Era por volta das nove na manhã, não tinha dormido muito bem, mas acordei assustada com o sol batendo em minha face, já que tinha um sono muito leve e acordara por qualquer motivo, decidi então colocar Alexia em sua cama, peguei-a no colo a levando para o seu quarto, pois sabia que ali não estava tão confortável, e Austin, bem preferi deixá-lo dormir mais um pouco, sem sucesso pois quando havia voltado para a sala, em um golpe de susto ele me puxou pelo braço, levando-me de volta para o sofá espaçoso.

– Cat, fique mais um pouco. – ele disse ainda abrindo os olhos e as voz rouca

– Austin, seus pais, eu acho que já despertam!

– Eles ainda irão tomar café e eles comem no quarto.

– Tudo bem, apenas um pouco ok? – deitei-me novamente, e ficamos um pouco ali, ao ouvir o abrir de portas nos levantamos rapidamente, já que havíamos desrespeitado a ordem de sua mãe, não era de seu agrado que dormíssemos juntos, então me apressei em puxar todas as cobertas e travesseiros para o quarto mais próximo o qual era para eu ter passado a noite, encostei a porta, e notei que Austin fingia preparar algo para comer, seria a forma não perfeita, mas a única que achamos naquele momento infalível para não sermos desmascarados.

Era costume de seu pai abrir todas as janelas existentes ali ao amanhecer, ele já fizera isso, para disfarçar melhor, Austin voltou a seu quarto com um simples copo d’água, desejando um bom dia para seu pai! Ele era quieto, respondeu baixo, ou simplesmente não respondeu, não consegui identificar! Notei que era o momento certo de eu arrumar minhas coisas, vestir minhas roupas, se despedir de todos e ir embora. No momento em que vi a empregada conversando com a Sra. Sparks sobre o café da manhã, não pensei duas vezes e logo ofereci minha ajuda, saindo do quarto que ficara em um pequeno corredor que dividia a sala da cozinha.

– Desculpe interromper senhora, mas vocês precisam de algo?

– Oh, bom dia querida, que pergunta, mas é claro que não, você é nossa convidada, está lembrada?

– Na verdade seria um prazer ajudar.

– De jeito nenhum, por que não espera na sala?

– Claro...

– Quer me falar alguma coisa Caitlin?

– Pra ser sincera, não quero parecer mal educada, mas acho que já incomodei demais e já devo ir.

– Ah mas de jeito maneira! Não quer ao menos esperar o café e se despedir de todos?

– Bom, se é de sua insistência, fico mais um pouco então...

– Ótimo, em vez de ir para a sala por que não fica aqui mesmo, sente-se. – não foi o tempo de esquentar a cadeira e a empregada informou.

– O café está servido senhora. – a mesa já estava forrada e farta de tudo que se possa imaginar, com varias frutas, frios, pães de diferentes massas, ovos, bacon, waffles, biscoitos, tudo! Todos se sentaram acomodando-se em seus lugares e desejando aos demais um bom dia, Alexia ainda vestia pijamas, e Austin saia do banheiro com o cabelo molhado e com a blusa erguida, já se misturando com nós, o café da manha foi mais rápido e silencioso que imaginei, alguns ali ainda dormiam acima de seus pratos. Ao terminar do tal, Sr., Sra., Alexia e Austin se reuniram para a despedida.

– Não tenho o como agradecer por deixarem eu ficar aqui, fui muito bem recebida e bem tratada, terei a honra de voltar aqui outras vezes, obrigada por tudo senhor e senhora Sparks. – Os dois apenas riram parecendo felizes com o que dissera.

– Alexia venha aqui! – me ajoelhei e a pequena correu aos meus braços- Pode ir me visitar quando quiser, gostei muito de você! – Todos saíram da sala e ficara apenas eu e ele.

– Você poderia ficar mais uma noite não acha?

– Acalmasse que ainda teremos mais mil noites juntos! – demos um beijo de despedida, e em seguida corri para o carro de minha mãe.

– Oi mãe, que saudade

– Sei... Tem alguma coisa pra me contar? – ela fez uma expressão desconfiada

– Não, na verdade tenho nada para lhe contar. Por que pergunta?

– Filha, perdoe-me ser tão direta, mas quando uma namorada dorme na casa de seu namorado acontece coisas!

– Aé mãe? Que tipo de coisas? – já saberá do que se tratava mas queria saber onde queria chegar

– Coisa tipo, sexo!

– Mãe! – a olhei assustada e em seguida coloquei minhas mãos sobre a testa e ri discretamente

– O que foi? E ai usou camisinha?

– Você sabe que ainda não estou preparada, é cedo...

– Ufa! Tirou um peso de minhas costas. – ela o falou fechando seus olhos parecendo aliviada

– Você realmente acha que teria coragem de perder a virgindade aos 15 anos? É muito cedo... Pelo menos para mim.

– Vai saber, esse mundo anda tão precoce. Esses jovens... Esses jovens... Ah esses jovens! – ela repetiu isso pelo menos umas centenas de vezes até que chegássemos em casa. Quando havíamos entrado na garagem e eu já estava com o pé para fora, ela apenas gritou.

– Ah! Esqueci de te avisar Tyler te ligou o fim de semana inteiro. – eu fingi não escutar e fui direto tomar um banho leve e sem preocupações, depois coloquei uma roupa confortável e me encolhi para de baixo de meus cobertores e me acomodei em minha cama confortável, tentei assistir algo na TV, mas meus pensamentos não me deixavam, ficavam me atormentando a todo instante, e assim foi o resto do meu dia, até que peguei em um cochilo pelo fato da chuva e o vento serem sinfonia para os meus ouvidos.

Acordei assustada com alguma voz me chamando do lado de fora da varanda, pensei até na possibilidade de estar presa em um sonho, mas não aquilo era mais real do que pudera imaginar, ao abrir meus olhos dei de cara com Tyler em cima de uma arvore a qual ficara literalmente em frente minha varanda, arregalei meus olhos, meu coração começou a bater forte, e sai logo para tira-lo da li.

– Deixe eu te ajudar! O que você pensa que está fazendo? — disse tirando do o da arvore, e ajudando a entrar na varanda

– Eu não posso mais Caitin...

– O que? Do que está falando?

– Não consigo suportar ver você com ele, por favor me escuta ele não é garoto pra você, sei de onde ele veio e o que ele já fez...

– Eu não acredito que você veio até aqui, para inventar tudo isso, sinceramente...

– Não estou inventando nada, foi o ‘‘melhor’’ amigo dele mesmo que insinuou perto de mim que ele não queria nada com você, e a todo momento ele joga provocações zombando da minha cara, ele diz que jamais se apaixonaria por ninguém. E além do mais Caitlin, não adianta você mentir, disfarçar, você pode até tentar, eu percebo você tenta, mas é de mim que você gosta! Eu sei disso, eu sinto isso, você não olha pra ele com a mesma intensidade que olha pra mim. – todas aquelas palavras haviam afetado algo dentro de mim, conforme ele foi as soltando, fui me redimindo, mas de qualquer modo decidi ainda sim não responde-lo, fiquei calada.

– Eu sei, na verdade tenho certeza, que você não me esqueceu tão fácil assim, gostei a tanto tempo de você, e rolaram boatos que não é de hoje que você gosta de mim, por favor pensa no que você está fazendo, se é o melhor para você... Me pare se não quiser...- ao soar dessas ultimas palavras vi que nossos olhares se cruzaram e ele aproximou seu corpo ao meu, já podia sentir o calor de sua pele, e em seguida nossos lábios só ficaram mais próximos. Mas por um triz acordei, e o parei.

– Tyler não. Austin é meu namorado e eu sou feliz com ele, por mais que isso que você tenha dito fora verdade, e sobre ele... que eu já sabia, eu ainda quero ficar com ele, eu gosto dele, por favor está sendo difícil, mas não me deixe mais confusa.

– Tudo bem Caitlin, só quero que você seja feliz, e se sua felicidade está com ele. Pois que bem, a escolha é tua. – ele pulou da varanda, e fora embora da mesma forma que havia chegado, deixando-me com a dura incerteza no coração. Tudo aquilo deixara mais bagunçado ainda meus pensamentos, me joguei na cama, respirando fundo, como se implorasse ajuda, passei a chorar, chorei baixo para que minha mãe não me ouvisse, esse foi um dos primeiros momentos que me senti fraca e sozinha, já não sabia o que fazer. Que Austin era diferente em minha frente e na frente de outras pessoas, eu já sabia, já era claro em minha mente, na verdade eu só não queria acreditar na possibilidade de um dia ele me largar, mas mesmo assim sabia de seu caráter, e de seus últimos relacionamentos, e passei a pensar também sobre as atitudes de Tyler, ‘‘Será que estou sendo justa com ele? ’’, afinal ele é o único garoto com o qual já tive um caso e gostou de mim de verdade e aceitou meus defeitos, me respeitou, me esperou, para ser sincera acho que ele é o único que me amou verdadeiramente, mas ai vem mais duvidas, já sabia que Austin era do tipo de mentir e que só queria saber de certas garotas pela sua beleza, ou simplesmente para ganhar popularidade em uma nova escola, mas e se ele gostar de mim de verdade também?, explico o porque, ele me trata tão bem quanto trata sua mãe, demonstra amor, e ainda fez crescer esse sentimento em mim, apesar de eu ainda não ter certeza de nada, nem de Austin, nem de Tyler, isso por que já namoro a uma semana. Há algumas horas atrás eu tinha certeza do que queria pra mim; era Austin, tinha total confiança de meu amor por ele, mas será que somente o meu amor sustentaria essa relação? Será que esse amor que eu sentia por Austin, na verdade era uma farsa, e estava apenas servindo para ‘‘curar’’ a ferida que Tyler tinha me causado?

Afinal, quem eu amo?