This Is War

9 O melhor beijo que já dera


Capítulo 8 — O melhor beijo que já dera

– Não acredito que foram embora sem a gente! Não acredito! — Charlie gritava, furiosa.

– Eles devem estar por perto. Vamos procurar melhor. — Nico disse, tentando se acalmar.

– Espero que estejam, senão eles vão se ver comigo! — a garota disse.

Ambos procuraram por todos os lugares: perto do posto, na loja e até mesmo nos banheiros. Definitivamente foram esquecidos, o que não agradava nenhum dos dois. E Charlie não gostava nem um pouco da ideia de ser esquecida em algum lugar com Nico. Chegava talvez a ser assustador. Ela se sentou em uma das mesas que haviam na lanchonete e respirou fundo. Segundos depois, ela ouviu uma movimentação não muito longe de si.

– O jeito é ir andando até achar alguém que nos dê carona. — ela ouviu a voz no garoto e, ao abrir os olhos, encontrou as orbes negras de Nico logo à sua frente.

– Eu espero que a gente encontre carona logo! — ela reclamou, se levantando e atravessando toda a extensão do posto com Nico à sua cola.

Foram andando pela estrada em passos largos e em silêncio.

~*~

Na van, Claire fazia o máximo de esforço para ignorar Leo. Ela não se sentia a mesma perto dele e não queria se sentir assim. Após se beijarem, ela percebeu o quanto estava confusa e como aquilo mexeu com ela. Então o empurrou para longe e voltou correndo para o veículo, deixando um Leo tristonho para trás.

As pessoas não se apaixonam de um dia para o outro,isso é um absurdo. Eu não sou assim!, pensava enquanto observava a paisagem mudar pela janela.

– Cara, você é louca! — escutou a voz de “seu” Elfo, mas não se virou. Estava decidida a continuar o ignorando. — Mar, não acredito que uma garota possa ser tão engraçada.

MAR?!, pensou indignada, Então estava certa sobre ignorá-lo! Só porque ele me beijou, já partiu pra outra!

Apertou com mais força o copo que tinha em mãos e virou-se para trás, onde Leo e Marie estavam conversando animadamente. Quando seu olhar encontrou com o do Valdez, ele piscou irônico.

~*~

– Meus pés estão doendo! — Charlotte reclamou depois de andar alguns quilômetros.

– E daí? — Nico foi grosso. — Gostaria de estar fazendo o que agora? Beijando estranhos?

– O que?! — Charlie disse indignada e confusa.

– O filho do dono da van. Puxa, Sereia Negra, achei que você se valorizasse mais! — falou ele com acidez.

Pararam no meio do asfalto, com nenhum carro se aproximando. Ele precisava dizer, estava com isso entalado na garganta desde que acontecera.

– Espera! Quem aqui que beijou a Cindy? Quem deu o número de telefone para ela?! — Charlie gritou, com muita raiva. — Senhor “eu-saio-pegando-todo-mundo-mesmo”!

– Então é por isso?! Aquele beijo se tratava de vingança? — o garoto também gritava.

– Você não é o centro do mundo, ok? — disse, se aproximando perigosamente de Nico. — Eu beijo quem eu quiser e não lhe devo nenhum tipo de satisfação!

– Eu também. — o garoto disse, não mais bravo, o que deixou Charlie extremamente confusa.

E, no segundo seguinte, a puxou para um beijo de verdade. Charlie não esperava por isso, por isso reagiu de maneira impulsiva. Entrelaçou seus dedos nos cabelos negros de Nico, enquanto ele a enlaçava pela cintura e a trazia para mais perto. Charlie ficou na ponta dos pés, aprofundando o beijo e agradecendo aos deuses pelo garoto a estar segurando, pois no momento em que sentiu a língua dele travar uma batalha com a sua, juraria que suas pernas perderam a função de lhe sustentar. Seu coração batia rapidamente à medida que Nico apertava mais cintura e quase xingou quando tiveram que se separar por falta de ar.

Esse, definitivamente, foi o melhor beijo que Charlie já dera.

– O-oque foi isso? — Charlie perguntou, ainda surpresa e atônita.

– Isso sou eu beijando quem eu quiser. — Nico disse secamente. — E semideuses não tem telefone. O número que eu dei pra Cindy é de uma pizzaria que eu vi no caminho.

Antes que Charlie pudesse falar alguma coisa, viram a van rosa se aproximar e parar na frente deles.

– Alguém aí precisa de carona?! — Jason brincou sorridente.

– Graças aos deuses! — a filha de Poseidon disse e abraçou fortemente o filho de Júpiter.

– Por quê nos abandonaram? — Nico perguntou, amargurado por ver Charlie abraçando Jason quando ele acabara de beijá-la.

– Não os abandonamos, só não demos falta de vocês até certo momento da estrada. — explicou o loiro, fazendo Charlie revirar os olhos. — Eu estava conversando com Daniell quando lembrei e pedi para voltarmos.

– Mas e Claire? Ela não lembrou de mim? — Charlie perguntou, meio chateada com a irmã.

– Ela e Leo estão muito estranhos.

~*~

Charlotte ainda se lembrava dos beijos que ganhara de Nico. Não estava feliz com isso, mas parecia impossível tirar o tão ridículo Fantasminha da cabeça. O modo como se olhavam e como se sentia segura perto dele.

– Pensando longe, hein?! — Claire se sentou ao lado da irmã.

Acho que não tão longe assim, pensou Charlie, olhando para o banco da frente, onde Nico se sentara com Leo.

– Ah, normal! Então o que é isso? — apontou para a sacola que a outra tinha em mãos.

– Livros. — respondeu Claire diretamente.

– Que tipo de pessoa traz livros para uma missão? — perguntou Charlie debochadamente.

– Eu, mas se algo acontecer com eles eu juro que vou no Olimpo reivindicar outros! — a filha de Netuno também brincou. — Te empresto um se você quiser. Pretendo ler todos a viajem inteira, assim posso ignorar Leo mais facilmente.

– Aceito um livro. — disse Charlie e pegou Sussurro da saga Hush Hush. Já o lera várias vezes, mas não estava com muito ânimo para suspenses desconhecidos. Não depois do beijo. — Ah e por quê está ignorando Leo?

– Ele me irrita completamente. O jeito que ele sorri ou o modo que fala com confiança. — Claire respondeu com ar de tédio, mas Charlie sabia que estava mentindo.

– Tudo bem, mas acho que tudo isso é uma paixão escondida. — disse, caçoando a irmã.

– Igual você e o Nico! — Claire zombou e saiu correndo para outro lugar.

– Medrosa! Corre mesmo! — a filha de Poseidon gritou.

Então Charlie começou a ler e sentiu-se bem em um novo mundo. Melhor do que aquele onde pensava seriamente nas palavras da irmã.

~*~

Leo estava realmente confuso. Será que beijava tão mal assim? Não entendeu o porquê do comportamento evasivo de Claire e estava disposto a provocá-la.

– Leo, não acredito que além de gato, você é engraçado! — Marie disse e ele se segurou para não revirar os olhos.

– Ah, obrigado! — falou ele, olhando para o outro lado, onde a garota que beijara mais cedo, lia tranquilamente.

– Leo! Venha cá, por favor! — Jason gritou e Valdez o agradeceu mentalmente.

– O que foi, Jason? — disse ao se sentar do lado do amigo, que estava bastante quieto durante a viagem.

– Você acha que está rolando algo entre Nico e Charlie? — Jason perguntou, percebendo como ambos evitavam até mesmo se olhar.

– Acho que sim, por quê? — Leo perguntou quando seguiu o olhar do loiro.

– Não quero que ele a machuque. Ela é uma garota incrível.

~*~

Charlie estava na metade do livro, quando Nico se sentou ao seu lado. Marcou a página que estava e virou-se para ele.

– O que foi? — perguntou acidamente.

– É um ótimo livro. — falou ele, em um tom calmo. — Seu cheiro é bom.

Charlie o encarou confusa, mas logo entendeu a brincadeira.

– O nome disso é chuveiro... Sabão, xampu, água quente.

– Nua. Sei como é. — Nico respondeu e ambos riram, após reproduzir as falas de Patch e Nora, personagens principais do livro.

– Então, o que veio fazer aqui? — Charlotte perguntou após um tempo sem olhar nos olhos dele.

– Queria ficar perto de você. — Nico admitiu, sentindo suas bochechas ficarem avermelhadas.

– Que bom, pois eu também. — Charlie falou envergonhada, mas apoiou a cabeça no ombro do garoto que a abraçou de lado. — Só por hoje.

– Só por hoje... — o garoto repetiu e concordou com a cabeça.