12 Capítulo 11 – Murphy Hates Me


Notas iniciais
OOOOOOOi povo Faberry
O atraso hoje foi por conta da loucura do tio
me deu um surto na hora em que fui revisar pra poder postar(rimou)
E acabei mudando o cap quase todo
mas espero que gostem
Citações
- OSP = Ohio State Penitentiary
- Motown = Gravadora de essencialmente de música black. Lançou The Jackson 5, Marvin Gaye, The Supremes entre outros.
- Jack Kerouac = Escritor, um dos precursores da literatura Beat e, junto com Hunter S. Thompson, foi inspiração para o gênero de filmes chamados de Road Movies.
- Robert Frost = Poeta americano, famoso por sua coleção de poemas dicotomicos.

Quinn e Rachel paravam no apartamento de Shelby. Ficava em um prédio de tijolos avermelhados, já que fazia parte do antigo centro da cidade, conhecido por ser uma tentativa falha de urbanizar Lima. Apesar disso, uma unidade naquela área era bastante valorizada e um ótimo investimento para quem tem vivem de compra e venda de imóveis.

Num minuto estava em casa, após voltar do café da manhã com Santana e Brittany, sentada em sua poltrona, com a judia em seu colo, as mãos correndo em busca de qualquer pedaço livre de pele e as bocas atreladas uma na outra, e no instante seguinte, o telefone toca, com Puck desesperado dizendo que ex-mulher não o deixava entrar para ver a filha. Isso não deixou o humor de Quinn lá muito bom...

“Murphy me ama” pensou, parando subitamente e soltando um bufar pesado. Era muito pedir pra ter um dia de paz sequer? Só um diazinho pra aproveitar com a sua morena. Mas nããão, em Lima, sempre tem que aparecer alguma coisa pra atrapalhar...

– Achei que essa sua fase “I Kissed a Girl and I like it” tinha ido embora na faculdade. – Puck disse com ironia, sentado em sua moto, no instante em que a loira estacionou, com a morena agarrada em sua cintura. – E você não devia estar me na Broadway ou algo assim? – apontou para Rachel, que também não estava nada satisfeita.

Ele tinha mudado pouco desde que se formaram. O rosto estava um pouco mais envelhecido, o rastro do moicano voltando a crescer na cabeça raspada, o mesmo par de botas sujas, jeans rasgados, a camisa com os primeiros botões abertos e o colete do clube no lugar da jaqueta do time de futebol da escola. Dava para ver o rastro preto de uma tatuagem no pescoço, além da pequena cicatriz vertical, embaixo do olho esquerdo.

– Eu não estou pra gracinhas hoje, Puckerman. – A ex-cheerio falou, transparecendo toda sua raiva por ter sido interrompida. Era a segunda vez em menos de 24 horas.

– Depois de ficar preso com um bando de homem, ver vocês duas se pegando seria a visão do paraíso, Baby mama. – Comentou.

– Eu posso bater nele? – Rachel perguntou, entregando o capacete pra Quinn.

– A vontade. – Deu de ombros. Ela também estava querendo dar uns socos no rapaz.

– Ei, nada de bater no Puckzilla. – Ele levou no meio das pernas, ao ver a judia caminhando com os punhos levantados com a intenção de acertá-lo aonde doía mais. E nada doeria mais nele do que tomar um golpe ali.

Ao atravessarem o hall de entrada, foi que Quinn se tocou de uma coisa: não tinha contado sobre Beth para Rachel, e por mais que esperasse que a rádio fofoca de Kurt, Tina e Mercedes já tivesse se encarregado de espalhar a notícia de Los Angeles até New York, seria mais honesto que a morena ouvisse a história de sua boca do que confiar em boatos.

Segurou a cantora pelo braço, fazendo-a parar enquanto Puck continuava sua caminhada até o elevador. A judia franziu o cenho, estranhando o gesto.

– Eu preciso te contar uma coisa antes. – Falou de maneira séria.

– O que foi? – Rachel apertou sua mão com força, oferecendo apoio para a loira.

Ela coçou a ponta do nariz, formulando como iniciar um assunto tão complicado.

– Ontem, eu te falei que descobri que estava grávida no Senior Ditch Day. – Se calou e recebeu um aceno de incentivo a continuar. – E Beth é a criança que nasceu quase sete meses depois disso e...

– Shelby adotou sua filha. – Completou a atriz com um sorriso. – Eu já sabia.

– Kurt. – As duas falaram ao mesmo tempo e Quinn revirou os olhos. Para variar, sua intuição sobre as fofocas feitas pelo trio foi certeira no alvo. Lógico, aqueles três nunca perdiam a chance de espalhar uma história, fora por isso que Mercedes se formou em jornalismo e tinha uma coluna no LA Times.

– Mas eu fico feliz por você mesma estar me contando isso. – Puxou a loira para um beijo casto. – Quero ser tão honesta quanto você é comigo.

Quinn teria respondido com um beijo, mas Puck logo gritou.

– Anda logo, baby mama. – Ele arrastou a ex-cheerio pelo braço, desvencilhando as duas e causando uma risada em Rachel. – Pago um quarto de motel pra vocês mais tarde.

A morena insistiu em acompanhar Quinn, por mais que soubesse que esse era um assunto um pouco complicado. A cantora sempre gostou de estar na companhia da atual treinadora do Glee, Ela fazia parte de suas melhores lembranças, e tinha certeza que só ganharam os títulos das Nationals dois anos seguidos graças a mulher. O Sr. Schue, por melhor pessoa que fosse, não tinha o menor talento para treinador do clube. Ele nunca buscava informações sobre os corais rivais, escolhia as músicas para serem apresentadas em cima da hora, e ainda reclamava da performance do grupo, resmungando que os adolescentes eram preguiçosos e bagunçados.

Também estava curiosa para conhecer Beth. Desde que ouvira a história imaginava como seria a criança, se tinha puxado os cabelos loiros da mãe ou os olhos claros do pai, ou mesmo se havia nascido com um moicano (que Mercedes jurava de pé juntos que era verdade).

Quinn deu duas batidas em baixo do número 423, seu jeito de se identificar sem que Shelby precisasse abrir a porta. Ao atender, a morena mais velha mantinha uma expressão de desdém que mudou para surpresa em questão de segundos, ao ver Rachel logo atrás da loira.

– Rachel! – A voz da mulher saiu um tom acima.

– Falei que ia trazer artilharia pesada. – Puck cruzou os braços, sentindo-se vitorioso.

– Eu vim com a Quinn. – A cantora abraçou Shelby com força, como se estivesse matando a saudade da própria mãe, já que a treinadora sempre teve esse papel na sua vida.

– Espero que não tenha abandonado a Broadway. – Ela lançou um olhar assassino para Quinn que dizia “se minha filha largou os sonhos dela por sua causa, eu te mato”.

– Não, não. – A judia riu, por ter ouvido preocupação na voz da outra. – Apenas amarrando algumas pontas soltas. – Instintivamente, sua mão buscou a da loira, trazendo a para dentro do apartamento. E Puck veio logo atrás. Pra ele, era um avanço já ter conseguido passar para a parte de dentro.

O lugar tinha uma aparência refinada, paredes clara, com os móveis em tom tabaco, a televisão enorme em um dos cantos e os brinquedos espalhado por todo o carpete, a bancada que separava a sala de estar da cozinha estava com o café da manhã posto, e as portas dos cômodos no corredor, fechadas para que a discussão ficasse apenas na sala.

– Não vou deixar ele ver a Beth. – Decretou Shelby com firmeza. – Sábado, eu fiz o que me pediu, e olha o que encontrei debaixo da cama dela ontem. – Ela tirou um saquinho transparente com um bolo de capim verde e marrom, que Quinn reconheceu na hora.

– Seu babaca! – Bateu as costas da mão com toda força no peito do rapaz, fazendo-o recuar alguns passos. – Como você esquece maconha no quarto da sua filha?!

– Caiu do meu bolso. – A voz de Puck saiu nervosa. – Eu não sou tão burro assim, Quinn. Além do mais, achei que tivesse perdido na estrada.

A loira massageou as têmporas. Não era possível que Puckerman pudesse ser tão irresponsável.

– Você é idiota? – Perguntou sarcástica, arqueando a sobrancelha direita. – Porque eu tenho certeza que numa escala de zero a 100 na escala de burrice, você atinge o grau Finn Hudson. Pelo amor de Deus Puck, você está em condicional, se um policial te pega com isso, é uma passagem só de ia pra OSP. E se não bastasse, ainda deixa isso no quarto da Beth.

– Foi um acidente. Já falei que pensei que tinha sumido na estrada! – Ele gritou alterado.

Alheia a discussão, Rachel entrou em um dos quartos. Ainda sabia mais ou menos a configuração da casa. A primeira era o quarto de Shelby, com a cama grande e a suíte máster, na segunda, o escritório, lá ela guardava os prêmios que havia ganhado com o Vocal Adrenaline e os com o New Directions, sem contar, as críticas dos espetáculos dos quais fizera parte na Broadway e as partituras das músicas que usava nas aulas. Na terceira, a do final do corredor, o banheiro social, e na última, a única porta do lado direito devia ser o quarto de Beth. E foi justamente nessa que a morena entrou.

Seus olhos bateram no papel que cobria a parede. Rosa claro, sua cor favorita. A cômoda, o armário e a cama brancos, do mesmo jeito do seu quando tinha por volta dos seis ou sete anos, antes dela mesma decidir que tinha redecorar tudo. A casa de bonecas estava bem perto do pé da cama e pôde ver uma figura pequenina, ainda menor do que ela, ajoelhada perto do brinquedo, com uma miniatura de Harley em uma das mãos.

– Quem é você? – Beth ergueu a cabeça, e fitou a mulher que se abaixava.

– Eu sou Rachel. – Respondeu deslumbrada. A menina era seria uma réplica quase perfeita de Quinn, com os olhos esverdeados e os traços delicados no rosto, a não ser pelo nariz e pelos cabelos. O nariz claramente era de Noah e os cabelos eram escuros, mas um pouco aloirado no couro cabeludo. – Você é a Beth? — A garotinha de um pouco mais de seis anos arqueou a sobrancelha direita, como quem diz “Sério?! Você descobriu isso sozinha?”, um ato tipicamente Fabray. “É claro que é”, refletiu. – Quem te deu isso?

– Mamãe Quinn. – Respondeu, mostrando a miniatura para a cantora. – Ela tem uma dessa. A mamãe Shelby falou que só posso andar com ela quando for mais velha. O papai Noah deixa andar com ele, mas não posso contar pra nenhuma das mamães porque elas vão ficar bravas e nunca mais ele vai poder vir aqui. Isso é mentir, mas a tio Sam falou que não tem problema porque é que nem quando ele me dá doce e não posso contar pra mamãe Quinn porque ela bate nele até ele ver estrelas que nem no desenho do Pernalonga.

A morena abriu a boca sem saber o que responder. Beth cuspiu um monte de palavras e sentenças por causa de uma simples pergunta. Parecia a própria Rachel quando tinha essa idade, fazendo todo mundo ficar louco, com tantas palavras e dúvidas, que acabou ganhando de Leroy o apelido de matraquinha.

– Você é um anjo? – A menina questionou, enquanto colocava uma Barbie em cima moto e passava as rodas por sobre o carpete amarronzado.

– Não, por que? – A cantora franziu o cenho achando aquela pergunta estranha.

– Mamãe Shelby tem uma foto sua no escritório. – Continuou, pegando um boneco do Homem de Ferro dentro da casa de bonecas. – Ela disse que você tem voz de um anjo e que ninguém do coral dela vai te alcançar. A mamãe Quinn diz que quando você canta parece que as trombetas do céu estão tocando.

A diva sentiu o rosto queimar de calor e suas bochechas foram assumindo um de vermelho escarlate pelo elogio inesperado. Mais uma prova de quem eram seus pais.

– Você podia cantar alguma coisa pra mim. – Beth colocou o Homem de Ferro na garupa da Barbie.

– E o que você quer que eu cante? — Rachel riu com o pedido.

E logo a garotinha se levantou, esquecendo os brinquedos de lado, também animada por ser atendida.

Era impossível não se contagiar com o sorriso luminoso da morena. A alegria que emanava dela enviava ondas de calor em quem estivesse por perto, como se o mundo inteiro ficasse mais claro, apenas porque ela estava feliz, (o que não acontecia havia um bom tempo).

A garota não se demora, trazendo um IPod rosa, e antes que a morena perceba, ela se senta sobre as pernas cruzadas da cantora. Beth coloca o fone dentro do ouvido de Rachel e aperta o play no aparelho.

– É minha música favorita. – Os olhos esverdeados da menina brilham, enquanto a outra enruga a testa ouvindo os primeiros acordes. No mesmo instante a atriz descobre quem deu de presente o IPod.


“(Uh, yo, yo)

I get it cracking like a bad back

Bitch talkin' she the queen when she looking like a lab rat

I'm Angelina, you Jennifer

C'mon bitch, you see where Brad at?”


– Santana.

É claro, isso tinha que ser obra do Satan. Dar um IPod repleto de músicas cheias de palavrões para uma criança (e conhecendo Santana, aquela era a mais leve de todos os Mp3 e Mp4 que colocou naquele aparelho.)

– Eu não conheço essa. – Mentiu, usando todo seu talento em atuar. Ela não era doida de cantar aquilo, com os pais da menina do outro lado da porta, ainda mais quando estavam discutindo por alguma besteira que Puck tinha feito. – Mas eu posso cantar uma que é minha favorita. – Colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha de Beth.

– Tudo bem, desde que não seja nada da Motown. – Fez um bico enorme com os lábios.

– E você sabe o que é Motown, por acaso? – Rachel começou a rir. Ela podia ser nova, mas já parecia ter gosto próprio com relação a música.

– É aquelas músicas de negão que o tio Connor canta. – A menina fez uma careta, apertando os olhos e colocou a língua para fora.

– Não, é de um musical que participei. — Abraçou a garotinha com força e começou a cantar em um tom baixinho, próximo de um sussurro.


Oh yes I'm the great pretender (ooh ooh)

Pretending I'm doing well (ooh ooh)

My need is such I pretend too much

I'm lonely but no one can tell


Oh yes I'm the great pretender (ooh ooh)

Adrift in a world of my own (ooh ooh)

I play the game but to my real shame

You've left me to dream all alone


Enquanto sua voz recitava os versos, sentiu a cabeça de Beth acompanhar o ritmo. As mãos pequenas da menina batiam nas suas, a medida que ia avançando nas estrofes. Ela não devia estar entendendo a letra muito bem — que era sobre um alguém que passava a vida inteira fingindo e que, por isso, acabava sozinho – mas dava para ver que estava gostando.

– Gostou? – A diva perguntou com uma risada, sustentando o peso quase todo da garota em seu colo.

– Não é da Nicki Minaj, mas é legal. – O comentário provocou mais risos na cantora. Definitivamente Beth tinha um pouco de Shelby. – Mais uma?

– Ela vai te fazer cantar o dia inteiro, sabia disso. – A figura esguia de Quinn estava escorada no batente da porta assistindo a cena. Uma coisa tinha que admitir, era bom ver Beth se dando bem com Rachel, de certa forma, elas já faziam parte da família uma da outra (ainda que não soubesse).

– Mããããããããããe – A menina saltou do colo da morena e pulou sobre loira. Teria derrubado-a no chão se não fosse pela santa parede que aparou a queda.

– Nem vou perguntar se estava com saudade. – Colocou filha no chão e se sentou ao lado da diva. – Filha, porque o Homem de Ferro está na garupa da Barbie?

– Porque a armadura dele deu pau e ele precisa de uma carona. – Ela explicou, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

– Ela está passando tempo demais com o Sam. — A ex-cheerio revirou os olhos, enquanto a morena sorria.

– É bom que ela tenha imaginação. – A diva respondeu, apoiando a cabeça no ombro de Quinn.

– O Puck vai poder vê-la? – Perguntou, fazendo um carinho leve na palma da mão da loira.

– Vai. – Quinn falou de forma tranqüila — Shelby só está dando um susto nele. Puck é um bom pai, mas é irresponsável demais algumas vezes.

Era engraçado, e quem sabe, até um pouco precipitado para alguém que estava junto a quase dois dias, mas naquela hora, assistindo Beth brincar e vendo a atenção que ela recebia da mãe, Rachel sentiu que era isso o que queria com a loira, mesmo que isso fosse meio sua cabeça dando um jeito de rearrumar o conto de fadas que sempre desejara. Ela era romântica e isso nunca mudou, ninguém pode culpá-la por ainda querer um romance épico.


++++++++++++++


Os corredores de McKinley High estavam vazios. Também, não era para menos, as férias de inverno haviam começado na sexta, isso significa que, a menos que você faça parte de um dos times da escola, ou seja uma Cheerio, seu lugar é fora daquelas salas, a quilômetros de distância dali.

O apartamento de Shelby era relativamente perto de McKinley High, pouco mais de cinco minutos indo de moto ou carro. E ao ver a fachada branca e vermelha, Rachel insistiu em pararem para dar uma olhada.

– Não mudou quase nada. – Disse a morena, aparentemente deslumbrada por voltar ao prédio que por muito tempo fora um pedaço do inferno na terra.

As paredes brancas, agora eram de um tom creme bem claro, os armários, vermelho bem forte, assim como as portas e os corrimãos das escadas que davam para o segundo andar do colégio.

– Sei lá. – Quinn deu de ombros, achando engraçado a empolgação da diva com o lugar. – Eu venho aqui quase todos os dias, então não é grande novidade pra mim.

– Então me leva na sua sala, Srta. Fabray. – Ela envolveu o braço no de Quinn e saiu carregando-a pela fileira de armários.

Andaram pelos corredores, com a judia comentando sobre cada memória que tinha dos lugares por onde passavam, boa parte de slushies que tinha tomado de Azimio, Karofsky, Santana, e até da própria Quinn. A loira sentiu uma pontada por lembrar-se dos dois primeiros anos naquela escola.

Ela nunca foi santa, mas tinha sido particularmente cruel com morena na época, como na vez em que arrombou o armário da outra e roubou todas as roupas enquanto a diva tomava banho depois da aula de Educação Física, fazendo a coitada voltar pra casa com um moletom quatro números acima, que parecia mais um saco de batatas de tão grande, ou quando pagou 10 dólares para a presidente do clube A/V, Lauren Zizes, colocar no placar eletrônico do ginásio, no intervalo de um dos jogos do time de basquete, a frase “Rachel Berry, rainha dos losers”.

Não entendia porque ficava horas pensando em apelidos maldosos ou em brincadeiras nada saudáveis para fazer com a garota, até que em uma das famosas festas de Puck, em um de seus dias ruins (que naquele período era a maior parte do tempo), acabou beijando a Cheerio novata que substituía Santana no topo da pirâmide. Claro que os instintos reprimidos por um lar altamente católico fizeram-na surtar com a tal garota, mas depois, quando o sangue esfriou, percebeu porque era impossível gostar dos beijos Finn, e pouco mais de uma semana e alguns slushies de uva depois disso foi que notou o motivo por trás da “atenção especial” que dava a judia.

E agora, a menina que perseguia com tanto fervor estava na sua sala de aula, analisando cada uma das paredes cheias de trabalhos e fotos, enquanto a loira se sentava em seu lugar habitual, atrás da mesa do professor, completamente ansiosa para ouvir a opinião da diva sobre o lugar. “Patético”, disse a si mesma.

– É a sua cara. – A morena respondeu com uma risada, caminhando por entre as fileiras de mesas do cômodo.

– Por que? É sombrio e problemático? – Indagou, com sarcasmo, assistindo-a se aproximar com um olhar predador no fundo das orbes chocolate.

– Não, é inteligente e artístico. – Rebateu, apontando para o mural com fotos, que tomava a parede do fundo de ponta a ponta. – Se algum professor tivesse feito um trabalho que misturasse Jack Kerouac e o cotidiano em Lima, talvez eu me esforçasse mais para compreender a obra dele.

– Ora, ora, Rachel Berry, A grande Diva da Broadway, futura vencedora do prêmio Tony, e futura estrela de Hollywood tem dificuldades com literatura americana. – Quinn provocou com desdém.

– Não tenho dificuldade com literatura. – A morena sentou-se sobre a mesa da professora, ficando de frente a ela, e fazendo o vestido azul claro, que encontrara no fundo do closet da loira, subir alguns centímetros, revelando as coxas firmes e tenras de forma provocante. Os olhos esverdeados caíram na pele morena recém-exposta na mesma hora. – Só com Jack Kerouac... e algumas vezes com Robert Frost.

A loira se pôs de pé, pousando as mãos delicadamente nos joelhos da outra e separando suas pernas, sem obter nenhuma resistência, enquanto a cantora mordia o lábio inferior, ao sentir o corpo esguio se posicionar entre suas pernas.

– Me conta suas dúvidas. – Sua voz saiu rouca, num tom bastante sensual, e deixando um rastro quente no pescoço de Rachel, as pontas dos dedos acompanhavam as silabas, subindo por sua coxa, fazendo-a se arrepiar a medida que as unhas bem feitas se arrastavam por sua pele, na direção de seu centro. – Posso tentar esclarecê-las. – Depositou uma mordida leve no local, com um gosto levemente apimentado tomando conta da boca. Os braços pequenos a trouxeram mais para perto, incentivando-a a experimentar mais.

– Ok... Por que...Todo liv..ro dele... tem... viagens? — A frase saiu ofegante dos lábios da morena. Não bastasse os dentes arranhando sua clavícula, ainda tinha o dedo indicador brincando com a barra de sua calcinha, indo para frente e para trás, como se tivesse decidindo se devia ou não transpassar a barreira. Parecia que ela estava colocando em prática o lema do clube do celibato: “é só para provocar, não para satisfazer”.

– As viagens significam liberdade... – Pegou um pouco de carne por entre os incisivos, com a intenção bem clara de deixar uma marca vermelha no local. – A liberdade que temos... — Os dedos morenos massageavam o couro cabeludo loiro, estimulando-a a continuar, quando a outra se moveu para mais perto de sua orelha e a mão esquerda a alisavam por cima da renda da roupa íntima, em um movimento lento e sinuoso, ainda mais torturante que o anterior, e inundando seu centro a cada movimento. – de deixar tudo pra trás e começar de novo.

Quinn deu um sorriso vitorioso. Ela ainda sabia exatamente o que fazer naquele universo pequeno e voluptuoso para fazer Rachel ficar a sua mercê. Duvidava que alguém fosse capaz de deixar a judia mais acesa do que quando a incitava. E isso provocava um calor ainda maior no corpo da loira, que estava a um ponto de arrancar as roupas da cantora nos dentes e tomá-la ali mesmo. Mesmo assim, ela tinha que manter a cabeça fria.

Ao se afastar um pouco da judia, para ganhar mais espaço, viu a porta se mover lentamente. Ela virou-se devagar, com o cérebro acordando aos poucos do transe imposto pelo sabor da pele da judia na sua boca.

“Só pode ser brincadeira” pensou Quinn enquanto se afastava, batendo as pernas na cadeira e as costas no quadro branco e Rachel se abanava, com o primeiro papel que encontrou.

Murphy realmente a detestava...


Notas finais
- A fala da Beth ficou meio enrolada em algumas partes, porque tentei imitar o jeito que a minha sobrinha de seis anos se expressa (mini-Rachel total).
- A música que a Beth tocou pra Rach foi Stupid Hoes da Nicki Minaj http://www.youtube.com/watch?v=T6j4f8cHBIM&ob=av2e
- A música que a Rachel cantou foi "The Great Pretender" do Freddie Mercury. É a cara da Rachel essa música http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=ZRKn4MYArXU
E então
Quem interrompeu dessa vez?
dou uma dica
foi alguém do lado da Rach agora
tá fácil vai
Digam ae o que você acharam nas reviews
Próximo capítulo: Finalmente, a primeira vez
inté segunda q vem