This Is War
2 Prólogo
Notas iniciais
Estados Unidos, ano de 2232.
Pânico.
Era a única palavra que Lenna se lembrava em meio aos gritos ensurdecidos das pessoas que, assim como ela, acabaram de chegar á PCMA (Prisão de Contenção Máxima Americana). Pelo menos, essa era a única coisa que ela se lembrava de ter visto antes de chegar ali.
Enormes muralhas altamente vigiadas por centenas de seguranças cercavam um conjunto de pequenas construções brancas, onde cada rua estava organizada em ordem alfabética, e cada casa tinha um número em vermelho na parede. Até onde ela sabe, esse lugar deve habitar as pessoas que foram prisioneiras na Terceira Guerra Mundial, há cinco anos atrás. E agora, Lenna e seus pais fazem parte disso.
Todas as pessoas usavam camisetas e calças largas na cor branca. Todos os prisioneiros tinham uma tatuagem acima do cotovelo do braço esquerdo, como se fosse uma forma de identificação.
As construções ocupavam quase todo o espaço do enorme terreno, pelo que Lenna podia ver. Não que uma criança de oito anos conseguisse ver muita coisa de todo jeito...
E no fundo de onde estavam, ela conseguia ver um prédio gigante, que era todo branco, com vários detalhes na cor dourada. Não soube dizer bem o que era aquilo. Afinal de contas, estavam todos gritando, e havia tiros por todo lado. Mas, mesmo no meio desse alvoroço todo, Lenna conseguiu perceber claramente quem eram os prisioneiros, e quem eram os seguranças daquele lugar.
Os prisioneiros usavam apenas roupas brancas, e os seguranças usavam preto.
– Lenna! – Ela ouviu o grito do seu pai. Assim que ela se virou, viu sua mãe Sonya e seu pai Oliver sendo literalmente arrastados por três seguranças. – Corra!
– Pai! Mãe! – A menina gritou aos prantos. Correr para onde? Mal acabara de chegar nesse lugar, e nem fazia ideia do que exatamente estava fazendo lá.
Mas, vendo que dois seguranças que eram o triplo da sua altura se aproximavam dela, ela correu para o lado oposto.
Em seus oito anos, tudo o que estava acontecendo era o que ela poderia dizer de verdadeiro apocalipse. Pra todo lugar que olhava, havia seguranças e mais seguranças, e vários prisioneiros, como ela.
Era um caos. Tiros ao longe, pessoas gritando, crianças e mulheres chorando sobre corpos já sem vida.
Enquanto começava a se distanciar da confusão, ela ouviu uma sirene. Era um barulho tão alto que ela achava que todo o país americano tinha ouvido. Foi como o tiro de largada para uma corrida, onde o prêmio principal era conseguir sobreviver essa noite.
Lenna correu rumo aos alojamentos, talvez pelo fato de ser pequena a ajudou a passar despercebida. Assim que virou uma das ruas, viu que não havia muita gente ali, a maioria estava no pátio central, no meio da confusão. O máximo que ela via era uma mulher correndo para outra rua, ou homens tentando se esconder nas sombras das casas.
“Por que me trouxeram pra cá?” – A menina não parava de se perguntar enquanto corria o mais rápido que podia, com medo de ter um exército atrás dela.
– Psiu. – Ela ouviu alguém a chamando, mas não parou nem por um segundo para ver quem era, com medo de que se parasse, seria pega e executada na hora.
A parte das casas que Lenna estava era bem mal iluminada, a impossibilitando de ver o que tinha no final dessa rua.
“Se é que essa rua tem um fim...” – A menina pensou enquanto caía na rua de ladrilhos, mas se levantava rapidamente e voltava a correr.
Estava correndo a uns dois minutos sem parar, e não via nenhum sinal de seus pais, ou de um rosto amigo, ou do final daquela maldita rua.
Em um breve espaço de tempo, ela se permite parar um pouco e retomar o fôlego. Seu pai sempre disse que ela tinha muita resistência física, mas nunca se tinha colocado á prova como esse dia. Ela se escora em uma parede e tenta organizar seus pensamentos. Será que já estava longe o suficiente dos guardas?
Ela olhou para seus pés, e a pouca luz do local a fez ver que seus pés e joelhos estavam esfolados, devido aos inúmeros tombos que ela levou até chegar ali.
– Mas onde exatamente é aqui? – Ela cochichou para si mesma, enquanto sentia a dor dos machucados chegando. Talvez fosse a adrenalina que tinha anestesiado o local enquanto corria.
– Bem-vinda a DeepHell, pirralha. – Uma voz falou atrás dela e ela se virou rapidamente, e quando ia começar a correr, a pessoa a parou, segurando seu braço. – Por favor, se poupe. Você está toda machucada, não ia conseguir correr mais que dez metros. E além do mais, não sou eu que quero te matar. – O coração de Lenna conseguiu se acalmar assim que pode ver que era um garoto, e que vestia roupas brancas, assim como ela.
Ele tinha os cabelos negros e bem desgrenhados, parecendo que nunca tinha visto um pente na vida, sua pele era clara, mas tinha um certo bronzeado, o que não fazia ficar tão branca assim, e seus olhos eram azuis, pelo menos era o que ela conseguia deduzir, já que o local estava mal iluminado.
– Venha antes que percebam que estamos aqui. – Ele falou pegando o braço da garota e depois saiu correndo ruma a escuridão.
Lenna não conseguiu enxergar para onde estavam indo, mas pode sentir outras coisas durante o trajeto.
Cheiro de sangue e pólvora impregnava o ambiente. Os barulhos dos gritos estavam parando, talvez todos estivessem idos embora.
“Ou estariam mortos.” – Sacudindo a cabeça, espantou tais pensamentos.
Depois de um tempo, ela não conseguia ouvir nenhum barulho de tiro ou gritos, apenas o silêncio total. E por causa disso, Lenna se esforçava para fazer o mínimo de barulho enquanto andava, e percebeu que o menino que a guiava estava tentando fazer o mesmo.
Quando viu o primeiro feixe de luz, eles estavam em outra rua, ou talvez na mesma... Lenna havia se esforçado tanto em correr que acabou perdendo sua noção de direção naquele lugar.
– Meu pé... – Ela sussurrou assim que pisou em uma parte áspera da rua, e pôde ver que seu pé estava pior do que imaginava.
– Já estamos chegando. – O garoto falou sem ao menos olhar para trás para ver se a garota o seguia. Quando viu, ele tinha parado em frente a uma casa branca.
Parecia um alojamento normal, com as paredes brancas e as janelas e portas bem pequenas.
– É aqui — O garoto disse abrindo a porta e entrando, mas sem antes olhar para trás a fim de ver se tinha alguém os seguindo. — Você vem ou não?
Ao ouvir um estrondo ao longe, Lenna entrou sem que o garoto perguntasse uma segunda vez.
Ao entrar a menina notou que se encontrava em uma sala escura, onde cinco pequenas figuras estavam sentadas no chão. Ela parou estática.
– Pessoal. Acendam a vela. Eles já passaram para a outra rua. — O menino que acompanhou Lenna disse se sentando em uma cadeira que estava encostada na parede, que assim como a parte de fora, era branca.
Assim que ele acabou de falar, uma vela é acesa por uma das pequenas sombras que, apesar de não conseguir ver seus olhos, sabia que a observavam atentamente.
Um menino franzino estava encostado no canto do cômodo, ele brincava com algum tipo de aparelho eletrônico, bem pequeno. Ele o desmontava e montava com uma grande facilidade.
Havia duas meninas do seu lado, uma tinha cabelo curto, olhos castanhos e cabelos de mesma cor e parecia querer ajudar o menino a todo custo. A menina que estava do seu outro lado era negra e tinha os olhos escuros, e não parecia ligar muito para o que o garoto estava brincando.
– Ai! — Lenna ouviu alguém resmungar do outro lado da sala. Era um garoto loiro, que também estava sentado no chão ele olhava para um machucado que estava em seu braço, parecia um arranhão.
– Isso que dá ficar comprando briga com os meninos da sessão C. — Uma garota falou para ele, enquanto limpava o ferimento com um pedaço de pano.
Ela também era loira, e tinha os cabelos ondulados. Assim que ela olhou para Lenna, ela pôde ver que seus olhos eram extremamente verdes, mesmo que o lugar ainda estivesse escuro.
– Não foi minha culpa... Eles que começaram... Não tem como ir mais devagar não? — O menino resmungou para a garota.
– Pare de reclamar, Josh. — Ela disse tampando a ferida com o pano, ao mesmo tempo que ele abafava um grito. — E quem é ela?
– Ela estava sozinha na sessão G. — O menino de olhos azuis falou.
O menino loiro, que parecia chamar-se Josh, levantou seu olhar para a menina.
– Seus olhos... — Ela cochichou, e parecia que ninguém havia escutado.
O olho direito de Josh era azul, um azul bem claro. E o outro era escuro, talvez seria castanho ou preto, ela não conseguiu distinguir, já que ele estava mais afastado da luz do que os outros.
– Qual seu nome? — Ele perguntou sério.
– Lenna. — A menina respondeu baixinho.
– Lenna... — a menina de cabelos curtos que estava do lado do menino que estava mexendo no aparelho desconhecido disse olhando para mim. Ela parecia ser bem fraca, e era bem magrinha. — Que nome bonito. Sou Elizabeth. — Ela olhou para o menino ao seu lado. — Esse desmontando e montando esse radio é o Dave. E essa — Ela apontou para a menina, que parecia estar alheia a tudo. — É a Clarisse.
A garota negra a encarou de cima a baixo, depois virou o rosto e ficou olhando por uma fresta na janela.
– Como veio parar aqui? De onde você era? — Ela perguntou sem sequer olhar para Lenna.
– Eu vim de Londres. Meu bairro foi invadido e nos trouxeram para cá. — Ela disse esfregando os braços. Não estava frio, mas ela não parava de tremer.
– Londres... Angel também era de Londres. — O menino loiro disse olhando para a garota. — Sou Josh. A Angel é essa daqui. — Ele disse olhando para a menina que estava cuidando do seu braço.
– Cheguei aqui semana passada. — Angel disse olhando para Lenna. — Seus pés... — Ela disse assustada.
Lenna, por conta de seu nervosismo, nem parou para ver o quão deplorável seus pés se encontravam.
Ela olhou para baixo, e viu seus joelhos e a sola de seus pés em carne viva.
– Benjamin, coloque ela sentada naquela cadeira. — Elizabeth falou enquanto se levantava e ia para o segundo cômodo. — Vou pegar um pano para limpar isso aí.
O menino dos olhos azuis a ajudou a caminhar até a cadeira no canto da sala, e a ajudou a se sentar.
– Clarisse, alguma coisa? — Josh perguntou querendo se levantar, mas Angel não deixou.
– Não. Nenhum sinal dos três. — A garota disse olhando pela rua. — Parece que a confusão dos recém-chegados já parou.
– Temos que sair daqui. — Angel disse se levantando. Ela era apenas um pouco mais baixa que Lenna. — Logo, logo, os Abatedores vão vir checar os alojamentos para ver se tem algum intruso.
– O que? — Lenna perguntou.
– Você acabou de chegar aqui. — Benjamin disse do seu lado. — Abatedores são aqueles guardas vestidos de preto que tinham aquelas armas de choque. Toda noite, antes de nos prenderem nos alojamentos, eles revistam tudo por aqui, para ter certeza de que não tem nenhum intruso.
– De que alojamento ela é? — Elizabeth perguntou assim que chegou no cômodo com alguns panos úmidos na mão.
Benjamin pegou seu braço esquerdo, e logo acima de seu cotovelo havia uma tatuagem. E foi só nessa hora que ela observou o inscrito em seu braço mais detalhadamente.
Era uma espécie de códigos, tinha seis números pequenos, e no final havia uma letra. B.
– Sessão B, alojamento 17. — O menino disse soltando o braço de Lenna.
– O mesmo de Dave. — Angel disse olhando para o garoto, que se levantava, junto com Clarisse e Josh.
Dos três meninos da sala, Dave era o mais baixinho, e, mesmo assim, era mais alto que Clarisse e Angel. Era da altura de Lenna, praticamente.
Josh e Benjamin eram magros, porém não chegava a ser em níveis alarmantes. Os dois eram quase da mesma altura.
– E Charlotte? E Will? Onde eles estão? — Dave perguntou baixinho. Ele parecia estar doente.
– Ainda não chegaram. Harrisson está com eles. — Clarisse disse olhando novamente pela janela. — Abaixem-se! Vem vindo um.
Todos se abaixaram, e Elizabeth apagou a vela. Lenna conseguiu olhar pela janela uma sombra de um dos chamados Abatedores. Ele passou rapidamente, mas mesmo depois de ter passado, todos ainda ficaram agachados. Ela tentou se levantar, mas uma mão a puxou para baixo. Ela olhou para o lado, mas não conseguiu ver quem era, via só a silhueta e os olhos brilhantes em meio a luz da lua que vinha da janela.
– Ficou maluca? — O menino cochichou. Ela percebeu que era o garoto chamado Benjamin. Claro que seria ele, era a pessoa que estava ao seu lado quando ela se abaixou.
– Podem se levantar. — Josh disse assim que acabara de olhar pela janela.
Todos se levantaram, ao mesmo tempo em que se ouviu alguém batendo na porta. Três toques consecutivos na porta e Dave foi abri-la.
– Ainda bem que vocês chegaram. — Ele disse dando espaço para três figuras. Uma era a de um adulto, e a outra era de uma criança, mas ela era mais alta que Lenna.
– Will já foi para o seu alojamento. – Uma voz feminina disse em meio a escuridão. Era a garota que acabara de chegar.
Assim que Elizabeth acendeu a vela novamente, Lenna conseguiu ver melhor quem era.
O homem tinha uma grande barba cinza, e cabelos calvos. Era bem magro, mas assim que viu a garota, sorriu com os dentes amarelados.
Havia também uma menina, ela era ruiva, e tinha os cabelos curtos, na altura dos ombros. Os olhos eram pretos e a pele bem pálida. Quando viu a presença de Lenna, ela não sorriu, aliás, não demonstrou expressão alguma.
– Charlotte, Harrisson, essa é a Lenna. Lenna, esses são Charlotte e Harrisson. — Elizabeth falou, tentando quebrar um pouco o gelo, mas não deu muito certo.
– Prazer, querida. — Harrisson disse. — Onde estão seus pais? Você veio com eles?
– E-Eu não sei onde estão. Eu vim com eles... Mas assim que cheguei na base americana, eu fui apagada, e só acordei quando estávamos aqui na porta. Onde eu já estava vestida desse jeito, e com essa tatuagem esquisita. — A garota disse marejando os olhos.
Harrisson olhou para a menina, que parecia preocupada.
– Devemos...? — Dave perguntou baixinho, parecia com medo.
– Não. — Charlotte disse séria. — Não podemos arriscar. E fora que no máximo chegaríamos perto do primeiro portão.
– Ela tem razão. — Clarisse disse olhando para Lenna mais atentamente. — Seus pais vão ficar bem... Talvez.
– Talvez? — Lenna perguntou ficando apavorada.
– Não quero te desanimar, mas a muito tempo eu não vejo alguém saindo da sede. Pelo menos não ileso. — Harrisson disse se aproximando e agachando em frente a garota.
– Então... — Lenna disse marejando os olhos. – Eles... Morreram?
– Ninguém disse isso... – Charlotte falou se aproximando da garota. – Lenna... Não é? Você teve sorte de o Benjamin te encontrar. Eu e Josh somos os que chegamos primeiro aqui. Harrison nos ajudou muito. Depois Elizabeth, Benjamin e Clarisse chegaram, e por ultimo vieram Angel, Will e Dave. E agora você. Vamos te ajudar a... Sobreviver aqui, mas não garantimos nada.
A menina ruiva dava certo medo para Lenna, mas ela não parecia ser uma má pessoa.
– Então... Ela está dentro? – Dave perguntou baixinho.
– Se ela quiser. – Charlotte disse a olhando. – Eu vou indo para o meu alojamento, não demorem. – Charlotte saiu e Clarisse foi atrás dela, seguidas por Harrisson. Mas antes, o senhor se virou para as crianças que ainda estavam ali.
– Não deixem que ninguém pegue vocês. Amanha quero ver todos no café. – Se virou para Lenna. – Inclusive você, querida. – Ele sorriu e saiu.
– Então é isso, novata. – Josh falou se aproximando de Lenna. – Você agora é uma prisioneira, assim como nós. Acho que dar boas vindas não seria muito certo pra quem vem parar aqui... Amanha você vai ver o que eu estou querendo dizer. – Ele passou do lado dela, e ficou parado na porta.
– Ei... – Lenna ouviu uma voz do seu lado, era Angel, a menina loira. – Dave vai te acompanhar, vocês dois são do mesmo alojamento. Só tome cuidado. Se você ver alguma luz que não seja a luz da Lua, corra e se esconda. Só saia quando Dave falar, ele está aqui a mais tempo e sabe como fugir dos Abatedores. Te vejo amanhã. – Ela disse saindo porta afora, e Josh foi atrás dela, logo depois, Elizabeth também foi.
“Eles devem ser do mesmo alojamento.” – A menina pensou.
– Vamos? – Dave perguntou para Lenna, que concordou discretamente. Ainda era tudo muito estranho e ela ainda não sabia nem aonde seus pais estavam.
– E-Eu... – A garota começou a falar.
– Não se preocupe. Nem eu nem o resto do pessoal vamos te machucar. – Ele disse sorrindo. – Aqui nós protegemos uns aos outros. Não sei se Harrisson vai achar seus pais, mas sei que no final, vai ficar tudo bem.
E convencendo a menina a segui-lo, as duas crianças rapidamente chegaram ao alojamento.
Tinha, no mínimo, umas trinta pessoas ali dentro. Cada uma tinha uma cama, e do lado de cada cama havia uma mesinha, fazendo função de criado mudo e um banquinho na frente. Quase tudo era branco, exceto as paredes por dentro, que eram um cinza claro.
Lenna se separou de Dave e foi para a parte das mulheres. Lá havia crianças, adultos, adolescentes, idosos... Mas todas tinham o mesmo olhar. Um olhar perdido, triste, sem esperança.
Deitou-se na cama mais distante das demais. Dez minutos depois, todas as luzes se apagaram, e a menina só conseguia ver um pouco do quarto devido a luz dos faróis de segurança que iluminavam sua janela de tempos em tempos.
Você está sozinha. – Sua consciência falou mais alto, em meio a mil pensamentos. Nunca que ela conseguiria dormir nesse lugar.
Seus pais estavam desaparecidos, e provavelmente não voltariam. Não tinha mais casa. Eles destruíram todo o bairro que morava depois de capturarem ela e sua família. Ela nem sabia onde estava, e por que estava ali.
Eu só quero ir embora. – Foi o ultimo pensamento que ela teve antes de começarem a descer silenciosas lágrimas, que duraram a noite toda.
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