Notas iniciais
Desculpem a demora, acabei acrescentando mais coisas a história, isso me tomou certo tempo, e só consegui tempo para postar hoje.
Enfim, boa leitura e obrigada pelos reviews. :333

A primavera estava em seu auge de beleza, as flores colorindo tudo pelo horizonte, o aroma doce pelo ar e o drama de uma vida estava apenas começando. Já não sentia mais vontade de viver, já não tinha mais vida, não longe de quem ele descobriu que realmente amava.

Depois da ligação de fizera tudo ao seu redor virou uma massa sólida de melancolia, uma gritante melancolia que lhe cobria a pela, invadia as suas veias e era bombardeada com alta velocidade diretamente para o seu tão dolorido coração. E ele não saberia dizer ao certo se ainda havia um coração batendo contra o seu peito.

As palavras de Yuu foram tão duras contra si, que adagas perfurando seu peito teriam sido menos dolorosas.

Seu estado era tão lastimável que tinha a impressão de que a qualquer instante sua alma cansaria de si a abandonaria seu corpo, tamanho era o estado de torpor sôfrego que lhe apossava os músculos. Estava morto, sentia-se morto, era essa a verdade. Não vivia mais, apenas respirava, com extrema dificuldade, já que tudo dentro de si parecia falhar.

Já nem se lembrava mais da última vez que tomara um banho, ou que escovara os dentes. Apresentava um quadro tão noir¹ que causaria pena em qualquer um que tivesse a sorte, ou o azar, de por os olhos em si. Estava aos frangalhos, não lembrava em nada o gracioso Kouyou de sempre. Mais magro, mais pálido, mal cheiroso e morto.

A pior de todas as mortes, aquela que não te leva para o outro mundo, aquela que te mantém em pé desejando ser levado de uma vez por todas, sem poder fazer nada. Uma vela que já havia quase que se derretido por completa, mas seu pavio, no entanto, continuava aceso, numa luta impetuosa contra o vento que lhe rasgava a pele.

Tinha procurado tantas saídas, mas todas as portas pareciam estar trancadas para ele. Pensou em se matar, mais de uma vez, as facas na cozinha pareciam tão brilhantes e atrativas aos seus olhos, mas era covarde o suficiente para não tentar tal coisa. Yuu jamais o perdoaria. Pensou em ligar para o moreno, centenas de vezes, mas desistiu todas essas centenas de vezes. Pensou em procurá-lo, procurar um amigo que pudesse dizer onde seu amor estava, mas ignorou essa ideia no mesmo momento em que a teve, ninguém em sã consciência de seus atos o ajudaria. Pensou em desistir, seguir em frente, mas chorou todas as vezes que pensou tal besteira e quase se bateu pelo mesmo motivo.

Já passavam das dez da noite quando o medo e solidão bateram mais fortes, coisas que ele pensava serem impossível de aumentar. Não tinha mais porque lutar, continuar. Parecia loucura, mas essa era a única porta aberta que ele havia encontrado. Indo contra todos os pensamentos bons que às vezes lhe invadiam, tomado pelo drama e pela lânguida melancolia de sua alma, jogou-se nos braços do azar, pensando ser a última vez que choraria.

Chegou até a achar engraçado todo aquele seu plano de escape. Segundos atrás achava idiota tentar aquela saída, teve medo de tentar. Porém, depois de mais uma semana em claro, depois de mais pesadelos, depois de todo aquele caos astral e sem sinais de melhora, sem sinais de seu Yuu, era tudo que lhe restava.

Foi até o banheiro e trouxe com sigo algumas caixas de remédios, ele não fazia a mínima idéia de que remédios eram, na verdade ele não queria saber mesmo. Imagina que não morreria com aquilo, não lhe interessa muito morrer ou continuar respirando, queria apenas que aquela dor toda acabasse, que tudo congelasse e ele pudesse descansar. Não se importava com nada, nada além do mais velho, porém ele não estava ali consigo, então nada mais vazia sentido para si. Sentou-se na cama, onde havia uma garrafa – pela metade – de vodka, havia durante todo aquele maldito tempo adquirido ainda mais gosto pelo álcool, tanto que das poucas vezes que alguma coisa descia por sua garganta era alcoólico ou nada. A essa altura do campeonato já havia álcool circulando por suas veias, os remédios eram apenas um pequeno empurrãozinho. Jogou os remédios sobre a cama e um por um foi descartado da cartela. Tomou pelo menos três de cada tipo, levando em consideração que havia ao menos umas sete qualidades diferentes, era uma boa quantidade, mas não o suficiente para dar um final definitivo a tudo. Uma boa quantidade, mas alguns deles não lhe causariam efeito algum, como o remédio para azia que Yuu costumava tomar em jejum.

No primeiro momento não sentiu nada de mais, apenas sua garganta pareceu ficar um pouco seca, mas essa sensação logo se dissolveu assim que ele sentiu a liquido forte descer e “rasgar” sua garganta. Logo a garrafa estava completamente vazia, jogada ao lado da cama. Estava começando a ficar irritado, mais de meia hora havia se passado e a única tontura que se apossou de si fora quando se levantara bruscamente da cama, indo em direção a qualquer outro cômodo do apartamento. Demorou a fazer algum efeito maior, mais de uma hora. Talvez não tenha sido o suficiente, talvez seu destino fosse mesmo sofrer. Porém, agora não mais importava. Mais alguns minutos foram passando até que ele sentiu suas pálpebras pesarem e depois disso não sentiu mais nada. Não havia mais dor, só o corpo caído em meio ao quarto de hóspedes, levemente acompanhado pelo vento gelado que entrava pela janela aberta.

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Três semanas atrás

Não muito longe dali um par de olhos extremamente negros encontravam-se submersos em um brilho úmido, uma umidade quase que natural há algum tempo, lágrimas que não conseguia mais derramar, lágrimas que não haviam secado, mas que continuavam incrustadas em suas imensidões ônix e não queriam abandoná-las.

Aquela ligação do Kouyou havia abalado terrivelmente seu psicológico, havia esperado o outro sair de casa para não ter de dar de cara com ele quando fora buscar suas coisas, não esperava uma ligação repentina. A realidade é que esperava que o outro esquecesse que algum dia Shiroyama Yuu existiu na sua vida, esperava que o loiro mel encontrasse alguém para si e deixasse a história que os dois tiveram esquecida no velho baú bagunçado que era sua mente.

Se ele estava péssimo? Claro que estava. Sentia como se todo o seu ser a qualquer momento pudesse sucumbir em saudade, saudade que sentia de seu Kou, e em lágrimas.

Por fora aparentava ser uma rocha fria, dura e sem sentimentos. Jamais se deixaria abalar na frente dos outros, a última coisa que queria era preocupar seus amigos ainda mais. Pó dentro estava aos pedaços, triste e desiludido, sem entender como alguém a quem devotara todo o seu amor e sua vida pode ter sido tão cruel e sem sentimentos quanto Takashima Kouyou fora.

Já havia perdido a conta de quantas vezes recusou convites de seus amigos para irem morar com eles, hora um baixinho ruivo, hora um loiro enfaixado, hora um par de covinhas. Mas não queria, não podia envolvê-los em sua triste, em sua história de amor fracassada. Estava cansado de se lamentar escondido pelos cantos, se fosse morar com algum dos três seria ainda pior. Não havia sentido em atormentar a vida dos outros com seus tragicômicos tormentos. Porque sim, era poderia rir de seu descuido, de tamanha a sua idiotice poderia ser. Era um corno triste e hilário.

Contudo, aquela ligação de Kouyou o deixou ainda mais confuso. Agora vivia em um grande conflito interno, sem saber se era mais capaz de esquecer o outro ou de perdoá-lo. Parte de si queria correr e ir de encontro ao outro, saber como estava, já a outra parte era capaz de ter pensamentos horríveis para com o mais alto.

Estava cada vez mais difícil para si trabalhar ou dormir, quando toda a sua mente parecia ocupada pelo mais novo.

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Atualmente.

Os olhos estavam pesados demais para se abrirem facilmente, mas com muita dificuldade ele o fez, piscando algumas vezes, a visão embaçada. Com certa dificuldade percebeu que tudo a sua volta tinha uma cor branca enjoativa e isso não era de todo mal, ao menos para ele. Pensou estar no céu, mas lembrou-se que não é para lá que os suicidas vão, ou os pseudo-suicidas como constatou ao dar-se conta de onde estava. Fechou os olhos e os abriu novamente, olhando de modo confuso a sua volta e viu alguém se levantar, de um sofá próximo a porta, e vir em sua direção. Uma mão tocou a sua, mas ele não pode identificar quem era, sua visão ainda não estava clara o suficiente. Até que se ouviu uma voz, mas não qualquer voz.

- Kouyou? – Ouviu a voz familiarmente rouca e essa entrou por seu ouviu, correu por todas as suas veias e deixou-se ecoar em sua cabeça. Arrepiou-se. Ele havia conseguido o que tanto queria? Estava no céu?

- Yuu? Onde eu estou?- Sua mente parecia vazia, e só a voz do outro parecia habitar aquele lugar. – Não consigo pensar direito, minha cabeça dói. – Tentou se levantar, mas falhou, estava um pouco tonto.

- Sim, sou eu e você está em um hospital, Shima. – A voz parecia mais fria do que Kouyou espera ouvir e mais branda do que Yuu pensara em usar. O moreno começava a se sentir desarmado, era sempre assim quando estava cara a cara com o loiro mel.

- Como eu vim parar aqui? – Não estava se fazendo de bobo. Lembrava-se de estar em seu apartamento, não conseguia imaginar como havia ido parar naquele lugar que cheirava a uma mistura de formol, álcool e desinfetante barato.

- Eu te trouxe, Kouyou.

Notas finais
¹ Noir: significa negro/preto em francês, mas aqui faz mais referência ao tipo de ambiente do cinema e da literatura noir.
Como o Kouyou foi parar no hospital? Quem o levou? O que o Yuu faz lá?
Não perca no próximo, e último, capítulo dessa emocionante história de amor.
UASHUAS, ok. Me batam. Deixei tudo pro último capítulo e acho que ele vai ficar gigante (resolvi por um pouco do Yuu nessa história).
Até o próximo, que só vem semana que vem. Mas se der posto antes. Beijos. ;*