Thinking Bout You [HIATUS]
5 Capítulo 5 - É bom reencontra-lo também mini Grimes.
Notas iniciais
ALGUNS MESES DEPOIS
Pov Autora’
Katherine dormia. Um dos poucos momentos que consegue ficar sem pensar nele ou nas pessoas daquela prisão é quando está dormindo. Mas não por muito tempo, já que Judith resolveu acordar. E com Judy acordada é impossível continuar dormindo.
O bebê logo começou a chorar fazendo Kate acordar para pegar a garota. Levantou ainda sonolenta e deu poucos passos até chegar até o berço de sua mais nova ‘’filha adotiva’’, ou pelo menos era assim que a chamava em sua mente. Mal passava das cinco da manhã e Katherine ainda estava com sono, balançava o bebê e cantava uma canção de ninar para tentar acalmar a garota.
Era sempre assim. Desde aquela noite, aquela noite que voltou a prisão e encontrou a criança. Pensava que de alguma forma Judith ainda sentia falta de seu pai e das pessoas que a rodeavam em seu antigo lar, mas o que ela poderia fazer? Ficou um bom tempo tentando acha-los mais ficar lá fora estava ficando cada vez mais perigoso, ainda mais quando se tem um bebê de colo para cuidar. Eles poderiam até estar mortos. E se continuasse lá iria acabar morrendo também. Então não teve outra escolha, teve que voltar a sua comunidade e fingir que nada aconteceu.
–Flashback on-
Pov Katherine’
Encostei minha cabeça na arvore atrás de mim e fui deixando meu corpo escorregar até acabar sentada naquele chão duro. As lagrimas já desciam livremente pelo meu rosto já que eu não fazia questão de evita-las. Já era a terceira vez no percurso de volta a prisão que eu parava para chorar. Como eu pude ser tão burra?
Desde o começo quando eu comecei a me envolver demais com eles eu deveria ter falado a verdade. Mas eu já quebrei o protocolo da comunidade tantas e tantas vezes que é capas deles me expulsarem caso aconteça de novo.
Uma explosão interrompe meus pensamentos. Levanto a cabeça para ver de onde vem e meu peito já começa a se apertar ao perceber que é de lá. ‘’Deve ter sido só um acidente’’, tento me convencer. Mas no fundo, lá no fundo ainda sinto que tem algo errado. Me levanto apressadamente e começo a correr em direção à prisão, meus ouvidos já captam um som conhecido. Tiros e gemidos.
A minha esquerda há uma das maiores hordas que eu já vi indo pra lá. Não vou conseguir passar por eles e mesmo assim ainda está muito longe. Decido parar e esperar a horda passar.
**
Quase uma hora e meia depois a horda finalmente acabou. Nunca tinha visto uma assim tão grande e espero que ela tenha se desviado, porque caso contrario com certeza seria um problema para eles.
Caminhei durante um longe tempo, já tinha anoitecido e eu sei que fica andando pela mata durante a noite é extremamente perigoso, mas não posso parar. Não agora que já estou tão próxima.
As arvores já vão ficando para trás e já posso ver uma das torres da prisão. Destruída. Ainda saia uma fumaça branca, e assim que meus olhos desceram para o pátio eu tive a pior visão da minha vida. Tudo... tudo acabou. Cheguei tarde demais.
Havia um tanque de guerra tombado do lado de dentro dos muros, a maioria das cercas estava no chão e as paredes e portões estavam destruídos. Dezenas de walkers vagavam por lá e não tinha sinal de nenhum deles, pelo menos nenhum vivo.
Comecei a caminhar para dentro. Eu precisava ver, precisava saber. Eles não podiam estar todos mortos, não podiam. E mesmo se estivessem... se estivessem como essas coisas que andam por aí é a minha obrigação dar um fim nisso. As lagrimas invadem meu rosto de novo. A quem estou querendo enganar? Todos devem estar mortos.
Mas um som confirma o contrario. Um choro extremamente conhecido ecoa por aquele pátio cheio de mortos. Eles logo escutam e começam a seguir o som e eu sigo também. Caminho entre eles e eles sequer me percebem, já que estou coberta de sangue e tripas devido ao meu pequeno surto ontem de querer descontar de alguma forma a minha raiva.
Limpo as lagrimas do meu rosto assim que vejo. Não é hora para chorar, é hora para ser forte. Judith está aparentemente no alto de uma das torres que não foi destruída. Mas... como ela chegou lá? Bom, isso é irrelevante agora.
Alguns walkers se acumulam em volta do local, mas inteligentes do jeito que são não percebem a porta que por sorte, esta fechada. Abro e fecho rapidamente a porta a tempo de que nenhum deles entre mais sou surpreendida por trás. Uma mão fria toca meu ombro e por instinto minha faca já está pronta para ser enfiada na cabeça da coisa. Mas não é uma coisa, é um alguém.
–- Sou eu. -Ethan fala extremamente baixo que tive de fazer um esforço para ouvir. Ele está totalmente pálido e é impossível não notar a mordida ensanguentada em seu ombro. Eu imediatamente o pego no colo e o abraço.
–-O que... o... o que aconteceu meu amor? -Pergunto gaguejando entre soluços, mas antes que ele possa me responder me lembro da pequena lá em cima e começo a subir a escada com ele nos braços.
Judith está no chão enrolada em uma mantinha e um cobertor velho. Chorava muito, fiz um carinho em sua bochecha e ela se calou, me fitando com aqueles grandes olhos azuis. Ethan ainda estava em meu colo e eu não tinha como pega-la, mas parece que ela entendeu isso.
–-Mamãe... eu estou com medo. -Ethan disse se soltando de meus braços e me encarando. Seus olhos só demonstravam isso, medo.
–-Não precisa ter medo, eu estou... estou aqui agora. –Disse tentando conforta-lo. Eu tinha que dar um jeito, precisava sair dali, logo aqueles walkers lá fora derrubariam a porta. Mas como sair com um bebê e uma criança mordida? Eu daria um jeito... Mas antes precisava saber o que aconteceu. –-Pode contar pra mamãe o que aconteceu agora?
–-Chegou um tanque de guerra e muitos carros... você viu? –Assenti. –-O homem que tava no tanque era mau. Ele machucou Hershel com a espada da tia Michonne. Tinha muito barulho e estavam levando eu e as outras crianças para o ônibus, mas eu pecercebi que a Judy não tava lá e fui pegar ela. Quando eu voltei o ônibus já tinha ido, e eu não vi mais ninguém, só aqueles bichões feios. Eles vieram atrás de mim e da Judy, eu consegui deixar ela aqui, mas olha. -Ele mostrou a mordida. –-Um daqueles bichos me mordeu. Eu sei o que acontece quando é mordido... Eu sabia que não podia mais ficar perto da Judy, então tranquei ela aqui e fiquei lá em baixo.
O abracei. Como uma criança de quatro anos poderia fazer... falar... saber tudo isso? Não sei o que pensar. Pego Judith no colo e com o braço livre o abraço de lado. O que eu poderia falar para ele agora?
–-Sabe... você é uma boa mamãe... -Ele disse em um tom mais baixo e forçado. Desde aquele dia ele passou a me chamar de mãe, foi um tanto que constrangedor no começo, mas depois eu me acostumei e passei a o chamar de filho. Estava tudo indo bem... até eu me descuidar e ferrar com tudo.
–-E você é um bom filho. -Ethan sorriu de lado. Ele estava cada vez mais pálido. Estava acontecendo... Deixei Judith que já dormia no chão e o levei no colo para o outro lado da torre. O deitei no chão e o cobri com o cobertor que antes a pequena Grimes estava enrolada.
–-Mamãe?
–-Sim?
–-Está doendo. -Ouvir aquilo e não poder ajudar é como se uma faca estivesse sendo enfiada no meu coração. Quem diria, Katherine Austen se sentindo como mãe.
–-Dorme... pode dormir que passa. -Limpei a lagrima que escorria teimosa pelo canto do meu olho. Ele assentiu. –-Sabe, eu tenho tanto orgulho de você... Você salvou a Judith sabia? E sabe... eu amo você. -Eu amava aquele garoto. Sim, depois de tantos meses naquela prisão eu amei tantas pessoas dali. Mas Ethan... é inexplicável o laço que criamos.
–-Eu amo você também.
E então ele fechou os olhos. Fechou os olhos para sempre. Ah como eu queria poder fazer isso também. Mas eu não podia, teria que ser forte de agora em diante por ela. Tem outra vida agora dependendo de mim.
–Flashback off-
Pov Autora’
O Sol já havia nascido mais Katherine não tinha conseguido dormir. As lembranças lhe invadiram e contra elas ela não podia lutar. Fechou os olhos mais uma batida na porta a fez os abrir rápido. Caminhou até a porta e a abriu.
–-Oi senhorita Austen, vim para pegar sua filha. Posso entrar? -Disse uma Jessie sorridente e Kate a deixou passar. Sempre que saia em missões Jessie ou Dona Amélia cuidavam da pequena Judith, e hoje seria um dia desses. Iria até o centro buscar suprimentos com Scott hoje, mal sabia que não era só os suprimentos que traria para casa naquele dia.
–-Bom dia Jessie, ela ainda está dormindo. Mas pode ficar aqui e esperar ela acordar, vou me trocar. -Kath falou fingindo-se de educada. A verdade era que não suportava Jessie nem seu marido, mas era uma das poucas pessoas disponíveis para cuidar de bebês ali.
Andou até o quarto deixando Jessie sozinha na sala. Judith dormia calmamente agora em sua cama. A morena abriu a porta do closet e pegou a primeira roupa que viu pela frente. Sentou-se em frente à penteadeira e mais bagunçou seus cabelos negros com a escova do que penteou. Fez sua famosa maquiagem pesada preta nos olhos e foi atrás de suas inúmeras armas espalhadas pela casa.
**
Kate e Scott tinham acabado de limpar o supermercado em que se encontravam e já estavam prontos para voltar pra comunidade quando ouviram um barulho de tiros e mais tiros.
–-Devemos ajuda-los? -Scott virou-se para encarar Kath que tinha se mantido quieta a maior parte do tempo.
–-Eu não sei... -A verdade é que não estava nem aí para isso. Estava alheia a tudo ao seu redor hoje. –-O que você acha?
–-Acho que deveríamos dar uma olhada.
–-Então vamos.
Scott dirigiu o Jipe na direção dos tiros enquanto a mulher atirava nos walkers mais próximos do carro. Jipes são carros muito abertos, então todo cuidado é pouco.
Assim que viraram uma esquina logo puderam ver de logo um grupo um tanto grande enfrentando uma horda de uns 150 walkers. Eles agora haviam parado de atirar, provavelmente pelas balas terem acabado.
–-Vamos até lá? -Scott perguntou.
–-Estão encurralados. Se não fomos vão acabar morrendo.
Então o garoto dirigiu em direção à horda e parou o carro. Imediatamente os walkers perderam o interesse no grupo e se viraram para eles, devido ao barulho do automóvel. Scott ficou em pé ao lado de Kath e a ajudou a metralhar os mortos. Eram muitos não iam dar conta. Mas um sujeito ruivo e uma garota provavelmente do grupo conseguiram chegar até o carro. Kath os avaliou rapidamente e entregou uma arma para cada um.
–-É bom usarem isso na coisa certa. -Disse os encarando ameaçadoramente enquanto entregava as armas. –-Tem mais aqui, deem um jeito de dar para o seu pessoal porque com facas eles não vão conseguir.
Voltou-se para os mortos novamente. O numero já havia diminuído, mas mesmo assim ainda tinha vários.
Quando finalmente acabaram havia corpos por todos os lados. O ruivo e a garota já não estavam mais ali. Olhou para Scott e o mesmo assentiu.
–-Se o grupo for grande, vamos leva-los pro Negan. -Negan. Kate detestava aquele sujeito. Por ela romperiam a aliança com o grupo dos Salvadores agora mesmo, mas Douglas nunca concordaria com isso, já que tinha medo de acabar com o bastão vampiro em sua cabeça. Recarregaram a munição e caminharam para trás daquela pilha de corpos para falar com o grupo.
–-Olá, eu sou Kath. -Disse olhando apenas para os que estavam na frente. –-Esse aqui é o Scott. Puta merda essa horda era enorme, vocês estariam fodidos se nós não tivéssemos aparecidos. -Kath olhou para aquelas pessoas novamente. Não queria leva-los pro Negan. Havia mulheres ali, sabia muito bem o que aconteceria com elas. Mas Scott era leal a ele. Colocou a metralhadora nos ombros e pegou um pedaço de madeira no chão. Todos os olhares de voltaram para ela. Ela ignorou e caminhou em direção ao seu parceiro de patrulhas.
–-Vamos leva-los até o Negan. -Scott falou encarando o grupo com os olhos semi serrados e sua costumeira expressão de mau.
–-Quem é Negan? -Um garoto negro que estava à frente falou.
–-Alguém que vocês não vão gostar de conhecer. -Antes que pudessem pensar em respondê-la, ela acertou Scott na cabeça com o pedaço de madeira o fazendo cair desacordado no chão. –-Desculpem por vocês verem isso. -Disse enquanto tentava arrastar Scott até o carro. –-Poderiam me dar uma ajudinha aqui. -O grupo ainda a encarava sem reação, ou pelo menos parte dele. Rick, Carl, Gleen e os outros membros que já a conheciam que estavam mais atrás estavam boquiabertos e não sabiam o que falar ao reencontrar a garota.
–-Não conhecemos você. -‘’Ah claro, depois de eu salvar vocês de uma horda, lhe dar armas e ainda bater no meu amigo para ajuda-los vou querer matar vocês.’’ Pensou ela, mas antes que pudesse responder o ruivo, uma voz extremamente conhecida se manifestou.
–-Katherine? -Foi tudo o que Rick conseguiu dizer. Estava sem palavras, nunca esperou vê-la de novo. Achava até que ela estava morta. As pessoas de seu grupo que estavam na frente logo se afastaram para que Kate pudesse ver o dono do seu coração.
Ouvir seu nome sair de novo pela boca de Rick fez seu sangue congelar. Largou Scott no chão imediatamente e ergueu a cabeça tentando encontrar o seu olhar. E ela encontrou. Ficaram ali se encarando, azul no azul. Foram alguns segundos para os outros mais para eles pareceu uma eternidade.
–-Rick? -Ela finalmente conseguiu fazer sua boca dizer alguma coisa. Mas o contato visual dos dois se rompeu bruscamente assim que sentiu braços rodeando sua cintura. Olhou para baixo e lá estava Carl lhe abraçando. O garoto estava quase do seu tamanho, nem precisou abaixar-se para abraça-lo melhor. Sentiu sua blusa começar a molhar e percebeu que o garoto chorava. Finalmente retribuiu o abraço e sussurrou para ele:
–-É bom reencontra-lo também mini Grimes.
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