This Is War
8 10-20-2024
Notas iniciais
13:04
Estava folheando umas páginas do caderno e percebi que escrevi em umas delas que, quando cheguei na casa de Mattie, estava perto de uma lareira. Mas antes disso escrevi que estava um calor do cacete. Agora, vou explicar.
Em termos de energia -que creio que 99% do mundo não tenha mais- somos aqui autossuficientes. A casa de meu irmão usa a energia solar e, por isso, eletricidade é o que não falta. Há duas baterias no porão, sendo que a segunda é apenas ativada quando mais de um eletrodoméstico estiver ligado. Se esquecermos de ligá-la nessa situação a primeira bateria sofrerá uma sobrecarga e aí estaremos fodidos. Mas é algo fácil de lembrar.
Matthew tem um climatizador poderoso aqui. Diz que nunca usou antes da mudança climática. Com ele, a casa consegue se manter na temperatura fria de antes, de modo que, quando estamos dentro dela, vem um frio do caralho típico do Canadá. E quando saímos temos que desligar o aparelho antes para evitar um choque térmico.
Assim aguentamos nós dois por vários dias. Na verdade, ainda estamos aguentando. Quando nos falta comida, simplismente nos certificamos de que Hambúrguer não alcança o que nos resta de alimento e saímos para buscar mais. Como aqui o pessoal preocupou-se mais em fugir do que pegar suprimentos -pelo menos, é o que parece- e não há revoltados – não há ninguém, na verdade -, sempre saímos com êxito.
Hambúrguer não precisa mais se preocupar com seu precioso estoque de leite.
Não sei até quando vamos ficar assim, mas, no momento, não vejo perigo algum. Estou tranquilo.
Cheio de guerras, mas tranquilo.
Digo... Não muito. Não sei por que fui um dos países menos atacados. Por um lado é um alívio. Por outro, não tenho nada de interessante, desejável?
Ou todos temem enfrentar o herói!
A última guerra aconteceu há dois dias, quando meu chefe teve uma briga com o rei da Inglaterra. Parece que um não quis dar petróleo para o outro e fomos atacados, mas o exército inglês estava tão fraco e em minoria que uns poucos caças deram conta da tropa toda.
Me preocupo com Inglaterra...
Eu poderia dar petróleo para ele se meu chefe me deixasse, mas ele deve ter seus motivos para proibir-me...
Mas Arthur vai botar a culpa em mim pela enésima vez.
Enfim... Não houveram muitas alterações nas reuniões. Houve um tempo em que fomos dispensados por causa de um tornado que apareceu na Europa. Pegou alguns países do sul e Alemanha — o “Big Boss” das conferências – decidiu esperar que os atingidos se recuperassem. Seria também um descanso para os outros.
Quando voltamos, Espanha e Romano não estavam lá. Nem Veneziano.
Algum tempo depois fomos informados de que Feliciano passava bem, mas fora gravemente ferido. De fato, ele voltou a aparecer. Mas Antonio e Lovino realmente não resistiram. E Portugal, que não compareceu a uma única reunião, caiu também.
Não sei explicar o clima de morte que reinou naquela sala nos dias seguintes. Mas já está melhorando.
Canadá por vezes se ausenta para auxiliar seus soldados em algumas guerras das redondezas que já estão praticamente ganhas. Eu sempre digo que estou pronto para ajudá-lo caso precise, e ele sempre sorri para mim dezendo que está ciente do que faz.
Ao contrário de mim, é atacado de tempos em tempos.
Mas sua defesa é algo fora do comum.
Deve ter puxado o irmão. Se é que isso é possível...!
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London, 17th October 2024
Devo admitir que estou com medo. Não só de minha situação atual como da situação do mundo todo, ultimamente...
Mas eu realmente não sei bem o que fazer. Nem eu, nem as Irlandas, nem Gales e nem Escócia. Estamos alarmados desde o Tsunami que atingiu a Islândia (pretty long time). Tememos sermos os próximos e vários fatores apontam para isso.
Precisava escrever isso em algum lugar. Meus irmãos não simpatizam muito comigo e se limitam à comunicação por meio de gracinhas. Comigo. E esse tipo de relação nós mantemos a séculos e nem no End of the World vai mudar.
Não tenho aliados. Ninguém tem. É cada um por si. O que é mais assustador ainda.
Não sei se sobreviverei a mais algum ataque...
Irônico. Eu comecei extremamente bem nessa World War. Agora estou à beira de um colapso econômico, militar, fucking everything. Não tenho recursos para continuar batalhando. Agora apenas posso torcer para que ninguém ache nada de interessante no meu território.
Já faz tempo que preciso de petróleo. Uni coragem e consegui convencer meu chefe a pedir pacíficamente para América. No wars. Apenas pedir. Mas o americano recusou. Nossos chefes discutiram, mas parece que nada mudou a sua opnião. Eu não podia entrar em contato direto com ele, já que não poderia correr o risco de aparecer em uma reunião no estado frágil em que me encontro – e como odeio essa palavra-. Então fui obrigado a declarar guerra.
Estava desesperado e ainda estou. Mais ainda, até.
Ele me derrotou fácilmente depois de dois dias. DOIS. Porque fui aconselhado a recuar e com razão. Agora está a minha força militar inteira – ou o que restou dela – sem munição, sem máquinas de guerra.
O que apenas contribuiu para a minha situação de emergência.
Se viver depois dessa merda toda, não vou perdoá-lo. Vou me esforçar para não perdoá-lo. Será apenas mais um ponto negativo na imagem que tenho daquele idiota.
Odeio ele.
Sinto inveja.
Por vários motivos.
E odeio ele.
Portanto estou aqui, inútil, fraco, às escondidas esperando por algum acontecimento irreversível que me tire do mapa.
Já estou preparado para a morte.
Meu tempo já passou. Não sou mais necessário. Tive tempo o bastante para passar a acreditar nisso.
Com sorte, quem sabe eu volte a escrever aqui. Se bem que até desejo dormir e nunca mais acordar nesse mundo de merda...
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