Thinkers Club
3 Capítulo 3: Clube dos Pensadores
Notas iniciais
Fico quieta depois dessa. Ela volta a dirigir e eu só fico pensando no que ela acabou de dizer.
“Não desperdice-a”. Aí que eu percebi: A vida é um jogo de queimada. Vão atirar bolas em você, ah, vão. E você vai desviar delas. E, é claro, sempre vai ter alguém para te defender dessas bolas, segurando-as. E as vezes você mesma vai ter que pegar essas bolas, e em outras elas vão passar raspando. Só que, em uma hora ou outra, uma bola vai pegar você em cheio. Aí que acaba seu jogo de queimada da vida.
– Então? – Minha mãe diz.
– Então que eu preciso de pessoas que me defendam no jogo de queimada da vida, não é mesmo?
Chegamos. Saio do carro e a minha mãe fica pensando na minha última frase, ela está meio confusa. Acho que isso significa que eu preciso de um clube.
Quando chego em casa, jogo minha mochila no canto de uma parede e pego meu notebook. Veremos, site da escola. Clubes. Clube de teatro: não dá. Clube de costura: não sei costurar. Clube de culinária: Nunca. Clube de música: Não sei cantar nem tocar algum instrumento. Clube do livro. Só tem um problema com esse clube. Eu não leio nunca.
No final da lista de clubes, aparece, em letras pequenas e meio apagadas, o clube dos pensadores. Que clube é esse? Eu nunca ouvi falar dele. Mas, de qualquer forma, parece que bate comigo, pois eu penso muito. A página desse clube é branca, sem nada demais, sem fotos ou desenhos, só um texto de uma linha dizendo:
“ENCONTROS ÀS QUINTAS-FEIRAS ÀS 15:15 NO PORÃO”
“No porão?” Pensei.
Tudo bem. Amanhã é quinta. Vou visitar este clube, se eu gostar, eu entro, se não, vou pro clube da culinária aprender a cozinhar ou algo assim.
No dia seguinte, durante toda a aula eu fico pensando no tal clube. Por que no porão? São sozinhos demais? Por que eu nunca vi um cartaz desse clube? A curiosidade atinge níveis muito altos, até pra mim, que nunca me importei muito com as coisas ao meu redor.
A professora de história fala demais e esse demais é muito chato. Ponto final.
Na verdade o fato pelo qual eu não gosto de história é que não vejo nada de útil nisso. Na verdade, nem sei por que estou na escola. Tudo o que tinha de ser útil a aprender eu já aprendi, e a utilidade terminou lá pela 2ª série. Mas aqui estou, sentada na minha mesa, na sala de aula da 3ª C do Ensino Médio, esperando a aula acabar, quase morrendo de tédio.
Quando o sinal finalmente bate, eu pego minha mochila e saio correndo sem olhar pra trás, mas garanto que Amanda está curiosa, já que mal conseguiu me contar sua dose de fofocas diária.
Desço as escadas até o porão, não tem ninguém. Tá, talvez eu tenha sido um pouco apressada, acabei deixando Amanda sozinha, mas ela tem mais amigos, já se fosse ao contrário...
Começo a observar a sala. Então é lá que guardam as decorações de festas e eventos da escola (onde mais seria)!
Mesas enormes e bancos tão grandes quanto, cartazes de clubes do século passado, muitas coisas velhas que eu nunca vi na vida, ou vi por um período muito curto de tempo.
– Caham... – Pigarreia alguém atrás de mim.
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