This Is War

29 1-18-2025


Notas iniciais
Amanha é a volta às aulas e eu passo o dia assistindo Sobrenatural e escrevendo esse capítulo, entao considerem-se privilegiados porque nem sei se vou atualizar a Dakota Lessons hoje e_e'

7:03

Antes de escrever sobre o real motivo de eu ter aberto o diário, preciso fazer uma observação. O hospital parece um zoológico. Eu não tinha ideia de que tantas pessoas haviam trazido seus animais consigo também. Há gatos e cães por todo o lado e não consigo achar Hambúrguer em lugar nenhum; mas eu sei que ele está por aí, isso sim. Ele é o único que rouba comida das nações.

Reservamos uns quartos especiais para os animais também. Mas enfim, ainda é manhã, alguns países ainda dormem, outros preparam suas mochilas porque mais uma vez alguns foram designados para uma missão. Participam eu, Rússia, Canadá, Inglaterra, Turquia e Índia – era ou ela ou Vietnã, graças a Deus que acabou sendo ela-. O objetivo é simplesmente mapear o lado norte da cidade; ainda não fomos para lá. Precisamos do maior conhecimento sobre os arredores possível, até porque, não podemos nos esquecer, assassinatos estranhos ainda assustam muita gente e podemos achar respostas em algum lugar.

Saímos logo, para não correr o risco de voltar ao anoitecer. São umas sete da manhã, saímos às oito, e levamos alguns minutos para arrumar as mochilas. Os países de nosso grupo que ainda dormem provavelmente as prepararam no dia anterior ou estarão fodidos na hora de acordarem. Não é culpa minha.

Tudo bem que se Matthew não tivesse me acordado eu estaria na mesma situação.

Mas ainda assim não é culpa minha, e eles são os azarados de não terem um irmão semi-herói como o meu.


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O vento varria aquela cidade vazia, abandonada, seus uivos ecoando por cada rua e beco esquecidos tanto quanto seus prédios que agora, em conjunto com os cadáveres de morte inexplicável, formavam uma paisagem macabra de atmosfera negra. Assustava os países, mas estes já estavam endurecidos pelo fim do mundo que há semanas já convivia com eles. Estavam estes munidos de armas e suprimentos e o próprio instinto de sobrevivência do qual eles tanto dependiam em tempos como aquele. Em grupo e em silêncio, varriam a área norte da cidade de Halifax, cujos prédios mais altos que em outras regiões cobriam o sol matutino, arrancando-lhes a sensação de segurança, de proteção, dada pela própria luz do sol.

Um dos integrantes, alto, a parte superior de sua face ocultada por uma máscara alva, segurava em suas mãos um mapa antes pertencente a uma loja turística invadida pelo grupo minutos atrás. Havia neste pequenas marcações em formas geométricas feitas pelo próprio grupo e também entendida apenas por este. O homem prestava atenção na carta enquanto o resto do grupo lançava olhares às construções pelas quais passavam.

Outro homem, de aparência mais jovem, com um curioso tufo de cabelo rebelde elevando-se acima dos demais na testa, olhou para o mascarado.

“ Achei um açougue!”

Rolou os olhos violeta um jovem de aparência quase igual à dele. Seu cabelo era, ao contrário do do outro, levemente ondulado, e um fio de cabelo mais longo que os demais saltava de sua testa e fazia um looping curioso.

“ A comida está muito provavelmente estragada, Alfred.”

“ Não chamei por causa disso!”, respondeu Alfred, “ Acho que vocês deviam dar uma olhada aqui!”

Os outros integrantes se entreolharam; a maioria aproximou-se da casa de carnes enquanto o homem de mascara e um outro, de cabelos loiros rebeldes, ficaram apenas a observar.

Yebat!”, exclamou o maior do grupo, um albino cuja arma era nada mais, nada menos que um cano, “ Isso não é humano!”

A única mulher do grupo arriscou passos vacilantes açougue adentro, transpassando a porta escancarada. Olhou ao redor; a luz praticamente não tocava o local, mas era suficiente para se ter uma noção do cenário. Era um lugar pequeno e a única mobília consistia de uma bancada transparente e um suporte com ganchos logo acima, bem como uma caixa registradora violada. Havia sangue em todo o lugar, e peças de carne apodrecida estavam espalhadas por todo o canto e davam ao local um cheiro que beirava o insuportável.

Estas, todas elas, foram golpeadas, rasgadas, trituradas e despedaçadas de um modo que faca, dente ou martelo de origem humana alguma seriam capaz de realizar. Ela se ajoelhou, examinando um dos alimentos, e então se apressou em sair da construção.

“ É um animal carnívoro. E é grande.”, concluiu.

Alfred e o homem de cabelos rebeldes arrepiaram-se.

“ Marcamos isso no mapa?”, indagou o mascarado.

O jovem de olhos violeta encolheu os ombros.

“ Não custa. Marque e vamos continuar.”

Todos obedeceram.

O sol já atingira sua altura máxima no firmamento, e alguns raios de luz finalmente conseguiram transpassar as colunas de cimento e atingir o chão, formando curiosos formatos no asfalto. O silêncio voltara a rodear o grupo, e a caneta há minutos havia parado de riscar o mapa. A vontade de retornar ao hospital era presente em todos, mas todos igualmente temiam expô-la com medo de serem os únicos com tal pensamento. A paisagem não se alterara, e isso acabou por endurecer o grupo; acostumá-los a serem rodeados pela morte, invisibilizar os cadáveres. Alfred, de longe o mais ativo do grupo, que ficava correndo de um lado para o outro examinando de perto cada prédio e rua e beco, deteve-se em frente a um destes, o resto da equipe simplesmente prosseguindo ciente de que logo o jovem hiperativo os alcançaria.

O loiro, porém, permaneceu ali mais do que o normal. Jogou seu olhar para cima, examinando o prédio que parecia mais velho do que o resto. Não havia mais janelas e portas, e o interior fora invadido por pó de cimento e pedaços de construção. Aparentemente, fora abandonado antes mesmo do começo do “fim do mundo”, e aparentava poder ruir a qualquer momento. Não que ele houvesse percebido isso, porém; sua curiosidade era grande, e ele bem queria explorar aquele lugar. Sabia também que a maioria dos outros o impediria de fazê-lo, portanto não os chamou.

O jovem de cabelos ondulados, junto do loiro de cabelos rebeldes, porém, notaram sua falta a tempo de se entreolharem e olharem para trás.

Os passos de Alfred, mesmo que leves, ainda conseguiam ecoar pelo edifício maltratado pelos anos. Estava mais quieto que o normal. Até mais frio que o normal. Não havia o cheiro de carniça que infestava a cidade e que tardava a desaparecer por costume desde que ele e seu grupo botaram os pés lá; sequer os típicos cadáveres dissecados podiam lá ser encontrados. O que seus olhos não enxergavam, porém, eram alguns ossos espelhados pelo local. Sua atenção estava voltada para uma escada aparentemente intacta, escada essa que levava para o segundo andar, ainda mais escuro que o primeiro.

Escuridão essa que permitia o ocultar de criaturas com as quais o garoto já podia ou não estar familiarizado.

E estas, estas não gostaram de sua presença.


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Diário de Bordo (?) — 18 de fevereiro de 2025

O resultado da exploração que mencionei no registro anterior foi mais mistérios sobre o que diabos aconteceu na cidade, poucos pontos onde poderá ser possível encontrar alimento e etc.. Marcamos em um mapa que está em posse de Turquia.

Houve uma provável morte. Eles dizem que ele morreu.

Eu sinceramente acho que alguém com seu espírito não morre com uma pilha de concreto a desabar em sua cabeça. E eu vou tirá-lo de lá. Não hoje, mas amanhã. Hoje, preciso dormir.


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Dor.

A dor se espalhava por todo o seu corpo; cabeça, coluna e pernas. Não era possível se mexer. Estava deitado em algo que parecia ser uma cama de pedras pontiagudas, e não era possível se mexer.

Olhou em volta. Estava escuro; nenhuma luz penetrava os escombros. Ele não sabia se era dia ou era noite. Ele sequer lembrava onde estava. Mas pousou o olhar em seu braço, e seu braço estava preso de modo que não podia retirá-lo de dentre as pedras. Aquele braço; aquele que sempre doeu e que até o havia poupado da dor por um tempo.

Bem, voltou.

Rolou os olhos.

Não havia nada para fazer senão... Esperar a dor e a tontura passar... Tentar respirar... E recuperar as forças. Sentia-se fraco. Não comia havia horas, e ele precisava, NECESSITAVA de comer. Mas... Não conseguia fazer nada no momento. Tentou forçar a memória, mas nada lhe vinha à cabeça... Literalmente, nada. Como se houvessem enfiado algodão na sua mente, ele não conseguia completar um pensamento sequer.

Sentiu um filete de sangue escorrer pela lateral de sua cabeça e soube que provavelmente não era a única ferida que conseguira. Xingou em silêncio.

Calou-se.

O silêncio rodeou-o enquanto o único som capaz de quebrá-lo era sua respiração baixa, controlada, mas não. Ele ouvia mais que isso.

Prendeu o ar nos pulmões quando ouviu o farejar de um cão logo acima de sua cabeça.

Notas finais
Yebat - "Caralho" em Russo.
Esse capítulo teve mais narrativa que diários, e a maior parte na verdade poderia ser colocada em um diário (no do Inglaterra, por exemplo), mas sei lá, tava a fim de narrar @_@
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.