Thinking Of You.
46 Capítulo 46
Notas iniciais
Melissa estava irritada, muito irritada. Não era com seus amigos a sua volta e a família, mas com um Ruivo com cara de enterro sentado em uma poltrona no canto do quarto.
Não haviam conversado a sós, já era seu segundo dia ali no hospital, o seu quarto estava cheio desde manhã, a família, menos Nico que foi ser buscado no acampamento e ainda não havia chegado, os gêmeos, Kentin, Lysandre, Nathaniel, Ambre e Castiel.
Gostava de ter os amigos e a família em volta, estavam preocupados, mas não a tratavam nem a olhavam com pena igual à Castiel.
—Boa noite, vim avisa-los que o horário de visita acaba em cinco minutos- A enfermeira entrou avisando.
Houve um muxoxo, mas todos começaram a despedir e a sair do quarto ficando somente um Ruivo que mirava a garota com um aperto no coração.
Castiel estava muito balançado com tudo aquilo, tinha medo de perder sua garota, queria ser útil para poder ajuda-la, mas toda vez que a via sorrindo como se tivesse tudo bem ficava bravo, porque todos estavam tão acostumados com isso?
—Castiel- Melissa o chamou séria.
O garoto se levantou e parou ao lado da cama, eles não haviam trocado nada mais do que meia dúzia de palavras o dia todo, ambos se sentiam estranhos com aquela situação.
—Sim- respondeu.
—Te peço que não venha amanhã- Melissa queria vê-lo, queria estar com ele, mas não queria a pena dele- Não venha mais aqui.
—O que? Por quê?- Castiel sentiu um aperto no peito, não queria se afastar, queria ficar ali por ela.
—Porque eu não preciso de ninguém com dó de mim, me olhando com pena, não quero isso- Retrucou.
—Olha como você está, em uma cama de hospital!- O homem disse- Vai dizer que não está preocupada com a cirurgia? Que você não tem medo de tudo isso? Porque você fica sorrindo o tempo todo? Não tem problema chorar, expressar o que sente e os seus medos, se não quiser fazer isso na frente dos outros, faça na minha frente, eu estou aqui com você- se aproximou pegando a mão fria da garota- Eu quero te ajudar, é injusto da sua parte me pedir pra agir como se nada estivesse acontecendo!
—Não é que eu não esteja com medo- sussurrou- Eu só não quero preocupar mais do que já estão preocupados, se eu sorrir, eles vão acreditar que eu estou bem, lagrimas machucam as pessoas- Queria poder mentir para ele, mas ela não conseguia, não com aqueles olhos sobre ela.
Castiel sorriu segurando o rosto da garota entre as suas mãos.
—Vamos fazer o seguinte, eu não vou ter pena de você, porém minhas preocupações não iram sumir, e você não irá fingir pra mim- ele apertou seu nariz- nada de sorrisinhos falsos.
—Tá, tá, está doendo- ela bateu nas mãos dele e cobriu o nariz vermelho- E eu já disse que não dou sorrisos falsos, mas se você ficar com cara de luto aqui eu peço o divorcio.
—Como é que é?- O sorriso do Castiel se alargou.
—É isso que você ouviu, peço a anulação- a morena riu se sentindo bem com o garoto, precisava relaxar e Castiel sempre a fazia esquecer seus problemas.
—Até parece que você consegue ficar sem esse prazer ambulante aqui- O ruivo apontou para si.
—Como se você conseguisse ficar longe disso aqui- Melissa tocou os seios por cima da roupa do hospital.
Castiel a olhou espantado, quando ela ficou tão sedutora? Perguntou-se. Logo sorriu de lado se aproximando da garota.
—Acho que você tem razão Esposa— sussurrou próximo aos lábios da garota.
Melissa suspirou, já sentia falta dos beijos de Castiel, do calor que ele passava para ela, estendeu os braços, entrelaçando os dedos nos cabelos da nuca dele.
Ambos se olharam nos olhos, isso os acalmava.
—Me beija- Melissa pediu.
—Não precisava pedir pequena- Castiel sentiu algo se aquecer em seu peito, mirou os lábios vermelhos da garota e os tomou para si.
A morena então caiu em si e percebeu que era aquilo que ela mais queria, que não poderia ficar sem, Castiel fazia bem para ela e por mais que fosse egoísmo pedir para que ficasse com ela, ela pediria.
O beijo foi calmo, apaixonado, o Ruivo sugava os lábios da garota se deliciando com eles, se perguntava quando haveria de se acostumar.
—Castiel- a garota o chamou ofegante.
—Sim- sorriu encostando suas testas e sentou na cama.
—Er- Melissa gaguejou, como diria isso?
Castiel sorriu ao ver a garota ficar vermelha, ela abria e fechava a boca, queria dizer algo, mas estava morta de vergonha.
—Pode falar, ou será que está pensando algo pervertido?- O Ruivo brincou.
Melissa o olhou brava cruzando os braços, o sangue esquentou e as palavras escaparam de sua boca.
—Não é nada pervertido!- respondeu- Não é pervertido te pedir pra ficar comigo- Melissa sentiu seu rosto mudar de vermelho para roxo.
Castiel a olhou com atenção, ficar com ela? Mas ele estava ali com ela a não ser...
—Você está dizendo que quer ficar sério comigo? Tipo de verdade, como um namoro?- Castiel estava de pé, seu coração estava acelerado.
—Eu...- Melissa não pensou em namoro, mas era aquilo que queria.
—Melissa- Castiel a chamou, ela olhava para o outro lado envergonhada- Olha para mim- Ela negou com a cabeça- Melissa- ele riu e sentou na cama novamente tocando no seu rosto- Ei minha pequena, olha para mim, por favor- pediu carinhoso e a garota o olhou surpresa.
—Esquece o que eu disse- disse olhando para ele.
—Não, porque eu não aguento mais as pessoas perguntarem quem sou eu pra você e nem eu saber responder- Admitiu o Ruivo.
Melissa abriu um sorriso envergonhado e mordeu os lábios.
— Meu bem, estamos numa conversa seria aqui então não me provoque- Castiel segurou seu queixo e a garota soltou o lábio.
O Ruivo se aproximou e a beijou com fervor, adorava os lábios da garota, o gosto dela, a língua que brincava com a sua ora tentava sofridamente acompanhar.
As máquinas começaram a apitar e ambos se separaram, os batimentos cardíacos de Melissa aceleraram, talvez seu estado doentio os ajudasse a acelerar mais do que deveriam.
Ambos riram.
Castiel segurava o rosto de sua garota entre as mãos puxando o ar, mirando os olhos azuis e seu coração acelerou mais, será que era possível se sentir assim cheio, completo, com alguém?
A porta foi aberta bruscamente e Melissa sorriu com aparição de duas cabeleiras loiras.
Castiel olhou para a porta sorrindo, mas seu sorriso desmanchou no mesmo instante.
— Eu estou bem, não precisa dessas caras- Melissa disse para o médico e seu filho, mas ambos olhavam Castiel, Will parecia ter visto um fantasma.
O Ruivo nunca acreditou em fantasmas, não até aquele momento.
Flash back on.
Castiel apressava seu irmão, ele queria ver Will logo.
Will era seu grande amigo, se conheceram no hospital quando ele estava doente, mas agora ele estava bom, mas Will não, continuava lá, sozinho, o pai dele trabalhava naquele hospital e ele não tinha mais mãe, por isso Castiel gostava de ir passar os dias com o amigo loiro.
Seus pais não queriam deixá-lo ir por causa da escola, mas Castiel era mais inteligente que todos da sala não precisava ir, queria ficar com o amigo.
Naquele dia convenceu o irmão a levá-lo, estava ansioso, levava consigo um jogo que tinha ganhado, tinha certeza que o amigo adoraria.
Ele chegou ao hospital e largou a mão do irmão, correndo até o quarto de Will no segundo andar.
O garoto de dez anos e cabelos negros nos ombros estranhou o amigo não estar lá, ele sempre estava no quarto, sempre.
Virou-se e saiu do quarto, no final do corredor viu o irmão e um homem alto de branco e cabelos loiros conversando.
Castiel sorriu e correu até o homem, com certeza ele sabia onde Will estava, pensou.
— Tio!- o moreno parou ofegante na frente do mais velho, colocou as mãos sobre o joelho respirando- Espera um pouquinho- levantou a mão, puxou mais um pouco de ar e se endireitou- Onde o Will está? Não o achei no quarto!- antes de o homem responder ele continuou- Olha que legal o jogo que eu trouxe pra gente brincar, ele vai gostar não vai?- puxou o jogo das mãos do irmão e mostrou para o pai do amigo.
—Castiel- o maior sorriu triste e abaixou até a altura do outro- O Will não está mais aqui.
—Hã? — estranhou o outro, abaixando o jogo mirando o medico- como assim não está? Pra onde ele foi?- Então Castiel sorriu- Já sei! Ele está em casa não está? Porque ele ficou bom!
Doutor Apolo suspirou e tocou o ombro do menor.
—Castiel preste bem atenção no que eu vou dizer- o garotinho assentiu — o Will não vai mais voltar, ele morreu.
Os olhos do garoto se arregalaram e se encheram de água, porém ele não chorou, seu olhar ficou vago, depois sua expressão ficou fria.
Foi a primeira vez que Miguel viu aquela expressão no rosto do irmão e se lamentou por não ser a última vez."
Melissa observava os três sem entender.
O primeiro a se manifestar foi Will, seu lábio inferior tremeu.
—Cassy- o apelido foi sussurrado.
O Ruivo teve sua certeza com aquele apelido, levantou da cama num salto e alcançou os dois loiros na porta.
—Como?- olhou assombrado analisando o rosto do garoto loiro, não tinha como se enganar, era o Will, aquele Will, os mesmos olhos azuis, cabelos loiros como o sol e a mesma cicatriz sobre a sobrancelha — Como?- repetiu com assombro- Você me disse que ele tinha morrido! — Castiel se virou para o maior rugindo.
Agora sabia porque toda vez que olhava para o doutor senti o aperto no peito e a sensação de que o conhecia, ele cuidou de si quando estava doente.
Apolo não sabia o que dizer, como reagir a frente daquela situação, ele sabia o que tinha feito era errado, mas não pensou que isso um dia iria voltar para atormenta-lo.
—Cassy, eu... — Will começou, mas seus olhos se encheram de água e sentiu um nó na garanta.
—Você mentiu pra mim- Castiel chegou à conclusão olhando o maior com fúria- Vocês dois mentiram pra mim!- gritou com seus olhos pulando de um para o outro.
Sem esperar nem mais um minuto Castiel empurrou os dois e saiu correndo dali.
Will se virou para ir atrás do maior, mas o pai o segurou por reflexo.
—Pai, o Castiel, era ele pai!- disse com a voz embargada então abraçou o pai enquanto chorava.
O loiro se corroía por dentro, seu amigo de infância, seu primeiro amor, aquele que pela sua mentira sofreu.
Melissa fez um barulho com a garganta chamando atenção de ambos, que pareceram finalmente se dar conta de que ela estava ali.
—Podem, por favor, me explicar?- ela pediu se sentindo confusa, não sabia o que aqueles dois tinham haver com o Ruivo, mas a coisa era séria.
—É uma longa história — Doutor Apolo coçou a nuca.
—Bom, não vou a lugar algum- Melissa disse séria — Por favor — indicou as cadeiras.
Will se sentou com as mãos sobre os joelhos, vermelho pelo choro e pela vergonha.
—Não sei como contar isso- Apolo passou a mão pelo rosto, se sentia culpado, deveria ter o reconhecido.
—Arrume um jeito, por favor- A morena estava inquieta, Castiel tinha reagido de uma forma muito machucada, ela estava preocupada.
Ambos de cabeleiras loiras suspiraram.
Apolo abriu a boca e tomou coragem para começar a falar, porém a porta se abriu e Castiel entrou.
Os três os olharam surpresos, mas ele ignorou os dois homens e olhou para a garota, precisava dela, ele pretendia ir embora, mas o único lugar onde ele conseguia pensar para ficar bem era com a sua garota.
—Castiel- Melissa o chamou com um aperto no coração, a expressão dele era tão fria quanto um iceberg, porém por algum motivo sabia que ele não estava bem, então sorriu docemente e estendeu a mão para ele.
A fera dentro de Castiel estava prestes a explodir, queria acabar com aquele médico mentiroso e aquele falso amigo não sabia o que pensar, ele chorou por semanas, deixou de ir pra escola, quase repetiu um ano, e isso pelo o que? Por alguém que estava bem e vivo, nunca sofreu tanto.
Mas Castiel repentinamente se acalmou, como não se acalmar? Aquela garota sorria para ele, como dissesse que tudo ficaria bem, e nela ele acreditava, se ela dissesse para ele pular do alto de um monte que tudo ficaria bem, ele pularia, porque dela era o seu coração.
Ele andou até ela sem nem ao menos perceber estava tocando a mão gelada dela, a eletricidade corria entre eles e seu coração machucado se aquecia. O que diabos era essa garota? Perguntava-se.
—Castiel- O mais velho disse o seu nome e aquela calma foi perturbada, ele o olhou com ódio- Temos que nos explicar e pedir desculpas.
—Não quero — disse seco.
—Cassy, por favor... — Will começou com os olhos transbordando.
—Não me chame assim- o ruivo o cortou dolorido ao ouvir a voz gentil tristonha daquele que um dia foi seu melhor amigo- Não sou seu amigo.
—Você precisa nos ouvir, tem que entender que nos fizemos o que achamos que seria o melhor... — Apolo tentou dizer.
—Não me importo- o Ruivo cortou novamente.
Melissa sentiu a tensão no ar aumentar, Castiel apertava sua mão muito forte, sem perceber, Apolo parecia carregar uma cruz e Will, pobre Will, nunca viu o amigo que era tão sorridente naquela situação, chorava silenciosamente tremendo.
—Castiel, talvez seja melhor ouvi-los- sussurrou a garota.
—Você sabe o que aconteceu? — Castiel ainda tinha sua voz cortante.
—Não, não sei, não faço a mínima ideia do que está acontecendo- disse firme o olhando com determinação — Eu sei que você não quer saber, mas eu quero, os conheço há anos, e gostaria de saber o que está acontecendo, quero saber mais sobre você.
Castiel tentou dizer não, para ela esquecer, ou virar as costas esquecer ir embora, mas a maldição que aquela garota jogará sobre ele não permitia que ele negasse ou fosse embora.
—Faça o que quiser- soltou à mão da garota, todos engoliram e seco achando que o Ruivo iria embora, porém ele deu a volta na cama e se escorou na janela olhando o céu.
—Melissa já sabe que o Will teve muitos problemas quando menor, e antes de eu vir pra cá, trabalhei em outro hospital e o Will ficava internado lá, foi quando ele conheceu o Castiel que ficou internado com pneumonia e eles ficaram muito amigos, assim como vocês dois ficaram logo que se conheceram, mas o Will na época estava com poucas esperanças, o hospital não dava o suporte necessário para ajudá-lo, e o Castiel ficou bom e foi pra casa, mas ele sempre vinha ver o Will, todos os dias, os pais tentaram impedir porque estava atrapalhando a escola, foi aí que recebi a proposta de vir para este hospital, que ajudaria o meu filho, que dava mais esperança de vida, conversei com os pais do Castiel sobre o assunto e eles estavam preocupados porque o filho já tinha fugido de casa e até da escola para ver o Will e este hospital era muito mais longe do que o outro- Apolo riu balançando a cabeça e Melissa mirou Castiel, o que mais ela não sabia sobre esse garoto?- Então acabamos por decidir essa mentira, quando Castiel veio ver Will eu disse para ele que o Will tinha morrido.
Melissa ficou muito surpresa, entendia perfeitamente o que Castiel sentia, traído, enganado, ele tinha dado tudo de si ao um amigo que o feriu com a morte quando era pequeno e agora com a vida depois de grande.
—Meus pais sabiam? — O Ruivo perguntou e o médico assentiu- E meu irmão? — o médico assentiu novamente.
Castiel soltou uma risada fria.
A porta se abriu e a enfermeira entrou, mas logo recuou.
—O que quer? — Apolo não conseguiu esconder o desagrado de sua voz.
—Só vim ver se todos haviam ido embora, desculpe senhor- a mulher disse saindo do quarto.
O silêncio reinou ninguém ousava dizer algo, somente havia o barulho de suas respirações e das máquinas conectadas a garota.
—Castiel — Will chamou, mas o outro nem se moveu- Eu gostaria de te pedir desculpas, sei que não foi justo, você foi um grande amigo, meu melhor amigo, me deu muita força naquela época, por isso me desculpe- o rosto banhado de lágrimas- POr favor- choramingou.
—Você- Castiel o olhou nos olhos, tão familiares, tão nostálgicos- Não perca seu tempo, eu jamais irei perdoar vocês, esqueça que eu existo assim como eu esquecerei vocês.
Os olhos do garoto loiro se arregalaram e ele soluçou saindo correndo do quarto.
—Você não sabe como Will sofreu, ele pensou que você não gostava mais dele porque não ia o visitar mais, então eu contei a verdade, sinceramente pensei que meu filho tivesse desistido da vida, mas então ele encontrou a Mei e ele acabou retomando a vontade de vencer a doença, mas ele nunca te esqueceu Castiel- Apolo disse se levantando.
—Não adianta me contar histórias melosas doutor, não sou mais uma criança inocente que acredita nas suas mentiras- Castiel respondeu grosso.
E assim Apolo se foi com sua culpa pesando mais ainda.
Melissa não sabia o que dizer, nem como agir, cada vez o conhecia mais e entendia o porquê desse modo tão bruto dele de ser.
Primeiramente a morte de um amigo.
Segundo, os pais trabalharem muito e ficarem fora de casa a maior parte do tempo.
Terceiro, uma ex-namorada que havia o largado porque não era mais útil.
Quando voltou a si, percebeu os olhos do mais velho sobre si, não sabia decifrar aquela expressão de Castiel, talvez ele mesmo estivesse tão confuso que fosse difícil expressar ou esconder.
O que Melissa pode fazer foi sorrir, sorrir amavelmente para aquele garoto que parecia uma criança sem rumo.
—Porque está tão longe de mim?- perguntou ainda sorrindo e acabou recebendo um sorriso descontraído do garoto, apesar de ver dor no seu olhar.
Castiel andou até Melissa e deitou ao seu lado deixando ser abraçado por aqueles braços pequenos e frios.
—Eu tenho o melhor travesseiro do mundo — brincou deitando a cabeça nos seios da garota que deu um tapa em seu braço em reclamação- Nossa que dor, acho que vou ter que engessar.
—Muito engraçadinho — Melissa retrucou.
Ambos ficaram em silêncio, alimentando suas forças com o corpo um do outro, restaurando as energias, escondendo seus medos, ali daquele modo percebiam o quando um necessitava do outro.
—Castiel — a garota chamou novamente — sobre a história...
—Não- O Ruivo a cortou- Por favor, não vou pedir pra você esquecer isso porque é impossível, não sei o seu relacionamento com aqueles dois, mas por agora, eu preciso de você- sussurrou — Você se tornou algo muito importante pra mim- levantou o rosto olhando para a morena- Então por agora, só fique do meu lado, confiarei em você para cuidar de mim.
Melissa ficou sem palavras, ali estava Castiel, tão exposto, tão vulnerável, ainda por cima dizendo que ele precisava dela.
—Você diz isso para todas as garotas?- Melissa sorriu encantada.
—Por quê? Funciona?- sorriu de lado.
—Funciona- Melissa o puxou para um beijo.
Castiel foi pego se surpresa, sempre era, nunca conseguia antecipar os atos dela, sempre o surpreendia quando ela o puxava para um beijo tão único e caloroso. Nunca havia provado lábios como aqueles, tão inocentes e viciantes ao mesmo tempo, podia se dizer que era a primeira garota que beijava de verdade, não era só um ato em busca de prazer, um ato para aplacar o fogo em si, era diferente, os lábios deslizando suavemente ou bruscamente um pelo outro, suas línguas se tocando com propriedade, e no final do beijo com o peito queimando pedindo ar, isso era único para o Ruivo, não soube como viveu tanto tempo sem aquilo e nem como sobreviveria dali pra frente.
—Não me faça te atacar na cama de um hospital mocinha- Mesmo com palavras tão maliciosas os olhos do garoto brilhavam puramente para a garota.
—Está dizendo que vai corromper minha pureza neste lugar? Sem nem um pingo de romance? Mas que homem frio- Melissa se fingiu horrorizada.
—Garanto que irá gostar- Castiel tocou lhe o queixo sussurrando próximo aos seus lábios.
—Apesar de ter me sentir seduzida, não foi o bastante querido, quem sabe na próxima — Melissa o afastou dando com os ombros.
—Sabe que temos um casamento a consumar, esposa? — Castiel disse sensualmente em espanhol a última palavra.
—Não tente me seduzir com essa língua provocante, esposo — A morena entrou na brincadeira.
Os dois riram alto encostando as testas, sorrindo lindamente um para o outro.
Foi desse jeito que Rafael Helts os encontrou.
—Espero não estar atrapalhando — o maior cruzou os braços olhando o casal sentado sorridentes na cama.
—Talvez um pouco — Melissa brincou provocando o pai.
—Até poderia dizer que sinto muito, mas não sinto- disse emburrando.
—Ainda esta aqui Castiel? — a mãe de Melissa apareceu atrás do marido observando tudo sorridente.
—Sim, mas já estou indo embora- Deu um beijo na testa de Melissa e fez carinho em seus cabelos recebendo um sorriso de volta- Boa noite pequena, amanhã estou de volta.
—Boa noite gigante pernudo — Melissa respondeu e Castiel apertou o nariz dela- Para! Para! Estava do brincando — resmungou acariciando o nariz.
O Ruivo só sorriu de lado e saiu dando boa noite para os pais da garota.
—O que está acontecendo? Não é de agora que vejo vocês juntos assim, sem falar-nos com comentários que ouço — Rafael passa ou a mão na testa, não conseguia controlar o ciúme que tinha das filhas, era tão difícil pra elas virarem freiras?!
—Não sei direito- Melissa foi sincera- Estamos nos conhecendo ainda- alisou o lençol sobre o corpo- Mas eu gosto dele.
—Você não tem idade pra gostar de ninguém, gostava do Viktor e não faz nem cinco meses que ele está fora e você já está pensando em outro- o pai cruzou os braços, adolescentes, tudo que eles sentem já multiplicam por mil, queria que a filha entendesse que atração não é amor.
—Você não entende, é diferente, eu amo o Viktor sinto falta dele, da companhia dele, das conversas e risadas, cresci com o Vik, não é um sentimento de um irmão, nem igual eu me sinto com Alexy, amigo, reconheço ele como homem mas não para mim, agora o Castiel- a garota suspirou e balançou a cabeça — Eu tenho uma vontade de sempre que eu vejo ele, de correr para abraça-lo, de ficar ali e nunca mais sair, meu coração acelera, eu fico sem ar, é como se o mundo parasse e só tivesse nós, sei que somos diferentes, que ele tem esse ar rebelde, mas ele tem um coração tão doce e gentil que sinto vontade de guardar e esconde-lo só pra mim, vocês já sentiram isso?- perguntou confusa para os pais, ela sentia tantas coisas em relação ao Ruivo que gostaria de saber o que era aquilo.
O pai olhou a filha surpreso, tão nova e com sentimentos tão intensos, ele felizmente ou infelizmente sabia o que era aquilo, ele amava a sua mulher mais que tudo, sempre amou, desde quando a viu defende-lo das amigas, tão linda e decidida, mesmo que nunca tivessem trocado uma palavra ela não se deixou levar pela influência das pessoas, e na filha ele via a mesma coisa que sua mulher tinha, o dom de olhar o coração ao invés da aparência.
—Ah que saco- o mais velho bagunça os cabelos e a esposa riu baixo ao seu lado — Não importa o quanto goste dele e quão honrado for esse garoto, você é minha garotinha, e ele vai sofrer na minha mão para ter algo com você — decretou emburrado.
As duas mulheres do quarto se puseram a rir.
Kath olhou para o marido sabendo que ele pensou a mesma coisa que ela, ele julgava a filha ser nova pra gostar, mas começaram a namorar desde a adolescência e os sentimentos deles eram tão puros quanto os da filha, e com certeza não duvidava dos sentimentos do garoto, ela teve tempo suficiente para analisa-lo. A mulher sorriu, não iria alertar a filha dizendo que eles passariam por poucas e boas, muitos tropeços e vários acertos para conseguirem, porque um amor de verdade para se concretizar seria lançado a muitas provas de fogo para se tornarem laços inseparáveis, esperava que a filha fosse tão feliz quanto ela era.
.......
Aquela noite Will não ficou no quarto com Melissa, ela entendeu que o amigo precisava de um tempo e também de perdão, todos mereciam ser perdoados, poderia parecer inocente e ingênua com esse pensamento, como perdoar um assassino? Como perdoar um estuprador? Mas às vezes, na verdade, sempre, o perdão é o libertador da alma.
Castiel, Will e Apolo precisavam serem libertos, porque assim poderiam tirar um peso dos ombros e dar um novo passo.
E com ideias otimistas adormeceu.
.......
Castiel estava pensando em como Melissa parecia mais linda com aquele sorriso enorme do rosto, que faziam seus olhos azuis virarem fendas e rugas aparecerem nos cantos e os dentes brancos aparecerem.
Porém caiu na realidade assim que viu os pais e o irmão na sala conversando normalmente, seu sangue subiu e ele passou direto por todos eles, com indiferença.
Todos estranharam a atitude, Castiel estava bem mais comunicativo e menos tenso nas últimas semanas.
—Ei Castiel! Tudo bem? Aconteceu algo com a Mel? — Miguel perguntou, só poderia ser isso pro irmão estar tão estranho, porém tremeu a sentir ser olhado com ódio mascarado com frieza.
—Esta tudo bem com a garota filho? — o pai se sentiu preocupado, Castiel poderia até fingir muito bem e até não se importar com muitas coisas, mas quando ele se importava com algo, ele se entregava de coração aquilo.
Foi assustador e macabro o sorriso que Castiel abriu, total escárnio, Miguel sentiu as entranhas gelarem, e os pais se preocuparam ainda mais.
—Como?- foi o que saiu friamente da boca do mais novo.
—Queremos saber se está tudo bem, com Melissa e com você também! — A mãe se exaltou.
—Como se vocês se preocupassem com a saúde dela- soltou venenoso fazendo os três se espantarem com o comentário e continuou antes que dissessem algo mentiroso- Não querem saber dela, querem saber se eu vou ficar problemático outra vez, indo para o hospital todo dia, se vou faltar às aulas quando a escola voltar, se vou negligenciar minha vida por me preocupar demais com outra pessoa.
Miguel foi muito mais rápido que os pais para entender o que estava acontecendo e sentiu como se o mundo caísse sobre si e as entranhas se contorciam, o que ele sempre temeu, o que ele sempre se envergonhou, o que ele sempre se arrependeu finalmente o alcançou.
—Castiel- Miguel se levantou num pulo- Como...? Eu... Eu... — o irmão mais velho escondeu o rosto nas mãos, ele e o irmão sempre tiveram brigas bobas, mas sempre foram amigos, quando Castiel precisava era pro irmão mais velho que ele corria, Miguel se sentia esfaqueado por aquele olhar de decepção e ira que o irmão o mandava.
—Da pra explicar? — o pai do Ruivo se levantou também, não sabia por que o filho falava assim tão maldosamente com eles, apesar da ausência sempre tentaram serem os melhores pais para os filhos.
—Por favor, se explique, porque não entendi nada, não merecemo seu mal humor Castiel- A mãe disse aborrecida.
Castiel riu sínico, não mereciam...?
—Ele... Nós... — O outro ainda gaguejava- Nós merecemos- gemeu entre as mãos.
—Não faça essa cara Miguel, nem adianta se fingir de inocentes, só me causa mais nojo e repulsa, todos vocês, minha família, quem diria que logo vocês...
Castiel foi calado com um tapa da mãe, que retraiu a mão imediatamente a segurando no peito, nunca havia batido no filho, mas não merecia tanta falta de respeito.
—Não admito que fale assim como seu irmão, nem conosco!- disse ficando vermelha.
—E você se acha no direito de me bater?- o Ruivo rugiu com raiva- Depois de tudo o que vocês fizeram! Acha que pode me bater?!- Gritou ficando vermelho de fúria.
—Meu Deus! O que está acontecendo? O que fizemos de tão horrível assim?- o pai exclamou juntamente exaltado, mas a resposta não veio do Ruivo.
—ELE DESCOBRIU! — Berrou o filho mais velho com os olhos fechados, queixo trincado e punhos cerrados- ELE DESCOBRIU PORRA! — abriu os olhos e olhou para os pais, caiam lágrimas de arrependimento e ódio próprio- ELE DESCOBRIU! — Gritou angustiado.
A mãe olhou para a raiva de Castiel, a tristeza e as lágrimas do filho moreno, a última vez que viu Miguel chorar daquela fora dolorosa fora há anos, ele chorava porque havia mentido para o irmão, uma mentira horrível, uma mentira que fizera seu filho mais novo mudar, uma mentira que a muito ela havia esquecido.
Repassou as frases de Castiel na cabeça e só olhe trouxe certeza.
—Castiel- sussurrou sem saber o que dizer, realmente ela não tinha o direito de levantar a mão para o filho.
Castiel não sentia o rosto doer, a adrenalina pelo seu sangue era alta, mas a dor de traição no seu peito não era amenizada por ela.
—Me respondam o que é que está acontecendo? — o mais velho estava apavorado, o filho mais novo explodirá de raiva, o outro chorava com remorso e a mulher tremia chorando em silêncio.
—Will, foi o que aconteceu, Will Solace, se lembra desse nome papai? — Castiel dizia com ironia pura- talvez te refresque a memória, vocês mataram um garoto que não está morto- ao dizer isso virou as costas e foi para o quarto.
Deixou para trás três adultos arrependidos se corroendo em remorso. Eles sabiam, que o que tinham feito eram imperdoável. Castiel, nunca, jamais confiariam neles novamente.
Castiel foi direto para o banho e deixou a água levar a fúria, agora restava somente um garoto magoado e traído, porque todos que diziam que o amavam e tudo mais o machucavam tanto dessa forma, por isso ele repudiava esse tal de amor, as pessoas faziam aquele tipo de coisa em nome do amor.
Saiu do banho e se deitou vestido apenas uma cueca box, ele não queria chorar, mas as lágrimas simplesmente saiam pelos seus olhos sem consentimento nenhum dele, o que ele fizera tão de errado pra Deus o odiá-lo tanto? Perguntou-se.
Primeiro Debrah, depois sua família inteira! Quem era o próximo? Lysandre? Ele queria simplesmente sumir.
Ouviu seu celular tocar e por algum motivo atendeu.
O silêncio durou cinco segundos até a voz sussurrar.
—Castiel?- na hora as lágrimas cessaram, e o Ruivo lembrou o porquê sua vida não estava perdida, o porquê daquele momento não estar se embebedando e usando drogas como fez quando Debrah o magoou, porque ele agora tinha alguém, alguém que o fazia se sentir uma pessoa melhor, que talvez, bem provavelmente mudasse seu conceito de amor.
—Melissa... — ele sussurrou o nome com tanto carinho.
Melissa havia acordado assustada, sonhou com um Castiel criança, triste e assustado, que chorava muito, e sentiu a necessidade de ligar para ele e descobriu pela voz embargada que ele não era muito diferente do garoto em seus sonhos.
—Castiel — suspirou seu nome- Me escuta, pensa que eu estou aí agora! Onde você está?
—Na minha cama- respondeu tentando entender, mas a voz da garota era calma e hipnotizante, ele sentia aos poucos aqueles sentimentos tristes e sombrios o deixarem.
—Certo, agora me imagina aí com você, consegue imaginar?
—Sim- o Ruivo fechou os olhos a imaginando nos seus braços.
—Ótimo, agora eu estou fazendo um belo de um cafune em você, se lembra da sensação? — questionou.
—Uhum — Castiel podia praticamente senti lá passar a mão em seus cabelos com suavidade e carinho.
—Agora, me ouça bem- a menina queira correr pra ele- Tudo vai ficar bem.
—De verdade? — sussurrou.
—De verdade- afirmou com o coração na mão, se ela soubesse como o garoto se sentiu que havia esperanças pra ele.
—Pequena, me promete uma coisa? — Castiel pediu.
—Sim
—Não me traia, por favor- suplicou o mais velho.
—Jamais- Melissa respondeu com a maior certeza do mundo.
—Prometa- pediu mais uma vez.
—Eu prometo meu gigante pernudo — sussurrou e sentiu que podia ver um sorriso singelo abrir no rosto do garoto o que foi que aconteceu.
—Eu também não vou te trair, eu prometo- aquela foi sua primeira promessa.
Depois de alguns segundo de silencio, Castiel sentiu seu corpo amolecer, ele ainda a imaginava ali cuidando dele.
—Ei- a chamou- canta algo para eu dormir?
—Sim senhor- ele riu baixo- deixa eu pensar em uma musica.
Melissa buscou uma musica que mostrasse como ela se sentia.
—Ok, ai vai- sussurrou e Castiel colocou no vivo a voz.
Castiel suspirou ao ouvir aquela voz tão conhecida soando como mel aos seus ouvidos.
I know your inside, you're feeling so hollow
And it's a hard pill for you to swallow
But if I fall for you
I'll never recover
If I fall for you
I'll never be the same
Conheço seu interior, você se sente tão vazia
E é uma pílula difícil de engolir
Mas se eu me apaixonar por você
Nunca me recuperarei
Se eu me apaixonar por você
Nunca mais serei o mesmo
I really wanna love somebody
I really wanna dance the night away
I know we're only half way there
But you can take me all the way
You can take me all the way
I really wanna touch somebody
I think about you every single day
I know we're only half way there
But you can take me all the way
You can take me all the way
Quero muito amar alguém
Quero muito dançar a noite toda
Sei que estamos apenas na metade do caminho
Mas você pode me levar até o fim
Você pode me levar até o fim
Quero muito tocar alguém
Penso em você todos os dias
Sei que estamos apenas na metade do caminho
Mas você pode me levar até o fim
Você pode me levar até o fim
You're such a hard act for me to follow
Love me today don't leave me tomorrow, yeah
But if I fall for you
I'll never recover
If I fall for you
I'll never be the same
Você é tão difícil para eu entender
Me ama hoje e amanhã me abandona, sim
Mas se eu me apaixonar por você
Nunca me recuperarei
Se eu me apaixonar por você
Nunca mais serei o mesmo
I really wanna love somebody
I really wanna dance the night away
I know we're only half way there
But you can take me all the way
You can take me all the way
I really wanna touch somebody
I think about you every single day
I know we're only half way there
But you can take me all the way
You can take me all the way
Quero muito amar alguém
Quero muito dançar a noite toda
Sei que estamos apenas na metade do caminho
Mas você pode me levar até o fim
Você pode me levar até o fim
Quero muito tocar alguém
Penso em você todos os dias
Sei que estamos apenas na metade do caminho
Mas você pode me levar até o fim
Você pode me levar até o fim
Ooh
Ooh
Ooh
Oh, oh, oh
I don't know where to start
I'm just a little lost
I wanna feel like we never gonna ever stop
I don't know what to do
I'm right in front of you
Asking you to stay, you should stay
Stay with me tonight, yeah
Não sei por onde começar
Estou um pouco perdido
Quero sentir que nunca iremos parar
Não sei o que fazer
Estou bem na sua frente
Pedindo para você ficar, você devia ficar
Ficar comigo esta noite, sim
I really wanna love somebody
I really wanna dance the night away
I know we're only half way there
But you can take me all the way
You can take me all the way
I really wanna touch somebody
I think about you every single day
I know we're only half way there
But you can take me all the way
You can take me all the way
Quero muito amar alguém
Quero muito dançar a noite toda
Sei que estamos apenas na metade do caminho
Mas você pode me levar até o fim
Você pode me levar até o fim
Quero muito tocar alguém
Penso em você todos os dias
Sei que estamos apenas na metade do caminho
Mas você pode me levar até o fim
Você pode me levar até o fim
Ooh
Ooh
Ooh
Oh, oh, oh
You can take me all the way
You can take me all the way
Ooh
Ooh
Ooh
Oh, oh, oh
Você pode me levar até o fim
Você pode me levar até o fim
Castiel sorriu, era gratificante saber que não era o único que se sentia assim.
—Pequena, se você não estivesse no hospital, eu invadia sua casa e te levava comigo- Disse sonolento- Obrigada Melissa.
—De nada Castiel, vou me lembrar disso quando eu estiver em casa- brincou- Boa noite Cast.
—Boa noite Mel- Castiel disse de volta e fechou os olhos adormecendo em bons sonhos logo.
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