This Is War

1 10-13-2024


Notas iniciais
O título é pra ser uma data, mas não deixam que eu coloque barras... Sigurður Steilsson = Nome humano do Islândia na minha fic.

09:12

Certo, é a primeira vez que anoto algo neste diário – na verdade, é só um caderno velho que achei em alguma gaveta – e não sei bem o que escrever. Primeiro, vou começar a escrever nele porque... Basicamente, o mundo está um caos. E escrever sobre tudo o que passo nessa bagunça me pareceu a melhor – e, mesmo assim, também achei a mais panaca – coisa a fazer.

No momento, estou sentado em um caixote de madeira nada confortável e apoiando o caderno na batente da janela, que, por sua vez, dá para fora. E esqueci de mencionar que estou no sótão, aparentemente o lugar mais seguro para se espiar o mundo exterior ultimamente.

Queria muito descrever a paisagem, mas é um tanto impossível. Mas vou tentar.

Como em todos os outros países atualmente, aqui estamos passando por uma guerra civil. Eu precisava esclarecer tudo isso antes de começar a escrever mas acabei esquecendo. Mais tarde crio um capítulo só para isso. Mas, que fique claro: Estamos todos, TODOS fodidos.

Na minha rua tudo o que posso ver são uns três carros empilhados pegando fogo, enquanto alguns civis tentam mantê-lo aceso. De começo, algumas pessoas tentaram parar aquilo, mas foram agredidas de modo tão brutal que ninguém mais se atreveu a evitar aquela grande fogueira.

Há muita, MUITA gente nas ruas. Mulheres com crianças, idosos, tudo. Todos procurando por alguma loja que ainda não tenha sido saqueada, o que, à esta altura, é algo bem raro. Minha vista alcança três lojas de conveniência e todas elas estão com suas vitrines quebradas e suas platereiras totalmente esvaziadas. Todas vítimas dos assaltos em massa da população em busca de comida para continuarem vivendo. O que, ultimamente, está difícil.

Há alguns mortos no chão também, e acho que não vai parar por aí. As pessoas estão descontroladas para sobreviverem e não há como pará-las... Digo, a não ser que o exército chegue aqui e bote uma ordem, mas faz semanas que não vejo nem sombra do meu chefe, quem dirá das forças armadas.

By the way, seria bom que eu me apresentasse, já que esse pequeno diário eu criei para que, caso o mundo fosse à merda, algum sobrevivente ou civilização futura, ou o que quer que seja, encontre isso e veja pelo que passamos nos momentos mais críticos de nossa civilização tão “moderna”. Civilização, aliás, eu também deveria colocar entre aspas. Bela porcaria.

Estou revoltado demais.

Enfim, posso lhes assegurar de que não estou sob efeito de drogas,

álcool nem tenho problemas psicológicos, mas cabe a você acreditar ou não no que tenho a dizer. Quem sabe, enquanto conto tudo isso, a compreensão se torne mais fácil.

Meu nome é Alfred F. Jones, mais conhecido como Estados Unidos Da América.

21:07

Quase esqueci-me de explicar o que está acontecendo. Pois bem, vou começar.

Há anos, décadas, temos tirado proveito de nosso planeta de forma errada, como muitos sabem, destruindo tudo e etc., pularei essa parte. E, como todos aprendiam na escola, era um blá blá blá de fontes renováveis aqui e desenvolvimento sustentável acolá, todas ótimas ideias... Que ficaram apenas na cabeça das criancinhas e nunca foram, de fato, postas em prática de forma realmente efetiva.

E, assim, aos poucos, vieram as consequências.

Aquecimento global, efeito estufa, problemas empurrados paa debaixo do tapete enquanto nossos chefes diziam estar tudo sob controle.

E foi assim durante anos.

Décadas.

Mas, um dia, essa sujeira transborda.

E isso aconteceu ano passado, quase véspera de ano novo, dia 28 de dezembro de 2023.

Vindo do agora inexistente Pólo Norte e com a ajuda do movimento das placas tectônicas, um único Tsunami, em menos de um dia, atingiu a Islândia e cobriu-a por completo.

Uma. Ilha. Inteira. E seus habitantes. Viraram uma Atlântida da vida.

Eu nem sabia que era possível uma onda cobrir um país inteiro em tão pouco tempo, mas ultimamente têm acontecido coisas tão estranhas que nem questiono mais nada.

E, bem, naturalmente, Islândia, ou, se quiser, Sigurður Steilsson, está morto. O país não existe mais.

Isso deixou o mundo todo em estado de alerta por um bom tempo, principalmente os países que ficavam perto da Islândia, que imediatamente começaram a reforçar a proteção de suas costas para impedir um dilúvio.

O tempo foi passando e este não aconteceu. Como todo o grande e trágico acontecimento, as pessoas foram esquecendo-se, uma a uma, do gigante Tsunami que cobriu e matou um país inteiro.

Pulando alguns outros acontecimentos, chego à gota que fez o copo transbordar.

Na verdade, algo que acontecias faz tempo, mas que, por algum motivo, decidiu manifestar-se definitivamente apenas agora.

No inverno desde ano, meados de fevereiro, o hemisfério sul atingiu temperaturas surpreendente perto ou até abaixo de zero; algo que devastou a vegetação tropical e fauna de muitos países. Não só isso, a produção de alimentos, em sua maioria tropicais e para exportação, foi morta pelo frio. Como se não bastasse, a seleção natural também fez sua parte, e apenas os mais fortes conseguiram sobreviver ao frio, que, lá para o norte da Rússia, deve ser temperatura para ir à praia.

Aqui no norte aconteceu o contrário. Houveram casos de temperaturas ultrapassando os 50°C e, como no sul, tudo se encheu de morte, independente de quão próximo cada país era da linha do Equador ou de um dos Pólos... Aliás, esse evento marcou a extinção do gelo no topo da Terra.

De início, nossos chefes não se preocuparam muito em convocar uma reunião mundial. Pensaram que era uma época que logo passaria. Apenas pediram que todos mantivessem a calma e evitassem sair de suas casas e que consumissem com sabedoria, já que pouca produção de alimentos gera não só a sua escassez, como também a de medicamentos provenientes destes. Os preços subiram como um foguete.

Mas a verdade é que ninguém obedeceu merda nenhuma. Na minha rua só se viam pessoas enfiando tudo o que conseguiam em seus carros e dando o fora daqui para sabe-se lá aonde, resultando em acidentes com a pressa, congestionamentos, brigas entre motoristas, mais mortes. Or aeroportos lotaram e, contra isso, cada país tomou a sua medida. Aqui, fecharam os aeroportos. Ninguém entrava nem saía. Quem ficou, que fosse à merda. E se insistisse levava tiro.

Não tenho nada a ver com isso. Foram ordens do meu chefe.

Eu preferi ficar em casa. Saí apenas uma vez para torrar meu dinheiro em alimentos para estocá-los e me preparar para longos meses dentro de casa. Um caralho.

Enfim. Ao contrário do que foi planejado, a temperatura não se normalizou porra nenhuma. Está daquele jeito até agora, tanto que aqui neste sótão está fazendo um calor do diabo. Fui forçado a tirar minha camisa. Sorte que não há ninguém na rua...

Vocês devem estar se perguntando o que faço no sótão e por que não desço. É simples e irônico: Basicamente, o sótão é o lugar mais seguro da casa, agora.

Pois bem, calor de um lado e frio do outro, sem previsão de mudanças, as primeiras guerras por comida e água – esta última já escassa há tanto tempo que até esqueci-me de mencionar, já que é normal faltar — começaram dentro e fora de cada país, um por um, até ninguém escapar. Aí sim, e sí aí, foram convocadas as primeiras conferências mundiais , das quais participei apenas por obrigação. Já era tarde demais para buscar soluções. Era cada um por si. Uma guerra literalmente mundial.

Às vezes os países trocavam socos na própria reunião, só para terem uma ideia.

Mas... Mesmo assim, era um pouco tranquilizante ver todos lá novamente.

Alguns países perfeitamente bem, outros com feridas, outros em um estado muito pior, estes últimos, de reunião em reunião, deixando de comparecer.

Já registraram a morte de pelo menos três países, incluindo Islândia. Acho que os outros dois são Taiwan e Iraque...

E nem uma. Maldita. Solução. À vista.

Há mais ou menos dois meses entrei também eu em estado de emergência. Não bastassem as guerras externas que ando travando a mando de meu chefe – Vietnam está estranhamente forte – agora os civis começaram a guerrear entre si. Em meu corpo já se formaram várias feridas com cara de que não sairão tão cedo, e doem pra caralho.

Falando no meu chefe, ele fugiu para sabe Deus onde e me deixou aqui sozinho, aquele filho da puta...

Fico olhando a janela e pensando que talvez não vá consegui sobreviver, do jeito que as coisas andam...

Vou parar de escrever. Preciso de uma lata de Coca. Ainda tenho bastante estocada na geladeira...

Notas finais
Bem, pessoas, não passem simplismente os olhos. EU. QUERO. REVIEWS. Porque se não conseguir um bom número vou simplismente desistir da ideia, é uu' Sou má. By the way, o tamanho dos capítulos dependerá de o quanto ele escreve em cada dia. Pode ultrapassar 2.000 palavras ou nao chegar nem a 500.