This Is About You

18 Encarando a Verdade


Notas iniciais
Heyyyyy! Sei que vocês estão loucas pra ler, mas antes quero que saibam que a minha maior motivação é a opinião de vocês, e como autora eu fico muito grata por todo o carinho e paciência rs . Agradeço em especial a Nara salvatore pela maravilhosa RECOMENDAÇÃO. Gente, fiquei tão surpresa e tão feliz, vocês não fazem ideia do quanto isso me motiva a escrever, é muito bom saber que ganhei leitoras tão fieis. Só tenho a agradecer. ❤ ❤ Sem mais, vamos ao que interessa, Boa leitura!!

"O importante não é justificar o erro, mas impedir que ele se repita."

(Che Guevara)

Tédio.

Era o que me aguardava nas duas horas seguintes.

Em passos largos atravessei o salão amplo da recepção rumo à sala de reuniões do setor de criação. Tínhamos uma campanha publicitária para o próximo mês, e precisávamos acertar alguns pontos cruciais antes de anunciar no mercado.

Ajustei a gravata e respirei fundo ao entrei na sala. Alguns empreendedores, sócios e funcionários estavam conversando descontraidamente, mas ao notarem minha presença, os burburinhos cessaram e tive alguns pares de olhos temerosos voltados para mim daquele pequeno grupo de pessoas.

Já estava prestes a tomar lugar a mesa quando eu a vi.

Paralisei no mesmo instante em que os nossos olhares se cruzaram, os olhos cor de amêndoas estavam voltados para mim e não exibia surpresa alguma, e jurei ter visto os mesmos olhos descerem timidamente pelo meu corpo em uma analise discreta. Fiquei tentado a sorrir, porém, para a minha total surpresa, ao seu lado estava Enzo, com um sorriso descaradamente malicioso cravado nos lábios. Passei a fita-los e soube exatamente o acontecia ali.

Elena era sua nova “secretária”.

Porque ela não me contou?

A pergunta pairava na minha cabeça me levando a lugares desconhecidos da fúria. Cerrei os punhos e sentir a mandíbula travar enquanto a raiva se espalhava no meu corpo e se concentrava na minha face.

A vontade de arrastá-la e tirá-la de perto daquele filho da mãe estava começando a ganhar forma no meu cérebro e se tornar tentadoramente aceitável. Mas eu não faria. Não ali, na frente de todas aquelas pessoas.

Aproximei-me em passos lentos sem tirar os olhos dela, e não hesitei em cumprimentá-la friamente:

— Srta. Gilbert. Que prazer revê-la. – Saldei em meia voz. Eu estava fodidamente irritado, mas não demonstraria. Não agora.

— Sr. Salvatore. – Ela respondeu e abriu um sorrisinho nervoso após alguns segundos.

Apesar de furioso, tinha algo na maneira que ela pronunciava o meu sobrenome que me deixava simplesmente louco. Não sei se pelo tom agridoce da sua voz, ou a forma como meu nome brincava em seus lábios.

Ainda foderia sua boca atrevida.

Pensei, mas tratei de espantar tal pensamento, aquilo me deixava extremamente excitado, mas não importava agora, eu tinha que focar na raiva, não no meu desejo que sentia por aquela mulher.

— Espera, vocês se conhecem? – Enzo perguntou surpreso se voltando para a morena pálida na minha frente.

— Não! – Elena apressou-se em responder, deixando todos confusos, inclusive eu, que a lancei um olhar frio irradiando perigo e ela tratou de explicar. — Só nos vimos uma vez, no jantar de noivado do irmão do Sr. Salvatore. Eu te contei lembra? – falou, gesticulando exasperada com as mãos.

— Ah. Lembro sim. — ele respondeu sorrindo para ela. — Podemos começar, diretor? – perguntou-me.

— Devem começar Marlakey. – respondi entre dentes e tomei meu lugar na mesa. Elena se afastou, seguindo os passos de Enzo que prontamente como um maldito falso cavaleiro, puxou a cadeira para ela, que lhe sorriu e agradeceu baixinho. Aquilo me incomodou mais do que deveria e a minha própria cadeira não parecia tão confortável quanto antes.

A reunião teve inicio, mas eu não prestava a mínima atenção no que Enzo explicava no slide a minha frente. Meus olhos estavam voltados pra figura de panturrilhas bem torneadas tentadoramente expostas devido a saia justa branca que usava marcando seu quadril e aquela bunda gostosa que tinha. A sua blusa era de um tecido transparente, porém apenas na parte dos ombros, sem mangas e com um decote curto, marcando os seios fartos e firmes que moldava aquelas tão convidativas curvas que o seu corpo moreno possuía.

Elena estava atenta a cada palavra pronunciada por Enzo, sempre anotando algo que considerava importante, mas olhando bem, pela forma como se contorcia na cadeira e às vezes em que a peguei me olhando de soslaio, ela estava nervosa. Ou excitada. Acrescentei, com um sorriso lascivo em meus lábios. O pensamento fez uma onda de calor insuportável se expandir pelo meu corpo se concentrando em um lugar específico que já estava dolorido com as imagens nada inocentes na minha mente.

Em algum momento daquela reunião ela me olhou, e a constatação que vi em seus olhos me fez ter certeza que ela não era tão imune assim. Sustentei seu olhar no meu e eles me transmitiram o nervosismo presente em suas mãos, que seguravam firmemente a pasta negra. Eu estava fascinado, aqueles olhos abrasadores continham um mistério, algo que somente eu poderia desvendar. Elena me tirava dos eixos com um simples olhar. Ela me fitava com cautela, enquanto sem pudor nenhum eu a devorava com os olhos. Ela percebeu a forma que eu a olhava e desviou o olhar, engolindo em seco.

Elena Secretaria de Enzo?

Eu não conseguia acreditar naquilo. Como não percebi antes? Ele tinha mencionado sobre ela. A chamou de gostosae eu o incentivei.

Porra Elena.

Por que ela não me contou? Uma pontada de decepção atravessou o meu corpo, mas, tratei de substituí-la pela raiva.

Eu ainda estava furioso e quando a porcaria daquela reunião acabasse eu não a deixaria fugir. Meu cérebro recusava-se a acreditar nos meus próprios pensamentos.

Afinal, por que eu me importo tanto com ela?

Era a pergunta constante que fazia algo em meu interior se contorcer, e de imediato a palavra ‘ciúmes’foi escrita em negrito no meio da minha testa.

Em hipótese nenhuma sentiria ciúmes dela, Elena era apenas um objetivo, uma meta a ser alcançada, e não permitira que nem o metido do Elijah e muito menos o cafajeste do Lorenzo atravessassem o meu caminho.

Depois que eu a tivesse, eles poderiam ficar com ela a vontade, desde que eu fosse o primeiro. O que Elena fazia não era do meu interesse, eu só estava nessa por que a queria na minha cama da forma mais depravada possível.

Entretanto, ela estava na minha empresa, na minha sala e agora como assistente do meu melhor amigo. Ela me devia uma resposta. Ela teria que me dar uma boa explicação para aquela palhaçada ou eu não me chamaria Damon Salvatore.

***

Seu olhar era abrasador.

Aqueles dois oceanos selvagens me olhavam com exatidão, raiva e um convite silencioso para navegar no perigo daquelas águas translucidas e misteriosas.

Damon me fitava como se quisesse romper minha pele, seus olhos passeavam sorrateiramente pelo meu corpo como se estivesse me despindo lentamente e aquilo na medida em que me assustava me fascinava.

A intensidade do seu olhar passeando sem vergonha nenhuma pelo meu corpo e por fim me encarando daquela forma profunda era quase insano, aquele simples ato despertava meu desejo a tal ponto de sentir aquele calor gostoso emergir de dentro do peito e ir direto pro meio das minhas coxas.

Eu não conseguia me concentrar em uma palavra dita pelo meu chefe.Enzo mantinha firmeza em cada linha tracejada naquele painel, olhava para Damon que apenas se limitava a um simples aceno de cabeça para que prosseguisse.

Ele estava focado em mim, nas minhas reações. Em tornar meu raciocínio lento, embaraçar meus pensamentos.

Lembranças da noite passada atravessaram a minha mente no mesmo instante em que Damon sorriu. Ah se ele soubesse o quanto esse sorriso safado me afetava. Devia ser um pecado alguém sorri assim. Era um sorriso único, ele repuxava o lado esquerdo da sua boca e me olhava daquela forma cheia de promessas.

Soltei um suspiro involuntário e notei os traços bem desenhados do seu rosto. As linhas impassíveis, a mandíbula travada e o olhar firme, duro e frio. Por mais que ele tentasse se conter, a raiva trasbordava dos seus belos olhos voltados para mim. Damon naquele momento poderia ser comparado a um vulcão, calmo em um momento e no outro fazendo emergir suas larvas numa bela explosão.

Finalmente a reunião acabou e agradeci a Deus por as luzes estarem apagadas, pois minhas bochechas certamente estariam tão vermelhas quanto à gravata de um dos senhores ali presentes. Enzo voltou sua atenção para Damon que elegantemente começou um discurso bem elaborado sobre a campanha publicitária apresentada por Enzo, mas eu estava ocupada demais para ouvi-lo.

Estava fascinada com a forma que aquele homem me surpreendia, era a própria imagem da competência, ele transbordava confiança e sabedoria em cada palavra dita, usava o tom médio, contido... e estava serio, vertendo profissionalismo. Ainda não conseguia assimilar que aquele homem serio e profissional, era o mesmo que tinha dançado comigo noites atrás, ou que havia me beijado fervorosamente no meio da rua. Aquele era um Damon frio, contido e impetuoso.

Enzo gesticulou para mim, tirando-me dos meus devaneios, e murmurou para que escrevesse alguns pontos importantes que Damon ressaltava e prontamente o obedeci.

— Estamos encerrados. – Damon decretou. Sim decretou, por que o tom autoritário que ele usou para dizer isso foi quase como uma ordem de um rei decretando suas leis.

As pessoas começaram a se levantar de suas cadeiras e sair, preocupadas em realizar suas tarefas naquela grande empresa. Ali era minha deixa, eu tinha que sair dali. Olhei mais uma vez para Damon que permanecia sentado, uma de suas mãos apoiada em seu queixo, deslizando os dedos longos de um lado para o outro como se nada mais importasse.

Hesitei por um momento. Sabia que teríamos que conversar, mas não ali, não agora.

Virei-me e dei de cara com Enzo.

— Elena, junte essa papelada para mim e encontre-me em minha sala, certo!? – Ele olhou para o seu bolso do terno e depois percebi que se tratava do seu celular que tintilava pelo ambiente.

Droga!

— Tudo bem Senhor Marlakey.

— Já te disse Elena, não precisa me tratar com tanta formalidade. – abriu um sorriso simpático. — Só Enzo, okay?! – disse afagando delicadamente o meu braço.

— Okay, Enzo. – sorri educadamente e ele atendeu a ligação saindo logo em seguida.

Suspirei pesadamente e me concentrei na minha tarefa. Fui até a mesa e comecei a recolher todos os papéis o mais rápido que eu conseguia, as pessoas saiam aos poucos e eu podia sentir o olhar de Damon queimando em minhas costas. Não ousei olhar, eu sabia o que aconteceria se o encarasse, eu me perderia nos seus olhos e fraquejaria diante dele, era assim, sempre foi desde o primeiro momento.

Mas não dessa vez, eu tinha que ser racional.

— Que palhaçada é essa? – sua voz soou firme e de soslaio o vi parado, recostado à porta fechada com os braços cruzados e com cara de poucos amigos. Olhei cautelosamente ao redor e constatei que éramos apenas nos dois e sua raiva naquela sala. Oh Meu Deus!

Sua pergunta me irritou.

Tá, eu sabia que lhe devia uma resposta, afinal era a sua empresa e eu não o informei sobre o meu novo emprego. — apesar dele ter ligado para mim noite passada — mas ele não tinha o direito de falar assim comigo e muito menos interrogar minhas escolhas.

— Não tem palhaçada nenhuma. – tentei manter a postura profissional e falei firmemente.

— Pode para de fingir Elena. — sua voz tranquila beirava o perigo.

— Não estou fingindo, estou realizando meu trabalho se não notou. — Eu sei, não devia ter sido grossa, mas ele me tirava do serio.

— Não quero você aqui. – confessou mortalmente baixo e uma pontada de decepção atravessou meu corpo.

— por quê? – murmurei de olhos fechados, contendo a decepção em meu peito. — Não sou suficiente para trabalhar na sua empresa? É isso? – me virei por impulso com os punhos serrados e olhei diretamente para ele pela primeira vez, desde o começo daquela conversa.

—Não Elena... Não é isso, você entendeu errado! – Sua voz fraquejou e ele passou as mãos exasperadas pelo cabelo e vi um resquício de arrependimento atravessar os seus olhos.

— O que é então? – minha voz soou como suplica.

Eu só queria ir pra casa e esquecer esse dia fatídico.

Ele fitou o chão por alguns segundos e finalmente articulou:

— Não quero você com Enzo! – seu tom ameaçador estava de volta e ele me olhou com fúria.

— Por quê? – perguntei verdadeiramente confusa, tentando controlar o impulso de sair correndo dali.

— Por que não. – grunhiu como se aquilo fosse obvio. Sinceramente, eu não o entendia.

— Você não tem esse direito Damon. – expliquei – Eu ia te falar, okay?! Mas você não me deu oportunidade.

— Oportunidade? – me assustei com o tom da sua voz – Eu te liguei milhares de vezes ontem e você ignorou todas, TODAS as minhas ligações. Agora você vem com esse papo de oportunidade? — ele tentava se manter calmo, mas já estava andando igual louco de um lado para o outro naquela sala.

— Desculpa, devia ter te atendido. Satisfeito? Agora se me der licença, eu tenho trabalho a cumprir. — usei todo o meu estoque de sarcasmo em cima daquele homem que me observa como se eu fosse uma doida varrida.

— Elena. – Ele alertou e em resposta revirei os olhos e me virei novamente para a mesa, me inclinei sobre ela para pegar o ultimo papel. – Não devia me provocar assim. – Meu corpo inteiro estremeceu quando sua respiração quente colidiu com a pele arrepiada da minha nuca. – Como posso sentir tanta raiva de você e ainda assim te querer como um louco? – soltou um ruído exasperado e senti seu peito firme e másculo colidir com as minhas costas. Mesmo com o terno, seu corpo irradiava calor e uma energia que me invadia em cheio, me causando uma instabilidade descomunal. – Você me deixa louco Elena, eu não sei o que está acontece comigo. – O peso do seu corpo estava depositado contra o meu, forçando minha barriga contra o vidro da mesa, e para meu total desespero ele teve a indecência de roçar seu corpo no meu, apagando os últimos vestígios de sanidade que eu ainda possuía. – Sente isso? Sou eu querendo você, é cada centímetro do meu corpo te querendo. – Diante de suas palavras, eu não tinha o que falar, muito menos o que pensar enquanto suas mãos desciam pelo meu corpo e ele impulsionava seu quadril me fazendo sentir sua ereção em minhas costas. Meu corpo inteiro ardia em chamas e sua respiração desregulada no meu pescoço me deixava imobilizada. Me assustava o efeito que Damon causava em mim. Eu queria ter forças para ser inume a sua sedução, mas simplesmente não conseguia. – Quer trabalhar aqui? Ótimo... Escolha um departamento, qualquer um minha linda. – tortuosamente, passou a mão livre pelo meu cabelo — Menos o departamento do Enzo. – sua mão quente desceu pela minha coluna e em segundo o senti se afastar – Eu não quero você com ele. Entendeu Elena?

Então esse é o jogo do canalha. Me seduzir descaradamente pra conseguir o quer.

Suas palavras me fizeram voltar à realidade, abri os olhos e me virei abruptamente para ele o fitando com raiva, mas logo me arrependi, ao ver seu rosto tão próximo do meu.

— Você acha que eu queria isso? – perguntei impaciente e não esperei ele responder — Eu não forcei essa situação Damon, eu preciso desse emprego, pra você é fácil falar, sempre teve tudo ao seu alcance, sempre consegue tudo que quer afinal, nem que por isso alguém sofra as consequências dos seus atos egoístas. O mundo não gira ao seu redor, seu egocêntrico. – desabafei e senti um peso sair das minhas costas, ele me olhava atônito. Ele não podia falar aquilo e achar que estava tudo bem.

— Você não sabe da minha vida, então não fale dela como se me conhecesse. – ele gritou e uma veia saltou em seu pescoço, demonstrando toda a fúria contida que ele sentia.

— O problema é esse, eu não te conheço, é o que eu sei... não me agrada. – rebati no mesmo tom, mas logo tomei o controle da situação e respirei fundo – Não pode me tratar assim, não tem o direito de tratar ninguém assim.

Ele me olhou incrédulo, e eu também estava pelas minhas próprias palavras, mas que se foda ele mereceu.

— A empresa é minha, os funcionários são meus. Eu faço o que eu bem entender com cada um deles na hora que eu quiser. – apontou o dedo longo pra mim e eu achei que ele explodiria a qualquer momento.

— Você pode achar que controla tudo, mas não controla a mim. – esbravejei apontando o dedo pro seu peito.

Não esperei um segundo sequer, sai daquela sala sem olhar para trás.

Controlei a vontade de chorar e pensei que certamente estaria na rua, logo, logo...

E pensar que o meu dia só estava começando!

Notas finais
Grupo do facebook: Romances - Jú silva ou acessem o link: https://www.facebook.com/groups/1705153196372200/?fref=ts Estou preparando uma surpresinha por lá, conto com a presença de todas vocês.