This Is War

3 10-15-2024


10:21

Os meios de comunicação elétricos quem sabe tenham parado de funcionar, mas parece que alguns loucos ainda trabalham no meio desse caos. Veio o jornal de hoje.

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Acho que vou guardar essa gazeta. Não sei quando as imprensas vão decidir parar também.

Resumindo a reportagem do dia, uma onda de quatro metros fodeu a costa toda da América do Norte, ou seja, dois países inteiros que, por sinal, são enormes. Agora, umas 200 cidades e seus habitantes – se é que ainda haviam habitantes – foram literalmente por água abaixo, incluindo a que havia as empresas de telefonia, cujos empregados entraram em greve, como falei no registro anterior.

Tomara que pelo menos alguns tenham se safado...

Mas agora realmente comecei a me preocupar com Matthew.

Meu braço esquerdo dói tanto que não consigo movê-lo direito. Ainda bem que sou destro.

Por causa dessa dor dos infernos, não fui à reunião de hoje. Estamos nos encontrando diáriamente agora, discutindo sobre sabe-se-lá-o-quê. Vou e nem ouço. Fico observando os outros países; como estavam físicamente cada um e etc.

Agora, tenho mais um motivo para ir para os encontros. Vou enlouquecer se parar de obter notícias deles.

13:04

Não faz nem uma hora que almocei e já estou com fome novamente. Desculpe, caro estômago, mas vai ter que se acostumar com uma nova dieta daqui para a frente.

Encontrei uns saquinhos de sopa instantânea na despensa. Nem lembrava de ter comprado, mas não estavam vencidos. Despejei num recipiente com água e mexi. Bebi frio, claro.

Não acho que seja muito recomendável uma alimentação baseada apenas nisso. Mais tarde, vou sair e vejo se, por um milagre, encontro comida melhor. Se bem que ainda tenho alguns enlatados no armário, também. Mas é melhor não deixar para depois. Não sei quem mais teve essa ideia além de mim...

Hambúrguer apropriou-se das minhas duas últimas caixinhas de leite. Só posso aproximar-me delas para servi-lo. Acho que seu instinto felino avisou-lhe da situação em que nos encontramos, de alguma maneira...

É, amiguinho, estamos ferrados.

Se eu achar algum sinal de vida enquanto estiver fora e conseguir fazer amizade, quem sabe possamos nos juntar, não sei... Manter uma relação com um humano é desastroso, mas no ponto em que chegamos... Sei lá. Eu me planejo quando estiver na rua.

17:44

ESTOU VIVO, PORRA!

Eu nunca pensei que este seria o primeiro parágrafo do meu registro da tarde, mas foi.

Antes de sair e sob protestos de um furioso Americat, peguei as duas caixas de leite e escondi em um armário. Com a minha ausência, não duvido que aquele gato iria fazer o que fosse preciso para estourar aquelas caixas e acabar com tudo antes que eu voltasse.

Aí abri a porta e saí para as ruas. Havia um cheiro horrendo de podridão que aprendi a ignorar após longas horas debruçado na batente da janela do porão (preciso abreviar isso. BJP?). E não preciso mais falar dos carros. Já descrevi tudo isso.

Aliás, a podridão vinha dos cadáveres que ninguém se importou em retirar. Também aprendi a ignorá-los, embora, nos primeiros dias, tenha me afastado da janela o máximo possível encolhido de medo daquilo. Falo mesmo. Quem não ficaria? O Super-Homem também não deve ter estômago para isso... Acho.

Mas um herói sempre consegue superar suas dificuldades.

De modo que fui andando como se estivesse caminhando no parque.

Já sabia que as três lojas mais perto de minha casa estavam completamente vazias, então avancei um pouco mais.

Lembrei-me de que havia um mercado na esquina com outra rua. Acho que muitas outras pessoas pensaram nisso também, mas ele é grande e, na pressa, quem sabe pouca coisa tivesse sido saqueada... Além disso, estava escurecendo e não iria perder tempo procurando outros lugares.

Até agora não sei se estava certo sobre os produtos do supermercado, mas acho que sim.

Haviam dois homens parados em frente à loja, conversando. Eram um pouco maiores que eu e providos de músculos que assustavam até eu mesmo. E pouca coisa me assusta. Porque heróis não podem ser medrosos.

A uns dois metros do estabelecimento, eles me avistaram. Gritaram alguma coisa para dentro do mercado e andaram na minha direção.

Eu permaneci estático, sem saber se deveria correr ou não. Não sabia nem o que eles queriam comigo. Isso até eu ver mais dois surgirem de dentro do meu objetivo, um com uma pistola e outro com algo grande que acho que era uma metralhadora. Irônica diferença.

Aí, comecei a correr. E aí começaram a atirar. Fui me escondendo atrás de uns carros, casas e o diabo a quatro a uma velocidade que surpreendeu a mim mesmo até quase escancarar a porta da minha casa.

Hambúrguer encarava-me, as orelhas duras e de pé mostrando que estava atento. Na verdade, acho que tentava compreender o que se passava do lado de fora para eu voltar naquele estado.

E o pior, não sei se aqueles caras me viram entrando. Não sei se sabem onde moro. Podem tacar fogo na minha casa enquanto durmo como fizeram com os veículos. Que caralho...

Não compreendo mais nada na humanidade.

Eu era um sobrevivente. Por que, diabos, queriam me matar?

Queriam monopolizar o mercado?

Resposta óbvia. Sim, queriam. Quanto menos gente para consumir, melhor. O mundo mudou e só sobrevive quem souber cuidar do próprio rabo. Sem cooperação. Que se foda o resto.

E pensar que não faz nem um ano que o mundo ainda estava normal e em paz...

O que é normal, agora? Há paz em algum maldito lugar?

Nossas armas estão acabando e perdi guerras em muitos países. Ainda estamos de pé em Vietnam, mas ela está devastando meus exércitos com uma vitalidade que assusta.

Mas também, acho que o chefe dela não deve ser nenhum rato que se esconde na toca ao primeiro sinal de perigo.

Onde, diabos, ele está?!

Vou parar de pensar nisso. Me estressa demais.

20:43

Vou fazer uma loucura no estilo Missão Impossível.

Uma loucura necessária.

Estou vestido de preto apenas para não ser visto por ninguém. Não é para entrar no personagem nem nada. Não sou insano a esse ponto.

Se não posso pegar alimentos de lojas, pego de casas, mesmo.

Dos meus vizinhos, especificando.

Tenho uma janela que dá para a casa da minha direita, cuja outra janela, um pouco mais abaixo da minha, está aberta faz tempo — dias — e acho que está abandonada. Vou invadi-la primeiro. O vizinho da esquerda tem uma casa menor que a minha e nenhuma janela ao meu alcance, e nem eu tenho uma janela boa para aquela direção. Apenas uma que dá para o quintal dele. Vou ter que subir no telhado e pular para essa outra casa.

Pu-lar.

Estilo ninja, mesmo.

Mas eu sou algo bem perto de ninja, e creio que consigo. Mas, não basta esse fato, não sei se alguém ainda mora lá. Caralho!

Por isso vou antes para a casa da direita.

Mesmo sabendo que ela está abandonada, estou com um mal pressentimento. Mas também acho que terei bons resultados lá, isso se sair dali. Mas é melhor não pensar nisso, senão desisto.

Vou lá, senão fica muito tarde. Pretendo voltar antes de as primeiras fogueiras serem acesas.

“ Antes de as primeiras fogueiras serem acesas“. É assim que defini o tempo. Olhem a que ponto chegamos.

Notas finais
Gente, minha tela do PC tá fodida demais x_x' Ela troca as cores, fica impossível digitar ou ler direito. Ainda bem que esse texto eu já tinha gravado no PC. Os textos dos meus cadernos quem sabe eu faça na escola, grave no PenDrive e passe aqui pelo computador do meu pai. Esse vai pro conserto e não ser se volta. c******... Mas mesmo assim, não vou postar nada até conseguir reviews em uma fic que postei. Não estou pressionando vocês a lerem ela ou coisa assim, é tique meu, mesmo. Não gosto de ir botando fic sobre fic sem nem saber como ficou a outra. Até, queridos~