Thinking Of You.
36 Capítulo 36
Notas iniciais
A garota de longos cabelos negros e mechas vermelhas, pele alva e brilhante a luz da lua tinha seus belos olhos azuis arregalados.
Melissa não fazia a menor ideia do que estava acontecendo a primeiro momento, o que todas aquelas pessoas estavam fazendo ali na sua frente sorrindo? E porque não estava na casa de sua Avó? Mas era só olhar envolta que a verdade a atingiu em cheio, era uma festa surpresa e para ela! Como ela pode esquecer-se do seu aniversário?
Agora ela entendia o porquê seus amigos estavam tão distantes e esquisitos aquela semana, ela olhou rosto por rosto ali conhecido, mas alguém entre os irmãos com o estilo vitoriano chamou sua atenção, um garoto alto, bonito, cabelos castanhos bem cortados, olhos azuis escuro e um grande sorriso no rosto.
O coração da baixinha deu um salto ao vê-lo não por causa dele, mas se ele estava ali o Ruivo que perturbava seus sonhos deveria estar ali também, as palavras que ele disse no dia seguinte agora fazia sentido “Amanhã a gente vai se ver”, “Te vejo amanhã pequena”, o fato dele insistir nisso agora ela entendia.
Um sorriso enorme se abriu no rosto da garota, seus olhos começaram a procurar a figura angelical, e foi escorado na sua moto de braços cruzados debaixo de uma arvore mais afastado que os outros que ela o viu, ela suspirou ao vê-lo e ficou sem ar quando ele sorriu de lado.
Algumas horas antes...
Sabe aqueles sonhos que você sabe que são perfeitos, mas quanto você acorda esquece e só fica aquela sensação de que foi algo bom, era assim que eu estava me sentindo.
Espreguicei-me na cama, não estava com a mínima vontade de levantar, estava tão confortável e quentinho, peguei meu celular e vi que era quase dez da manhã, me assustei com a quantidade de mensagem, whatsapp e notificações no facebook, mas me recusei a abrir, deveria ser coisa do pessoal sobre minha suposta briga com o Viktor. Ah minha briga com o Viktor!
Suspirei e levantei, não queria pensar nisso agora, muito menos me estressar, alguma coisa dentro de mim dizia que o dia ia ser incrível e a ultima vez que eu senti isso foi quando conheci o Castiel.
Levantei e me arrastei para o banheiro uma ducha boa ia levar essa preguiça toda embora, hoje eu iria ver a Vovó fazia um tempo já que eu não há via, aposto que ela deve ter feito todas aquelas coisas que minha família não vai me deixar comer, mas eu posso dar uma fugidinha durante a madrugada pra roubar a geladeira.
Sorri com esse meu pensamento, fui até o banheiro e tomei meus remédios e logo depois um breve banho.
Sai do banho e coloquei um short e uma camisa com uma banana Split enorme nela, nossa que vontade de tomar um sorvete enorme!
–Nossa com tanto pensamento de comida logo de manhã me faz pensar que eu estou com fome- murmurei comigo mesma saindo do quarto.
Cheguei à cozinha e encontrei a família reunida conversando, mas logo quando me viram se calaram, todos ficaram se olhando.
–Ok, isso está muito estranho- declarei me sentando.
Depois disso todos voltaram ao normal, se é que somos normais.
–Bom vou levar o Lobinho pra dar uma volta, antes de nós irmos- disse me levantando, após comer.
–E quem vai cozinhar?- meu Pai perguntou com um bico.
–Ora você sabe muito bem cozinhar- Respondi saindo da cozinha.
Ouvi alguns resmungos e fui até meu quarto pegar o Livro do Sherlock Holmes e meus óculos, aquela sombra na árvore que me aguarde, subi para a casa do meu cão suspirando com a imagem do Castiel da noite anterior.
Fui caminhando para o parque com a cabeça em outro lugar, se não fosse o Binho me desviando dos obstáculos eu já estaria beijando o chão, como o Vik diz “O chão gosta tanto de você que quer te ver colada beijando ele o tempo todo”, ah Vik porque a gente tinha que brigar?
Meus pensamentos ficaram perdidos em lembranças sobre o Viktor, nossos pais eram amigos, na verdade nossas mães estudaram juntas, casaram quase que juntas e tiveram filhos juntas, eu cresci com o Vik, éramos praticamente irmãos, pelo menos até a adolescência onde eu comecei meio que desenvolver sentimentos estranhos por ele como “Qual será o gosto dos lábios do Vik?” “Será que o Vik gosta de alguém?” “Porque meu coração bate tão forte quando ele me abraça?” esse tipo de coisa, fiquei uns dois anos alimentando esses sentimentos até que no meu aniversário começamos a namorar e também fiquei sabendo que ele sempre gostou de mim, fiquei tão feliz.
Hoje eu percebo que não era tão grande assim o sentimento, pelo menos não comparado aos dele, mas também não é que eu tenha misturado as coisas, comparado aos meus amigos eu sinto algo diferente por ele não o vejo só como amigo, mas como homem em si, mas talvez o que eu sinto por ele não seja o suficiente, não é justo com ele, só que de uma coisa eu sei, eu não posso ficar sem o Vik, não sei se estaria aqui hoje firme, forte e bem se não fosse por ele.
Suspiro quando vejo que eu e o Binho já demos duas voltas no parque, entro no mesmo que está mais cheio que de costume, é sábado!
Procuro uma árvore com uma sombra sem pessoas embaixo e encontro uma um pouco afastada, solto o Binho que não corre para longe, sei o que se passa naquela cabeça, a ultima vez que estive aqui fui atacada por um professor pedófilo se bem que eu o provoquei e me intrometi, mas pensando bem eu faria novamente pois graças a minha mania de arranjar problemas eu e a Ambre estamos bem mais próximas.
Abro meu livro e entro no mundo encantadoramente misterioso de Sherlock Holmes.
Admito que devorei metade do livro, só parei porque percebi que o sol ficou bem mais quente deve estar perto do meio-dia, tenho que almoçar e ir pra Vovó.
Não precisei chamar o Binho, pois este descansava na sombra ao meu lado deve ter cansado de brincar, fiz um carinho em sua cabeça e prendi a coleira em seu pescoço.
Cheguei em casa e o cheio do almoço pronto me seduziu até a cozinha, meu pai seguiu o meu conselho e estava cozinhando, o que me surpreendeu foi ver Megan ao seu lado, ele dava algumas dicas para ela, sorri com aquilo ele devia estar com ciúmes porque dissemos que o Nath ia ensinar ela, pais!
Decidi tomar um banho, passei por entre a porta do quarto dos meus pais e vi minha mãe arrumando a mala, ela me viu e sorriu.
–Entre querida- ela disse suavemente.
Entrei e me joguei na cama dela bagunçando algumas roupas que ela havia posto encima da cama
–Melissa!- chamou minha atenção e eu ri- Como está se sentindo?
–Bem- dei com os ombros olhando para o teto- Porque não estaria?
–Não sei, só que eu tenho que saber- Respondeu guardando as roupas dentro da mala- Este ultimo ano tivemos poucos incidentes com a crônica e graças a Deus a cirurgia foi um sucesso, mas é como o médico disse talvez aconteça de novo, você tem uma propensão a...
–Mãe- chamei sua atenção- Está tudo bem.
Ela deu um sorriso mínimo e ficou me olhando com carinho por alguns segundos.
–O que foi?- perguntei já um pouco incomodada, ela parecia um pouco nostálgica.
–Nada querida- ela disse e se deitou ao meu lado na cama- Então quem é o garoto?
–Que garoto?- perguntei assustada a olhando de lado.
–O que fez você e o Viktor brigarem- respondeu com simplicidade- Quero a verdade mocinha!
–Ah Kaa-san – bufei- Wakata, sabe o vizinho?
–O Ruivo bonitão?- ela perguntou e eu ri alto.
–Sim, o Ruivo bonitão- confirmei.
–O Viktor ficou com ciúmes?
–É meio que isso, ele e os meninos acham que o Castiel não é bom o suficiente pra mim- fiz aspas com os dedos e uma vozinha irritante- É ridículo não são eles que decidem e muito menos o conhecem direito!
–Sabe de uma coisa eu pensei que você se interessaria por ele- ela disse e eu a olhei curiosa- Tudo bem que ele é bem diferente do Viktor, na aparência pelo menos, mas quando eu o vi lembrei do seu pai na juventude- ela deu um risinho baixo- Ele passou por uma fase bem pesada, foi logo quando eu o conheci- Eu estava boba nunca tinha ouvido algo assim sobre o papai- Ele tinha um moicano e só vestia preto, por Deus! Pensando agora aquilo era bem estranho, meus amigos disseram que eu era louca- ela gargalhou e eu a acompanhei- Foi uma longa caminhada até ele deixar de ser tímido comigo...
–Espera meu pai tímido?- perguntei pasma e ela assentiu- Você está me dizendo que o Rafael gargalhada balança quarteirão era tímido?
–Muito tímido, com o tempo ele começou a se soltar, o cabelo cresceu, não que eu me incomoda-se na época eu o amava daquele jeito, mas hoje em dia está bem melhor- Ela parecia sonhadora- Imagina a cara dos meus pais quando eu levei um garoto de moicano pra casa afirmando que era meu namorado? Meus pais surtaram, minha mãe o expulsou a vassouradas!
–Não acredito que a vovó fez isso!- isso estava ficando cada vez melhor.
–Fez sim, mas com o tempo eles foram aceitando, não tinham escolha eu estava apaixonada, e meus amigos também a única que me apoiou de primeira foi a Tina- suspirou novamente- O que estou tentando dizer é que se você quer algo, se você acredita nisso não tem nada nem ninguém que possa te impedir.
Ela se virou para mim e tocou no meu rosto.
–Todos têm seus problemas e limitações, mas isso não nos impede de sonhar- seus olhos castanhos brilhavam- Não deixe ninguém dizer que é impossível é só uma questão de tempo.
Eu sabia que ela estava dizendo muito mais do que uma dica sobre garotos, ela estava falando dos meus sonhos, aqueles que eu tive que largar, mas é só uma questão de tempo.
Sorri e abracei minha mãe.
–Obrigada mãe- respondi baixinho.
–Que isso minha pequena- respondeu e eu me separei olhando feio pra ela.
–Não sou pequena- reclamei.
–Opa, desculpa esqueci que você não gosta de ser chamada de pequena- ela riu- Já arrumou suas coisas?- perguntou e eu assenti- Ok, o almoço já deve estar pronto vai tomar banho sua fedida a cachorro.
Fiz uma careta pra ela e sai do quarto.
Caminhei para o meu quarto, peguei minha toalha e quando ia entrar no banho ouvi meu celular tocar.
Andei devagar até ele como se fosse explodir e olhei quem era, meu coração dançou no pole dance quando viu aquele nome na tela.
Peguei o celular e pulei na cama, respirei fundo, contei até três e atendi.
–Er... O-oi- Que matéria fecal fedorenta! Eu me esqueci do que se diz quando atende o celular!
–Oi Pequena- eu sabia que ele estava sorrindo neste momento.
–Qual é a mania das pessoas em me chamar de pequena?- murmurei.
–Mas eu sempre te chamo de Pequena- ele diz meio confuso.
Parando pra pensar, é verdade, verdade mesmo! Ele me chama de Pequena todo o tempo! Mas parece tão natural que eu nunca havia nem se quer percebido, eu sou uma idiota.
–Mas a questão é que eu não sou pequena, vocês todos que são grandes demais- resmunguei.
–Vocês todos quem?- perguntou risonho.
–Vocês todos de pernas compridas oras!- exclamei e ele riu baixinho.
–Entendi, mas você não gosta quando eu te chamo de Pequena?- Ele perguntou e eu pensei, pensei e pensei, não é que eu odiasse, não gostava quando outras pessoas me chamavam mas o Castiel é diferente eu senti que era algo mais como um apelido carinhoso.
–Se for você não tem problema- disse baixinho.
–Ainda bem porque eu não iria conseguir te chamar de outra coisa, já me acostumei- ele disse e eu sorri.
Quando eu abri a boca pra falar o Nico entro no meu quarto com a toalha pendurada na cintura, cabelos molhados e me fazendo a pergunta mais idiota que eu tinha ouvido naquele santo dia.
–Mei-nee-san sabe onde tá minhas cuecas?- perguntou como se fosse algo simples.
–Kami-sama eu tenho cara de guarda-roupa Nico?- Exclamei injuriada.
–Oras eu já olhei lá- reclamou.
–Então vai perguntar pra sua mãe é ela e não eu que sabe dessas coisas!- disse.
Ele deu com os ombros e saiu do quarto.
O Castiel milagrosamente começou a gargalhar do outro lado da linha.
–Calado gigante pernudo- ralhei com ele.
–Ok madame das cuecas- respondeu risonho.
–Baka- xinguei- Em falar em cuecas, eu estou com a sua aqui- comentei lembrando de semana passada.
–Hm, Espero que tenha a lavado- disse me deixando irritada.
–Só lavei porque a usei não lavo cuecas de homem nenhum!- respondi.
–Pra tudo tem um começo- brincou me deixando com raiva- E se ficar mais vermelha vai virar uma pimenta.
–Não estou vermelha idiota- resmunguei correndo para o espelho, eu estava vermelha.
–Hm- respondeu- mas eu sei algo que vai ter fazer ficar vermelha.
–A é?- perguntei sarcástica.
–Sim- sua voz estava mais baixa, rouca, de algum modo eu sabia que vinha besteira.
–Diga- murmurei envergonhada.
–Você claramente se lembra do dia em que vestiu minha cueca- sua voz sussurrada me dava arrepios como ele conseguia?- E também com certeza se lembra em como foi prestativa em me ajudar no banheiro com aquele probleminha.
Meu rosto iria explodir agora com certeza! Até minhas orelhas estavam vermelhas.
Ah! Eu lembrava, mas rezava para que fosse um sonho distante, não acredito ainda que fiz aquilo sinto que minha mão é não mais pura!
–Quem cala consente! Você se lembra não é pequena?- a voz dele continuava a me arrepiar- Você se lembra de quando eu te toquei e dos sons que você fazia- meu corpo parecia que ia ficando mais e mais quente.
–Ca-cala boca i-idiota- comecei a gaguejar de vergonha, ele não tinha vergonha de dizer essas coisas?
–Você se lembra de como eu sussurrava o seu nome? Lembra-se dos nossos beijos quentes? Lembra-se de como você me deixa duro com tão pouco?- eu esparramei no chão, minhas pernas não aguentavam mais, eu estava quente, senti algo entre as minhas pernas pulsando maldita puberdade!
Soltei o ar que eu segurava e junto saiu um gemido baixo junto, idiota, é claro que eu lembrava ninguém nunca me tocou assim.
–Ah Melissa não me diga que esta se tocando?- perguntou e eu me assustei.
–Não!- disse alto- Não estou fazendo isso.
–Pois eu quero que você faça, mas somente se for pensando em mim- sua voz rouca e sedutora não parava de mexer com os meus hormônios.
–Hentai- minha voz estava pesada.
–Um dia eu quero ver, você se tocando na minha frente, essa é uma imagem realmente prazerosa- ele parecia perdido em seus pensamentos pervertidos, mas isso não estava me ajudando – Droga- resmungou em um gemido rouco- Você conseguiu Pequena.
–Consegui o que?- perguntei um pouco ofegante.
–Me deixar duro durante um telefonema, essa é nova pra mim- ele disse e deu uma risada rouca que me fez estremecer- Olha eu vou tomar um banho gelado já que eu não tenho você aqui para me ajudar com esse probleminha, até mais tarde minha Pequena.
–Até Cast- respondi desligando o celular.
Eu também precisava de um banho gelado, ele tinha feito outra coisa única, me deixado excitada somente com a sua voz e algumas palavras -lembranças- sujas, será que eu gostava disso? Por Deus o que eu sou um tipo nova de pervertida?
Corri para o banheiro me despindo daquela roupa rapidamente e entrando debaixo da água gelada, o choque fez minha excitação descer ralo a baixo, raios mais o que foi aquilo? Agora meu cérebro voltava a funcionar, anotado, nunca mais deixar o Castiel dizer coisas pervertidas no telefone, a próxima vez... Desligue!
Sai do banho e peguei um vestido branco de tecido leve, de alças finas que ia até o joelho e uma sapatilha vermelha lisa, eu queria muito e ver a Vovó, mas em pensar que possivelmente só verei o pervertido do Castiel segunda da um desanimo.
“Até mais tarde minha Pequena”
Suspirei, eu queria o ver mais tarde se é que fosse possível, e ouvi-lo me chamando de “Minha Pequena” essa era uma frase gostosa de ouvir.
Fui até o banheiro tomei meus remédios e guardei o que eu tomaria mais tarde e amanhã dentro da mala.
Balancei a cabeça e sai do quarto trazendo minha bolsa com tudo dentro.
O almoço que o papai fez estava uma delicia, apesar de ter quase queimado (Prodígio de Megan) estava bom, agora nós estávamos arrumando as coisas no carro.
Ah! um fato sobre mim, eu amo viajar, mas odeio o percurso até o local, mesmo sendo de avião, barco e pior ainda carro, me sinto enjoada e minha cabeça da voltas, só de pensar meu estomago embrulha, sinto vertigem.
–Mel, leva o Binho lá pra fora sua Tia já está chegando.
–Ok- respondi e fui buscar meu bebê.
A bolsa dele com comida e alguns brinquedos estavam separados já, olhei para a casa vizinha esperando ver o Ruivo com o seu sorriso de lado no rosto, mas não o vi.
O Lobinho latiu e encostou seu nariz gelado em mim.
–Tudo bem garoto, vamos- então o puxei.
Fiquei na calçada com o Lobinho sentado comportado ao meu lado, meus olhos não paravam quietos sempre ia parar no mesmo lugar, para a casa do Ruivo.
Ouvi um murmúrio na casa ao lado e olhei, vi a Calipso, Piper, Li, Charlote e por fim Ambre.
Assim que me viu Calipso abriu um sorriso e começou a acenar.
–Oi Mel! Fe...- Antes dela terminar a frase Ambre puxou violentamente sua trança e sussurrou algo em seu ouvido, a garota arregalou os olhos e pôs as mãos na boca depois murmurou algo de volta que eu entendi por um desculpe.
Olhei aquela cena atentamente, Piper dava um risinho baixo o que me fez acreditar que a Ambre não estava sendo uma megera com a prima e sim a corrigindo de algo, comecei a caminhar até elas.
Piper e Calipso estavam um pouco mais arrumadas que as outras elas iriam sair, Ambre ainda vestia um short de pano leve e com uma blusinha do mesmo jeito o que me fez acreditar que era um pijama.
Charlote e Li me olhavam amarguradas e estranhamente, como se minha aproximação fosse de fato uma surpresa.
–Oi- cumprimentei-as.
Piper e Calipso responderam com um sorriso, as tietes bufaram e olharam pra Ambre esperando um comentário maldoso.
–Tire esse cachorro fedido daqui Melissa- foi à única coisa que ela disse e o Lobinho latiu.
–Ei eu dei banho nele essa semana, não seja má- Brinquei passando a mão na cabeça do meu cachorro.
–Eca- ela resmungou e eu dei um sorriso de lado.
As outras garotas nos olhavam atentas e espantadas, provavelmente esperando os gritos e insultos.
Minha tia chegou e acenou para mim entrando na minha casa.
–Bom pra sua sorte o Binho está indo pra casa da minha tia- expliquei.
–Não sabe como eu sonhei pelo dia que esse pulguento fosse embora!- Respondeu com um sorrisinho.
–É só por dois dias- retruquei.
–Tia!- Olhei para trás e vi a Amy se aproximando.
–Oi Amy- respondi beijando o topo da sua cabeça.
–Oi, oi Binho- fez um carinho no cão que lambeu sua mão- faz cócegas- disse rindo e então olhou para as meninas- Tia Ambre!
Amy era a única das crianças que se lembra da Ambre os menores não se lembram dela, eles eram muito pequenos quando ela ainda vinha na minha casa, o Murilo nem havia nascido pra lembrar, já a Amy era maiorzinha.
Ambre abriu a boca e fechou novamente, Charlote e Li pareciam que estavam vendo uma cena de filme de terror, Calipso e Piper pareciam surpresas mas um pouco felizes, por fim a Ambre sorriu.
–Oi Amy- respondeu a menor fazendo um carinho rápido em sua cabeça.
Um silencio desconfortável se instalou ali, estava tudo tão estranho e tão bom ao mesmo tempo.
–Onde estão seus irmãos?- perguntei pra Amy.
–Ficaram em casa com o papai, eles falam demais sabe- ela disse mais eu não entendi essa ultima parte.
–Falam demais?- perguntei.
–É não sabem guardar um segredo e eles iam acabar falando pra você sobre a...- quando ela ia terminar a minha Tia apareceu.
–Sobre a surpresa que a vovó fez pra você, mas era surpresa né Amy!- a mãe olhou para a filha em advertência- A sua vó fez seu bolo preferido, sabe aquele de morango?
–Ah que delicia!- respondi sorrindo o bolo de morango da vovó era o melhor!
–Ambre?- Minha tia olhou para a Loira que se avermelhou um pouco com a atenção sobre ela de novo.
–Oi Tia Nana- a Loira disse baixo.
–Por Deus garota há quanto tempo não te vejo, anos? Olha o seu tamanho e como ficou bonita!- Minha tia a este tempo já tinha abraçado, beijado e agora apertava as bochechas da garota.
–Obrigada- murmurou envergonhada.
–Outro dia eu estava separando algumas fotos para... Não importa, então, ai eu achei várias fotos suas com a Mel, algumas também tinham o Viktor, tem uma em que você duas passaram maquiagem nele e encheram o cabelo dele de prendedores rosa!
Olhei pra Ambre receosa, não sabia como ela agiria com a menção do nome do Viktor, mas ela fez o contrário do que eu esperava, gargalhou.
–Eu em lembro sim, ele ficou uma semana sem falar com a gente né ratinha?- Ambre ria.
Na verdade ele ficou dois dias sem falar comigo, ele ficou um pouco mais rancoroso com a Ambre que passou batom nele, mas eu não estragaria o momento com essa revelação inútil!
–Verdade- sorri.
–Bom, está pronto Binho?-Minha Tia acariciou a cabeça do meu cachorro.
–Então, nós nos vemos depois, tchau meninas- acenei para as garotas, mas só a Piper e a Calipso responderam, Ambre assentiu com a cabeça enquanto Li e Charlote pareciam fazer imitações perfeitas de estatuas.
–Você ainda está de pijama! Estamos atrasadas Ambre- Ouvi Piper reclamar ao longe.
Caminhei com minha Tia e Amy até o carro dando tchau para o meu cachorro e dando instruções para elas.
O carro estava pronto para partir eu tinha a impressão de estar esquecendo algo, mas não me lembrava, na verdade parecia que eu estava esquecendo muita coisa e uma delas algo muito importante.
Suspirei entrando no carro, todos estavam acomodados e a viagem começou nos primeiros 15 minutos ficamos conversando, nos próximos 15 ouvindo musica e cantando, então finalmente lembrei-me de uma das coisas que eu havia me esquecido.
–Grande matéria fecal! Esqueci meu celular- disse irritada.
–Não tem problema pode usar o meu se quiser- Megan disse.
–Mas e meus contatos?- bufei.
–Eu tenho praticamente todos- Nico respondeu- Qualquer coisa é só pedir para o Armin.
–Mas...- Mas não tem o do Castiel, queria mandar uma mensagem ele mais tarde, talvez ele me ligasse, eu queria que ele me ligasse- Esquece.
Encostei minha cabeça no vidro da janela observando a estrada, depois de uns cinco minutos minha cabeça rodou.
–Mãe, estou enjoada- declarei.
–Aqui- ela disse me estendendo um comprimido e uma garrafa de água.
–Arigatou- respondi e tomei provavelmente eu acorde só quando chegarmos, esse remédio para enjoo somado aos que eu tomo me derrubavam, podiam mexer comigo a vontade, mas eu não acordava por nada.
Mais uns dez minutos tentando não pensar em como o carro se movia ou como a imagem das coisas passavam rápido do lado de fora, e pensando muito em como queria me entender com o Vik e conversar com o Castiel, eu apaguei.
Eu ouvia um murmúrio no fundo, eu não estava mais sentada no banco do carro, eu estava em uma cama, uma confortável cama macia, um silencio reinava no lugar não havia mais vozes mas eu podia ouvir o som de água, na verdade de ondas quebrando na areia, talvez isso explicasse o cheiro forte de maresia, mas eu estava confusa, a casa da vovó não fica perto da praia.
Forcei-me abrir os olhos, aquele remédio sempre me faz dormir, mas dessa vez me fez capotar como pedra.
Abri os olhos, estava um pouco escuro, me sentei na cama e olhei em volta, eu definitivamente não estava na casa da vovó até no escuro e reconheço este lugar, mas o que eu estava fazendo aqui? Será que a aconteceu algo e tivemos que vim pra cá?
Quando me coloquei de pé quase cai, mais porque raios eu estava de salto?! Se bem me lembro eu estava de sapatilha, e se bem me lembro não estava vestida assim!
Será que eu estou sonhando?
Claro que estou, porque mais eu estaria na casa da praia? Mas porque estou vestida assim? nem me lembro de ter esse vestido, esquece Melissa, é um sonho, ele é bonito preto liso com um cinto na cintura (http://3.bp.blogspot.com/-b39vBH4bynw/Up5Z88lhCbI/AAAAAAAAAuY/ckwVT4gs95U/s400/vestido-de-colac3a7c3a3o-de-grau.jpg) , mas ainda sim bonito pra uma festa e combina com o salto vermelho brilhante.
Andei até o espelho e soltei um grito, eu estava maquiada, perfeitamente maquiada, olhos pretos esfumaçados e batom vermelho berrante, ai meu pai amado, Jesus vivo do céu o que raios está acontecendo?!
Tirei o salto e olhei pelo chão do quarto no canto vi minhas sapatilhas vermelhas, coloquei e virei pra porta.
Que horas deve ser? Pela luz fraca que entra pela janela deve ser umas sete horas da noite tentei ligar o disjuntor mais não funcionou abri a porta e vi o corredor escuro, mas o chão não, o chão tinha setas florescentes apontando em direção a escada, ok esse sonho esta cada vez mais estranho.
Acordar em um lugar, que você conhece, mas não é onde deveria estar, sem luz, com uma roupa que não estava, com a cara pintada e sem ninguém ou isso é um pesadelo ou não quero nem pensar porque se eu tiver que pensar vou ter que pensar em quem trocou minhas roupas e rezo pra que não seja algum pervertido!
Segui as setas em passos lentos, passei pelas portas dos quartos dos meus pais e do Nico, mas estavam fechadas, cheguei à ponta da escada e suspirei, minha eterna inimiga, desci com cuidado as setas brilhantes ainda me guiavam, isso era estranho demais, a este momento eu já tinha rezado uns dez Pai Nosso e umas cinquenta Ave Maria!
Cheguei à parte debaixo da casa, a sala estava vazia, junto com a cozinha, não vi os outros cômodos, pois a setas os únicos pontos luminosos estavam indo para ou outro lado, não a porta de entrada, mas sim a porta que dava para o quintal e a piscina.
A porta que dava para fora estava toda pintada com tinta florescente escrito “abra!”.
Isso era assustador, eu estava com medo e rezando pra acordar desse pesadelo, mas como era apenas um pesadelo e logo eu iria acordar, assim espero, abri a porta.
De repente todas as luzes se acenderam coloridas e brancas, iluminando todo o local e eu fui recebida com um coro dizendo.
–“FELIZ ANIVERSÁRIO MEL!”- Olhei espantada para as pessoas a minha frente.
A maioria amigos da escola, infância e família olhei para o meu quintal que estava enfeitado com faixas de parabéns, mesa de doces, salgados, lanches e tudo mais.
Como eu pude ser tão estupida! Esqueci meu aniversário! Quem se esquece do raio do seu próprio aniversário?!
Isso explicava tudo! O porquê todos estavam tão ocupados essa semana, desculpas bobas e esfarrapadas, conversas sem sentido, armaram pelas minhas costas! Se eu tivesse pelo menos entrado no raio do Facebook veria que era meu aniversário, Jesus amado porque não liguei os fatos, vejo que não aprendi nada com o meu caro colega Sherlock.
Olhei para as pessoas ali uma por uma, Mãe, Pai, Alexy, Annie, Percy, Nico, Armin, Nath, Megan, Kentin, Lysandre, Miguel, Leigh... Espera! Miguel?! Voltei os olhos para o moreno sorridente ali, meu coração deu um salto até minha boca.
Se o Miguel estava ali o Castiel também estava! Mas é claro que ele estava ele me disse isso o tempo todo!
Sorri grande, comecei a olhar em volta, meu coração parecia uma escola de samba!
Então eu o vi atrás dos meus pais e do Ale, debaixo do grande Pinheiro, encostado em uma moto vermelha.
Ah como ele estava lindo, braços cruzados na frente do corpo, jaqueta de couro, calça jeans escuro, all star vermelho, cabelos rubros caindo sobre os ombros, seus lábios em uma linha reta e seus olhos, ah que olhos, brilhavam com a intensidade na qual nos olhávamos.
Ele me olhou de cima a baixo e então deu um sorriso de lado, fazendo meu coração derreter e meus lábios abrirem em um sorriso maior ainda!
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