Era o primeiro dia de Alicia no apartamento de Benson, e ela chegara atrasada. Olívia estava impaciente na sala esperando a nova babá contratada por indicação de uma agência. Tinha 37 anos, solteira, formada em diversos cursos de acompanhamento de bebês, com experiência em outras casas, sem filhos e com tempo disponível para ficar com seu Noah. Ela tinha receio enorme em deixar o menino nas mãos de alguém sem que fosse a si mesma. Tantos casos de violência doméstica de babás com bebês já relatados, que tinha excesso de preocupação em proteger o pequeno.

–Senhora Benson?

–Sim, você é Alicia? Certo?

–Sim senhora. Me desculpe o atraso, mas acabei não encontrado o prédio certo e...

Antes mesmo de terminar de relatar o motivo do atraso, Olívia interrompe-a.

–Tudo bem. Sua primeira vez na região? Acredito...

– É.

Ela fala um tanto sem jeito. Parecia mais calma que o que haviam informado. Enquanto entra com Alicia, Noah está em seu andador se movendo com rapidez pelo apartamento. Já estava com nove meses e um tanto de gás para os movimentos. Era ágil, mas também cansava com certa frequência. Queria desbravar o mundo, mas ainda era pequeno demais para tanto.

–Oi, bebê! Oi!

Olívia vai buscá-lo. Péssima ideia tirá-lo do andador naquele momento de diversão. Ele começa a chorar e resmungar, queria aquilo que queria e Liv sabia que seria um desafio ensiná-lo.

–Então, como você pode perceber... ele adora esse carrinho.

Ela começa a limpar as lágrimas que escorriam pelo rosto do menino, ele estava todo vermelho.

– Ei Noah, não chora. Não chora amor. A Alicia veio ser sua amiga!

Alicia se aproxima do menino que olha desconfiado. Não era filho de sangue de Liv, mas possuía fortes características dela. Ela estende a mão e pega a dele.

Oi, Noah! Tudo bem amigo?

Ele puxa o braço e enfia a cabeça debaixo do pescoço de Olívia. Não estava a fim de conversa.

Acho que alguém não está querendo conversar hoje.

– Definitivamente não, Alicia. Mas acredito que logo logo ele estará se entregando para você. Não é, Noah?

Noah continua quieto e abraçado ao pescoço da mãe, não queria larga-lá.

Está na hora dele comer algo, que tal me ajudar? Assim você conhece um pouco mais como as coisas funcionam por aqui.

–Sim, claro. Só as minhas...

–Ah, desculpe. Cabeça minha. Te levo até o seu quarto, me acompanhe.

Analisando Alicia de forma geral, ela era bem tranquila e dedicada. Estava se empenhando para conquistar a confiança de Noah que, sempre que podia, estava junto de Olívia devido seus choros e manhas que pareciam não ter fim.