This Is How We Do
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Tia Liz dirige, e eu a Alice e a Bia estamos no banco de trás, a tia Liz deixa a Bia na escolinha e então segue rumo à nossa escola, mas o trajeto deve demorar uns 15 minutos, eu e a Aly estamos parecendo zumbis, pois de manhã a gente fica muito cansada, principalmente eu que chorei a noite passada.
– Tia, você não tem noção do quanto eu te amo, seu remédio me salvou, obrigada mesmo – digo.
– Não precisa agradecer baixinha, você sabe que é como uma filha pra mim.
Alice, de repente, deita no meu colo e eu dou um pulo, ela se levante e nós rimos. Já estamos na metade do caminho para Spartacus High School, quando Alice começa a me contar umas piadas, eu rio tanto que meus olhos lacrimejam. Chegando na escola Liz dá dinheiro para nós duas e nós descemos do carro.
Infelizmente a Alice não é da minha sala, eu sou do 1ano A e ela do 1 ano B, mas ela me acompanha até minha sala pois ela quer ver a Lexi e a Lindsey. Lex está deitada sobre a mesa provavelmente com muito sono, e Lindsey está abraçada com seu namorado.
Vou para meu lugar e me sento, enquanto Alice vai cumprimentar a Lindy, o John e a Lexi. O primeiro sinal toca, ela manda um beijo com a mão para mim e vai para a sala dela.
Ainda bem o primeiro horário é biologia, as meninas não gostam, mas eu adoro biologia e o professor é um tanto quanto doido, e me faz rir e entender a matéria ao mesmo tempo. Ele liga o computador e diz que nós vamos estudar citologia, estou super ansiosa para aprender. Quero ser advogada quando me formar, e biologia não tem nada a ver com isso, mas eu gosto do mesmo jeito.
Ele começa a passar uns slides e explicar, eu estou atenta, Lexi está dormindo e Lindsey está escrevendo algo que creio que não seja da matéria. Estou mordendo uma caneta vermelha quando o Edgar (menino estranho porém legal que senta ao meu lado) me entrega um papel dobrado com cuidado. Fico sem entender pois de manhã sou mais lenta do que o normal, mas abro o papel e vejo a letra da Lindy, no papel está escrito “como pode gostar disso? Tem algo mais entediante do que estudar células”, eu rio um pouco alto demais pois faço o professor se virar para mim, peço desculpas e ele volta a explicar a matéria.
Escrevo no papel com uma letra bem bonita “É muito bom, e você deveria prestar atenção suas notas não estão muito boas, me deixe prestar atenção kkkk”, entrego o papel para o Edgar e ele entrega para a Lindsey. Ela não se vira pra mim, mas a imagino revirando os olhos.
O professor “Lúcio” nos pede para anotar algo no caderno e depois fazer os exercícios que ele irá ditar, e assim se sucede a aula. A próxima aula é história, eu odeio essa matéria, sorte minha ele passa a aula inteira corrigindo o dever de casa, eu aproveito para ler um livro durante a correção, sei que não é o tipo de coisa que uma aluna exemplar faz mas eu me empenhei para fazer os exercícios, quase certeza de que estão todos certos.
Depois da aula de história tem aula de inglês, e a professora passa o filme “A rede social” eu já vi esse filme um milhão de vezes, então aproveito para tirar um cochilo, o sinal para o recreio toca, e todos descem as escadas para ir para o pátio. Chegando lá vejo o Breadon conversando com uma menina que eu sei que ele acha bonita, ele acaba de conversar com ela e vem até mim.
Faço uma cara de suspeita e ele dá um breve sorriso, ele me abraça e me levanta do chão, minhas contas estralam e eu rio.
–Desde quando você não me conta das suas namoradas? – digo cerrando os olhos para parecer intimidadora.
–Desde nunca, você sabe de todas do início ao fim. –diz Bread passando a mão pelos seus cabelos loiros.
– Vi você conversando com a Jullie, está rolando um clima? – digo essa última palavra meio que dançando.
– Não mesmo- diz ele segurando meus ombros para me fazer parar de dançar. — ela só estava querendo saber se eu fui bem na prova de matemática.
– Sei – digo em tom de desconfiança.
Ele ri e ajeita uma mecha do meu cabelo loiro atrás da minha orelha. No mesmo instante que ele faz isso a Alice chega ofegante parecendo que tinha corrido uma maratona.
– Tenho... uma ... surpresa... para os meus... melhores amigos- diz ela dizendo cada palavra lentamente, e retomando o folego no intervalo de cada uma delas.
Antes que nós possamos dizer alguma coisa ela começa a falar-cantar bem desafinadamente.
– A mamãe aqui tirou total na prova de sociologia – Aly realmente canta bem mas no momento estava parecendo um cãozinho com cólica de rins.
Bread tapa os ouvidos de brincadeira, quando a Alice acaba de cantar ele abre os braços e ela o abraça tão forte que eu acho que vai quebra-lo ao meio. Depois ela me abraça me levanta e me roda parecendo uma louca.
–Obrigada, obrigada obrigada obrigada pãozinho por ter me ajudado a estudar. – diz ela juntando as mãos.
– Não tem de que, é um prazer…. – O Bread diz mas eu o interrompo.
– EI, EI EI – quase grito no pátio da escola – A única pessoa que pode chamar MEU Breadon de PÃOZINHO sou eu.
Eles riem muito.
– Sim senhora majestade. – Alice faz uma reverencia.
Depois disso, Pãozinho diz que vai jogar pebolim, eles nos chamam mas a gente diz que não. Eu e a Alice sentamos em uma bancada perto da quadra de peteca.
– Graças a Deus você está melhor, nem parece que quase desidratou de tanto chorar ontem- diz Alice, com um sorriso mas logo em seguida fica séria de novo.
– Bem, a vida não é feita de amores, e eu tenho 15 anos, uma desilusão amorosa não vai me matar. – Digo mas eu sei que no meu intimo o Ed ainda tem um espaço (bem grande) no meu coração.
– Essa menina Mary filosofou agora – Diz Lexi chegando atrás da gente.
– Já pode escrever um livro Mary – Diz Lindsey entrando na brincadeira.
Mando um beijo com a mão (como de costume) e pisco um olho só, elas riem de mim e então se sentam conosco em uma “rodinha”, e nós estamos conversando quando a Lexi se põem de pé em um segundo, e logo depois senta novamente.
– O que foi isso Lex? – Diz Lindsey abrindo um pacotinho de trident e distribuindo entre nós.
Lexi não responde, e fica séria, muito séria, e encara a Alice.
– E aquele assunto do Dexter + Alice – Diz Lexy para Aly.
– Ah! É verdade Aly, que história é essa de você e meu irmão? Vocês formariam um casal bonitinho, mas ECAA, É O DEXTER ALICE!!– digo sorrindo.
– Eeeeeh dona Lice está apaixonada, é o amooor – canta Lindy.
Instantaneamente a Aly cora.
– Não me chame de “Lice”.
– Não tente mudar de assunto, Aly, conte tudo pra gente – Insiste Lindsey.
– Não tem o que contar, ele é o irmão da minha melhor amiga só isso. –Diz Alice extremamente vermelha.
– Se ele fosse “só meu irmão” – faço aspas com os dedos – você não estaria tão vermelha quanto você está.
Ela leva a mão ao rosto e dá de ombros.
– Vocês não podem negar que ele é bonito... – Aly para, e depois continua – e fofo e carinhoso, e muito doce, e tem uma voz maravilhosa.
Todas nós rimos e olhamos para ela com cara de “nós já sabíamos”.
– Certo, parem de me matar com os olhos – diz Alice impaciente – eu gosto dele, mas ele me vê como sua irmã, e ele tem 22 anos e eu tenho 16 nunca ia funcionar entre nós dois.
–Aly – digo quase em sussurro, pego a mão dela- Dex não te vê como uma irmã e todo mundo sabe disso, eu digo isso porque eu sei como ele te olha, eu realmente acho que ele gosta de você....
–Talvez ele só tenha medo que você não sinta o mesmo – complementa Lexi, pegando a outra mão dela.
Alice se levanta e nós três fazemos o mesmo, nós nos abraçamos, e Lindy disse que vai ver o namorado dela, e Lexi vai conversar com Louis, seu melhor amigo. Eu e Aly vamos até o Breadon porque a Alice disse que queria falar com ele. Olho no relógio e falta 5 minutos para bater o sinal para voltarmos para a sala.
Aly puxa Bread pelo colarinho quase o enforcando, ele se vira e bagunça o cabelo dela, faço menção para irmos sentarmos, então nos sentamos no chão mesmo, embaixo de umas arvores distribuídas aleatoriamente no pátio. Vou ao banheiro e deixo os dois conversando, não demoro muito mas quando volto o pãozinho está olhando para mim com olhos de cachorrinho sem dono.
– Mary- diz ele e parece que as palavras doem ao sair por seus lábios – Alice me contou sobre o shopping e sobre o babaca.
– Anão Bread – faço que não com a cabeça lentamente – não se preocupa com isso, eu estou bem, e sério já passou.
Ele se levanta me dá um abraço protetor e um beijo na testa, eu amo quando ele beija minha testa, ele parece .... puro.
–Não vou falar sobre o quando não gosto desse babaca porque já disse isso demais – diz ele me fitando com seus lindos olhos castanhos, tão profundos. – Fica bem princesa, seu príncipe vai chegar.
–Obrigada Pãozinho – digo com um sorriso verdadeiro – e eu não tenho mais certeza que exista um príncipe encantado.
Breadon é de longe meu melhor amigo, mas eu não o vejo como meu irmão, não mesmo, eu o enxergo como meu protetor, não sei, como se a missão dele fosse me proteger do mundo cruel exterior. Estou o abraçando no momento de olhos fechados, e viajando em meus pensamentos, o sinal bate e quase tenho um ataque cardíaco de susto.
Alice dá um beijo nele, e eu jogo um beijo com a mão e assim a gente sobe para a sala de aula, ainda bem, nem sinal do Eduardo hoje. Aly vai direto para sua sala e eu sou a primeira a chegar na minha, sento na minha carteira e pego meu celular na mochila, ainda bem a escola tem o wi-fi, e por incrível que pareça é muito bom e rápido.
Eu ligo a internet e vou olhar as mensagens, como de costume não leio as dos grupos, Dex me mandou uma mensagem dizendo para eu voltar com a Alice pois ele não pode me buscar, não respondo.
Vejo que tem duas mensagens do Mathew, não sei porque mas me lembro do incidente com o Ed ontem, fico triste, mas depois que vejo as mensagens abro um sorriso.
Mathew: Bom dia donzela.
Mathew: Preciso te contar algumas coisas.
Eu: Boom dia.
Eu: Me conte, estou curiosa.
Ele não responde pois deve estar em aula, mas fico realmente curiosa, desligo meu celular, guardo na mochila. Nem percebi mas tanto os alunos quanto o professor já estão em sala.
É aula de biologia novamente, fico contente pois realmente gostei da matéria, eu presto atenção e copio o que ele pede. Como diz o ditado “tudo que é bom dura pouco” a aula de biologia passou voando.
Agora são dois horários seguidos de física quântica, fico cansada física e mentalmente só de pensar nessa matéria, não que seja ruim, mas é bastante extensa e complexa. As aulas demoram a passar e de minuto e minuto me pego olhando para o relógio, mas parece que as horas congelaram e continuam as mesmas para sempre.
Estou com a mão apoiada no queixo olhando para nenhum ponto fixo, só estou pensando comigo mesmo sobre o meu futuro, o sinal bate e eu levo um susto, tenho que ficar mais atenta e parar de me assustar assim. Tem sete anos que estudo nessa escola e até hoje não me acostumei com o sinal, que é extremamente alto.
Ponho a mão no coração e ele está acelerado, arrumo meus materiais e saio de sala meio zonza, sento-me do lado de fora da escola para esperar o Dexter.
A Lindsey vai embora, depois a Lexi e então a Alice. A ALICE, me esqueci completamente que eu devia ter ido embora com a Alice, ligo meu celular e tem 3 chamadas perdidas do Dexter. Fico desesperada. Ligo pra ele mas a linha está ocupada. Bread me vê atordoada, e vem falar comigo. Explico a situação e ele ri do meu desespero. Ele diz que me leva em casa, porque depois ele já tem que ir para o “lugar do açaí” que é bem perto da minha casa, a irmã mais velha do Pãozinho, “Melissa” vem buscar ele, suspiro aliviada por um longo tempo.
Chegamos na minha casa e o Bread fica comigo pois o convidei para almoçar, damos tchau para a Mel e entramos na minha casa.
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