Thinking Of You.
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Eu não acreditei até acordar no outro dia e confirmar com meus próprios olhos.
Não tinha como negar ou desmentir, ali estava à prova, na tela do meu celular brilhava o nome do Castiel, uma ligação perdida e outra atendida.
Até olhar meu celular e ver que era verdade, para mim não passava de um sonho muito mais muito estranho mesmo.
“Um barulho insuportável estava atrapalhando meu sono, eu havia tomado um remédio para que dormisse a noite inteira, então meu corpo estava visivelmente pesado, tentei ignorar o barulho mas ele não parava era muito insistente.
Levantei minha cabeça meio zonza e achei o dono daquele som irritante, meu celular, atendi e esperei alguém falar algo mas eu só ouvia alguns gritos, musica e muito barulho.
–Alô?- Tentei chamar a atenção da pessoa do outro lado da linha, mas nada, podia ouvir o barulho de fundo e só- Oi?
–Me-melissa?- A pessoa do outro lado da linha gaguejou, tinha a língua um pouco enrolada, não reconhecia sua voz.
Ouvi uma gargalhada alta no meio do barulho parecia um pouco feminina.
–Hã?- Eu disse ainda com sono- Sou eu, quem é?
–Castiel- Sua voz agora estava mais firme, um pouco enrolada, mas era sua voz com certeza.
–Ca-Castiel?- Eu estava na ponta da cama e acabei caindo no chão gaguejando seu nome.
–Melissa? Melissa?- O ouvi me chamar- Você está bem?
–Ah sim estou- respondi me arrastando pra cama
–Butch ela tá falando com uma tal de Melissa!- Ouvi mais uma vez uma garota que parecia estar próxima gritando para outra pessoa, mas porque é que ela estava falando meu nome?
–Aconteceu alguma coisa Castiel? Não consigo te ouvir direito está muito barulho- perguntei preocupada, esse barulho no fundo não sessava.
–Porque você fez isso pequena?- disse de uma maneira triste que algo no meu peito doeu- A culpa é totalmente sua!- Esbravejou e eu dei outro salto com um susto- Desfaça! Desfaça! Não aguento mais você dentro da minha cabeça brincando comigo! Desfaça!
Eu dentro da cabeça dele? E o que eu tenho que desfazer? E porque a culpa é minha?
–Castiel! O que tá acontecendo? Você está bem?- perguntei tentando entender.
–Não venha me perguntar se eu estou bem se você não se importa! Só quero que você desfaça essa porra!- Oh aquilo doeu, não queria que ele pensasse que eu não me importava, era totalmente o contrario eu me importava até demais.
–Castiel eu... Não é assim...- Mas antes de eu terminar uma voz diferente parecia estar do outro lado da linha.
–Castiel você sabe muito bem que não se deve ligar quando está bêbado- Se o Castiel fosse menina sua voz seria assim, pois a garota esbanjava sarcasmo e grosseria, mas eu ainda não entendia até ela falar comigo- Oi, ele liga pra você quando estiver sobreo garota- disse e desligou na minha cara, aquela voz não me era estranha.
Sobreo?
Não tive mais tempo de pensar, meu corpo se jogou na cama exigindo que eu dormisse e foi o que eu fiz.”
Mas agora eu olhava confusa para o celular, o fato era Castiel estava bêbado, em algum bar ou festa, e por algum motivo me ligou com muita raiva.
Eu não sabia direito o que pensar se ele tinha me ligado assim era alguma coisa, ele disse coisas muito confusas como “Desfaça!” ou a “Culpa é sua”, mas a parte “Não aguento mais você dentro da minha cabeça brincando comigo” de algum modo é até reconfortante de algum modo é como se ele estivesse pensando em mim não é? Bem, agora ele provavelmente me odeia, me acha uma ingrata, me ajudou tanto e eu simplesmente cai fora.
Novamente eu não sei dizer se isso é uma coisa boa ou não era isso que eu queria, queria que ele se afastasse, mas também não quero que ele me odeie.
Aquela dor esquisita de novo se fez no meio peito, não entendia esse tipo de dor, sou acostumada com dores físicas são mais fáceis de lidar.
Deitei suspirando, depois que o Ale foi embora ontem Megan veio e conversou um pouco comigo, disse que o Nathaniel tinha chamado para ir tomar um sorvete qualquer dia da semana, eu fiquei muito feliz por ela, depois subimos e jantamos com o Nico e meus pais, ficamos assistindo TV eu decidir dormir, meu corpo exigia muito de mim.
O que eu faria agora? Cruzei os braços sobre os olhos, o que há comigo? Sei muito bem o que vou fazer agora, me levantar e cuidar da minha vida.
E assim foi aquela semana, segunda meus pequenos vieram e fizeram a festa, mas era o ultimo dia que eles viriam, e resto da semana foi normal, só que não fui caminhar no parque, utilizei a academia de casa mesmo, queria evitar algum encontro com o Castiel, não ia mais a casa do Binho durante a manhã, muito menos a noite, não quero que ele grite comigo mais uma vez, ou me ignore- O que seria bem pior-.
Acabei não saindo de casa, convenci Megan levar o Binho para passear enquanto caminhava com o Nathaniel.
Viktor como sempre me ligou todos os dias, era reconfortante falar com ele, Annabeth também ligou contando sobre o encontro magico com o Percy, finalmente assumiram o namoro, Rosa ligou pedindo explicações e assim como Alexy ficou furiosa comigo, Annabeth só disse que eu estava fazendo besteira, mas eu não posso mais voltar atrás.
Nico estava mais excluído ainda aquela semana, mal saia do quarto, eu tinha suspeitas da sua baixa estima, mas não poderia ajuda-lo muito naquela situação e nem acho que ele queira eu me metendo, as vezes ele vinha para meu quarto e deitava na cama comigo sem dizer nada, um sendo o apoio do outro sem abrirmos a boca.
Durante o dia eu tentava me concentrar ao máximo no que eu fazia, não passava nenhum tempo ocioso, pois se não começaria e pensar e meus pensamentos ultimamente só me levam a um garoto, eu deixava meus pensamentos vagarem por onde eu queria somente quando eu deitava na minha cama, ali eu poderia deixar minhas preocupações e medos extravasarem sem preocupar ninguém.
Mas ainda sim não entendo o que há comigo... É como se eu tivesse perdido alguma coisa muito importante, não acho seja o Castiel, é impossível que seja ele! Três dias! Não tem como uma pessoa que eu conheci e vi somente três dias faça tanta falta assim, mexa com a minha cabeça dessa maneira.
O tempo durante a semana não foi um sol agradável com uma brisa leve, amanhecia com o tempo nublado começava a garoar na hora do almoço, depois caia uma chuva forte com vento, e ia assim até o raiar do dia, acho que foi o temporal agressivo, céu nublado e raios e relâmpagos que me faziam lembrar cada vez mais do vizinho, seus olhos cinza, sua personalidade, sua voz grossa, seus toques, não me deixando de lembra-lo nem por um dia.
Finalmente chegou sexta, acordei com calor, eu estava enrolada com o meu edredom vermelho, noite passada estava frio mas parece que a temperatura está um pouco diferente está manhã, levantei da cama com preguiça, me arrastei para o banheiro e tirei a roupa.
As manchas do meu corpo haviam sumido ao longo da semana, não tinha nenhuma recaída, vômitos ou noites mal dormidas por causa de dores, eu estava bem Graças a Deus.
Tomei um banho relaxante, sai do banheiro mais desperta, coloquei um short e uma camisa de alguma banda que eu não vi qual era.
Sai do quarto e fui para a cozinha, pude sentir um cheiro bom vindo de lá.
Assim que entrei encontrei minha mãe e meu pai juntos na cozinha, preparando o café, fiquei a observa-los durante um bom tempo, adorava fazer isso, eles pareciam cada vez mais apaixonados, evitavam ao máximo brigas e discussão na nossa frente, nunca ouvi um levantar a voz para o outro, não que eles não tenham os problemas deles, porque todos tem, mas eles sabem li dar com isso com muito respeito e amor.
Meu pai abraçou minha mãe por trás enquanto ela fritava ovos, dando beijos em seu pescoço arrancando gritinhos engraçados dela.
Sabe aquela sensação de Dejavú? Pois é, estava sentindo isso agora, lembro-me do Castiel me aborrecendo e me abraçando por trás o tempo todo enquanto eu cozinhava, fazendo brincadeiras, enquanto eu ria e reclamava.
Como em cinco dias eu não consegui esquecer um cara que eu conheci em apenas em três? Isso é normal?
–Mel, não vi você chegar- Minha mãe disse afastando meu pai enquanto jogava um pano nele.
–É claro que não viu- dei um sorriso de lado e as bochechas da minha mãe adquiriram um certo tom avermelhado.
Meu pai preencheu a cozinha com a sua gargalhada e deu um beijo no rosto da minha mãe.
–Melissa, não deixe sua mãe parecendo um pimentão!- Meu pai sorria.
–Eu não estou parecendo um pimentão!- Minha mãe foi ficando mais corada.
–Está sim- a voz sonolenta do meu irmão se fez presente- Ohayo.
Olhei para trás e o Nico estava ali, com uma calça moletom cinza, camisa negra, cabelos negros despenteados, olhos azuis brilhantes e cansados, ele coçava um dos olhos com as costas da mão, fofo.
–Ohayo Ni-chan – eu disse e ele veio até mim e me abraçou, ele esta crescendo.
Eu não era a pessoa mais alta mais também era dois anos mais velha que o Nico, só mais uns cinco centímetros ele me alcançava.
–Bom dia querido- minha mãe virou e continuou cozinhando e meu pai a perturbando, roubando pedaços de comida e beijos.
–Vocês poderiam ser menos barulhentos- Megan apareceu apesar de sua expressão neutra seus olhos brilhavam mais do que nunca.
–A dorminhoca apareceu- meu pai praticamente gritou só para a irritar.
–Você com certeza é o pior- Megan puxou uma cadeira e sentou bufando.
Demos risadas dela e começamos a preparar as coisas para comer.
Não sei se é algo de família ou um imã meu, ou até uma desgraça para a Megan, ou até uma preferencia minha, mas minha família e amigos são extremamente barulhentos, vivem gritando e falando alto.
Foi assim até o fim do café, meu pai irritava Megan tirando risadas minhas e do Nico que parecia melhor aquela manhã, minha mãe o repreendia e sempre enfiava comida na sua boca, só que segurava o riso escondido de Megan.
–Ah me lembrei- mamãe desviou nossa atenção do papai imitando Megan para ela- A vovó Madge ligou e nos cobrou uma visita, iremos amanhã à tarde tudo bem?
–Porque eu sinto que não tenho escolha?- Meu pai questionou emburrado.
–Qual é papai, não quer visita à sogrinha?- Megan aproveitou para alfinetar meu pai.
–Quem é que não quer visitar a adorável sogra no final de semana?- Meu pai deu o seu sorriso mais forçado, resmungando logo depois.
–Pois é, quem não quer né querido? Aposto que está morrendo de saudade da Mamãe- minha mãe deu um sorrisinho.
–Sim, morrendo- A expressão do meu pai era pura tristeza.
Foi a vez da Megan gargalhar alto, mas parou assim que seu celular começou a tocar, ela olhou para a tela e corou, não precisava ser um adivinha para saber quem era que ligava.
–Não vai atender querida?- Minha mãe perguntou, Megan olhava congelada para o celular.
–S-sim, vo-vou- Começou a gaguejar, mas respirou fundo e atendeu- Alô?
Todos olhavam atentos para ela a fazendo corar muito.
–Estou bem- ela respondeu depois de um tempo- Sim, eu vi está um tempo ótimo- ela desviou os olhos do meu pai quem perguntava quem era silenciosamente- N-não, não vou- De repente a garota ficou escarlate- É... E-eu- ela começou a gaguejar desesperadamente eu e Nico dávamos risinhos baixos e mamãe nos repreendia com um olhar- Não, não é isso, eu quero sim!- disse mais alto e de pressa- Ok, então até mais tarde, tchau.
–Então...?- Meu pai tinha seus olhos vidrados na filha, ali não era o de antes brincalhão e irritante, era o Pai.
–O que?- Megan questionou envergonhada.
–Quem era? E o que queria?- Meu pai perguntou sério.
–Porque você quer saber?- Megan questionou e meu Pai a olhou mais sério e ela bufou- Era o Nathaniel, ele me chamou para ir tomar sorvete, posso ir?- Megan falava baixo com as bochechas levemente coradas.
–Claro filha!
–Não!
Minha mãe e meu pai disseram ao mesmo tempo, meu pai olhou indignado para minha mãe, mas ela o olhou ameaçadoramente, os dois tiveram uma conversa entre olhares e meu pai bufou irritado.
–Vai- ele deu com os ombros- Mas que horas você vai e quando volta?
–Vou depois do almoço e não vamos nos demorar, é só um sorvete- ela murmurava.
–Estou de olho em você e nesse vizinho viu- meu pai disse ainda sério.
–O nome dele é Nathaniel e você o conhece bem, ele não é qualquer moleque- ela disse entre os dentes.
Meu pai deu com os ombros e Megan se retirou da mesa emburrada.
–Nico você não está fazendo seu trabalho direito- meu pai reclamou.
–Estou fazendo o máximo que eu posso ninguém mandou você ter duas filhas e um filho só, já foi bem difícil ficar de olho naquele ruivo no sábado- Nico disse e eu fiquei purpura de raiva.
–É verdade, talvez você devesse se concentrar mais nele do que no loiro, querendo ou não Nathaniel é um bom garoto- Meu pai e Nico agiam como se eu não estivesse ali escutando essas barbaridades.
–Sim, mas eu não fui muito com a cara do novo vizinho- Meu irmão disse de boca cheia.
–Eu tinha até gostado um pouco dele, ele me lembrou de eu mesmo quando mais novo, mas deveria ter prestado mais atenção, ele não é o garoto certo pra Mel- meu pai tinha a mão no queixo pensativa- Na verdade, nenhum é.
Olhei indignada para a minha mãe, que fazia uma careta para os dois ali na mesa.
–Vocês dois são patéticos!- Disse irritada me levantando bruscamente, fui em direção à saída mais antes me virei para meu pai e meu irmão que me olhavam estupefatos- E só mais uma coisa, Castiel é tão bom garoto quanto o Nathaniel.
“Mentirosa!” minha consciência gritou, eu sei que é mentira retruquei para mim mesma enquanto voltava para o meu quarto, Nathaniel é totalmente o oposto do Castiel, mas eles não sabem o que eu sei sobre o Castiel, eles não sabem que ele não conhece os carinhos mais comuns, que ele parece um anjo cantando, que ele pode ser estourado e grosso mas tem um bom coração e se preocupa com as pessoas, apesar dele ser um pervertido sente ciúme muito fácil.
Outro aperto no peito.
Acho que estou sentindo a falta dele, mas o Castiel tem os seus próprios problemas e conflitos, e também eu não posso me dar ao luxo de ficar com o Castiel, com certeza tenho mais problemas emocionais, psicológicos e físicos que ele e dar trabalho pra alguém que já tem não vai dar em nada a não ser um final não tão feliz.
Joguei-me na cama, preciso melhorar minha desculpa para mim mesma estão ficando cada vez pior.
–Eu sinto falta dos beijos dele- disse baixo passando os dedos nos meus lábios, lembrando do toque dos dele- Eu sou uma idiota- pressionei o travesseiro no rosto- Mas não adianta voltar atrás- resmunguei- Ele só me ligou no domingo a noite porque estava bêbado, depois disso nem se importou, talvez ele não ligue mesmo, talvez eu tenha sido só mais uma, Castiel é bonito não precisa se esforçar pra achar alguma garota bonita e que não seja problemática como eu.
“Melissa” o seu sussurro sofrido e carregado de prazer penetrou na minha mente, fazendo meu rosto esquentar.
Fechei meus olhos e deixei aquela lembrança invadir, parecia que ele estava ali chamando meu nome, podia ver seus olhos escurecendo de prazer, sua respiração ficando descompassada...
–MELISSA!- Abri os olhos e vi Megan quase encima de mim, balançando os braços na minha frente- Francamente Melissa, você está muito preguiçosa ultimamente, não sai mais de casa, só lê, dorme, come e joga vídeo game o dia todo.
–Eu também faço quase duas horas de exercício por dia- disse me sentando na cama.
–Sei- revirou os olhos- e o que aconteceu entre você e o vizinho novo? Parecia que estavam se dando tão bem- sentou também na minha cama.
–Nada- dei com os ombros- ainda nos damos bem- menti.
–Pensei que ia ser uma semana difícil com você- ela disse pensativa- pensei que iriam se encontrar na caminhada, ou ele viria aqui em casa te ver que vocês iriam ter seus encontros escondidos lá na casinha do Lobinho.
–Pensou errado- resmunguei.
–Estranho ele pareceu gostar bastante de você- ela disse pensativa.
–Megan, Castiel é um garanhão, ele é o tipo de garoto que fica com várias, ele não se importa comigo e eu não quero ser mais uma- disse um pouco mais alto.
–Ele disse isso ou você tirou essa conclusão?
–Até um cego sabe disso- retruquei.
–Ou você simplesmente o está afastando por causa da sua...
–Andou falando com o Alexy?- eu a interrompi.
–Não, por quê? Deveria?- ele levantou a sobrancelha e eu ri- Do que você está rindo?
–Você fez que nem o Castiel agora- disse entre os risos- Levantou sua sobrancelha enquanto fazia um pergunta.
–Mels me diga que você não deu uma bota nele- ele pediu e eu olhei para a parede cheia de fotos do meu quarto, pareceu mais interessante do que já é- Mels você também merece ser feliz, qual é o problema em dar uma chance para o Ruivo?
–Meg não é tão simples, Castiel tem seus próprios problemas não precisa demais nenhum- disse sem olha-la.
Ela virou meu rosto e me olhos nos olhos, seus olhos castanhos estavam sérios.
–Nunca mais se refira a você mesmo como um problema, todos nós te amamos, e por você passaríamos o que for então não diga essas coisas, nem se trate dessa maneira.
Eu simplesmente assenti, Megan é incrível, é o que eu sempre digo às vezes ela parece a irmã mais velha.
–Agora será que pode me ajudar a escolher algo pra sair com o Nathaniel?- Ela tinha olhinhos brilhantes e bochechas avermelhadas.
–Claro!- Sorri me levantando.
Nunca pensei que iria ter um momento garotas com a Megan, ela sempre foi tão madura e cheia de si, pouco se importando com essas coisas, eu não me importava mas ter amigos como Alexy e Rosa você acaba começando a gostar um pouco dessas cosias.
Já estávamos a quase uma hora vestindo e tirando roupas, brincando e conversando.
–Não acredito que estão fazendo isso sem mim- Minha mãe estava na porta com os braços cruzados e um bico.
Demos risadas e a puxamos para o quarto, depois de muito tempo o guarda roupa de Megan estava todo sobre sua cama, eu estava deitada no chão sobre o tapete, minha mãe na cadeira do computador girando de um lado para o outro e Meg no puff no chão.
–Hoje é sexta não é?- perguntei olhando para o teto.
–Sim- Megan respondeu.
–Então porque você não está no trabalho Mãe?- Olhei para a morena que estava sentada em uma cadeira.
–Mandei seu pai na frente, vou depois do almoço- Respondeu.
–Em falar em almoço já está na hora- Megan disse olhando para mim.
–Ela tem razão Mel- minha mãe olhava para mim.
Revirei os olhos bufando e me levantei.
–Ok, eu vou fazer o almoço, enquanto isso vocês duas arrumem essa bagunça- Disse mandona fazendo elas rirem e baterem continência.
Porque eles sempre batem continência pra mim? Talvez eu devesse ir pro exercito, quem saiba eu me de bem lá.
Nico estava na sala, metralhando alguns zumbis.
–Até que fim apareceu, pensei que não ia vim jogar comigo hoje- Ele disse sem desviar seus olhos do jogo.
–Vou fazer o almoço agora- respondi indo pra cozinha.
Liguei o som ali da cozinha e comecei a cozinhar, me mantinha concentrada no que fazia não deixando minha mente vagar para o seu quartinho preferido, um que ela havia descoberto recentemente.
Quando terminei, vi que a mesa já estava posta e minha mãe e meus irmãos estavam sentados conversando animadamente.
–Está pronto- chamei a atenção dos demais.
Arroz, feijão, frango cozido com batatas e legumes refogados era o nós almoçávamos.
Quando minha mãe terminou, vi que ela já estava pronta para o trabalho, se despediu de nós e desejou boa sorte pra Megan, que ia ser arrumar para o encontro.
Logo depois Megan aparece correndo pela entrada da cozinha, ela vestia uma saia azul com babados, regata branca e sapatilhas, mas não parecia contente nos braços tinha três livros grandes.
–Eu esqueci! Peguei esses livros semana passada e preciso entregar hoje, só que...- Ela se referia ao encontro- Nico leva por favor?
–Não dá vou ir pra casa do Armin agora- ele olhou sério pra ela.
–Eu vou- disse por fim- Aproveito pra levar os meus livros e pegar mais alguns também.
–Ah! Obrigada Mels- Megan sorriu abertamente, Nathaniel tinha sorte, ela é linda.
Ela deixou os livros na mesa e sentou, mas assim que sentou deu um salto da cadeira, a campainha tocou.
–Deve ser ele- ela se levantou sorridente.
Saiu como um raio para fora de casa, eu e Nico só demos risadas, mas logo depois ouvimos passos e Megan voltou com uma expressão diferente, animada e receosa ao mesmo tempo.
–Que foi? Não era ele?
–Não- resmungou.
–Quem é então?- Nico perguntou.
–O Castiel- ela olhou para mim e eu tremi involuntariamente.
–O-o Ca-castiel?- Gaguejei como idiota.
–Sim e ele quer falar com você- ela sorriu um pouco.
–Não- disse rapidamente- fala que não estou em casa!
–Já disse que estava- ela retrucou.
–Então diga que estou dormindo, nisso ele vai acreditar- disse rápido.
–Não acredito que você está fugindo dele- Megan disse injuriada.
–Melhor pra mim- Nico disse.
–Cala a boca- Megan e eu dissemos ao mesmo tempo.
Ouvi um bipe e minha irmã pegou o celular, leu algo e sorriu.
–Ele chegou- seus olhos brilharam.
–Ótimo! Aproveita e manda aquele Ruivo de araque pra casa- respondi e ela me olhou brava- O que é? Vai deixar o seu amorzinho esperando?
–Não- ela resmungou e saiu- e ele não é meu amorzinho- reclamou ao longe.
–Que história foi essa de Ruivo de araque?- O menor ali perguntou.
–Nada- resmunguei.
–Ele te fez algo?
–Não.
–Então porque você não quer ver ele?
–Não te interessa- disse por fim me levantando da mesa.
Ele estava aqui, ele estava aqui, ele estava aqui!
Eu sei, retruquei comigo mesma, mas você queria que ele viesse não é? Mostrasse que se importa! E ele veio!
Eu quero que ele me esqueça, resmunguei pra essa coisa dentro da minha cabeça.
Mentirosa me respondeu e eu ignorei.
Entrei no quarto e comecei a caçar os livros, tentando não pensar em mais nada, depois de um tempo de procura achei os cinco livros.
Tenho que confessar para vocês uma coisa, sou rata de biblioteca, se pudesse ficaria lá, o que é melhor que um lugar cheio de livros maravilhosos e silencio?
Eu sei aquela vozinha de novo disse na minha cabeça.
Ignorei-a, peguei um elástico de cabelo e prendi a minha juba, olhei minha camisa e vi que estava um pouco suja, segundos depois eu puxei outra, ela era de banda também mas tinha um toque Rosa e Alexy nela, mangas cortadas, ombro caído e Spike, essa eles não cortaram de modo que aparecesse a barriga, fizeram isso com uma pegando uma parte do símbolo da banda fiquei furiosa.
Tomei o meu costumeiro coquetel de remédios e sai do quarto, carregando os livros pesados, cheguei à cozinha e o Nico estava lavando a louça.
Sorri com isso, sabia muito bem que fazer coisas que ele odeia é um modo de se desculpar, fui até ele e dei um beijo no seu rosto.
–Estou indo na biblioteca ok?
–Ok, quando eu terminar aqui vou lá no Armin- respondeu.
–Mande um beijo para o Armin e para o Alexy então.
Peguei os livros da Megan encima da mesa e uma das chaves de casa.
Sai de casa e logo escutei risinhos nada simpáticos.
–Olha quem está ali Ambre- Li falava e passava de batom ao mesmo tempo.
–Estudando nas férias? Que vida tediosa a sua Meli- Charlote dizia rindo.
Ambre não me olhava, continuava tentando abrir o portão de casa.
–Ambre?- Li parou de passar o batom e olhou para Ambre.
–Viu quem tá ali Ambre? É a Melissa, cheia de livros! Menina esquisita- Charlotte dizia.
–Calem-se e entrem logo- Ambre abriu o portão, elas a olharam surpresa e entraram.
Ambre olhou para mim e piscou o olho, entrando atrás das outras.
–Ambre...- Disse baixinho fechando meu portão.
Sai sorridente a caminho da biblioteca, tem coisas pequenas que simplesmente deixam o seu dia mais alegre, não ligava mais para o peso dos livros, curtia a brisa suave que estava passando.
Na calçada do outro lado fica o parque, se eu continuar descendo a rua chego à biblioteca, eu já disse que tudo fica muito perto de casa?
Caminhei tranquila até a biblioteca, eu estava feliz de verdade, só de pensar que um dia eu e Ambre voltemos ser amigas me deixa animada.
Cheguei à biblioteca e logo avistei Melody atrás do balcão, cabelos castanhos, olhos azuis, saia branca e camisa azul, ela trabalha na biblioteca, como invejo esse emprego.
–Oi Mel- sorri colocando os livros no balcão.
–Oi Mel- ela disse e nós duas rimos.
–Aqui os meus livros e os da Megan.
–Que milagre que a Megan não veio trazer- Ela disse verificando os livros.
–É que ela saiu para um...- DROGA!
Não posso falar que ela saiu em um encontro, se não Melody vai querer saber e se ela souber que foi com o Nathaniel vai ficar chateada, todos sabem do amor platônico dela pelo Nath.
–Para um...?- Perguntou me olhando.
–Compromisso com a minha mãe- menti.
–Ah sim- ela sorriu- Tá tudo certo, vai levar mais algum?
–Claro- sorri- vou escolher.
Depois disso vaguei entre as prateleiras, para achar algo que eu não li e que me chame atenção, as prateleiras de livros eram altas, subi em um banquinho que tinha ali pra ver alguns livros que estavam mais altos.
Passei os dedos pelos livros lendo seus títulos, ouvi um barulho e olhei pela frente por cima dos livros que dava acesso ao corredor de trás, mas não havia nada, dei com os ombros.
Puxei um livro e li a sinopse, não me interessou completamente, mas assim que eu coloquei me deparei com um par de olhos cinza, com o susto acabei caindo de bunda no chão.
Ouvi passos apressados, e no final do corredor ele apareceu lindo como sempre, calça jeans, camisa vermelha e jaqueta de couro.
Vi um brilho estranho nos seus olhos, às palavras “Raiva”, “Felicidade” e “Tranquilidade” dançavam encima da sua cabeça.
–É o que dizem quem procura acha- Ele sorriu mas não um sorriso gentil ele estava furioso comigo- E eu procurei você e te achei.
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